Todo mundo já passou pela inquietante sensação do mistério do déjà vu - aquele lampejo de memória quando conhecemos alguém novo e sentimos que já o conhecemos, ou quando reconhecemos um lugar apesar de sabermos que nunca estivemos lá antes. Mas e se essas sensações estranhas e assustadoras forem, na verdade, avisos enviados do passado ou pistas para um futuro em andamento? No novo e instigante suspense de ação do produtor Jerry Bruckheimer e do diretor Tony Scott, escrito por Terry Rossio & Bill Marsilii, é a sensação de déjà vu que guia, inesperadamente, o agente da Agência de Tabaco, Álcool e Armas de Fogo (ATF), Doug Carlin (DENZEL WASHINGTON) através da investigação de um crime estarrecedor. Chamado para recuperar provas após a explosão cataclísmica de uma bomba em uma balsa de Nova Orleans, Carlin está prestes a descobrir que aquilo que a maioria das pessoas acredita que esteja só na mente delas é, na verdade, algo bem mais poderoso - e isso o levará em uma corrida de manipulação da mente para salvar centenas de pessoas inocentes. Na medida em que a investigação se aprofunda, ela não apenas investiga os planos de tempo e espaço mas também se torna uma história de amor inovadora que se passa de trás para frente, quando Carlin descobre sua confusa ligação emocional com uma mulher cujo passado guarda o segredo para impedir uma catástrofe que poderia destruir o futuro deles. Na fração de um segundo de um olhar, sem palavras, mas de total confiança, Carlin tem a chance de mudar tudo.
IBH - INSTITUTO BRASILEIRO DE HIPNOSE APLICADA CRP-PJ 05344
Resp. Téc. Clystine Abram CRP-05 15048
I SIMPÓSIO MULTIPROFISSIONAL DE ATENÇÃO HUMANIZADA À SAÚDE
DIA 10 DE NOVEMBRO DE 2009
LOCAL - HOSPITAL PHILIPPE PINEL – RJ
PROGRAMAÇÃO
08:00 - ABERTURA 08:30 – A INFLUÊNCIA DA ESPIRITUALIDADE NA SAÚDE Denise Assis (Psicologia IBH)
09:00 – TECNOLOGIA ASSISTIVA: O COMPUTADOR ADAPTADO PARA OS DEFICIENTES VISUAIS E TETRAPLÉGICOS Antonio Borges (Análise de Sistemas – Pesquisa – NCE-UFRJ)
09:50 – PRÁTICA DE PESQUISA EM HOSPITAL Luciana Saiter (Psicologia UFF)
10:10 – COFFEE BREAK
10:30 – ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR NA OBESIDADE MÓRBIDA Equipe de cirurgia bariátrica do HFAG Nancy Ferreira / Flávia Costa (Psicologia HFAG) Karina Mauro (Nutrição HFAG) Sérgio Furrer (Endocrinologia HFAG) Bernadete Valente Faria (Serviço Social HFAG)
11:30 – ATENDIMENTO HUMANIZADO À GESTANTE CARDIOPATA Natália Pinho de Oliveira Ribeiro (Psicologia UFF) Alexandre Rafael de Mello Schier (Psicologia UFF) Coord. Adriana Cardoso
12:00 – ALMOÇO
13:00 – O RISCO DO ADOECIMENTO MENTAL NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE Lislie Gomes (Medicina UNESA)
13:20 – A UTILIZAÇÃO DA HIPNOSE NO CTI Clystine Abram (Presidente IBH - Psicologia)
14:00 - PREVENÇÃO: ADOTE E CULTIVE ESTE HÁBITO! Luiz de Souza e Silva (Presidente ONG Núcleo e Ação)
14:30 – REABILITAÇÃO FÍSICA DE CRIANÇAS EM HEMODIÁLISE Maria Margarete de Souza – (Fisioterapia SEFHAM e CDR Botafogo)
14:50 - HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE: LÓGICA OU REDUNDÂNCIA? Carlos Eduardo Urjais Rodrigues (Gestão Hospitalar – SEFHAM – Prof. IBH) Marta Elini dos Santos Borges (Psicologia Min. Saúde HGB – Profª. IBH)
15:10 – COFFEE BREAK
15:30 – AUTISMO: UMA VISÃO MUITO ESPECIAL Heloisa Helena de Almeida Neves (Fonoaudiologia UFRJ)
16:00 – TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS Shirley Souza (Fisioterapia Min. Saúde HGJ) Heverton José Gonçalves (Méd. Veterinária – Hosp. Jorge Watse) Alexandre Monteiro (Psicologia CENTRONATI) Beatriz Berro (Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia – Hípica-RJ)
Investimento: Até 30/10/09 estudantes de graduação e do IBH – 25,00 profissionais – 40,00 Após 30/10/09 estudantes de graduação e do IBH – 35,00 profissionais– 55,00 Serão conferidos certificados aos participantes. Coord: Marta Elini S. Borges CRP-05 5894
Inscrições: ibha@ibha.com. br ou pelos telefones: (21) 2549-4413 ou (21)85004413
- VAGAS LIMITADAS -
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Em uma comunidade do Rio de Janeiro, os moradores que já passaram dos 60 anos estão cada vez mais perto do mundo virtual.
Sandra Passarinho - Rio de Janeiro
Para muitos idosos, o computador não é mais aquele bicho de sete cabeças.
A novidade é um sucesso na cidade de deus. Os idosos representam 20% dos alunos do curso. Maria do Socorro chegou assim no 1º dia de aula. "Eu pedi pro professor me apresentar a fera. não sabia de nada, nem como ligar", diz ela.
Um mês depois... "Isso aqui é o monitor, isso aqui é o teclado, isso aqui é o mouse".
Lá se aprende o be-a-bá da alfabetização digital. O curso abre uma porta para a descoberta de um mundo que maior parte desses idosos só conhecia de ouvir falar. Vários alunos ainda trabalham e começar a usar a internet para procurar informações profissionais. É o caso do eletricista Paulo César Inácio.
"Ajuda porque onde trabalho tem esse sistema", diz ele.
O acesso à rede facilita o pagamento de contas e ajuda o aposentado a se atualizar. "Gosto de saber como é que andam as políticas por aí...", diz uma senhora.
A vovó de 74 anos começou a se interessar por informática em casa, estimulada pelos netos, e hoje disputa o computador com eles. "Eles me vêem no computador e mandam eu sair. Eu digo não, vocês têm computador na casa de vocês".
O neto de Marta Azeredo montou aparelho na casa da avó. Ela já sabe mandar Correios e acha que a internet é importante para romper o isolamento do idoso.
"Por dentro eu me sinto com muita vida, mesmo. Eu sinto que sou capaz de fazer muita coisa. Ajudar também muita gente", diz uma senhora.
A gente conversou - ao vivo - pelo computador - com a dona Regina Simões que depois de se aposentar virou professora de informática. Assista ao vídeo.
As escolas públicas e privadas de Pernambuco podem ser obrigadas a incluir no projeto pedagógico o combate ao bullying. É o que prevê um projeto de lei.
No meio da rua, no centro do Recife, se compra um game pirata no qual os competidores são estimulados a perseguir os estudantes mais gordinhos ou os chamados nerds e a bater neles.
É o que se chama de bullying, um tipo de agressão gerada pela intolerância, que está nas escolas e agora também nesses jogos eletrônicos.
“Ser valentão estimula essa violência. Vivemos em uma sociedade em que a perversão e o prazer em ver o sofrimento do outro”, diz Carlos Brito, psicólogo.
Mas essa violência pode virar caso de polícia. É o que uma turma de Direito está estudando.
“Existem medidas sócioeducativas que vai dar advertências, liberdade assistida, prestação de serviços à comunidade, a semiliberdade e o caso excepcional que é a prisão”, fala Anabel Pessoa, coordenadora do curso de Direito.
As escolas públicas e privadas de Pernambuco podem ser obrigadas a incluir no projeto pedagógico o combate ao bullying. Isso é o que prevê um projeto de lei que está na Assembleia Legislativa.
Se a lei contra o bullying já estivesse em vigor em Pernambuco, provavelmente um rapaz não teria as marcas que tem hoje da perseguição que sofreu. “Você passa a se sentir totalmente diminuído, excluído, você passa a se sentir nada”, afirma.
Situação que Humberto Suassuna, estudante, não precisa mais enfrentar. Ele tem síndrome de down. Está no último ano do curso de educação física. Assim que percebeu o comportamento dos colegas dele, a direção da faculdade destacou um monitor para acompanhá-lo todo o tempo. “Sempre teve essa preocupação de me atender, me acolher, consegui ficar em sala regular e através disso eu vou conquistando a quebra desse paradigma”, afirma.
Um estudo mostra que pessoas mal-humoradas conseguem ser mais atentas, podem ter uma memória melhor e tendem a tomar decisões mais prudentes.
Lília Teles - Nova York
A pesquisa desafia o senso comum. É difícil acreditar que um pouco de mau humor e tristeza podem até fazer bem.
A pesquisa enche a bola dos rabugentos. O estudo diz que as pessoas mais negativas, que têm sempre o pé atrás, desconfiadas, têm uma capacidade de análise maior e conseguem pensar mais claramente. Ao contrário daquelas pessoas muito alegres, muito flexíveis, os mais amargos têm mais facilidade para tomar decisões e são menos ingênuos. O estudo foi conduzido por um professor de psicologia de uma universidade australiana, Joseph Forgas.
Ele observou voluntários que assistiram a diferentes filmes e também falaram sobre passagens positivas ou negativas da vida de cada um, para ver se isso os deixava de bom ou de mau humor.
Depois os participantes discutiram assuntos variados e descreveram eventos que tinham testemunhado.
A conclusão da pesquisa é que enquanto um estado de ânimo positivo facilita a criatividade e a cooperação, os mal humorados cometem menos erros e são melhores comunicadores porque são mais cautelosos com os julgamentos e prestam mais atenção ao mundo externo, ou seja, nem sempre é bom estar de bom humor. Às vezes, euforia demais atrapalha.
Álcool e adolescentes, uma mistura pra lá de perigosa. Apesar da venda ser proibida para menores de 18 anos, conforme a Lei nº 9294, de 15 de julho de 1996, não é dificil encontrar jovens abaixo dessa idade consumindo cerveja e destilados.
Na pesquisa desenvolvida pelo projeto "Este Jovem Brasileiro", mais de 80% dos entrevistados, entre 16 e 18 anos, já experimentaram álcool e 90% alegaram que a bebida é facilmente adquirida.
Além da saúde desses jovens estar em jogo, há também sérios problemas de convivio em sociedade que trazem consequencias mais sérias na idade adulta. Às vezes, o primeiro gole vem de forma ingênua e também associado a problemas em casa. Filhos de pais que nunca viveram juntos; jovens que têm relação ruim ou péssima em casa; famílias em que pai e mãe bebem demais, além de alunos com desempenho péssimo na escola e que faltam demais às aulas, são os grupos mais propensos a consumir frequetemente bebidas alcoólicas, conforme o estudo do Portal Educacional (www.educacional.com.br).
A pesquisa também mostrou os "fatores de proteção" ao consumo mais pesado: ter uma relação boa ou ótima dentro de casa, ter pai e mãe que não bebem muito, seguir uma religião e praticar uma atividade física moderada.
"Ela aponta para a necessidade de se discutir essas questões de uma forma mais séria, mas ao mesmo tempo mais dinâmica, dentro e fora da escola. E é fundamental que o jovem participe ativamente dessa discussão. Ele precisa entender os riscos e impactos do consumo abusivo de álcool e aprender a se relacionar com a bebida de uma forma mais saudável", comenta Jairo Bouer, médico psiquiatra e coordenador da pesquisa.
O estudo do Portal Educacional com 12 mil alunos, de 13 a 18 anos, e outro feito pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), do Estado de São Paulo, confirmam que muitos jovens buscam a bebida entre 11 e 13 anos. Dos 11.846 jovens que responderam à pesquisa do portal, 7924 já beberam. Desses, 37% começaram aos 13. Já no Cratod, outro dado relevante: metade dos 512 pacientes entre 12 e 17 anos atendidos lá têm pais ou parentes próximos com problemas relacionados ao consumo de álcool.
O álcool, assim como as drogas, causa uma relação de dependência e deve ter consumo controlado desde a adolescência. Entre adultos e jovens já se estima que o número de dependentes esteja entre 10% e 15% da população mundial. No Estado de São Paulo, por exemplo, pelo menos 1 milhão de pessoas sofrem desso alcoolismo.
Conforme o Ministério da Saúde, o alcoolismo é uma doença tratável, mas ainda não há cura. Isto significa que mesmo que um dependente de álcool esteja sóbrio por muito tempo e tenha sua saúde de volta, ele ainda está suscetível a recaídas e deve continuar evitando todas as bebidas alcóolicas.
O número de mulheres dependentes do álcool aumentou nas últimas décadas, conforme indica o "I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira". A pesquisa investigou em detalhes como o brasileiro bebe e mostrou que, em duas décadas, a proporção de mulheres entre a população alcoólatra passou de 10% para 30%.
De acordo com a pesquisa, 23% dos brasileiros (homens e mulheres) bebem frequentemente e pesado. Entre as mulheres, 17% bebem mais de quatro doses - considerado abusivo - e 63%, menos de duas. A pesquisa, feita pelo Conselho Nacional Antidrogas, em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas e a Universidade Federal de São Paulo, revelou também que 12% da população têm algum problema com o álcool.
O diretor do Centro Terapêutico Novo Horizonte, que fica em Itu, interior de São Paulo, Adriano Alves, analisa que a independência feminina seria a maior razão desse aumento no número de mulheres alcoólatras. "Foi um processo similar com o cigarro. Com o decorrer dos anos, as mulheres buscaram várias formas de se autoafirmar perante a sociedade. Antes era o cigarro, agora é o álcool", afirma.
Ele diz que ainda não é possível estabelecer um padrão, de quando e porque a mulher começa a beber. "Estudos que dizem que a maior parte das mulheres bebe como forma de se livrar dos sintomas da depressão inicial. Por outro lado, existe a tese que algumas fazem isso como forma melhorar o relacionamento com amigos", comenta. "Mas, sem dúvida, a influência dos pais é fundamental neste processo. Nos 17 anos de trabalho do Centro Terapêutico, podemos notar que 50% dos pais de jovens dependentes também bebem". Segundo Adriano, o alcoolismo é uma doença que afeta não apenas o paciente, mas toda a família, por meio da codependência.
Nem toda mulher sabe que que está consumindo em excesso. E aí mora o perigo de ser alcoólatra e nem saber. "A síndrome da dependência do álcool é uma doença caracterizada por compulsão (necessidade forte e desejo incontrolável de beber), perda de controle (inabilidade de parar de beber uma vez que já começou) e dependência física (com sintomas de abstinência como náusea, suor, tremores e ansiedade). Esses sintomas são aliviados com a ingestão da bebida ou outra droga sedativa. Quando a tolerância ao álcool diminui e a necessidade de beber fica cada vez mais para se sentir alto, é preciso atenção. "Não são necessários todos os elementos para caracterizar a doença. Mas se a pessoa já se deparou com esses sintomas, é hora de procurar ajuda", sugere Adriano.
Segundo ele, existem várias formas de tratamento, que começam com o apoio familiar e passam por acompanhamento psicológico em grupo ou individual, acompanhamento psiquiátrico e, em último caso, internação. "Procurar um profissional qualificado de imediato pode ser essencial para a pronta recuperação da paciente. Mas sempre se deve ter em mente que o alcoolismo não tem cura", lamenta Adriano. Isso significa que o dependente, nesse caso, sempre está sujeito à recaídas. "Por isso, continuar bebendo socialmente pode ser uma grande armadilha".
A drunkorexia (anorexia com bebida alcoólica) também é uma (nova) grande entre as mulheres. Elas deixam de se alimentar para beber. "Além de causas estéticas, essa doença é impulsionada por cobranças do mercado, angústias e compulsões profissionais. Buscando manter um corpo dentro do padrão exigido, algumas pessoas restringem o consumo necessário de nutrientes para o organismo e descontam seus anseios na bebida".
Quem bebe compulsivamente tenta se livrar da depressão, buscando momento de prazer, seguindo a mesma lógica das drogas em geral. Quer fugir da realidade. Ou então, vê-la pelo fundo da garrafa.
Para encontrarmos o projeto original de um indivíduo, precisamos compreender a imagem que ele aprendeu a ter de si próprio; a totalidade de significação que ele assegura à sua existência. Examinando historicamente a vida de uma pessoa, não como uma forma de descobrir as causas determinantes do comportamento mas para entender o processo de valorização que o indivíduo faz de suas alternativas de vida, procura-se entender a formação desse projeto. (ERTAHL, 1999, p. 65).
A ligação de Strauss com o Brasil foi crucial em sua carreira
O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que conviveu com tribos indígenas do Mato Grosso e da Amazônia, faleceu na madrugada do último domingo aos 100 anos de idade, informou nesta terça-feira um porta-voz da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris.
Lévi-Strauss era considerado o maior intelectual francês vivo. Ele exerceu uma importante influência sobre as ciências humanas na segunda metade do século 20.
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, o antropólogo foi um dos fundadores do chamado pensamento estruturalista, segundo o qual os processos sociais são originários de estruturas fundamentais que são frequentemente não-conscientes.
Professor honorário do Collège de France, que reúne os grandes intelectuais do país, e único membro centenário da Academia Francesa de Letras, Lévi-Strauss foi professor de sociologia na Universidade de São Paulo de 1935 a 1938.
Brasil
Segundo o próprio Lévi-Strauss, f oi esse convite para lecionar no Brasil que inspirou sua vocação para a etnografia – o estudo descritivo das sociedades humanas.
De 1935 a 1939, ele organizou e dirigiu várias missões de estudos de tribos indígenas no Mato Grosso e na Amazônia.
Em 1955, ele publicou Tristes Trópicos, sua obra mais famosa, que o tornou conhecido no mundo todo.
O livro mistura lembranças de viagens, meditações filosóficas e relatos de seus encontros com os índios brasileiros, o elemento central da obra.
A obra científica de Lévi-Strauss, desde seus primeiros trabalhos sobre os índios no Brasil, foi reconhecida internacionalmente. Ele renovou os estudos dos fenômenos sociais e culturais, principalmente dos mitos.
No ano passado, o Museu do Quai Branly, em Paris, realizou um evento para celebrar o centenário de Lévi-Strauss com leituras de suas obras e documentários sobre sua vida, além de fotografias e exposições de objetos das diferentes populações estudadas pelo antropólogo.
Lévi-Strauss sofria de mal de Parkinson e completaria 101 anos no próximo dia 28.
A mais subestimada das virtudes humanas faz muita falta no mundo
Eliane Brum
ELIANE BRUM ebrum@edglobo.com.br Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo.
É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo)
Vivo num prédio em que boa parte das pessoas não dá bom dia. Nem mesmo um grunhido. Nada. Fora o resto. Na semana passada, abrimos o porta-malas do carro para retirar as compras do supermercado, bem ao lado do elevador. Duas mulheres puxaram a porta antes que conseguíssemos alcançá-la, para não ter de dividir o elevador. Puxaram a porta, porque se ela tivesse fechado naturalmente teria dado tempo de entrarmos. Dá para acreditar? Claro que dá. Volta e meia cruzo no pátio, indo ou vindo, com gente que vai ou vem – e abaixa rapidamente a cabeça para não cruzar os olhos e, então, ser obrigada a me cumprimentar. Essas pessoas não me conhecem, nem sabem se sou bacana ou chata, logo, não é pessoal. Até o zelador, cujas atribuições incluem dar bom dia, só cumprimenta quando está de bom-humor.
Então, aconteceu.
Aquele vizinho, em especial, me irritava muito, porque ignorava solenemente meus sonoros bom-dia e boa-noite. Ele simplesmente passava por mim – e por todo mundo – numa marcha militar, olhos fixos em alguma movimentação de tropas no campo adversário. Eu voltava da minha aula de pilates, na manhã de quarta-feira, toda alongada e saltitante, quando o vi avançando em passadas largas na minha direção. “Bom dia!”, eu disse. Nada. Grilos. Cri, cri, cri.
Aquilo me irritou muito. Mas muito mesmo. Não pensei. Simplesmente me virei, marchei mais rápido do que ele, postei-me na sua frente e gritei: “Bom dia! É importante dar bom dia para as pessoas!”. Ele ficou totalmente desconcertado. E o resto eu não vi, porque marchei direto para o elevador, num passo tão marcial como o dele.
Foi uma cena totalmente absurda. Eu fui absurda. Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza. E não é nada gentil obrigar alguém a ser gentil. Eu fui o oposto de gentil gritando diante do homem que ele deveria ser gentil.
Mas o episódio serviu para que eu pensasse nessa virtude tão subestimada em nosso mundo. Gentileza parece algo menor, descartável. Em alguns casos, até meio otário. Ou fora de moda. Até para escrever essa coluna me pareceu prosaico demais. Pensei: vão achar que estou sem assunto. Então, decidi correr o risco de soar piegas.
“Gentileza gera gentileza”, o título da coluna, foi tomado emprestado dele, o próprio Gentileza. Se você não o conhece, vá atrás de sua história. Garanto, vai ganhar o dia. Eu mesma, na minha ignorância, só sabia que Gentileza havia sido um poeta das ruas que escrevia pelas pilastras do Rio de Janeiro, um pouco maluco, meio folclórico, um tanto extraordinário. E que um dia foi tema de uma música de Marisa Monte. Era bem mais do que isso, descobri. Gentileza foi um grande homem, com um grande legado e uma grande vida.
Passou a maior parte dela pregando a gentileza como um modo de existir. Depois que morreu, em 1996, velhinho, aos 79 anos, a Companhia de Limpeza Urbana do Rio cobriu seus escritos nas pilastras do viaduto do Caju com tinta cinza. Não podia ser mais simbólico. O apagamento de Gentileza gerou um movimento de reação chamado “Rio com gentileza”, que resgatou o livro urbano de Gentileza e propõe a gentileza como uma forma de estar no mundo. Comecei a pesquisar sobre o Gentileza na internet e de cara entrei no site do movimento. Depois de uma delícia de passeio por lá, saí com vontade de propor o movimento Brasil com gentileza para o meu vizinho.
É sério. Parece pouco. É muito. Faz uma enorme diferença. Quando somos maltratados em algum lugar, por alguém, isso já envenena o nosso dia. E desencadeia reações desencontradas em cadeia. Por outro lado, às vezes nem percebemos, mas a beleza de outro dia, nosso suspeito bom-humor num dia comum, começou lá atrás, quando alguém teve um gesto gentil, nos acolheu com simpatia, nos tratou bem. Seja o nosso chefe, o motorista do ônibus, o balconista da padaria. Faz bem para a vida ser tratado com gentileza. E um gesto gentil também desencadeia reações similares em cadeia. Gentileza, o profeta, tinha toda a razão quando respondia aos que o chamavam de maluco: “Maluco pra te amar, louco pra te salvar”.
Gosto muito de observar as pessoas, os enredos. Percebo que grandes desencontros são desencadeados por um detalhe muito pequeno. É como aquelas cenas de animação, em que o personagem tira uma pedrinha do lugar e causa uma avalanche. Você já deve ter visto em alguma reunião de empresa ou mesmo dentro de casa ou numa repartição pública. Alguém fala algo sem nenhuma gentileza, que poderia ser dito de um jeito muito mais cuidadoso. O destinatário daquela mensagem recebe como agressão e retruca um tom acima. Daí em diante, já era. Não acaba em nada de bom.
Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.
Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar.
Por que algo tão essencial se tornou supérfluo? Porque gentileza não se consome, talvez. Não tem valor monetário. Não se ganha nada de material com ela. Também não custa nada.
Esta, em parte, é a insubordinação contida na arte de Gentileza, o poeta das ruas. Ele, que nunca aceitou um centavo pela sua gentileza. Dizia: “Cobrou é traidor – o padre tá esmolando, o pastor tá pastando e o papa tá papando, papão do capeta capital”.
O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer. Como o que Gentileza deu à cidade do Rio de Janeiro: não apenas seus escritos, mas seu existir. Sua estética era sua ética, ele as continha ambas no seu viver.
Era grande o que ele gerava nas vizinhanças do Caju, ao dar algo que ninguém pediu – sem querer ganhar nada com isso. Nos últimos tempos só acenando sorridente ao lado de sua obra física. Suavemente ele punha abaixo a lógica do mundo. Só sendo. E ser era tão subversivo que, na época da ditadura, chegaram a achar que Gentileza era comunista. Teve de dar explicações às autoridades sobre as iniciais PC do estandarte que então carregava pelas ruas: não, não, PC não era Partido Comunista, mas Pai Criador.
Hoje, tratar mal as pessoas, marchar pelos corredores, fechar a cara, não dar bom dia e dizer coisas duras sem nenhum cuidado parece ser um atributo dos poderosos. Quase uma virtude. Ao conhecer alguns CEOs por aí, fico imaginando se no currículo deles está escrito: “Há 20 anos grita com quem está abaixo dele na hierarquia”. Ou: “Tem PhD por Harvard em humilhação dos subordinados”. Ou ainda: “Massacra os funcionários em inglês fluente, mas se for necessário pode xingar também em francês e mandarim”.
O conjunto de características que costuma cercar o poder é imediatamente incorporado pelos subordinados. Nessa lógica, há sempre alguém mais ferrado que podemos maltratar, a quem não precisamos beneficiar não com a nossa gentileza, porque gentileza não tem nada a ver com isso, mas a quem não precisamos beneficiar com a nossa bajulação. Canso de ver motoboys ser maltratados por recepcionistas de empresas chiques, enquanto me tratam bem porque numa rápida avaliação da minha roupa acreditam que talvez, quem sabe, posso ser alguém importante. Canso também de ser gentil e, por isso, ser tratada com rispidez, porque confundem minha gentileza com fraqueza. Recuso-me a embarcar nessa lógica que me obrigaria a falar alto e exalar arrogância para ser tratada com deferência. Prefiro falar com delicadeza e exalar apenas o meu perfume.
Acho que ser gentil não é nada prosaico, é um ato de resistência diante de uma vida determinada por valores calculáveis: só faço tal coisa se ganhar algo em troca, seja dinheiro ou um dos muitos pequenos poderes ou um ponto a mais com quem manda. A gentileza vira essa lógica do avesso: sou gentil sem esperar nada em troca. Sou gentil porque sou. Não porque tenho ou porque quero. Apenas sou. E, como sabemos, o ter – o consumir desenfreado – é aquele que vai tentar preencher o buraco aberto pela impossibilidade do ser.
Numa de suas internações porque alguém decidiu que ele era louco, Gentileza passava os dias com os outros internos ao redor, pregando sua gentileza. Até que um psiquiatra teria dito: “Gentileza, você veio aqui para nós te curarmos ou para você nos curar?”. Alguém que, como ele, havia se desfeito de todo o patrimônio para pregar a gentileza só poderia mesmo ser considerado louco nesse mundo. Mas, ainda bem, havia um médico que também era um pouco doido para devolver Gentileza às ruas.
Dia desses flagrei-me sendo indelicada com a moça do telemarketing. Me senti muito mal. É chato, todo mundo sabe. Ela também acha chato, tenho certeza, ter de falar como um robô horas a fio, dia após dia. É bem pior para ela do que para mim. Desde então, tenho me esforçado. Pouco antes de começar a escrever esse texto peguei a mim mesma respondendo secamente a uma assessora de imprensa que ligou, errando o meu nome (Elaine Blum) e perguntando se eu trabalhava com um tema que não tem nada a ver com o que faço. É verdade que não é legal errar o nome e a área das pessoas para quem queremos dar uma informação, mas também é óbvio que ela preferia acertar. Às vezes até nos convencemos que temos razão de sermos incivilizados, mas não temos. Se tínhamos alguma, a perdemos no momento em que agimos mal. E sempre há um jeito de dizer, mesmo coisas muito duras, sem arrasar quem nos escuta.
Tenho uma grande amiga que se apaixonou por um homem numa festa. Foi um dos poucos casos de amor ao primeiro gesto que testemunhei. Ela derrubou comida na roupa e ele imediatamente pegou um guardanapo para ajudá-la a se limpar. Logo depois, a encontrei no banheiro e ela me pegou pelo braço: “Vou casar com aquele cara”. E eu, chocada diante de alguém que era famosa por ser avessa a casamento: “Como assim?” E ela: “Ele é gentil”. Ele era – e é – um homem incrivelmente gentil. Estão juntos há sete anos, e o deles é um dos casamentos mais felizes que conheço. Minha amiga, que tinha alguns cantos bem abruptos, ganhou contornos mais arredondados: descobriu que também havia uma mulher gentil morando dentro dela.
Gentileza não é mesmo algo que temos, é mais algo que somos. E que nos tornamos. Talvez o verdadeiro poder esteja naquele que pode dar sem esperar nada em troca. Como Gentileza.
Assim como inventaram um dia sem carro, acho que podíamos criar um dia com gentileza. Não precisa ser uma campanha de massa, basta uma decisão interna, silenciosa, de cada um. Só para experimentar. Um dia só tentando ser gentil. Engolindo a palavra ríspida, calando a fofoca ainda no esôfago, olhando de verdade para as pessoas, escutando o que o outro tem a dizer, mesmo que não nos pareça tão interessante, sorrindo um pouco mais.
Pequenos gestos. Segurar o elevador, dar oi e dar tchau, não se atravessar na frente de ninguém nem sair correndo para ser o primeiro, ter paciência em vez de se irritar, elogiar um pouco mais, deixar passar o que não foi tão legal, mas também não foi tão grave e, quando a crítica for imprescindível, abusar da delicadeza. Um dia só, mesmo que seja apenas para experimentar algo diferente.
Dizem que ou nós comandamos a nossa vida, ou acabamos comandados por ela. Antes que se note, o dia-a-dia tomou conta, e tudo o que fazemos é repetir tarefas sem pensar. O curta fala sobre uma mulher que largou as rédeas da vida.