A razão cínica

 

http://sergiogsilva.sites.uol.com.br/imagens/jurandir_freire.jpg   O psicanalista Jurandir Freire Costa leva o Brasil ao divã e constata que o desamparo político explica a ânsia de tirar vantagem em tudo.

 

Jurandir Freire Costa

 

 

A infindável farsa conhecida como transição democrática pode levar o povo brasileiro à loucura? Jurandir Freire Costa, 44 anos, destacado psicanalista de consultório e diretor do Instituto de Medicina social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, desconfia que sim. A psicanálise, normalmente distante dos embates sócio-políticos, costuma acudir indivíduos problemáticos. Seu método, sozinho, é incapaz de fundar uma teoria social. Pode, porém, ajudar a entender o que se passa com um país, onde a crise dos valores, a rigor, prescreveria que toda a população mergulhasse no divã. Costa puxou o fio da meada psicanalítica num polêmico artigo - "Narcisismo em Tempos sombrios"-, publicado em meio a uma coletânea aparentemente especializada: Percursos na História da Psicanálise (Ed. Taurus). Os tempos sombrios do título são, obviamente, aqueles em que vivemos. O narcisismo, diz Costa, é a chave para se entender uma sociedade desagregada que elegeu como pauta de comportamento o oportunismo e o cinismo. O brasileiro tornou-se, pensa o psicanalista, "um homem sem pudor", voltado apenas para si mesmo, não se identificando com nenhum valor social. Costa tornou-se vítima pessoa dessa degenerescência política ao ser expurgado, recentemente, ao lado de outros técnicos progressistas, do Hospital Psiquiátrico Pedro II, do rio, pelo novo diretor da instituição, Pedro Monteiro de Bastos, por sua vez apadrinhado do deputado federal Jorge Leite (PMDB-RJ). A indicação de Bastos era uma recompensa a Leite pelo voto a favor dos cinco anos para José Sarney.

Leia abaixo a entrevista.

 

Isto É - A psicanálise tem condições de dizer para onde vai o Brasil?

Jurandir Freire Costa - Uso o instrumental da psicanálise, é verdade. Mas eu não estou explicando o Brasil psicanaliticamente. Estou dizendo: face a essa desorganização que existe, veja como a gente começou a se comportar. O que eu quero é apontar que, formado esse círculo vicioso de desestruturação da sociedade, começa a existir um dado novo que escapa ao controle puramente político, econômico ou social, que é o dado psicológico.

Isto É - E qual é a sua análise?

Jurandir Freire Costa - Indica que se precipita sobre todos nós essa situação de desesperança, de descrença e de desespero. Ou se consegue restituir a possibilidade de investir num projeto futuro e nas realizações de ideais, ou então vamos Ter um dado incontrolável, que é o medo, o pânico das pessoas, que levará o indivíduo a querer se defender a qualquer custo, permanecendo o mais fechado possível e abrindo mão da intervenção no social.

Isto É - Como é que se percebe isso, no dia-a-dia?

Jurandir Freire Costa - Na transformação dos brasileiros em indivíduos social e moralmente supérfluos. Por isso, essa sensação nacional de que nada mais tem valor. Passa a proliferar a idéia de que o valor não existe, que tudo é igual. Ou seja, passa a imperar uma filosofia, que eu chamo de razão cínica, que, no nível político, do dia-a-dia, diz que, seja eu um mau caráter, seja eu um homem de bem, é exatamente igual. Ou pior, do ponto de vista do usufruto individual, até há mais vantagens em ser um cafageste.

Isto É - Como é que se chegou a essa moral do desespero?

Jurandir Freire Costa - A queda do autoritarismo trouxe, no seu bojo, uma desorganização muito grande. Uma vez desestruturada a sociedade, os indivíduos se precipitaram nesse regime de economia ego-narcísica que, por sua vez, faz com que ele realimente o processo de desorganização, criando um círculo vicioso. Ou seja, as pessoas foram empurradas para um regime de economia mínima - do eu mínimo -, que realçou seu narcisismo, em detrimento da sua possibilidade de exercício da cidadania. No momento em que elas começaram a funcionar dessa maneira, passaram, por outro lado , a retroalimentar o processo de dissolução do social.

Isto É - O que o narcisismo tem a ver com a realidade nacional?

Jurandir Freire Costa - Por natureza, o homem não é um ser social. Não existe nele, como nas abelhas e nas formigas, um instinto de preservação da espécie - apenas o de autopreservação. Somos, então, por natureza, narcísicos, porque só vemos, primordialmente, o nosso bem-estar individual. O convívio social, e mais ainda, o convívio social democrático, nos impõe, portanto, um trabalho enorme.

Isto É - Como assim?

Jurandir Freire Costa - É simples. A instância primeira do homem é o seu narcisismo, o seu instinto de autopreservação. Mas existe uma Segunda instância, igualmente importante, que poderíamos chamar de ideais - o que eu quero vir a ser, aquilo que eu poderia ser, o que eu gostaria de ser. O bom funcionamento de uma sociedade é ditado pela eficiência com que ela agencia esses ideais, como que ela lida com essa espécie de suborno que viabiliza a vida em sociedade.

Isto É - É essa eficiência que falta à sociedade brasileira?

Jurandir Freire Costa - É. O que me torna aflito em relação ao projeto da sociedade brasileira é quando esses ideais entram em falência.

Isto É - Alguma vez o brasileiro experimentou essas perspectiva de futuro, de realização de seus ideais?

Jurandir Freire Costa - Claro. Pelo menos a classe média. Sempre, no brasil, houve uma imensa massa que, ao longo da história, foi despida de [64] qualquer possibilidade de participação social. O problema é que essa situação de superfluidade - termo concebido pela brilhante Hannah Arendt -, de que nada que a gente faça, nada que a gente diga, nada que a gente queira, importe para a sociedade está, agora, atingindo também a classe média.

Isto É - E qual a conseqüência da cassação dos ideais da clase média?

Jurandir Freire Costa - é bom lembrar que ela sempre foi colchão de ar entre as elites e os excluídos, uma guardiã da moralidade, em cima da qual se incutia e germinava a ética do trabalho, do respeito, da moralidade, do bom comportamento, que a elite nunca teve e que os despossuídos nunca precisaram ter.

Isto É - Contaminada a classe média, o que acontece?

Jurandir Freire Costa - Acontece o que estamos vendo todos os dias. O comportamento das elites agora sem



Escrito por Regina Lopes às 15:20
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amortecimento da classe média, tem um efeito de demonstração, no sentido de aguçar o comportamento marginal da classe pobre, que é o da delinqüência assassina, mortífera.

Isto É - Quer dizer, pode piorar?

Jurandir Freire Costa - Esse questionamento, por sinal, está intimamente relacionado com a razão cínica. São mecanismos de acomodação histórica que fazem com que o cidadão acredite que nunca a coisa é tão grave, que não é verdade que o País esteja tão mal, que isso é pânico antes do tempo, que ele vai conseguir escapar. Por força disso, germinou entre nós a idéia de que, neste país, em tudo se dá um jeitinho. O que não tem nada de verdade. Existem sociedades que se tornaram inviáveis, mesmo. E o perigo não é a meu ver, apenas o prolongamento desse estado de coisas por mais algum tempo, e sim chegarmos a ponto de perdermos a idéia de sociabilidade e o país se fragmentar em gomos.

Isto É - O que seria isso, exatamente?

Jurandir Freire Costa - É o estado em que, acho eu, está mergulhada a Colômbia. Ela está um passo à frente do Brasil. Num ponto em que já perdeu o sentido de representatividade e as pessoas estão dominadas pelo império do tráfico de drogas que desestruturou a sociedade.

Isto É - O senhor atribui o problema brasileiro à crise posterior à queda do autoritarismo. De que tipo de crise o senhor fala?

Jurandir Freire Costa - Basicamente, esse processo de detonou através da irresponsabilidade dos que assumiram o poder depois do fim dos governos militares.

Isto É - A razão cínica não proliferou sob a ditadura?

Jurandir Freire Costa - Ela estava latente. Mas sua manifestação estava representada pela perspectiva de concretização de um ideal, o de que tudo iria mudar e de que, com o fim do regime militar, a gente iria fazer uma democracia verdadeira e construir o brasil com que a gente sonha.

Isto É - Seria correto dizer que a razão cínica se acentua durante as crises econômicas?

Jurandir Freire Costa - Sim, se acentua, porque não há mais condição de bancar sequer uma promessa de conforto que, no Brasil, foi representada pelo carro financiado em 36 meses, a casa própria via BNH e o acesso facilitado a diversos bens de consumo. Por que isso? Nas crises, o homem habituado a delegar poderes à elite para decidir o que é melhor para o bem comum perde a confiança na Justiça e a apatia política se acentua e toma as pessoas, em maior ou menor grau, à perda do sentido de responsabilidade social.

Isto É - Essa reação já foi estudada pela psicanálise?

Jurandir Freire Costa - Estudada, não. Freud tentou, numa espécie de ensaio com tinturas de ficção, antever o que aconteceria a uma sociedade que entrasse numa crise de autoridade e perdesse a noção da transcendência da Justiça. Valeu-se para isso de um romance inglês, When it was dark, como forma de ilustração. Nesse livro, teriam sido descobertos fatos históricos que negavam a ressurreição de Cristo. A morte de Jesus, e portanto de Deus, teve na história o efeito de desmantelar completamente a vida social, pelo  aumento da violência. Os indivíduos, sem Deus, passaram a descrer das leis e a agir pressionados simplesmente por seus medos ou interesses privados.

Isto É - Não é esse o quadro da criminalidade no Rio, por exemplo?

Jurandir Freire Costa - Não é possível, nem exato, transpor uma situação retratada numa ficção para a realidade brasileira. Certamente, não chegamos a esse ponto. Mas se o pânico narcísico ainda não se instaurou, há indícios sociais que apontam para lá.

Isto É - Quais?

Jurandir Freire Costa - Diante de uma sociedade em degradação, o ego-delinqüente, fruto do pânico narcísico, tem a tendência de manifestar-se de duas maneiras: ou como absolutamente impotente, ou como onipotente. Quando impotente, ele se traveste no modelo da subserviência burocrática, onde a regra é a obediência devida, qualquer lei é lei, autoridade e autoritarismo são indissociáveis e o que o move é o medo. Na outra ponta, encontramos a arrogância onipotente que tem a desobediência como a lei. Desse lado, estão o marginal que não vacila em matar alguém por um relógio de plástico ou um par de tênis, o cidadão que estaciona em fila tripla, paralisando o trânsito de toda uma rua só para apanhar seu filho na escola, o político ladrão e o empresário fraudulento. Engravatado ou descamisado, o delinqüente arrogante considera-se acima da lei e desafia todos os que não querem transforma-se em apêndice de sua onipotência.

Isto É - Busca instaurar sua própria lei?

Jurandir Freire Costa - Exato. Chamo de legislar em causa própria. A lei passa a ser a de um só, a lei do banditismo. Porque lei a gente aprende na prática. Não é através de teoria. É vendo e agindo, o tempo inteiro. Só observando nossos companheiros da sociedade é que vamos introjetando as normas de conduta social.

Isto É - E os nossos exemplos de hoje são o político corrupto, o empresário sonegador, o marginal e o motorista que elege sua própria lei de trânsito...

Jurandir Freire Costa - Posso acrescentar outros exemplos tão ou mais graves. A responsabilidade do funcionalismo público nesse estado de coisas, por exemplo. A meu ver, o funcionário público é o protótipo do indivíduo narcísico e um fato absolutamente abominável neste país. Ele tem ainda uma dupla ação



Escrito por Regina Lopes às 15:19
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abominável neste país. Ele tem ainda uma dupla ação social: a de exemplo vivo da cultura do levar vantagens e a de germe de dissolução do social.

Isto É - O senhor se refere ao empreguismo?

Jurandir Freire Costa - Sejamos direto. Esses lugares são todos cabides de emprego, onde se entra basicamente pelo nepotismo, pelo clientelismo e onde se demole diariamente qualquer sentimento de dignidade que possa ainda resistir.

Isto É - Como assim ?

Jurandir Freire Costa - Porque os funcionários públicos - e, aí, obviamente, estou falando de maneira genérica - não se enganam. Eles sabem que são parasitas, que não fazem jus aos salários que recebem. Eles sabem que não trabalham e as elites brasileiras habituaram gerações e gerações de pessoas - que não são poucas - a viverem nessa situação de indignidade, onde o que prevalece é, exclusivamente, o interesse corporativo, de extorquir cada vez mais, num reflexo imediato ao comportamento dessa mesma elite. Em setores como educação e saúde, isso é pavoroso, para não falar na administração do Estado. Eles estão, no dia-a-dia, mostrando ao cidadão como se vive de forma parasitária, criando, portanto, um sentimento de injustiça atroz. Basta ver como um operário que trabalha e, de fato, produz riqueza - e tem consciência da dignidade do que ele faz para a sociedade - é tratado dentro da burocracia do aparelho do Estado, ou no setor de saúde, ou no de educação.

Isto É - O exemplo, então, é o pior possível?

Jurandir Freire Costa - Na burocracia, na obediência cega, que confunde, como eu já lhe disse, autoridade com autoritarismo e segue a ordem pela ordem, está um dos piores germes da dissolução do social, que é o germe do fascismo e do nazismo. Numa sociedade autoritária, ditatorial, a opressão é fundada, basicamente na rotina e na burocracia. São aqueles que obedecem até o ponto de torturar e matar os outros. Quando se passa a obedecer cegamente, você perde o sentimento do que é a lei, na medida em que as regras são frutos da discussão pública. As leis mudam, somos nós que as fazemos e elas são sempre melhores em função do interesse comum. Se não as discutimos, e advogamos que qualquer lei é lei, então estamos do lado da marginalidade e somos capazes de desprezar as regras e instaurar nossa própria lei.

Isto É - E o exemplo dos políticos?

Jurandir Freire Costa - Bem, as promessas não cumpridas ou frustradas - que tiveram grandes momentos do fim do autoritarismo para cá, com a morte de Tancredo Neves e o fim do Cruzado - podem estar entre as maiores causas da desesperança. Acho que os políticos têm uma responsabilidade muito grande. A meu ver, é preciso existir um espaço onde a reflexão sobre a ética e o bem comum seja possível, e esse lugar privilegiado é o político, na sua verdadeira dignidade. É preciso quebrar essa imagem - e que já virou senso comum - de que todo político é um ladrão, um parasita.

Isto É - Um ilustre representante do "centrão' lançou mão da frase "é dando que se recebe". Ele não passa a ser um militante dessa razão cínica que ameaça o País?

Jurandir Freire Costa - Nem é cinismo - é desfaçatez elevada à milésima potência. Primeiro, subverteu-se, de uma maneira inconcebível, uma figura como São Francisco de Assis. Depois, como politico, dizer isso dentro deste país, no momento atual, num contexto de troca de favores, de pilhagem, de insensibilidade absoluta em relação ao estado em que está o Brasil, é muita irresponsabilidade.

Isto É - A versão mais bem-acabada da razão cínica...

Jurandir Freire Costa - Não, a versão mais elaborada está nas universidades, nos meios acadêmicos. Mas eu faria papel de tolo se dissesse que são teorias produzidas no Brasil ou adaptações feitas, propositadamente, para a realidade brasileira. Elas são basicamente idéias produzidas na Europa e nos Estados Unidos, mas, transpostas e aceitas por um certo número de pessoas, são nocivas por engrossar o caldo de irresponsabilidade. Essas teses a que se poderia chamar de relativismo ou racionalismo procuram justificar através de argumentos - muitos extraídos com impropriedade de autores como Nietszche e Foucault - uma crítica à existência de valores. Como se dissesse: sempre foi assim e sempre será.

Isto É - Com o que o senhor não concorda?



Escrito por Regina Lopes às 15:18
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Jurandir Freire Costa - Para mim não é preciso ser idealista, nem metafísico grego, para afirmar que os valores foram feitos por nós e, portanto, não são hiperhumanos, nem perfeitos. Mas estão longe de serem apenas, como advogam os adeptos da razão cínica, mecanismos exclusivamente de coação, ou, como dizem, instrumentos de dominação. Existem leis e valores que surgem do consenso, como o conceito de democracia - onde se procura assegurar o espaço para a divergência de opiniões e a proteção aos mais fracos - e mecanismos de obediência consentida, como as leis de trânsito. Que não existam leis divinas, eu concordo com eles. Mas que todas as leis são violentas e servem apenas para a defesa de interesses particulares dos mais poderosos, isso eu considero um erro primário e perigoso.

Isto É - O senhor não é tão cético quanto essas pessoas?

Jurandir Freire Costa - eu sofri ácidas críticas por estar desenhando um panorama absolutamente negro do País. Não é isso. Tenho certeza de que existem pessoas que se estão associando, que estão defendendo seus interesses de maneira legítima, que estão lutando por algumas coisas melhores. Como um amigo meu me lembrou, em certos subúrbios, comunidades de bairro, você ainda vê práticas de solidariedade, certos objetivos que se tentam cumprir coletivamente. Há políticos que eu respeito, que têm um projeto nacional, como há colegas que eu respeito. Eu não diria que o País inteiro esteja mergulhado nisso. Se assim fosse, seria a hecatombe. As pessoas que estão na contramão, contudo, são pessoas muito acuadas. Quando escrevi meu artigo sobre o assunto, quis me comunicar com essas pessoas, dizer que há outras pessoas que se importam, que querem reagir e que adianta, sim. Aqui dentro da Universidade, por exemplo, onde chefio o Departamento de Medicina Social, meus colegas não vão  parar de dar aulas e não vão parar de cumprir expediente, não. Tenho os instrumentos institucionais e, se precisar, a gente obriga, sim. O aluno vai fazer prova. O professor vai dar aula, vai ser responsável pela produção.

Isto É - Dá para iniciar uma mudança de rota?

Jurandir Freire Costa - O desfecho eu não sei, porque parto de um pressuposto radical, no modelo de Hannah Adrendt. Acho que, quando a gente prevê o desfecho, está muito perto de criar o que se chama de sociedade autoritária.

Isto É - Não é possível, então, apontar uma saída?

Jurandir Freire Costa - A saída, não. O que eu poderia dizer é o que não é a saída, por exemplo, achar que podemos, individualmente, encontrar a solução. Também não é saída continuarmos achando que é tudo culpa do Estado e não da sociedade, que nós, enquanto cidadãos, não temos nenhuma responsabilidade sobre isso e que compete exclusivamente aos governantes resolverem os nossos problemas. Por essa demissão, a gente paga caro. Foi a demissão do povo alemão que os levou à derrocada da República de Weimar e ao nazismo. Também não é saída a esperteza. Não vai demorar e as pessoas perceberão que para cada trambique que derem, tem dez outras para dar trambiques nelas. Então, pouco a pouco, elas vão querer a ordem. E será a ordem fascista.

Isto É - É para isso que podemos nos encaminhar ?

Jurandir Freire Costa - Sim. Essas pessoas não vão mais aceitar a desordem, e os resultados eleitorais vão começar a apontar isso, para a eleição de políticos que tenham esse tipo de perfil, com maior ou menor dose populista, mas que vão vir para isso. Será o ápice da demissão.

 

 

[1] Revista ISTO É, Nº 982, 11 de julho de 1988, p. 3-7. Entrevista dada a Maurício Dias e João Carlos Leal com o título de "A Lei do Gérson". Este texto também encontra-se publicado no livro ÉTICA E O ESPELHO DA CULTURA, Rio de Janeiro: Editora Rocco, pp. 62-70. Entre parênteses encontra-se a referência originalmente no livro



Escrito por Regina Lopes às 15:18
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Em "Substitutos", robôs tomam lugar dos humanos

SÃO PAULO (Reuters) - No futuro, os seres humanos poderão se desvencilhar de algumas tarefas e delegar sua execução a um robô. Todas as atividades econômicas passariam, então, a ser executadas por máquinas, controladas à distância por seus proprietários, instalados em poltronas confortáveis e ligados a computadores que transmitem as ordens de seus cérebros aos substitutos.

O que parece ser um sonho fascinante, no entanto, pode esconder uma realidade nada agradável. Em vez de delegar apenas tarefas chatas, repetitivas e perigosas a robôs, os seres humanos estariam, na verdade, se escondendo para não revelarem os sinais de seu envelhecimento e decadência física. Seus substitutos, ao contrário, permaneceriam jovens, como eles gostariam de nunca deixar de ser.


O diretor Jonathan Mostow ("O Exterminador do Futuro 3 - a Rebelião das Máquinas") teve nas mãos ingredientes de sobra para refletir sobre esse "admirável mundo novo" em seu novo filme, "Substitutos", com estreia nacional na sexta-feira. Foi o mesmo que fez, aliás, Ridley Scott no cult "Blade Runner", de 1982.

Mas Mostow preferiu realizar um filme futurista, que também possui qualidades, mas com ênfase maior nos efeitos especiais e cenas de ação: perseguições e acidentes de carro em que as vítimas são os robôs com corpos humanos.

Nessa sociedade, dirigida nos bastidores por pessoas de carne e osso, o aparente planejamento perfeito foge do controle de seus idealizadores quando um desconhecido, munido de uma arma letal, passa a perseguir os substitutos de pessoas conhecidas para neutralizá-los. Só que a eliminação dos robôs causa também a morte do dono a quem o robô está conectado.

A trama é descoberta casualmente pelo detetive Tom Greer (Bruce Willis) -- na verdade, o substituto do verdadeiro policial, que o comanda de seu apartamento. A aparição inicial do personagem de Willis é hilariante: ele está com a pele de um jovem de trinta anos e fartos cabelos loiros, com direito a um topete - uma divertida brincadeira com o aspecto real do enrugado, careca e gordo ator, que não tem mais como esconder sua decadência física, a não ser com um substituto.

Mas esse jovem e ágil detetive-substituto não terá vida longa e o policial veterano terá de sair de seu apartamento em pessoa para executar sua missão. Entra em ação o Bruce Willis que todos conhecem da série "Duro de Matar", que dirigirá carros em alta velocidade, sofrerá todo tipo de atentados e acabará o filme todo estropiado, sangrando e com novas cicatrizes no rosto.

O detetive oculta um drama pessoal: perdeu um filho e, desde então, sua mulher, Maggie (Rosamund Pike), desistiu de enfrentar a realidade e prefere ficar conectada a sua substituta, como uma mulher ainda jovem e atraente.

Durante as investigações, Tom descobre que nem todas as pessoas que estão ao seu lado são confiáveis, mesmo na polícia. Alguns podem, de alguma forma, estar vinculadas ao mandante das mortes violentas dos substitutos e de seus donos.

O filme aborda, mesmo que de forma superficial, a tendência das pessoas preferirem se isolar num mundo irreal de progresso tecnológico e eterna juventude, em vez de enfrentarem os desafios diários que começam logo ao raiar do dia.

(Por Luiz Vita, do Cineweb)



Escrito por Regina Lopes às 20:38
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Cultura da violência

A ética e o espelho da cultura

 

por José Castello

  Quatro atributos, todos detestáveis, compõem o perfil da cultura brasileira hoje: o cinismo, a delinqüência, a violência e o narcisismo. Não é fácil, antes é muito doloroso, admitir que eles se tornaram a confusa imagem de nosso país. O cotidiano brasileiro nos leva, sempre, a deparar com cínicos, delinqüentes, homens violentos e lamentáveis narcisistas com a pose de homens de bem. Heróis de tempos obscuros, eles estão por toda parte - e um pouco dentro de nós mesmos. Não é fácil defrontar com essa imagem no espelho. Guardamos uma ponta de desconfiança, tentamos nos proteger, mas preferimos não pensar muito, e ver apenas o indispensável para seguir em frente.

O psicanalista Jurandir Freire Costa, ao contrário, quer fitar essa imagem frontalmente. Não é simples acaso que um psicanalista, e não um sociólogo, um cientista político, um antropólogo, tome essa decisão. Foi relendo Freud, com atenção voltada para a realidade do país, que Jurandir Freire Costa formulou seu esboço de teoria do Brasil. Em textos de alguns psicanalistas pragmáticos e contaminados de religiosidade científica preferem encarar como ficções freudianas em vez de teoria psicanalítica - casos de "Mal-estar na civilização", "Moisés e o monoteísmo" e "Psicologia de massas" - Freud mostrou que, sem um olhar que transcenda a realidade, sem um vôo sobre o real, o homem cai na agonia, na atomização, no pânico. E perde a própria humanidade.

Desprovidos de ideais que produzam alguma ordenação no mundo concreto, homens desnorteados se afogam no temor. Não há homem, portanto, sem um ideal. "Somos nós, indivíduos, que inventamos os universos de valores que nos permitem viver em comunidade, ou seja, assumindo compromissos", diz o psicanalista. "Só com valores nos tornamos capazes de prometer. De prometer e de cumprir". O homem se diferencia do animal justamente porque seu destino não está traçado no autoritarismo do instinto. A sociedade humana, fundada sobre um caos, precisa de artifícios culturais para sobreviver. "É em resposta à vulnerabilidade do corpo à potência esmagadora da natureza, à mortalidade que os homens inventam as civilizações", realça.

Quando o homem destrói este equipamento de segurança que o protege do perecimento, da evanescência, e retarda a morte, ele cai na mais absoluta desproteção. Torna-se, então, capaz de tudo, porque não é um animal cujos passos estão delimitados pelas regras de um impulso espontâneo e alheio à razão. Sem a cultura, o homem se tornaria mais desprotegido que o mais desprotegido dos animais. "A natureza não tem compromissos", lembra Jurandir Costa. "para processos naturais, não existe valor. Tanto faz morrer ou viver, porque tudo entra no mesmo ciclo da eternidade. Os homens é que são capazes de construir um espaço humano de permanência". A cultura não é, portanto, como querem crer os ideólogos da indústria cultural, um simples artefato de revestimento que retoca as aparências do universo humano. Não é uma "superestrutura", como os marxistas fizeram crer por décadas; não é um luxo, uma pausa entre dois momentos de seriedade, como faz crer a indústria da diversão e do lazer. Ao contrário, ela é a própria condição de sobrevivência do homem no Planeta. "Se você ataca sistematicamente o equilíbrio cultural de um povo, você retira dos indivíduos seu único dispositivo de proteção para enfrentar a desordem e o vazio", enfatiza o psicanalista, você se torna, então, um suicida.

Toda essa digressão é indispensável para se entender a vigorosa teoria do Brasil esboçada nos ensaios de Jurandir Freire Costa. Estamos, hoje, no país da desgraça. "Os indivíduos no Brasil tornaram-se moral e socialmente supérfluos", pensa o autor. Eles nada valem como cidadãos, pessoas que têm responsabilidades. Ao contrário, são postos em situação de desqualificação e de tutela. Pessoas lançadas neste fosso moral passam a descrer das leis. Valores, regras, ética, compromissos passam a ser entendidos apenas como racionalizações que encobrem a violência. Cidadãos amargos preenchem o vazio produzido por esta descrença com uma moral cínica. "O que vigora hoje, no Brasil, é uma razão cínica", identifica Jurandir Costa, tomando emprestado um conceito de Peter Sloterdijk. "No lugar da indignação, produziu-se um discurso desmoralizante que diz que toda lei



Escrito por Regina Lopes às 17:47
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é convencionalismo, formalismo, idealismo, conservadorismo".

Torpedeada a lei, é todo um universo simbólico que desmorona. Por isso esta sensação nacional de que nada mais tem valor: de que tudo "termina em pizza". Tornamo-nos, todos, homens sem pudor. Não são apenas os marginais organizados em falanges para o que der e vier, nem os políticos destilados na malversação e na corrupção renitente que se deixam dirigir por essa razão cínica. "Existe um elo indissolúvel entre o político que lesa o erário público, o cidadão que ultrapassa o sinal vermelho e o assaltante que mata", aponta o psicanalista. "Todos deixaram de levar em conta a lei". Mas nos parece muito sensato, quase sempre, ultrapassar o sinal vermelho, enquanto reclamamos do deputado corrupto, ou falsificar um recibo médico para o imposto de renda enquanto lamentamos o aumento da violência nas cidades. Realizamos uma cisão entre as duas esferas de valor, uma indignada e furiosa, outra generosa e condescendente, e acreditamos com isso salvar a própria pele. Exercitamos, assim, nosso cinismo.

Nada mais ilusório. Ora, o que é a lei senão esta convenção sem a qual não podemos sobreviver à desordem da natureza? A aniquilação da lei é, então, um ato suicida. Um exercício de auto-agressão. O motorista que estaciona na faixa de pedestres é, em certo sentido, tão violento quanto uma assaltante que metralha sua vítima. Ambos se julgam acima da lei e estão se destruindo. "A cultura da delinqüência é uma cultura suicida, por que nós, homens, enquanto espécie, não temos o instinto de sobrevivência para nos proteger", adverte Jurandir Costa. Mas cidadãos que atuam embriagados pela cultura da delinqüência têm os olhos vedados pela ilusão de que podem escapar impunemente da dissolução social. Não podem, e aqui começa a nossa tragédia brasileira.

O cidadão que estaciona em fila tripla para esperar o filho em porta de colégio age, ainda que em proporções diferentes, com a mesma arrogância delinqüente do marginal que fuzila um caixa de um banco ou a gangue que executa o motorista de um carro-forte. Todos atuam munidos da ilusão de que, apesar de tudo, irão escapar. Esta desclassificação da lei inclui, em seu extremo, um ataque à política. Vivemos num país em que a política está quase identificada com a delinqüência. Disso, se conclui que, se políticos no fim das contas agem movidos por razões inconfessáveis, todos devemos fazer o mesmo, ou seremos ingênuos e fracos. "No Brasil, você começa a ter uma desvalorização da política em favor de uma cultura marginal, de delinqüência, e dos interesses particulares de cada um", aponta o autor. Se a política deixa de ser o espaço próprio ao exercício da liberdade para se tornar o lugar privilegiado da delinqüência, os cidadãos intimidados retraem-se nos mecanismos cegos de sobrevivência que o pensador americano Cristopher Lasch chamou de "mínimo eu". Estamos em um país fragmentado em pequenos e cínicos seus. O país de anões, com suas almas toscas e seus desejo perverso de invisibilidade.

Mas eis a serpente enroscada sobre si mesma: na cultura da sobrevivência em que os indivíduos investem todas as energias na defesa de um terreno mínimo de sobrevivência, a conduta social de regra é a própria delinqüência. "O que a razão cínica faz é dizer que não existe mundo de valores, porque qualquer valor é produto da violência", mostra Jurandir Costa. Chegamos, assim, à terra do "salve-se quem puder", e escalamos os pescoços, uns dos outros hipnotizados pela utopia da redenção individual. "Mas, se não existe mundo de valores, qualquer situação é válida. Desaparece, então, qualquer possibilidade de reflexão ética". Se tudo é possível, nada é impossível: restam apenas a indiferenciação e a escuridão.

Estamos em um país que pensa assim: ou você explora, ou você engana, ou você é calhorda, ou você é escroque, ou não há saída. Por quê? Porque quem faz a lei é quem manda, quem se beneficia da lei são os amigos, e quem legisla está comprometido unicamente com seus interesses pessoais. Uma lei que fosse igual para todos é, portanto, mentira. Num país que pensa nesses termos, quem age dentro da lei cai no ridículo. Parece agir contra si mesmo, parece buscar a derrota. "É esse cinismo aplicado à vida cotidiana que se torna o mais perigoso", diz o psicanalista.

Os cidadãos brasileiros parecem, hoje, condenados a um destes dois terríveis destinos: ou se tornam burocratas



Escrito por Regina Lopes às 17:46
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obedientes, indivíduos rotineiros que fazem da anulação de si uma maneira de ser, ou reagem tomados pela arrogância delinqüente, atributo extremo de uma cultura regida pelo narcisismo. Os obedientes enfileiram-se na legião de provadores daquilo que Hannah Arendt chamou de "banalidade do mal", porque até o mais enlouquecido torturador é, antes de tudo, um burocrata dobrado pelo desejo de obedecer. Os que optam por delinqüir, perdendo a noção de prêmios e sanção, de permissão e interdição, afundam-se na cultura do narcisismo e do cinismo. O burocrata servil é, na aparência, o oposto do delinqüente arrogante, mas ambos fazem o mesmo tipo de jogo: desmerecem a importância de um ideal.

Aqui voltamos a Freud. Sem um ideal que caucione a vida social, o homem se torna um ente que viaja na escuridão. Passa a sofrer, então, de um "pânico narcísico", expressão pescada por Freud num romance de segunda classe inglês chamado When it was dark, que descreve a desordem provocada por uma suposta descoberta científica de que Jesus Cristo não foi, de fato, imortal. O "pânico narcísico" é um efeito avassalador de situações e que o homem perde suas referências de equilíbrio. Diante dele, a opção é a fruição imediata do mundo. O espelho de Narciso é o presente tornado destino. O futuro se transforma apenas numa quimera, estúpida, que esfarela em suas mãos. O sentimento dominante, então, é o de "fim de festa". Estamos próximos, é preciso dar nome, da psicopatia. "O que é psicopata senão aquele que, dentro de uma cultura que funciona adequadamente, é cego em relação a valores?", pergunta Jurandir Costa. "Se todos passam a agir à revelia da lei, entramos de fato numa cultura de psicopatas". Mas o autor, prudente em relação aos estigmas de hábito acoplados à noção psiquiátrica de psicopatia, prefere falar mesmo em delinqüência. O que desnorteia o país hoje é, mais do que uma doença, o sentimento de que fomos lançados de volta a um tempo primitivo e disforme, anterior a toda lei.

Em tempos sombrios, o narcisismo aparenta ser a única capaz de garantir ao homem um mínimo de imunidade. Só provido da cápsula narcísica ele ainda pode sentir confiança para navegar pelos desvãos de um país que exterminou a lei. Mas aqui é preciso fazer uma distinção: a cultura do narcisismo e da delinqüência não é um atributo necessário da cultura da violência. Mas o que parece um alívio é um perigo. "Em regimes totalitários, regidos pela violência, leis draconianas podem manter a sociedade funcionando, porque ainda resta a lei da obediência a um só líder", distingue o psicanalista. Mas é uma coesão mecânica, produzida pela dissuasão, pelo medo, pela intimidação. A cultura do narcisismo formou-se no Brasil, cabe lembrar, após a queda do autoritarismo. "Foi a incapacidade dos políticos de catalisar o desejo de mudança que produziu a descrença e justificou a delinqüência", diz o autor. Por isso parece fazer sentido, hoje, o sentimento irresponsável de que nos tempos do regime autoritário, ao menos, o país tinha alguma lei. Aqui Jurandir Costa nos deixa diante de uma grave advertência: num país em que a lei foi posta em descrédito, qualquer promessa de lei, por mais draconiana que seja, ou talvez quanto mais draconiana for, pode comportar um poder de sedução irresistível. Surge uma ilusão: a do "eu era feliz e não sabia". Podemos estar montados na cegueira de nosso pânico, sobre o ovo da serpente. A cultura narcísica é, em algum grau de possibilidade, uma cultura pré-fascista. Justiceiros moralistas, seitas fanáticas e skinheads espocando aqui e ali nos fornecem, hoje, indícios desse risco.

A análise afiada de Jurandir Freire Costa, desenvolvida em ensaios esparsos mas contundentes publicados na imprensa e reunidos nesta coletânea, coloca-nos cara a cara com um perigo: o da paralisia social. O sintoma da doença brasileira pode ser, hoje, a incapacidade de reação. Ou o sentimento generalizado de que qualquer reação se transforma, inevitavelmente, em frustração. Mesmo aqueles que conservam um mínimo de responsabilidade para com o país não escapam dessa sensação de impotência. "Enfatizo isso porque não tenho uma visão idílica do que pode vir a acontecer", admoesta o psicanalista. E, desmontando a hipótese de qualquer falsificação de seu pensamento em catecismo idealista, adverte: "Eu acho que o Brasil pode não dar certo, acho que a catástrofe pode chegar. Nada assegura que as coisas tenham solução. Há coisas que se encaminham para um ponto em que não há mais solução possível".

Jurandir Costa não faz essa dura advertência movido pelo



Escrito por Regina Lopes às 17:46
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pessimismo, mas pelo realismo e desejo de reação. O desencanto pode, de fato, destruir o país - e é contra ele que se deve agora lutar. As classes médias passam a sentir, ultimamente, o mesmo vazio de perspectiva que sempre foi sentido pelas populações marginalizadas", aponta. "Elas nunca tiveram qualquer universo de esperança. Só que isso, que antes era sentido apenas no gueto, passa agora a ser comum a todos nós". O cinismo aparece, na verdade, para encobrir o sofrimento. O amargor, a ironia encobrem a tristeza e a desesperança. E nunca é bom fugir do sofrimento e da infelicidade. A saída narcísica leva os cidadãos a buscar a felicidade na proteção de suas casas, munidos de artefatos de consumo cada vez mais sofisticados, mas cada vez mais descrentes de qualquer saída coletiva. Jurandir Costa pensa que o que está em jogo, por fim, é a liberdade, "A liberdade, no sentido clássico, é a liberdade de sair à rua, de participar de convívio comum. Era isso o que o escravo não tinha, e era por isso que ele não era livre". Intimidados pela violência, desconfiados até dos amigos e enclausurados em nossa vida privada, tornamo-nos escravos do medo. Tornamo-nos nossos próprios carcereiros.

Cidadãos reclusos em seu narcisismo, armados de cinismo até a alma, convictos de que atuar socialmente é o mesmo que delinqüir, vivemos da ilusão de que podemos escapar solitários da catástrofe. "Não vamos escapar", enfatiza Jurandir Costa. "A espécie humana não tem instinto de sobrevivência. Ela pode explodir o planeta de uma hora para outra, pode fazer da própria vida um verdadeiro inferno." O que a protege de si mesma é, nunca é demais insistir, a cultura. Este mundo de leis e ideais que transcende cada desejo individual e nos faz empenhar a palavra e depois cumpri-la. Sem os limites ditados por esta lei, o país permanecerá enjaulado nas pequenas miríades do narcisismo. É ele que nos enlouquece.

Os artigos e entrevistas de Jurandir Freire Costa reunidos nesse livro servem, seguramente, como um poderoso antídoto contra o pessimismo e a desilusão. Suas idéias, cruas e difíceis, a princípio fazem estremecer, mas logo, passado o susto, nos levam a pensar. Não há, hoje, caminho fácil para os que desejam formular uma saída para o Brasil. Não existem atalhos floridos, nem passagens secretas mágicas, ou vias expressas de segurança máxima. O caminho que temos pela frente é longo, tortuoso e inseguro. Nada garante, além disso, que encontraremos a luz em seu fim. Mas nossa única chance é lutar.

José Castello é jornalista.

* Prefácio do livro A Ética e o Espelho da Cultura, de Jurandir Freire Costa, da Editora Rocco.

 

José Castello


Mestre em Comunicação pela UFRJ, é colunista do “Prosa&Verso” de O GLOBO, colaborador do VALOR ECONÔMICO, das revistas BRAVO! ÉPOCA, e do RASCUNHO, portal literário. Ele foi cronista e repórter literário de O Estado de S. Paulo, editor de “Idéias” do Jornal do Brasil, da sucursal carioca de Istoé e repórter de Veja. É autor do romance Fantasma,(Finalista do Jabuti 2003) e livros sobre escritores como João Cabral de Melo Neto - O homem sem alma e a biografia do poeta Vinicius de Moraes O Poeta da Paixão, (Jabuti em 1994).
José Castello é Jurado do Prêmio Portugal Telecom de Literatura.

 

Ouça a entrevista com José Castello: www.letraseleituras.com.br/entrevistados.php?...



Escrito por Regina Lopes às 17:44
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Novos velhos são exemplo de vitalidade e saúde

http://www.suadieta.com.br/Content/img/materias_idoso.jpg

 

Dona Canô, com 102 anos, faz exercícios todos os dias e diz que o segredo da longevidade é não se indignar.

 O passar do tempo deixa marcas e impõe desafios pessoais e até mesmo financeiros. O maior deles: ter saúde. E até nisso os novos velhos surpreendem.

Autonomia e independência. Ter saúde depois dos 60 ganhou novo significado para as pessoas e para as famílias. Acordar de manhã e não conseguir se levantar sozinha: a aposentada Josefa Matos tem se esforçado para vencer a rotina de limitações: “O mais difícil é não andar. Tenho mais vontade de andar e não posso. Mas do resto tudo eu vou vencendo", afirma a aposentada Josefa Matos.

O tratamento é lento, exige paciência. Ela ainda se recupera da retirada de um tumor na medula. Como subir e descer quatro lances de escada depois de uma cirurgia e sem poder andar? Era o drama de Dona Josefa, que morava em um prédio, sem elevador. Mas como resolver esse problema numa família de pouco dinheiro? Só há uma alternativa, dizem os filhos: fazer qualquer sacrifício para ajudar no tratamento.

A primeira providência foi mudar de endereço. Hoje ela mora em um prédio com elevador, tem acompanhantes e fisioterapeuta. As despesas são divididas entre os dez filhos.

“Mesmo com esse baque financeiro, conseguimos ficar mais unidos. Acho que isso ajudou na recuperação dela", elogia a administradora Luciana Matos.

“Nossa mãe é uma guerreira. Ninguém imagina uma mãe numa cadeira de rodas. A luta é administrar a cabeça, isso é complicado", diz o funcionário público José Roberto Matos.

 

 

O empenho dos filhos tem sido decisivo. Dona Josefa melhora a cada dia: “Se eu não tivesse esses filhos todos, já tinha morrido. Quem vinha tomar conta? Fazer tanta coisa para mim?".

A ajuda da família não é tudo, diz o doutor Wilson Jacob. Ele recomenda mais atenção à saúde antes de se tornar um idoso. Envelhecer, de acordo com o professor, é uma tarefa para a vida toda.

"Podemos nos ocupar, preparar este envelhecimento, ao contrário do que fizeram nossos antecessores, que era sempre o de temer o envelhecimento ou buscar estratégias fantasiosas de reverter o processo de envelhecimento", aponta o geriatra Wilson Jacob Filho.

A partir dos 60 anos, a probabilidade de ter hipertensão é de 50%. Diabetes: 20%. Aos 70, é grande o número de derrames e de fraturas causadas pela osteoporose não tratada. Aos 80, aumenta a incidência de doenças como o Mal de Alzheimer.

Quem não se cuida, sofre mais depois dos 80. “Foi aquele diabetes que começou aos 50 e mal cuidado provocou complicações aos 80. Aquela hipertensão que começou aos 40 e mal cuidada provocou complicações", diz o geriatra Wilson Jacob Filho.

Os grandes vilões do envelhecimento têm um apelido: os 5 Is: “imbalance”: perda de equilíbrio, em inglês, “incontinências”, “imobilidade”, “incapacidade progressiva de raciocínio” e a “iatrogenia”.

“A última é consequência do ato de prescrever ou de indicar exames ou do uso indiscriminado de medicamentos ou de técnicas que são propaladas boca a boca e que não passam por um crivo científico adequado”, explica o geriatra Wilson Jacob Filho.

Se a maioria das doenças é crônica, um dos caminhos é combatê-las todos os dias. É bom, por exemplo, exercitar a memória, que começa a ser perdida bem cedo a partir dos 20 anos.

Esquecer o nome de uma pessoa conhecida, não se lembrar onde deixou a chave do carro são sintomas do envelhecimento. Mas há como evitar esse processo de perda da memória que faz a gente esquecer das coisas. Um grupo tenta resolver esses problemas com exercício que puxam pelo raciocínio, na aula de neoróbica.

Números, cálculos, jogo de damas, caça-palavras. O que parece uma brincadeira, aqui, é remédio.

"O jogo de palavras trabalha a parte frontal esquerda do cérebro, onde há algumas estruturas responsáveis pelo raciocínio lógico e pela memória semântica e linguagem", aponta a neuropsicóloga Adriana Monzambe.

A aposentada Elzi Dias Alessandrini está gostando dos resultados: “Esses exercícios já modificaram muito minha capacidade de memorizar as coisas. Eu tenho muitos netos também e eu preciso ter a memória mais ou menos em dia. Não é só a memória, os assuntos também. Então a gente fica com tudo isso em dia para dialogar com os netos e me sentir à vontade entre eles”.

E a depressão? Como combater essa doença que também costuma maltratar os idosos?

“Quanto mais conversar melhor. Com amigos e se possível fazer novos amigos. O isolamento é condenável. A gente precisa trabalhar preventivamente nessa fase para que a depressão não entre, porque ela é sorrateira", aponta a gerontóloga Cristiane Felipe.

O que dizer de uma centenária cheia de alegria e disposição?

“Eu gosto dos exercícios. Faz as pernas de uma vez, depois faz a outra. Nos braços, até maromba eu faço", avisa Dona Cano, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

São três sessões de Pilates por semana. Não parece, mas Dona Canô já fez 102 anos. Com uma saúde de dar inveja. Uma lucidez...

“Meu conselho para viver muito é não ficar se indignando por tudo. Qualquer coisa se revolta. Aí já vai perdendo a saúde. Qualquer coisa que abala o coração a saúde sente", opina Dona Cano.

Se engana quem pensa que Dona Canô come que nem passarinho. Nada de regime. Fechar a boca? De jeito nenhum.

"O prato que eu mais gosto é feijoada”, diz.

E de brincadeira, acabei pregando uma peça nela:

"Mingau, não, que é isso. Mingau só quando eu não tiver mais cabeça. Mingau é coisa de velho e de velho doente, o que é pior", rebate Dona Cano, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 17:31
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Mercado investe nos consumidores com mais de 60 anos

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Os novos velhos são um tipo de consumidor especial, fiel a marcas e com dinheiro no bolso.

 O Brasil com mais de 60 tem inúmeras oportunidades de bons negócios. É um tipo de consumidor especial, fiel a marcas, disposto a fazer compras sempre nos mesmos lugares e com dinheiro no bolso.

Se eles deixaram os velhos clichês sobre a velhice de lado, a publicidade acompanha. Uma agência resolveu apostar em modelos de terceira idade.

“Me senti uma rainha por um dia”, comenta uma das “novas” modelos.

Senhores e senhoras empolgados com a descoberta de uma nova profissão. “Fiquei entusiasmado e resolvi fazer um teste. Ronaldo Fraga ficou meu amigo”, conta um dos modelos.

No início do ano, foram convidados para fazer um desfile da grife do estilista Ronaldo Fraga. Um momento emocionante de reverência: “Tudo requer uma certa experiência, uma certa liberdade. O ambiente estava muito gostoso, legal, nos deixou À vontade”, conta um idoso.

Eles se portam com mais distinção, ponderam antes de agir. Mas são firmes. Se há mais tempo e disposição para aproveitar a vida, por que não aproveitar o mundo? Jovens de idade avançada não perdem um minuto do resto de suas vidas. Pelo menos quatro vezes ao ano, a aposentada Ana Fraraccio vai a uma agência organizar roteiros de viagem para fazer com as amigas: “Tem uma programação boa, estou indo”.

A agente de viagens Marília Figueiredo é agente há 22 anos. Especialista em vender pacotes para esse público, diz que mostrar confiança é fundamental para os passageiros com mais de 60 anos: “O principal é a segurança, tanto na empresa em que estão comprando e o que compram também”.

Os idosos representam 50% do faturamento da agência. Para o diretor comercial, Salomão Barros Costa, que está há 35 anos no mercado, é um bom negócio: “É um povo maravilhoso, uma gente fácil de lidar, pessoas educadas, divertidas. A inadimplência é zero”.

Os prestadores de serviço, a indústria e o comércio já perceberam. O chamado mercado maduro tem enorme potencial de negócios: representa 10,5% da população brasileira. São chefes de família de 25% dos domicílios do país, quase 20 milhões de pessoas que precisam de serviços e produtos diferenciados. Um cliente que está disposto a gastar com responsabilidade.

Segundo uma pesquisa de perfis e hábitos de consumo do programa de pesquisas do varejo da faculdade de administração da USP, uma vez satisfeitos com a loja, os idosos voltam sempre: 78% visitam supermercados pelo menos uma vez por semana.

“A relação com os funcionários, com as pessoas que lá estão e que o recepcionam de uma maneira que ele considera calorosa ou aconchegante”, avalia o presidente do PROVAR Claudio Felisoni de Araújo.

A maturidade vem acompanhada de exigências. A maior delas é por qualidade. Conservador ou moderno, questionador ou festeiro, o novo idoso está provocando mudanças nos produtos e, principalmente, no atendimento.

Em várias atividades é possível desenvolver um projeto diferenciado, específico para os idosos, como em uma academia de ginástica. A aula foi feita para eles. Alguns profissionais já entenderam que este é um grande filão.

A professora de Educação Física Patrícia Albertini é especialista na fisiologia do exercício, na saúde, na doença, no envelhecimento. É uma espécie de anjo da guarda da turma. “Para trabalhar com idoso, tem que ter o dom, amor, paixão. Se não tiver, não vai”, diz.

Com a ajuda de Patrícia, eles desafiam os limites do corpo de forma saudável.

A aposentada Zilda Chiavone teve um derrame. Nem parece. Ela se emociona com a própria recuperação: “Fiquei um mês fora. Voltei. Exercício traz autoestima, você tem uma qualidade de vida muito melhor, tem condições de frequentar lugares onde jovens frequentam”

A aposentada Francis Medina da Silveira tem 82 anos e uma vitalidade invejável: “Elas dão aula para a gente raciocinar. Você se sente bem, maravilhosa”.

 



Escrito por Regina Lopes às 17:31
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Informação X Conhecimento

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Matheus Arcaro

 


Há algum tempo o jornal “O Estado de São Paulo” anda veiculando um comercial (ver no final) no qual o argumento de venda é a distinção entre conhecimento e informação. A diferenciação, em si, é pertinente. No entanto, cabe um aprofundamento na questão. Para isso, recorro a um pensador do século XVII, John Locke.


A teoria do conhecimento de Locke, exposta na obra “Ensaio sobre o Entendimento Humano” é empirista, ou seja, para ele todo conhecimento é, fundamentalmente, derivado da experiência sensível. O objetivo inicial da obra é, na verdade, político: expurgar o poder absolutista vigente na Inglaterra. O absolutismo era alicerçado no inatismo (que defendia que algumas idéias nasciam com os homens, gravadas na mente). Os soberanos, então, governavam por uma “concessão divina”; eram legítimos herdeiros daquele que criou o universo. “A mente humana é uma folha em branco, preenchida ao longo do tempo com a experiência”, afirmava Locke. Nessa perspectiva, todos nascem iguais. Demonstrado que o conhecimento deriva da experiência, o absolutismo alicerçado no inatismo cai por terra.


Entrando na questão do conhecimento propriamente dito: refutado o inatismo no início da obra, Locke vai mostrar como se dá o aprendizado, ou seja, como ocorre a passagem das impressões particulares para as idéias gerais e abstratas. São 5 passos:


1- Os sentidos recolhem o material que vai formar idéias particulares.
2- O entendimento vai se familiarizando com as impressões particulares decorrentes dos sentidos.

3- As idéias familiarizadas são alojadas na memória.
4- Para recuperar as idéias na memória, rotulam-se as mesmas, ou seja, emprega-se um nome aos conceitos (daí a importância da linguagem. Ela é o meio pelo qual as idéias exteriorizam-se).
5- Abstrai-se e criam-se nomes gerais, universais, que todos (ou quase todos) são capazes de entender.


A definição lockiana de conhecimento é: “percepção do acordo e conexão ou desacordo e oposição entre as minhas idéias”. O conhecimento é interno ao sujeito. É a capacidade de relacionar ou constatar o desacordo entre idéias. A informação (este não é um termo contemporâneo de Locke) é exterior. Pode virar ou não conhecimento.


Que benção! Se a informação pode virar conhecimento e vivemos na era da Sociedade da Informação, a possibilidade de conhecimento é grande, né? Não é bem assim. Recorramos novamente ao “Ensaio sobre o Entendimento Humano”. Locke nos fala de 3 graus de conhecimento:

Primeiro, o intuitivo que consiste na comparação imediata entre duas idéias, sem, portanto, necessidade de mediação. Mas não é sempre que conseguimos comparar sem mediação. Então surge o conhecimento demonstrativo, racional, que consiste na intermediação entre duas idéias para que haja a ligação. A matemática é um exemplo. Por fim, temos o sensitivo, que é a percepção das coisas particulares, limitado pelos próprios órgãos sensoriais. Este, só é válido para aquele momento. “Não é possível fazer-se ciência nesse grau de conhecimento”, diz Locke.

A informação está nesse grau.

A Sociedade da Informação não é, necessariamente, benéfica. Ao contrário, pode ser um obstáculo ao conhecimento. Conhecimento é um processo interno. É a possibilidade de aplicar o aprendido a outras situações, generalizar.
Conhecimento é “digestão”. Mas, hoje em dia, mal comemos uma informação, já temos outra sobre a mesa. Vorazes, devoramos. Engordamos, mas não estamos nutridos.
Repassar informação! Eis o que a maioria das escolas faz. Pressionadas pela necessidade de aprovação no vestibular, enxergam os alunos como “sacos” de depósito de conteúdo. Não ensinam a pensar, a fazer as conexões (como Locke aponta ainda em 1690).

Dicionários contemporâneos colocam conhecimento e informação como sinônimos. E, algumas pessoas tomam um pelo outro. “Menina, você não viu isso hoje no jornal?”, perguntam indignadas. Viram papagaios. Reproduzem o que ouvem ou lêem.

Voltando ao Estadão. O comercial é todo pautado pela oposição entre conhecimento e informação. Vejamos algumas colocações:
“Se hoje informação é de graça, qual o valor do conhecimento?”
Visão estritamente mercantil. Conhecimento, aqui, é mercadoria. O valor cognitivo seria aumentado pela gratuidade da informação. Que beleza!

“Conhecimento é difícil de achar.” Eis uma definição brilhante! O conhecimento não é “achável”. Como vimos, é um processo interno do sujeito.


Jornal, seja ele qual for, não traz em si o conhecimento. Mas se, por ventura, um trouxesse, todos trariam. Ilustro com manchetes desse domingo (18/09/09):

Estadão on line: “PM busca traficantes e corpos em quatro morros da zona norte do Rio
Folha on line: “Mais inocentes podem ter morrido no Rio, diz PM

Para usar como argumento de venda a distinção entre conhecimento e informação, ou a agência de publicidade do Estadão sabia que o jornal não fornece conhecimento e foi imoral, ou (o que é mais provável) só tinha informação e não conhecimento sobre o conhecimento.

Fonte: http://oqueinspira.blogspot.com

Publicado e divulgado sob autorização do autor.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 17:25
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http://www.gepmg.org/imagens/sprj.gif

 

SPRJ

 

Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro

 

Jornada: "Violência - Um Enfoque Abrangente"

 

 

 

SABADO 24 DE OUTUBRO DE 2009 - DE 08h30min As 13h30minhs

 

08h30min- 09h40min-Mesa I- Sobre Violência

 

"Perda de biodiversidade e suas Relações com Homicídios e Suicídios"

 

Jornalista Prof. Andre Trigueiro: Jornalista com Pós-Graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ. Professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental PUC/RJ. Autor do livro "Mundo Sustentável - Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação". Coordenador Editorial e um dos autores do livro "Meio Ambiente no Século XXI"

 

"0 Crime e a Violência no Imaginário Carioca"

 

Dr. Jose Marcelo Zacchi: Advogado, Membro do Conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Publica e diretor executivo  do Instituto Overmundo

 

"Pensando a Violência"

 

Coord.: Dr. Paulo Quinet: Medico Psiquiatra, Analista Didata da SPRJ, Ex-Professor da Escola Medica de Pós-Graduação Carlos Chaga (PUC-RJ), Ex-Professor da Faculdade de Psicologia (USU)

 

09h40min-10h50min-Mesa II - Violência e Saúde

 

"Violência e Doença Mental- Mitos e Realidades"

 

Dr. Talvane de Moraes: Livre-docente e Doutor em Psiquiatria, Professor em Psiquiatria Forense da EMERJ/T J, Membro da



Escrito por Regina Lopes às 15:08
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Psiquiatria, Professor em Psiquiatria Forense da EMERJ/T J, Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro

 

"A Produção de Sintomas Como Silenciamento da Violência"

 

Dr. Marco Aurélio Soares Jorge: Psiquiatra, Professor

e Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Doutorado em Saúde Publica na área da violência e Saúde

 

"Intervenção Terapêutica - Proteção ou “Violência”

 

Coord.: Dr. Jose de Matos: Ex-Presidente da SPRJ,

Ex-Presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Analítica de

Grupo, Psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria, Membro

Didata da SPRJ e Técnico Pericial Psiquiatra do Ministério Publico do

Estado do Rio de Janeiro

Intervalo 10h50min-11h10min

 

11h10min-12h20min-Mesa III- Violência e Sociedade

 

"Violência e Justiça"

 

Dr. Fernando Fragoso: Professor Titular de Direito Penal daUCAM

 

"Assedio Moral"

 

Dr. Joviniano Spaltemberg de S. Carvalho: Advogado, especializações em Direito Civil e Processual Civil, Direito Tributário e Finanças Publicas, e em Ensino Superior. Formação acadêmica em Direito Ambiental e em Direitos Indígenas.

 

Coord.: Dr. Sergio Freitas: Membro Associado da SPRJ e ProfessorAdjunto do IPUB/UFRJ

 

12h20min-13h30min - Mesa IV - Violência - Infância,

Adolescência e Família

"Bulling"

 

Dr. Lauro Monteiro: Pediatra, Editor do Site Observatório

da Infância

 

"Adolescente e Delinqüência"

 

Dr. Alyrio Cavallieri: Desembargador Aposentado do Tribunal de Justiça e Ex-Juiz Aposentado

 

"Violência e Família"

 

Coord.: Dra. Vera Marcia Ramos: Membro Efetivo e

Didata da SPRJ Medica Psicanalista especialista em Crianças e Adolescentes pela IFF da FIOCRUZ

 

Coordenação do Evento: Eronides Fonseca (Diretora da Comissão Científica) Co·Coordenação: Maria Cecília Senna

 

Local: Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro - SPRJ - Rua Fernandes Guimarães 92, Botafogo - CEP 22290-000

Te/s.: 2543-4998 e Telelax: 2295-3148 E-mail: sprj@sprj.org.br Site: www.sprj.org.br

 

ENTRADA FRANCA



Escrito por Regina Lopes às 15:07
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Por que as mulheres são tão tristes?

Um estudo americano de 37 anos ilumina um terrível paradoxo: objetivamente, a vida das mulheres jamais foi tão boa. Subjetivamente, nunca foi pior.

Martha Mendonça. Colaborou Fernanda Colavitti
Época

Stefano Martini
CANSADA
A redatora de TV Claudia, em sua casa, no Rio. “A emancipação feminina é um contrato que tem de ser renegociado”

O ano em que a redatora de televisão carioca Claudia Valli nasceu, 1963, foi marcado pelo lançamento de A mística feminina. O livro históricor de Betty Friedan alardeava a frustração feminina por ter apenas os papéis de esposa e mãe e foi um marco no movimento pela emancipação das mulheres. Hoje, prestes a completar 46 anos, Claudia olha sua própria vida e questiona essas conquistas. Ela trabalha oito horas por dia e administra a casa onde mora com os três filhos – um casal de adolescentes, de seu primeiro casamento, e um menino de 9 anos, do segundo. Tem empregada apenas duas vezes por semana e uma ajuda “relativa” dos ex-maridos. Raramente dorme mais que quatro horas por noite, já que muitas vezes precisa adiantar trabalho de madrugada, além de monitorar o caçula, que é diabético. Na mesa de cabeceira da cama, uma pilha de livros comprados e não lidos. Na mente, a preocupação com os quilos a mais e a falta de tempo para fazer qualquer tipo de exercício. Claudia está sozinha desde a última separação, há cinco anos, e diz que um namorado, agora, seria mais um motivo de estresse. “A emancipação feminina é como um contrato que foi assinado sem ter sido lido direito e que agora precisa ser renegociado”, diz ela. “A vida tornou-se um show que não pode parar.” Antes de dar entrevista a ÉPOCA, Claudia passou no supermercado para comprar pão, leite e banana. Depois de feitas as fotografias, preocupou-se em não parecer mais velha do que é: “Dá para melhorar com Photoshop?”.

Longe de ser uma anomalia, a insatisfação de Claudia com a própria vida é a mesma de milhões de outras mulheres mundo afora. Um estudo de Betsey Stevenson e Justin Wolfers, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostra um surpreendente e acentuado declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas – período durante o qual cresceram de forma exponencial as oportunidades de trabalho, as possibilidades de educação e, sobretudo, a liberdade da mulher de decidir sobre a própria existência, prática e afetiva. É possível afirmar, sem nenhum traço de dúvida, que as condições objetivas nunca foram tão favoráveis às mulheres desde o início da história humana. Entretanto, entrevistas anuais realizadas com 1.500 pessoas, homens e mulheres, desde 1972, nos Estados Unidos, mostram um cenário de crescente insatisfação subjetiva. A cada ano que passa, menos mulheres se dizem felizes com a própria vida, enquanto um porcentual cada vez maior de homens afirma estar contente. Isso acontece com mulheres casadas e solteiras, com e sem filhos, bem ou mal empregadas, brancas ou negras, pobres e ricas. A insatisfação atinge todos os grupos e se torna pior à medida que as mulheres envelhecem. Quando jovens, elas se dizem mais realizadas que os homens. Pouco depois dos 40, isso já se inverteu. “A tendência é clara, se manifesta em pesquisas realizadas no mundo inteiro, e vai na direção contrária à que nós poderíamos imaginar”, afirma Marcus Buckingham, especialista em pesquisas e autor de diversos livros sobre macrotendências sociais.

As razões dessa melancolia de gênero são difíceis de apontar com precisão. O estudo, assim como Claudia, tende a enxergar no acúmulo de velhas tarefas e novas responsabilidades a causa dos dissabores femininos. “A vida das mulheres ficou mais complexa e sua infelicidade atual reflete a necessidade de realização em mais aspectos da vida, se comparados aos das gerações anteriores”, dizem Stevenson e Wolfers. “As mulheres foram para a rua, mas mantiveram a responsabilidade emocional pela casa e pela família.” É o pesadelo da dupla jornada, física e emocional, que exaure as mulheres e destrói casamentos.

O problema com essa explicação, bastante óbvia, é que ela ignora a realidade estatística: nos países desenvolvidos, homens e mulheres trabalham o mesmo número total de horas diárias, cerca de 7,9. Os homens fazem 5,2 horas de trabalho pago e 2,7 horas de trabalho doméstico, em média. As mulheres fazem 3,4 horas de trabalho externo e 4,5 horas de trabalho doméstico. Uma pesquisa realizada em 25 países sugere que apenas em locais como Benin e África do Sul as mulheres trabalham muito mais horas por dia.

 Reprodução  

Outro fator que não ajuda a tese da sobrecarga é que a divisão das tarefas domésticas melhorou sensivelmente nas últimas décadas. Entre 1975 e 2008, o número de horas dedicadas ao trabalho doméstico pelas mulheres caiu de 21 para 17 por semana, enquanto a participação masculina cresceu de seis horas para 13 horas semanais. A mesma tendência se revela nas horas que pais e mães passam com as crianças. Logo, se a divisão de tarefas não é perfeita, ela vem melhorando ano a ano, ao contrário do estado de espírito das mulheres, que só piora. Diz Buckingham: “A infelicidade não parece ser uma questão de horas de trabalho ou de atitude. E a desigualdade em relação ao trabalho doméstico está desaparecendo. Onde está a explicação?”.

Na tentativa de entender, o estudo americano ressalta a extrema valorização da beleza e da juventude em nosso tempo, que afeta mais as mulheres que os homens. Enquanto elas aumentam seu nível de estresse com cosméticos e tratamentos estéticos e cirúrgicos, os homens muitas vezes ficam atraentes com a maturidade. Aos 50, quando as mulheres já deixaram para trás a possibilidade de reprodução, homens grisalhos começam novas famílias e viram pais. Eles podem ser charmosos à maneira de Sean Connery ou bonitos ao estilo José Mayer. Mas das mulheres se espera que continuem depois dos 40 com a aparência que tinham aos 20 anos. “Não adianta mostrar fotos de Sofia Loren maravilhosa aos 75 anos. O fato é que as mulheres envelhecem mais rápido que os homens, e a maioria de nós se incomoda com isso”, escreveu a articulista Penny Vincenzi, do jornal britânico Daily Mail, comentando as angústias femininas captadas pelo estudo. “Eu sou uma mulher abençoada com uma família grande e feliz, mas, ainda assim, me preocupo diariamente com as pelancas do braço e as rugas do rosto, que se multiplicam à velocidade da luz.”



Escrito por Regina Lopes às 10:42
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Sergio Zacchi
CONTRADIÇÃO
Olga, terapeuta corporal paulistana, no parque ao lado de sua casa. Casada, queria a carreira. Separada, deseja uma família

O publicitário paulistano Jaime Troiano faz pesquisas periódicas sobre a mulher brasileira e diz não se surpreender com o crescimento da insatisfação. A multiplicação dos papéis que elas encarnam, ele afirma, pode ser vista claramente na propaganda. “Ao longo do tempo, a mulher tem se tornado alvo de mais mercados. Isso quer dizer que ocupa cada vez mais espaços na sociedade”, diz. Um estudo recente de sua empresa de consultoria mostrou o abismo entre a forma como ela se vê e a mulher que ela idealiza ser. “A maioria se diz simpática, confiável, sincera ou carinhosa, mas gostaria de ser informada, decidida, criativa ou corajosa”, afirma. “Elas querem ser poderosas, criam expectativas de todo tipo, mas ainda veem seu eu real ligado a características historicamente femininas. Isso causa angústia.”

Não se trata, aparentemente, de uma crise objetiva, que demande medidas concretas para sua reversão. Parece, antes, uma crise existencial das mulheres. Depois de quatro décadas de mudanças trepidantes, elas talvez precisem resolver que mundo desejam para si mesmas e que papel gostariam de exercer nesse mundo. Enquanto isso não se esclarece, testam, experimentam e, como mostram as pesquisas, sofrem. “O feminismo funciona em ondas”, diz a psicanalista gaúcha Diana Corso, estudiosa do universo feminino e autora do livro A fada no divã. Diana diz que vivemos o “refluxo” da euforia das décadas de 70 e 80, quando as mulheres se libertaram sexualmente e ingressaram com força no mercado de trabalho. “A mulher que emerge desse momento almeja muita coisa: quer ser a melhor mãe, ter uma carreira maravilhosa e um corpo belo e jovem que produza muitos orgasmos”, afirma a psicanalista. “A mulher emancipada ainda é uma novidade social. Como todo novato, exagera na cobrança das realizações. Não se pode estar plenamente satisfeita em tudo.”

A terapeuta corporal paulistana Olga Torres é bom exemplo das ambiguidades do mundo feminino. Aos 35 anos, ela admite que não descobriu os caminhos que a farão feliz. Casou-se aos 20 anos e, por uma década, preferiu cuidar apenas da casa. Com o tempo, sentiu que precisava trabalhar. Arrumou um emprego e voltou a estudar. A mudança na vida a dois acabou minando seu casamento. Agora vive a experiência inversa: realizada no trabalho, sente falta de ter uma família. E filhos. “Sei que eu não me contento com pouco. Não quero um homem qualquer, mas alguém que seja companheiro e, desta vez, entenda que minha carreira é fator de realização”, diz. Ela admite, também, que as mulheres ainda não sabem o que fazer com tantas opções. “A liberdade de escolha traz um peso enorme.”

Os homens sabem disso há muito tempo. A liberdade masculina, através dos séculos, sempre teve como contrapartida uma carga elevada de responsabilidade e angústia. Isso talvez explique por que os homens brasileiros vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres. Ser dono de si, chefe da família, chefe no trabalho ou líder do país são tarefas estressantes – às quais se somam angústias e insatisfações íntimas, que têm de ser relegadas em nome do resto. Essas são contradições e dificuldades que as mulheres começaram a vivenciar apenas nas últimas décadas.

Será que os conservadores, que sempre atacaram o feminismo
como antinatural, teriam razão?

Tema de reportagem do New York Times no dia 20 do mês passado, o paradoxo da infelicidade feminina ficou semanas entre as mais lidas e comentadas da versão on-line do jornal americano. “Será que a emancipação feminina beneficiou mais os homens que as mulheres?”, escreveu a colunista Maureen Dowd, conhecida por suas posições antifeministas. Indo mais longe, se poderia perguntar: será que os conservadores, que sempre denegriram o feminismo como antinatural, teriam razão? Será que as mulheres seriam mais felizes se retornassem ao papel tradicional de mãe e esposa? O assunto dividiu opiniões no blog de ÉPOCA Mulher 7x7. “Estou cansada? Culpada pela pouca atenção aos filhos? Sim. Sempre querendo ser a melhor no trabalho e também cuidar da beleza? Sim. Mas ainda assim prefiro a liberdade”, escreveu a leitora Carolina. Outra leitora, Andréa, pensa diferente: “Ao mesmo tempo que nossos direitos se multiplicaram, como acesso à educação, voto, mercado de trabalho, nossas responsabilidades cresceram exponencialmente. Temos de gerenciar casa, carreira, filhos, marido e ainda ser magras, cultas e sexy. Isso é irreal”.

Outros estudos recentes mostram sob outro ângulo o “cansaço” feminino. Na semana passada, o Centro de Estudos Políticos da Grã-Bretanha apresentou uma pesquisa sobre mulheres e trabalho: apenas 12% das 4.600 entrevistadas disseram querer trabalhar o dia todo; 31% declararam que não gostariam de trabalhar fora; 49% das mulheres com filhos de menos de 5 anos disseram que, se o marido trabalha, elas gostariam de ficar em casa. Essa é apenas mais uma de dezenas de pesquisas que apontam para um desejo de “volta ao lar”. De acordo com o censo americano, a participação de mulheres casadas, com filhos, na força de trabalho do país caiu de 59% em 1998 para 55% em 2004, quando vinha em linha crescente nos 22 anos anteriores. Cerca de 5,6 milhões de mulheres ficaram em casa com seus filhos em 2005 – 1,2 milhão a mais que em 1995.

No livro The feminine mistake (O erro feminino, no original uma alusão a The feminine mystique, de Betty Friedan), a jornalista americana Leslie Bennetts, editora da revista Vanity Fair, conclama as mulheres a fugir do que considera um retrocesso histórico. Apresentando argumentos e pesquisas, além de relatos, ela defende a importância do desenvolvimento da mulher como indivíduo à parte da vida doméstica, algo que só se consegue por meio do trabalho e da independência financeira. “Se as novas gerações não acreditam que as mães que trabalham são bons modelos, devem rever seu julgamento”, afirma. “Ter uma família e trabalhar não dará um resultado perfeito, mas é o melhor que se pode ter.” Equilibrar papéis sociais e expectativas parece ser a chave para que as mulheres possam retornar ao caminho da felicidade. Para isso, no entanto, é preciso aceitar a imperfeição. Da vida e da condição humana.

 Reprodução  




Escrito por Regina Lopes às 10:41
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Mulheres descartáveis
O vale tudo emocional que vivemos nos últimos anos não é lugar para moças de família

Ivan Martins
Revista Época
IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA

 

Michel Houellebecq é um escritor francês de péssima reputação entre as mulheres. Escreveu Partículas Elementares, livro em que lança mão de uma ciência duvidosa (a sociobiologia) para defender uma tese controversa: a de que a revolução sexual liquidou as chances de felicidade feminina.

O livro sugere que as mulheres se tornaram objetos de prazer descartáveis, que perderam o amparo que as estruturas tradicionais costumavam oferecer. Envelhecem, perdem o atrativo e a função reprodutiva e vivem à mercê dos filhos, cada vez menos respeitosos. É pessimista a não poder mais. Quem quiser ter contato com uma versão adocicada do livro pode pegar o filme nas locadoras, com o mesmo nome.

Desde a primeira vez em que tive contato com as idéias de Houllebecq elas me deixaram um gosto esquisito na boca. Por me considerar profundamente feminista, briguei silenciosamente com elas. Por ser, como o autor, um tanto pessimista, não consegui me livrar inteiramente da impressão de que as mulheres, de alguma forma, estão sendo enganadas pela história: no momento da sua maior conquista, no momento da liberdade e da igualdade de direitos, muitas se descobrem de mãos e vidas vazias.

Na semana passada aconteceram duas coisas que reforçaram meu pessimismo.

Primeiro, publicamos aqui na ÉPOCA uma reportagem pertubadora sobre infelicidade feminina. Desde 1972, ano após ano, um percentual cada vez maior de mulheres se diz infeliz com a própria vida, enquanto um número cada vez maior de homens se diz feliz com a deles. Quando a pesquisa começou, logo depois da revolução social e sexual dos anos 60, as mulheres eram muito mais felizes e esperançosas do que os homens. Agora a situação se inverteu. Pior: as mulheres ficam cada vez mais tristes à medida que envelhecem, enquanto os homens ficam mais satisfeitos.

Outra coisa que me deixou pessimista foi a conversa com uma amiga querida que já passou dos 40, tem filhos pequenos, nenhum marido e acabou de romper um namoro importante. Ela está desolada, tomada pela sensação de que as dores de amor são cada vez maiores, o tempo de recuperação é cada vez mais longo e a paixão, que viria a enterrar a dor passada, é cada vez mais rara. Os filhos dão trabalho, a vida é dura e ela já não se sente atraente como costumava ser. Eu tentei animá-la o quanto pude, mas saí da conversa mais pesado do que entrei. Pensei no livro de Houllebecq.

Hesito em escrever o que planejei escrever agora. Faltam palavras e a convicção profunda. O sentido do que eu quero dizer me parece francamente conservador, ainda assim talvez seja a coisa certa a ser dita. Talvez. Considerando, então, que as dúvidas podem ser melhores que as certezas, avancemos.

Pode ser que a revolução dos costumes tenha traído as mulheres, como sugere Houllebecq. Digo isso e me lembro, imediatamente, de mulheres bem-sucedidas e livres que eu conheço. Elas tocaram sua vida sem se lixar para preconceitos e para a tutela dos homens. Criaram seus filhos de forma não convencional. Tiveram maridos, mas nunca foram prisioneiras de casamentos. São filhas dos anos 60. Agora estão chegando aos 50 ou 60 no controle das próprias vidas. Têm dinheiro, prestígio social e familiar e – não menos importante – estão acompanhadas. São felizes, me parece. Mas talvez sejam exceções: personalidades exuberantes, talentos privilegiados que teriam dado certo em qualquer época e qualquer ambiente.

A maioria das mulheres acima de 40 que eu conheço não é assim. A maioria é gente normal, que viveu as liberdades herdadas dos anos 60 e 70 como teria vivido o conservadorismo anterior, com naturalidade. Não eram revolucionárias. Elas acreditaram na ideia da época de que poderiam ser sexualmente livres, economicamente independentes e que tinham pleno direito à felicidade. E não foi bem assim que aconteceu. O sexo escasseia quando se deixa de ser jovem e bonita. A independência econômica ainda é uma miragem para homens e mulheres. E a felicidade, agora se sabe, não é sinônimo de liberdade e igualdade. Talvez seja o contrário, o que seria muito humano.

Parte dos problemas femininos se deve ao comportamento dos homens. Antigamente, eles ficavam no casamento, ainda que não ficassem necessariamente em casa. Manter os filhos era obrigação primordial do pai. Agora os homens vão embora e frequentemente deixam às mulheres a tarefa de criar os filhos. E está tudo bem. Não dão dinheiro suficiente e nem atenção suficiente. E está tudo bem. Na cultura de “vamos ser felizes”, herdada dos anos 60, que se espalhou por todas as classes sociais, a obrigação essencial de cada um é com a própria felicidade. A noção de dever e de obrigação vai se esgarçando até não significar coisa nenhuma. Lealdade (sobretudo sexual e afetiva) é uma palavra anacrônica. Vem junto com “traição” na lista daquelas que se usa entre parênteses.

Lembro de uma história exemplar que me contaram anos atrás. Está o pescador bonitão na praia, fumando um baseado com uma turista no colo, quando chega a mulher dele, completamente descontrolada. Ela berra com o sujeito que ele não tem ido pra casa, que ela e as crianças estão passando necessidade, lembra que ele é o marido dela, que ele é pai, pelo amor de Deus! Incomodado, mas sem tirar a gatinha do colo, o pescador responde à mulher: “Pô, para de me sufocar. Me deixe em paz. Eu preciso de espaço”... Nessa história tem uma mulher que chora e outra mulher sentada no colo do pescador. Além de um pescador safado.

Outra história, essa tirada de um filme: no final de "Terremoto" (de 1974), um sexagenário interpretado por Charlton Heston tem de escolhe entre salvar-se com a jovem e linda amante ou encarar a morte em companhia da mulher envelhecida (e chata) de toda a vida, interpretada por Ava Gardner no crepúsculo da sua beleza. O sujeito hesita por uma fração de segundo e mergulha para morrer com a velha companheira. Se hoje Tarantino filmasse essa cena seria chamado de exagerado. Lealdade saiu de moda.

É claro que a culpa pela infelicidade feminina não é dos homens. Nas últimas décadas as mulheres puderem fazer escolhas. Elas decidiram com quem e como gostariam de viver. Quantas vezes iriam casar ou se separar. Quando e em que circunstância seriam mães (esquecendo, por um segundo, que o aborto ainda é crime no Brasil). Se deixaram de perseguir a própria carreira (ou o sonho) com a dedicação que ela (ou ele) merecia, isso foi escolha, não imposição. Pelo menos na classe média. Se perseguiram a carreira e agora se sentem sozinhas, também isso foi resultado de escolha. O segundo filho, o casamento tedioso, a solidão apavorante: tudo decorre das escolhas. O amor que arrebata também. A família feliz também. A estabilidade. A luta na trincheira do lar. O que não é escolha é azar, como o abandono. Ou sorte, que também existe.

Assim tem vivido a minha geração. Ela fez e faz escolhas dentro daquilo que Brecht chamava de “o tempo que nos foi dado viver”. E eu acho que esse tempo tem beneficiado mais os homens que as mulheres. E, dentre as mulheres, tem beneficiado mais aquelas que fizeram opções mais conservadoras. Ainda é arriscado para as mulheres viver com a liberdade dos homens. O custo dos erros e dos azares não é o mesmo. E, ao longo do tempo, vai se tornando mais alto para as mulheres. Esse é o tema de Houllebecq. Homens não engravidam e raramente ficam com os filhos. Homens viajam mais leve pela vida e pelo mundo do trabalho. Homens (ainda) não dependem tão fundamentalmente da juventude e da beleza. Usufruem mais do mundo e por mais tempo. Estão mais bem aparelhados para viver o cada-um-pra-si do planeta egoísmo.

A que isso nos leva? A uma segunda revolução dos costumes, eu acho. Na primeira, quarenta anos atrás, homens e mulheres ficaram “iguais”. Na segunda, talvez a gente descubra que as mulheres – as mães dos nossos filhos – precisam de um grau adicional de proteção social, de lealdade afetiva e de celebração nas suas funções tradicionais. Sem hierarquias. Sem “ordem natural” masculina. Gente com poder igual, mas com necessidades diferentes.

Em 1875, descrevendo uma utopia, Karl Marx escreveu que a sociedade ideal deveria dar às pessoas de acordo com as sua necessidade e receber delas de acordo com a sua capacidade. Talvez muitas mulheres estejam dando mais do que deveriam e recebendo menos do que precisam, em vários terrenos. Talvez por isso as pesquisas mostrem que elas estão cada vez mais tristes. Talvez por isso a minha amiga esteja destroçada. A simpática barbárie de costumes em que vivemos nos últimos anos pode não ser um bom ambiente para moças de família. Ou para as moça construírem direito suas famílias.



Escrito por Regina Lopes às 10:36
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ALMAS BALDIAS, TERRAS DEVASTADAS

 

http://3.bp.blogspot.com/_kPDFnZEAHUc/SchoWVxfZbI/AAAAAAAACnE/TRv0fjhAW-I/s400/reinaldo_azevedo.jpgPubliquei ontem a foto que republico abaixo do próximo parágrafo (de Wilson Júnior, Agência Estado). Alguns leitores queridos deste blog expressaram sua dúvida: “Será que isso é mesmo necessário?” E aqueles seres que transitam nas sombras não hesitaram em defender a censura: “Fotos assim deveriam ser proibidas”. Falarei dessa gente mais tarde. A imagem é chocante, sim. Menos pela barbárie ali sintetizada do que pela desumanização da carne morta. Ela provoca indagações de fundo intelectual e moral — ao menos nas pessoas escrupulosas —, mas quase já não nos toca o sentimento. Perdemo-nos.

Uma das mais belas e profundas mensagens do cristianismo é a que prega a inviolabilidade do corpo porque morada de Deus. Nossas carcaças estão se tornando baldias, vastas solidões, terras devastadas. Dobrada naquele carrinho, acanhada, abandonada, jogada no lixo, está uma tradição que produziu grandezas: aquela que diz que o vilipêndio do corpo é uma profanação.

guerra-no-rio1

Roland Barthes escreve num livrinho sobre fotografia que as imagens têm os seus “puncta” (plural de “punctum“), os pontos que atraem a nossa atenção. Há aqueles óbvios. O mais gritante na imagem acima é a curiosidade das crianças. Há um processo educativo em curso, sabemos. É a devastadora educação sentimental de muitas cidades brasileiras. Mas o horror, o que mais chama a minha atenção, o que considero uma terrível evidência do país que assiste a 50 mil homicídios por ano, está quase fugindo do quadro.

Vejam o canto superior direito da imagem. Há uma rodinha de rapazes conversando distraidamente. Um deles usa o carro como apoio, o mesmo carro que ampara o carrinho com o cadáver. É como se dissessem: “Aqui é o Rio; hoje é terça-feira”. Devem conversar assuntos dessa vida besta, que é a de todos nós: o resultado do futebol do fim de semana, a pelada de logo mais, o chope do próximo sábado…

Alguns leitores, como disse, têm dúvidas generosas sobre a oportunidade de publicar a foto. Mas a petralhada não hesitou um minuto em afirmar que a sua divulgação corresponde a uma tentativa de sabotar a Olimpíada de 2016. Acusam-me, imaginem!, de integrar um grupo de pessoas interessadas em manchar as conquistas do Brasil — na verdade, muitos falam em “conquistas de Lula”. Não consideram grave o fato em si; lastimam é que tenha virado notícia. Se vocês se lembram, o subjornalismo lulo-petista protestou quando a imprensa exibiu aquela montanha de dinheiro que gente do partido usou para comprar o dossiê (falso) dos aloprados. Acusava-se uma tentativa de prejudicar a candidatura de Lula à reeleição. Para eles, o bom jornalismo é aquele que se submete às diretrizes impostas pelo partido.

“Enquanto a imprensa mundial elogia o presidente, você e uma meia-dúzia da imprensa golpista ficam jogando fel em tudo”, diz um dos destrambelhados. Parece que fui eu que larguei um cadáver num carrinho de supermercado. Um outro escreve: “Se você odeia tanto o Brasil, por que não muda daqui, babaca?” Estamos vivendo a reedição, com conteúdo novo,  do “Ame-o ou deixe-o”. As esquerdas brasileiras se tornaram subitamente patrióticos. Imaginem se o Brasil estivesse crescendo algo na faixa entre os 11% e os 13%, como aconteceu num pedaço do Regime Militar. O AI-5 seria pouco!

Aliás, é justamente o que estão tentando: uma espécie de AI-5 ideológico e cultural, que silencie a divergência, transformando qualquer crítica numa expressão de desamor pelo Brasil. Se um corpo é deixado num carrinho de supermercado, exibi-lo é uma forma de sabotar a Olimpíada; se Lula faz campanha eleitoral desavergonhada com dinheiro público no sertão do oficialismo, com tapete vermelho, camarão e uísque, denunciá-lo é expressão da inveja. Compreende-se: essa gente chegou ao topo porque a democracia comporta — na verdade, exige — a alternância no e do poder. Mas, agora, alternância pra quê?

Segundo Dilma Rousseff, se ela não for a futura presidente, o Brasil estará escolhendo o atraso… Progressista é Lula. Agora ele promete “limpar” o Rio. Não faz tempo, passava a mão na cabeça de bandido, acusando os outros governos de não terem investido em educação. Segundo o Babalorixá, uns poucos indivíduos passam uma imagem errada do país. Como se nota, ele agora tem um motivo para romper com a sua sociologia vitimista de botequim… Essa conversa mole servia para brasileiros. Para os gringos, vai ter de mostrar serviço.

Esses mortos do mundo real sabotam as fantasias patrióticas. E, se não podem ser eliminados da paisagem, têm de ser eliminados ao menos do jornalismo. Lula e o PT querem a paz dos cemitérios. Ainda que um cemitério de vivos.

PS - E antes que me torrem com bobagens: não há contradição necessária entre governo popular e governo autoritário. Aliás, diria que o autoritarismo com oposição forte pode revelar que se está diante de uma ditadura. Com apoio do povo, chega-se fácil à tirania. Ainda que com palavras doces e malabarismos circenses.

Em tempo - Não mudo, não! Vou ficar aqui! Os “patriotas” que mudem primeiro!

Jornalista Reinaldo Azevedo

Veja.com



Escrito por Regina Lopes às 09:55
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Copacabana é a capital brasileira dos idosos

http://veja.abril.com.br/vejarj/070606/imagens/comportamento2.jpg

De cada dez pessoas que vivem no bairro carioca, três têm mais de 65 anos de idade, um índice igual ao do Japão.

Otimismo, disposição para se divertir, namorar, recomeçar a vida. Os novos velhos estão revolucionando a ideia de inatividade.

“Tai” é o caminho, “chi”, a energia, “chuan”, o movimento. Os gestos lentos revelam que a silhueta ganhou novos contornos com o tempo. Os passos seguem o ritmo de corpos que já atravessaram boa parte do caminho. Esse exercício paciente é fonte de vida.

A praia é só um atrativo - e que atrativo - do bairro com maior concentração de idosos do país: 40 mil deles escolheram Copacabana para morar.

Em relação aos idosos, Copacabana é quase uma sociedade oriental. De cada dez pessoas que vivem aqui, três têm mais de 65 anos. Um índice igual ao do Japão e o dobro do restante do Brasil. Copacabana é a capital brasileira dos cabelos brancos.

O motivo é o mesmo que levou 81% da população brasileira de idosos a se concentrar em áreas urbanas: a proximidade dos filhos, dos serviços de saúde e de outras facilidades para o dia a dia. Como os filhos já cresceram, há apartamentos menores, mais práticos e baratos de manter.

“Aqui nós temos infraestrutura para as pessoas da nossa idade. Temos tudo: temos hospital, tudo que você quer. “Tem pessoas que pagam milhares de dólares para tomar banho em Copacabana, eu tomo todo dia de graça. Que tal? É bom ou não é bom?”, elogia um senhor.

Se envelhecer em Copacabana, ao som do mar e à luz do céu, torna mais suaves as limitações da velhice, ficar velho, claro, não é nenhum parque de diversões. Uma pesquisa feita com idosos de todo o Brasil mostra que a maioria dos idosos (80%) se diz realizada na vida. E não se sente velha.

“Idoso é sempre o outro, isso porque eles renegam, repudiam a imagem que a sociedade faz do idoso”, explica o coordenador da pesquisa José Carlos Libânio.

“Faço tudo que a minha filha faz. Faço ginástica, eu canto, eu ando. Tudo que uma jovem faz”, compara uma senhora.

Uma das maiores preocupações é a solidão, que atinge principalmente as mulheres. Com filhos criados...

“Cada qual vai, soltando os laços, vão para uma certa distância e você fica querendo, mas eles têm que viver a vida deles e nós, a nossa. Se você correr atrás, consegue envelhecer com qualidade de vida e alegria, que é isso que importa. Mas não pode é parar. Se por acaso faltar o chão, vou para a academia, fazer ginástica, ioga. Se parar, morre. Que nem bicicleta: se não pedala, vai virar”, analisa a advogada Julita Mourão, de 72 anos.

A aposentada Marly Figueira da Costa decidiu voltar a estudar piano depois de viúva.

De acordo com a pesquisa, as mulheres envelhecem melhor do que os homens.

“As mulheres dão de dez porque não só são mais capazes de manter amigas e amigos que fizeram ao longo da vida, porque lidam com o afeto sempre muito melhor do que os homens, como têm mais capacidade de fazer novos amigos”, compara o sociólogo José Carlos Libânio.

Marly confessa: um namorado não faria nada mal: “Ainda estou em uma busca”.

“Manter a vida sexual ativa apesar do avanço da idade é um indicador de saúde. Elas estão interessadas porque se cuidam, a saúde delas é melhor do que foi a saúde das sexagenárias de algumas décadas atrás”, compara a psiquiatra Carmita Abdo.

Luis resolveu aprender artes marciais. Fernando, caminha na praia, faz trabalhos comunitários. Os dois concordam: o sexo não é o mesmo da juventude, mas sempre dá para entrar em campo e mostrar algum tipo de jogo.

“Não é, naturalmente, aquele dos 30, 40 anos. Mas, está de acordo com a idade. É bom”, avalia Luiz.

“Sem dúvida, o impacto do advento de medicamentos que favorecem a ereção foi muito positivo, porque os homens e as mulheres recuperaram a vida sexual que estava interrompida pela dificuldade de ereção desse homem, que levava a um grande constrangimento na intimidade com sua parceira”, comenta a psiquiatra Carmita Abdo.

“O otimismo é essencial. Pessimismo não faz parte do meu dicionário de vida”, garante Fernando Polônia, da Associação Comercial de Copacabana.

Otimismo, bom astral, energia, cada um chama de um jeito, mas gostar da vida é o melhor ingrediente da fórmula.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 09:23
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"Vamos para o trabalho como quem vai para a prisão", conta empregado da France Télécom

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El País

Antonio Jiménez Barca
Em Paris (França)

São cerca de 200 trabalhadores, a maioria de meia-idade. Pertencem à France Télécom, a empresa francesa mais famosa nos últimos meses, tristemente, devido à onda de suicídios que a abala: 25 em 19 meses. O último aconteceu na semana passada, quando um operário em licença se enforcou em sua casa na região da Bretanha. As duas centenas de trabalhadores se reuniram ontem em uma pequena praça de Paris para protestar pela morte dele, mas também pela situação laboral de todos, pelo ambiente estressante e indigno, que, segundo eles, sofrem diariamente e que causa a crise.

Não há gritos nem lemas, aplausos ou insultos. Eles formam grupinhos, conversam quase em voz baixa. Em um desses grupos está Patrick, 58 anos, que se apressa a contar sua história: "Eu era técnico. Trabalhei a vida inteira como técnico. Cuidava de instalar redes de telefone embaixo da terra. Mas depois me disseram que precisava me reciclar. Puseram-me em uma sala para vender por telefone produtos da empresa: televisão ou internet, ofertas disso ou daquilo... Eu aguentei, mas outros não: pedem licença ou a aposentadoria antecipada..."

Todos concordam: por trás do mal-estar crônico dos trabalhadores dessa empresa de mais de 100 mil assalariados, dos quais 80 mil são funcionários públicos, encontra-se o duplo processo de reestruturação que sofre a companhia: a empresa estatal passou em 1995 a se transformar em uma empresa privada (26,5% do capital continuam nas mãos do Estado), que por sua vez se metamorfoseia constantemente para competir em um setor exposto a uma incontível evolução tecnológica.

Um diretor que ontem, embora um pouco afastado, se encontrava no lugar do protesto, resumiu assim a situação, depois de um gesto de tristeza: "Não sei como chegamos a isto. Suponho que porque tudo foi feito depressa demais e sem contar com as pessoas. E as pessoas não são um computador que se pode ligar e desligar ao capricho de quem manda".

A onda de suicídios causou a queda do número 2 da companhia, Louis-Pierre Wenes, a cabeça visível do processo de transformação, e ameaça acabar com o cargo do presidente, Didier Lombard, que apesar da pressão garantiu na semana passada que não está disposto a se demitir.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o índice de suicídios na França (um dos mais altos da Europa) é de 26,2 por 100 mil habitantes para homens e 9,2 para mulheres. Na France Télécom se situa em 18, entre homens e mulheres. Mas todos concordam que há algo errado quando os suicídios aparecem repetidamente relacionados com o local de trabalho.

Perto do diretor, no meio de um grupo mudo, como quase todos neste protesto de gente abatida, encontra-se Jean-François Cascoux, sindicalista de 50 anos, empregado no departamento de administração da empresa, que vê claramente quem é o culpado: "Tudo é condicionado ao lucro. Antes éramos uma empresa com vocação de serviço público. Agora só servimos aos acionistas. Mas os que se jogam pela janela não são os acionistas, nem os banqueiros, como em 1929, mas os trabalhadores. Uma funcionária se atirou há um mês e meio aí em Paris, porque seu chefe lhe havia dito que iam transferi-la e porque não parou de lhe dizer nos últimos meses que não servia para nada".

Esse operário afirma que nos últimos anos os trabalhadores foram pressionados demais: "E os mais frágeis simplesmente não aguentaram". Depois denuncia as transferências fulminantes ("devido às reestruturações, de um dia para outro mudam você de cargo e o obrigam a mudar-se 100 quilômetros"); critica "as condições de trabalho de alguns operários de 50 anos, transferidos para vendas por telefone, tratados como se estivessem na creche, obrigados a pedir licença para ir ao banheiro".

E conclui: "Há um ambiente depressivo para todos. Porque todos, mesmo que não estejamos muito mal agora, nos perguntamos: 'O que vai ser de mim no futuro? Quanto tempo vou durar?' Vamos para o trabalho como se fôssemos para a prisão".

A empresa tomou medidas: paralisação das transferências fulminantes, ajuda psicológica, questionários enviados aos trabalhadores para conhecer sua situação. Mas os sindicatos desconfiam e exigem uma mudança de filosofia.

Em uma esquina, com dois companheiros, Valerie Febrier, 45 anos, afirma: "Fizeram o possível para que as pessoas não sejam felizes, para que os que somos funcionários públicos vamos embora. Ainda faltam 15 anos para eu me aposentar. Não sei como vou trabalhar, como vou aguentar, como vou fazer para continuar todo esse tempo".



Escrito por Regina Lopes às 00:30
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Cenas de guerrilha urbana nas favelas do Rio

Le Monde

Jean-Pierre Langellier
No Rio de Janeiro

Duas semanas depois de ter sido escolhida para sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro foi o teatro, no sábado, 17 de outubro, de verdadeiras cenas de guerrilha urbana entre traficantes de drogas e as forças da ordem. Essa batalha deixou ao menos 12 mortos, entre os quais dois policiais militares que estavam em um helicóptero derrubado.

Três das vítimas seriam simples moradores, atingidos por balas perdidas. Pelo menos seis outras pessoas foram feridas, entre as quais um policial, e ao menos oito ônibus foram incendiados. É a primeira vez que um helicóptero da polícia é abatido no Rio pelos tiros de fuzis- metralhadoras de um grupo criminoso.

  • Ricardo Moraes/Reuters


Tudo começa em plena noite, conforme o cenário clássico de um confronto territorial entre dois bandos no bairro popular de Vila Isabel, zona norte do Rio, não longe do famoso Estádio do Maracanã, onde se realizará a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016.

Traficantes do Comando Vermelho instalados na favela São João invadem a favela vizinha, o Morro dos Macacos, onde reina uma facção rival, os Amigos dos Amigos. O objetivo dos atacantes é tomar o controle dos pontos de venda de droga.

Alertada algumas horas antes pela escuta telefônica do chefe dos agressores, que anunciou claramente suas intenções para os cúmplices que convocou, a polícia não acreditou. Ela garante ter reforçado sua presença ao redor da favela. Isto não bastou para impedir uma "invasão" conduzida por cerca de 150 bandidos vindos de pelo menos oito favelas, em motos ou a bordo de vans e carros roubados.

O tiroteio entre os dois lados nos becos do Morro dos Macacos durou a noite inteira, e os agredidos receberam o reforço de um "bando amigo" que veio da Rocinha, a maior favela do Rio e da América Latina. Os habitantes do bairro, apavorados, contaram mais tarde que viveram "uma noite de caos".

A Polícia Militar, conduzida por uma unidade do Batalhão de Operações Especiais (Bope), só interveio nas duas favelas no início da manhã. Um pouco mais tarde, quando o helicóptero foi atingido, seu copiloto, ferido no joelho, conseguiu pousar o aparelho, que explodiu em seguida.

O piloto, o copiloto e dois policiais conseguiram sair, e dois outros policiais, talvez já feridos, morreram carbonizados. Um dos sobreviventes, um comandante, atirador de elite, conheceu há um mês seu momento de glória ao abater com uma bala um criminoso que detinha uma mulher como refém em Vila Isabel e ameaçava com uma granada se fazer explodir junto com ela.

A polícia temia há vários anos que um de seus helicópteros fosse atingido por tiros. A blindagem dos aparelhos utilizados não é a toda prova, e os fuzis automáticos dos traficantes têm um alcance bem maior que a altitude máxima imposta aos pilotos para não perturbar a aviação civil.

No domingo, uma calma aparente havia voltado às duas favelas envolvidas. Quatro mil e quinhentos policiais suplementares foram mobilizados no Rio para evitar novas tentativas de invasões de favelas. Policiais civis e militares estão em alerta em seus quartéis, depois da convocação dos que estavam de folga. O ministro da Justiça, Tarso Genro, propôs enviar um corpo de elite do Exército, oferta considerada inútil pelo governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral.

Esses incidentes sangrentos podem manchar a imagem do Rio, particularmente aos olhos do Comitê Olímpico Internacional (COI) e, de maneira mais geral, atrair a atenção do mundo para a incapacidade das autoridades federais e locais em extirpar das grandes metrópoles do Brasil o câncer da violência que as corrói.

Para Genro, "ao escolher o Rio, o COI estava consciente de todo o trabalho que fizemos para reduzir e evitar a violência". A criminalidade no Rio não poderá desaparecer "por mágica" da noite para o dia, admitiu Cabral, antes de se comprometer a garantir a segurança dos Jogos Olímpicos: "Nós dissemos ao COI que não será fácil, e eles sabem disso. Mas poderemos colocar nas ruas 40 mil policiais e garantir o sucesso dos Jogos".

Eleito governador em 2007, Cabral lançou uma ofensiva inédita contra o crime organizado, cujo saldo por enquanto é a inegável "pacificação" de quatro favelas ocupadas permanentemente por policiais de proximidade. Quatro favelas das 1.020 que existem hoje na cidade.



Escrito por Regina Lopes às 00:20
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A CONEP, assim como qualquer outra entidade do FENPB*, pode propor até 3 (três) conferências para compôr a programação do III CBP.

Estamos então CONVIDANDO todos os estudantes e entidades estudantis de Psicologia que quiserem contribuir com propostas de temas e indicações de pessoas a participarem dessas conferências.

O que é uma conferência?
Segundo as orientações do FENPB, conferência é uma "Apresentação individual sobre tema específico realizado por profissionais especializados no assunto.".

Logo, se você tem em mente algum tema importante e indica alguma pessoa para falar sobre o mesmo, já tem uma proposta prontinha!

Agora, para podermos organizar as propostas, vamos tentar estabelecer um formato:

FORMATO PARA PROPOSTAS DE CONFERÊNCIAS
- Tema da conferência
- Justificativa do tema
- Pessoa indicada
- Justificativa da indicação dessa pessoa para o tema
- Contato da pessoa indicada

Clique aqui e preencha o formulário para envio de proposta de conferência.

EXEMPLO DE PROPOSTA:

Proponente: Daniel Maribondo
Contato: maribondo.d@gmail.com
Tema: Psicologia e práticas punitivas
Justificativa: As práticas punitivas atravessam a história da sociedade de maneira que se imprime não apenas no corpo, mas também na subjetividade. Para além dos presídios e carceragens, convém abordarmos as práticas punitivas que engendramos no nosso cotidiano e que acabamos por naturalizar pela repetição.
Indicação: Erwing Gofman
Justificativa: autor renomado, escreveu "Manicômios, prisões e conventos"
Contato da indicação: erwing.goffman@gmail.com

* Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira
http://coneponline.ning.com/group/cbpcienciaeprofissao/forum/topics/conferencias-da-conep-no-iii


Escrito por Regina Lopes às 22:01
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Escrito por Regina Lopes às 21:57
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Profissão Repórter: “Loucura”

Nesta Terça – 20/10/09

 

No Profissão Repórter desta terça, o dia-a-dia de quem lida com a doença mental no Brasil.

Os repórteres Thiago Jock e Emílio Mansur percorrem os corredores do manicômio mais antigo do país, o Hospital São Pedro, em Porto Alegre, e registram um momento dramático do tratamento psiquiátrico: a sessão de eletrochoque.

Júlia Bandeira e Thaís Itaqui vão para Brasília acompanhar uma manifestação pelo fim dos manicômios no país e conhecem os integrantes do grupo musical Trem Tantan, de Belo Horizonte, que transformam as próprias fantasias em música.

Caco Barcellos revela histórias surpreendentes de moradores de rua de São Paulo afetados por transtornos mentais.

 



Escrito por Regina Lopes às 21:25
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REuniao

 



Escrito por Regina Lopes às 02:03
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Escrito por Regina Lopes às 01:40
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Revista Cláudia

Convida

 

5ª edição Fórum Claudia para a Mulher Brasileira.

 

O tema é: "Câncer de Mama: Mitos, Verdades e Porquês"

Entrada gratuita

 

As inscrições podem ser feitas pelo e-mail forumclaudia@ eventar.com. br

e pelo telefone (21) 3005-9557, de 26/10 a 04/11, das 9 às 13 horas e das 14 às 19 horas (dias úteis)

 

O encontro acontece dia 04 de novembro

às 18h30, no Centro Empresarial Mourisco

Praia de Botafogo, 501- Rio de Janeiro.

 

Contamos com a participação de todos

 

 



Escrito por Regina Lopes às 01:30
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Diálogos sobre Diagnóstico:

desdobramentos do encontro anterior-  reflexões acerca do tema a partir da exibição do filme

“Quando Nietzsche Chorou”

 

http://1.bp.blogspot.com/_HaK30w4NDRQ/Soex94OIzfI/AAAAAAAAAnA/VFrLEl7HcIs/s400/III+Quando+Nietzsche+chorou.jpg

 

 

Debatedoras:

Eleonôra Prestrelo

CRP – 05 / 7449

 

Laura Quadros

CRP – 05 / 12561

 

 

 

Local: UERJ: SPA - sala 10.030. Bloco-D  

R. São Francisco Xavier, 524 – 10º andar

Data: 27 de outubro de 2009 (terça-feira)
Horário: 17:30 horas.

 

Prezados (as) Senhores (as),

 

O Laboratório Gestáltico: perspectiva fenomenológico-existencial em clínica, pesquisa e atenção psicossocial tem o prazer de convidá-lo para nosso evento de outubro que será realizado no próximo dia 27, terça-feira,  às 17:30 horas, na sala 10030 D do SPA da UERJ, no 10º andar, rua São Francisco Xavier, nº 524 - Maracanã.

O tema do nosso evento é um desdobramento do evento anterior (Normatização x Diagnóstico): Diálogos sobre Diagnóstico: reflexões acerca do tema a partir da exibição do filme "Quando Nietzsche Chorou".

Após a exibição do filme, haverá um debate com as psicólogas e coordenadoras do Laboratório Gestáltico, Eleonôra Prestrelo e Laura Quadros.

O filme começará rigorosamente no horário a fim de termos tempo suficiente para o debate posterior.

Entrada Franca.

 

Atenciosamente,

Equipe do Laboratório Gestáltico

 

 



Escrito por Regina Lopes às 01:16
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A nova cultura da idade


É hora de livrar-se de preconceitos antiquados sobre os idosos e começar um diálogo entre as gerações

Entrevista

http://www.iadb.org/idbamerica/archive/art/photos/F2000/f80025.jpg

 

 Tomás Engler, médico da saúde pública por profissão, é especialista sênior em saúde do BID desde 1987. Coordenou os estudos sobre idosos descrito na matéria "Aposentadoria ativa", organizou a Consulta Inter-Regional sobre Envelhecimento Ativo de junho último e está agora ajudando a desenvolver a agenda produzida durante essa reunião. Nos anos 70, Engler criou um programa de saúde para adultos no Ministério da Saúde do Panamá.

 


BIDAmérica :Já foi dito que as nações industrializadas se tornam ricas antes que envelheçam, enquanto os países em desenvolvimento vão envelhecer antes de se tornar ricos. Quais são as conseqüências?

Engler : Espero que haja crescimento econômico em nossos países e que os seus benefícios sejam distribuídos por toda a sociedade, incluindo os idosos. Mas isto demorará algum tempo.




NO CAMPO: Idosos no campo têm muito menos acesso a serviços de saúde do que os trabalhadores da cidade. (Foto: Yuri Cortez, BID)





Enquanto isto, vamos enfrentar um fenômeno demográfico semelhante ao que ocorre nas nações industrializadas, mas em um contexto de pobreza muito maior. Adultos idosos, que possuem necessidades especiais, devem ser mais afetados por este processo do que outros setores da população. Isto ocorre, em parte, porque as aposentadorias são muito baixas nos países latinos, até mesmo para aqueles em situação de adquiri-las; em alguns países uma grande proporção de idosos não faz parte do sistema formal de pensões. Como resultado, as pessoas trabalham duro para se aposentar e então têm que continuar trabalhando até o ponto em que não podem mais. Esses idosos também precisarão de serviços especializados nos setores de moradia, educação, atendimento médico e serviços sociais que em muitos casos não se encontram disponíveis.

BIDAmérica : As famílias latino-americanas cuidam melhor de seus idosos em casa do que as dos países industrializados?

Engler : Eu não acredito que sabemos o suficiente sobre os detalhes para fazer esta afirmação. A unidade familiar ainda é um forte valor na América Latina, mas o que tem criado obstáculos a ela são as pressões financeiras sobre as famílias. A menos que os idosos possam fazer contribuições valorizadas pelo resto da família, sua presença pode aumentar a pressão da pobreza. Mesmo em famílias que se encontram em uma boa situação, tais circunstâncias criam tensões.

Os estudos que realizamos na Argentina, Chile e Uruguai parecem comprovar que os idosos ainda dependem da ajuda de suas famílias para cobrir gastos com despesas médicas, vestuário e alimentação, mesmo quando cuidam do resto com sua própria renda. E muitos idosos trabalham para o seu próprio sustento.

BIDAmérica : Por que as propostas para aumentar a idade mínima de aposentadoria encontram tanta resistência na América Latina?

Engler : Em parte devido à teoria que quando os idosos permanecem empregados por mais tempo são obstáculo a que os mais jovens entrem no mercado de trabalho. Mas eu não conheço dados que confirmem essa afirmação. É um questão politicamente difícil, porque vários grupos profissionais, como as enfermeiras ou os policiais, vêem a sua aposentadoria antecipada como uma conquista, e qualquer político que retire tal beneficio provavelmente não será reeleito.

A ironia é que a maioria das pessoas que se aposentam antecipadamente nestes países simplesmente continua a trabalhar. Então o que temos que fazer é identificar quanto tempo as pessoas estão realmente trabalhando, e então desenvolver políticas trabalhistas que reflitam esta realidade. Uma vez que essas questões se tornem mais claras em termos de evidência empírica, então podemos iniciar um diálogo entre os jovens, as pessoas de meia-idade e os idosos que pode levar a um consenso sobre política de aposentadoria e a uma nova cultura da idade.

BIDAmérica : A comunidade médica da América Latina está preparada para atender as necessidades dos idosos?

Engler : Infelizmente precisamos desenvolver uma abordagem mais enfática nos cuidados preventivos para os idosos e na melhoria da qualidade e cobertura de serviços especializados para aqueles que os necessitam. Existe uma tremenda carência de treinamento geriátrico na América Latina, como existe nos Estados Unidos e outros países ricos. Poucas universidades incluem geriatria no seu currículo médico, apesar da demanda crescente por esses serviços. E esta carência se estende a médicos, enfermeiras, terapeutas físicos e todos os outros profissionais da medicina.

BIDAmérica : Qual é a situação de casas de repouso e asilos para idosos?

Engler : O setor público oferece uma variedade de instituições, mas a maioria delas se encontra em péssimas condições. A falta de recursos das instalações públicas é tão aguda que as famílias dos residentes são freqüentemente solicitadas a fornecer alguns itens básicos que não são providenciados, como lençóis ou alimentação. No setor privado, temos observado o crescimento de instalações de custo médio para pequenos grupos de pessoas, normalmente em antigas residências adaptadas para esse propósito.

No entanto, existem sérias preocupações sobre a qualidade do atendimento que é fornecido nesses lugares, assim como ocorre nos Estados Unidos, porque os proprietários freqüentemente procuram economizar em vários itens. Em diversos países existem regulamentações que não estão sendo observadas, porque as instituições de supervisão, encarregadas de verificar o cumprimento de tais regras, não possuem os recursos adequados. Desta forma, existe a necessidade de fortalecer esta capacidade de supervisão.

BIDAmérica : O que os países latinos podem aprender das nações industrializadas que já estão enfrentando a crise do envelhecimento da população?

Engler : Há diversas lições a aprender. Uma é a integração e coordenação dos serviços sociais e de atendimento médico, desenvolvimento urbano, transporte e outros nesta linha. Pode parecer óbvio, mas iss pode levar à construção de novos parques, por exemplo, que sejam equipados com bancos mais altos, o que torna mais fácil o acesso por parte de idosos ou deficientes físicos. Isso só ocorre se os planejadores urbanos estiverem em contato com os geriatras e com a população de idosos. Serviços bem coordenados também podem ser centralizados na casa das pessoas, ao invés de ter serviços fragmentados e dispersos.

A Finlândia e o Japão já fizeram muitas pesquisas sobre produtividade e trabalhadores idosos. Como são países com carência de mão-de-obra, possuem um incentivo para manter seus trabalhadores nos empregos por mais tempo e por isso desenvolveram grandes esforços no estudo de tópicos como ergonomia, que podem ter impacto sobre produtividade e satisfação no trabalho. Quando a capacidade física começa a declinar depois de uma certa idade, detalhes como, por exemplo, o desenvolvimento de alavancas mais longas podem resultar em menor esforço físico para realizar a mesma tarefa. Pessoas que começam a ter problemas de visão podem ser auxiliadas mediante telas de computador com letras maiores. Estas simples intervenções de baixo custo podem ter um grande impacto na produtividade e na prevenção de acidentes.




Escrito por Regina Lopes às 19:44
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Aposentados na ativa

O perfil demográfico da América Latina está pouco a pouco ficando grisalho

 

 

         

ñoz, mas ninguém diria. Aos 69 anos, Muñoz trabalha como vendedor para uma companhia de produtos de papel em Santiago, Chile. Ele é a única fonte de sustento para a sua família, que inclui sua esposa Eugenia, 61, e sua sogra María Josefa, 90. No momento, ele também está sustentando a filha Graciela, 36 anos, divorciada, que perdeu o emprego três anos atrás, com seu filho de 10 anos, Ariel. Outra filha, Noemí, de 38 anos, emigrou para os Estados Unidos, onde trabalha como artista gráfica.

Muñoz é aposentado, ao menos em teoria. Aos 52 anos de idade, após trabalhar 38 anos para a maior companhia de papel do Chile, ele optou por um pacote de aposentadoria antecipada promovido pelo regime de Pinochet, que na época estava no poder. Ele está entre a última geração de chilenos que ainda recebe uma pensão previdenciária paga pelo Estado. Desde então, o Chile adotou um sistema privado de previdência no qual trabalhadores escolhem administradores privados de fundos mútuos para gerenciar as contribuições previdenciárias deduzidas de seus salários.

NA OFICINA: Proprietários de negócios idosos continuam trabalhando para conseguir sobreviver. (Foto: David Mangurian, IDB)

Mas a aposentadoria de Muñoz não difere muito dos seus anos de trabalho. No dia seguinte ao que deixou seu antigo emprego, Muñoz aceitou uma posição de vendas por comissão em uma companhia de papel de menor porte porque, como ele diz, "a pensão não é suficiente para pagar as nossas contas". Eugenia, que tornou-se dona de casa após o nascimento da primeira filha, não recebe nenhuma aposentadoria. E María Josefa, que trabalhou para uma companhia têxtil por 30 anos, recebe uma aposentadoria mensal ao redor de $120 paga por um sindicato de trabalhadores.

Ainda assim, Muñoz se considera em boa situação. Ele e a esposa são proprietários do apartamento de três quartos no bairro de classe média de Ñuñoa, Santiago, e os dois automóveis que possuem estão pagos. Ele pode arcar com as despesas de um seguro-saúde privado e um serviço de ambulância para emergências. Isto é essencial para Muñoz porque ele é diabético e tem um problema cardíaco crônico. Mas o seguro-saúde não cobre os US$150 de medicamentos que ele necessita tomar mensalmente e cobre apenas parcialmente consultas médicas e despesas de hospital, tais como uma recente angioplastia. Essas despesas e outras realizadas pelos membros da família, retiradas diretamente do orçamento de Muñoz, consomem uma grande parte de seu salário.

Recentemente Muñoz acompanhou a esposa em uma visita à filha que mora nos Estados Unidos, pela primeira vez desde que ela emigrou para o novo país. Foi uma espécie de luxo que eles esperavam poder realizar com uma freqüência muito maior nesta fase de suas vidas.

Bem-vindo ao futuro.
Os desafios vividos por Muñoz e sua família (os seus nomes foram modificados para este artigo) não são novos. O que está mudando é a proporção de famílias na América Latina que estão na mesma situação.

A esperança de vida para a mulher é maior do que para o homem. (Foto: Roger Hamilton, IDB)

Trinta anos atrás, a mulher latino-americana tinha, em média, seis filhos e uma expectativa de vida ao redor de 60 anos. Atualmente, tem em média menos de três filhos e poderá viver 70 anos ou mais. A expectativa de vida para homens, apesar de menor do que para mulheres, também avançou consideravelmente. Estas duas mudanças – uma redução de cerca de 50% na taxa de fertilidade e o acréscimo de uma década na expectativa de vida (atingindo uma média de 72 anos para ambos os sexos) – estão produzindo uma mudança demográfica que trará profundas conseqüências para as sociedades da América Latina nos próximos anos.

Estima-se que 7,8% da população da América Latina, ou 42 milhões de pessoas, estão acima dos 60 anos de idade. Em 25 anos, este porcentual será praticamente dobrado, atingindo 14%, ou um total de quase 98 milhões de pessoas. Em alguns países da região, especialmente Uruguai, Argentina, Chile, Costa Rica e Cuba, a porcentagem de adultos na terceira idade irá crescer muito mais rapidamente. (Veja o gráfico.) O mesmo pode ser dito a respeito das nações do Caribe como um todo. Em 2025, elas terão aproximadamente 7,4 milhões de cidadãos acima da idade de 60 anos, representando um total de 17% da população do Caribe.

Os efeitos desta mudança demográfica têm sido aparentes nos países industrializados há vários anos. Adultos mais velhos têm problemas médicos mais freqüentes e de maior custo que precisam ser pagos em última instância pela sociedade, seja através de esquemas de seguro privado ou serviços públicos subsidiados. Em países que possuem sistemas públicos de previdência e saúde com benefícios definidos, essas despesas adicionais podem gradualmente diminuir o orçamento para outros serviços públicos, gerando déficits e trazendo a necessidade de aumentos de impostos.

Esta previsão negativa se tornou uma manchete rotineira nos meios de comunicação nos últimos anos, alimentando a tendência popular de encarar a população na faixa da terceira idade em geral como um custo social. Mas como mostraram os participantes de uma "Consulta Inter-regional sobre o Envelhecimento Ativo", realizada em junho último na sede do BID em Washington, D.C., há maneiras mais produtivas de pensar a respeito de adultos mais velhos. No encontro, especialistas em idosos ao redor do mundo descreveram uma crescente lista de evidências médicas e de comportamento mostrando que os idosos podem manter vidas produtivas por um período muito mais longo do que tradicionalmente se pensava. "Estamos concluindo, com base na experiência dos países do Hemisfério Norte, que o envelhecimento não é uma doença", disse Tomas Engler, especialista do BID em saúde que organizou o encontro. "De fato, apenas a minoria das pessoas idosas possui deficiências ou outras limitações de suas funções ou capacidades. A maioria é ativa ou tem potencial para ser ativa."

No encontro, o presidente do BID Enrique V. Iglesias disse que as sociedades latino-americanas necessitam levar em consideração essas novas evidências e encontrar melhores alternativas "para otimizar a extraordinária riqueza humana da população acima dos 60 anos de idade".

Esta noção – que adultos idosos representam um recurso social não utilizado ao invés de um passivo social – está alimentando um amplo debate público nos países industrializados que já possuem uma ampla proporção de idosos em suas populações. De maneira crescente, o debate está sendo promovido por grupos organizados, tal como a Associação Americana de Aposentados, que possui 30 milhões de membros nos Estados Unidos, o que a credencia com uma poderosa voz política em defesa dos interesses de uma população raramente consultada por dirigentes nacionais no passado. Esses grupos estão apoiando novas leis e regulamentações em áreas específicas, como ambientes de trabalho ergonômicos e o preço de medicamentos, com a intenção de criar uma sociedade em que as pessoas possam levar vidas ativas, dinâmicas e produtivas muito além da idade tradicional de aposentadoria de 65 anos.

Desafio latino-americano.
Ainda que uma pequena comunidade de médicos e ativistas sociais nos países da América Latina venha promovendo há anos uma visão semelhante, os obstáculos têm sido consideráveis.

A magnitude desses obstáculos ficou evidente durante o encontro de junho, quando o BID divulgou os resultados de três estudos, encomendados em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde, sobre a situação de idosos no Chile, Argentina, e Uruguai. Os estudos apresentam um cenário sombrio. Em primeiro lugar, existe o fenômeno regional de um sistema de benefícios previdenciários que são muito baixos para cobrir as necessidades da maioria das pessoas e o fato de que amplas parcelas da população acima dos 60 anos não possuem qualquer tipo de pensão. Na Argentina, que possui a mais alta renda per capita da América do Sul, 26% dos adultos mais velhos praticamente não recebem benefícios relacionados com sua aposentadoria, enquanto 70% recebem menos de $300 por mês, enquanto o custo de "subsistência mínima" para dois adultos é calculado pelo governo em $578 por mês. No Uruguai, onde o custo de vida é comparável ao da Argentina, a pensão média é de $365 por mês.

A situação é semelhante no que se refere à atenção de saúde. Estima-se que 18% dos argentinos de mais de 60 anos não possuem seguro ou cobertura de saúde. No Chile, 93% dos adultos idosos utilizam o sistema público de saúde, que sofre de severos limites orçamentários.

Dada esta situação, é simples entender por que alguém como Héctor Muñoz continuou a trabalhar depois de aposentar-se. Pesquisas entre homens e mulheres de mais de 60 anos, conduzidas como parte dos estudos do BID, indicam que 25% dos entrevistados na Argentina e 16% no Uruguai permanecem trabalhando; no Chile, 39% dos homens e 17% das mulheres que participaram da pesquisa continuam trabalhando.

A questão de pensões e idade para a aposentadoria atinge uma complexidade adicional nesses três países devido a introdução, relativamente recente, de sistemas previdenciários privados, com contribuição definida. As pessoas que já tinham atingido a idade de se aposentar ou estavam prestes a fazê-lo quando os novos sistemas entraram em vigor geralmente continuaram a receber uma pensão financiada pelo Estado. Mas muitos dos que estavam na casa dos 40 ou 50 quando a mudança ocorreu estão em situação incerta, porque não terão contribuído o suficiente para os novos sistemas nos anos de trabalho que lhes restam para garantir um nível razoável de pensão. Já que os novos sistemas ainda não iniciaram o pagamento de benefícios para um ampla quantidade de aposentados, e já que tais pensões serão baseadas no resultado de longo prazo de investimentos que se encontram concentrados em títulos governamentais, as pessoas têm dificuldade em presumir qual será sua renda futura.

Esse nível de ansiedade tornam difícil para os políticos recomendar reformas tais como a elevação da idade mínima para a aposentadoria – uma mudança urgentemente necessária em países como o Brasil, onde diversas categorias de trabalhadores podem se aposentar muito antes dos 60 anos de idade. Essas aposentadorias antecipadas, combinadas com uma grande evasão de tributos e alto nível de contratos informais de trabalho, criaram enormes déficits na previdência social no Brasil e diversos outros países latino-americanos. Mas, até que as pessoas se sintam confiantes quanto à segurança de sua aposentadoria, relutarão em abrir mão de aposentadorias precoces, que acabam por se tornar um suplemento financeiro aos empregos que conseguem depois de aposentadas.

Além das pensões, os estudos do BID descreveram uma variedade de desafios nas áreas de atendimento médico, moradia e serviços sociais. Como em outras partes do mundo, a profissão médica nestes três países carece de especialistas em geriatria, enfermagem e terapia física, capacitados para atender às necessidades específicas de idosos. Também existe uma carência generalizada de instalações residenciais planejadas para idosos. Embora nos últimos anos tenham proliferado pequenas dependências privadas, faltam aos inspetores do governo e fiscais de entidades reguladoras os recursos necessários para assegurar que essas dependências tenham níveis sanitários e de atendimento profissional adequados. Ainda que essa supervisão melhorasse, não ajudaria idosos deficientes tão pobres que não podem arcar com os custos cobrados por esses lugares.

Apesar da perspectiva sombria, Engler, do BID, acha que há razão para otimismo. "É importante lembrar que a América Latina tem o que os economistas chamam de ‘janela de oportunidade', diz ele. "Muitos dos países da região ainda têm aproximadamente 20 anos antes que sua população de mais de 60 anos comece a aumentar drasticamente . Durante esse período, os governos terão uma chance de investir mais em educação, saúde e serviços sociais que podem beneficiar adultos mais velhos. Teremos também uma oportunidade para mudar as percepções culturais sobre o envelhecimento e criar condições para que os adultos possam levar vidas ativas, produtivas, saudáveis e mais dignas."



Escrito por Regina Lopes às 19:41
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Brasileiros com mais de 60 seguem no mercado de trabalho

http://www.iadb.org/idbamerica/archive/art/photos/F2000/f80024.jpg

 

Muitos homens e mulheres deixam a vida de aposentado e voltam ao batente, por opção ou necessidade.

O Brasil com mais de 60 anos é o grupo da população que mais cresce e que, em uma década, passou a ter importante participação no mercado de trabalho. São homens e mulheres que sustentam famílias e ainda têm muito talento e energia.

Quem foi que disse que a vida fica mais calma na terceira idade? Seu Geraldo segue desafiando o tempo. Aos 73 anos, está firme no batente. Educado, com cara de bom velhinho, ele conquistou a freguesia do supermercado.

“Ele é quem leva as minhas compras em casa. Toma um cafezinho, bate um papo”, conta uma cliente.

“É bom demais”, concorda Geraldo.

A rotina faz bem. Ele acorda todo dia às 5h e trabalha seis horas por dia, de segunda a sábado.

Quem frequenta as lojas da rede de supermercado percebe que entre os funcionários tem um ou outro com uma idade mais avançada. A ideia de contratar idosos surgiu 10 anos atrás, por causa de um cliente idoso que gostava de passear todas as tardes em uma das lojas e ficava ali perguntando: "O senhor foi bem atendido? Faltou alguma coisa?"

O gerente percebeu e resolveu contratar aquele senhor. Depois de 10 anos de trabalho esse cliente que virou funcionário não está mais no supermercado, mas a ideia que ele plantou, vingou.

Quem é calouro, nesta loja, tem que passar por Dona Neuza. Ela ensina aos mais jovens a arte de conquistar o cliente.

“Eu acho maravilhoso. Eu estava falando que ela é assim bonita porque trabalha e é ela que faz a vida dela. Ela não se deixa levar pela vida. Ela que conduz a vida”, elogia a administradora de empresas Silvia Romeiro.

Seu Antônio resolver mudar de rumo, depois de dois anos de chinelo e pijama: “Nesse período, minha cabeça estava horrível, porque a pessoa se sente inútil. Na medida em que você sai para trabalhar, mesmo que você tenha problemas, os problemas você deixa em casa”.

Assim, o aposentado aborrecido virou o melhor empacotador da loja: “Ganho exatamente o mesmo salário que os meninos, nem menos, nem mais. Eu faço o que eles fazem, nada mais justo”.

A multidão de cabelos brancos ganhou muito mais. Ganhou espaço no mercado. É só olhar os números. São mais de três milhões trabalhando.

“Estamos observando isso há uns seis, sete anos. O crescimento da parcela que tem 55, 60, 65 anos e até mais no mercado de trabalho, como empregado e também trabalhando por conta própria, como empreendedor, informal, às vezes trabalhando em atividades muito simples, mas uma atividade econômica efetiva”, informa o especialista em trabalho José Pastore, de 74 anos.

Não é à toa. Dos mais de 26 milhões de brasileiros aposentados, a maioria ganha mais que um salário-mínimo. O benefício médio é de R$ 638, em valores de julho deste ano. Maior até que a média dos salários dos trabalhadores da ativa.

É dos R$ 980 da aposentadoria de Dona Palmira e de Seu Orlando que nove pessoas, entre filhos e netos, vivem em Taboão da Serra, Grande São Paulo.

“A gente estica. Compra de terceira, em vez de comprar de segunda compra de terceira. Arroz de terceira, feijão de terceira, vai comprando mais baratinho para poder comer. E muito ovo”, descreve Palmira.

Só mesmo com bom humor para enfrentar horas na máquina de costura, todos os dias. Ou puxando uma carroça pelas ruas, como Seu Orlando, de 78 anos: “Peço para Deus me ajudar e vou embora. Tem dia que ganho R$ 5, R$ 10”

Os filhos, desempregados, sofrem.

“Você não sabe como a gente fica. Às vezes eu levanto cedo e saio andando, para ver se consigo um bico aqui outro ali”, diz uma filha do casal.

“Era para eles estarem sossegados e eu ali colocando tudo dentro de casa. É o que eu mais quero”, confessa uma filha do casal, aponta Manuel Vagner de Souza Machado.

O engenheiro Luiz Antonio Fadel afirma: estar na ativa aos 63 anos, numa multinacional, é um prêmio: “É muito mais do que eu poderia ter esperado. Em 1969, quando entrei nessa companhia, com certeza”.

Os colegas, de todas as idades, apóiam.

“Eu vejo nos olhos dessa pessoa o entusiasmo, o interesse e também a capacidade de conhecimento que é muito maior que nós”, elogia a secretária Marlene Vidot.

Idoso rouba emprego do jovem?

“Essa controvérsia é superada quando você tem uma taxa de crescimento robusta, o que não tem sido o nosso caso. Nós ficamos décadas com taxas de crescimento muito acanhadas”, comenta José Partore. “Tenho 74 anos, dou palestras nos Estados Unidos, no Brasil, na Europa. Vou até onde Deus me der vontade de fazer as coisas que eu gosto e também a condição de fazer as coisas que eu gosto. Dizem que quando uma pessoa faz o que gosta, não trabalha. É o meu caso. Isso é a minha vida”.

Entre os idosos, há os que voltam ao mercado de trabalho porque querem, para manter a cabeça ocupada e continuar produzindo, e há os que voltam a trabalhar por necessidade. Só que aí eles enfrentam um problema: como tudo evolui com muita rapidez muitas vezes o conhecimento daquela pessoa com mais idade já esta ultrapassado. É necessário fazer um curso, uma atualização,

“É um pessoal que sabe o que quer, que já tem vida construída. Não quer ficar pra trás”, comenta o instrutor Ilari Kozemekinas.

Com o conhecimento, eles esperam superar barreiras e conseguir uma colocação.

“O que pega é principalmente a idade. Quando falo a minha idade, já tem esse problema de imediato”, diz um aluno do curso.

Novo emprego, novo negócio, não importa. Eles já provaram que a tal terceira idade é uma idade ativa.

 



Escrito por Regina Lopes às 19:36
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Escolas particulares vetam as sandálias Crocs, moda entre as crianças


 

TALITA BEDINELLI
da Folha de S.Paulo

Escolas particulares de São Paulo têm recomendado aos pais que não mandem seus filhos para as aulas usando as sandálias Crocs, verdadeira febre entre as crianças. Os colégios acreditam que o sapato pode causar tropeços e quedas porque o solado feito de croslite (uma resina de alta aderência) segura o pé no chão quando a criança corre. O calçado também é folgado, o que pode desequilibrar.

As Crocs foram criadas no Colorado (EUA) para serem usadas em barcos justamente devido à sola antiderrapante.

http://www.olhardireto.com.br/imgsite/noticias/0001910200910728.jpg

Gabriela, 4, que esfolou os joelhos

após "grudar" os pés no escorregador.

Não existem dados médicos que comprovem os acidentes. Mas as escolas observaram que a frequência de tropeços no recreio aumentou após a moda das Crocs.

"As crianças passaram a cair mais. Quando íamos ver, estavam com a sandália. Resolvi conversar com alguns pais que são médicos e eles alertaram para o perigo", diz Tânia Fonseca Pinto, coordenadora da educação infantil da escola Recrearte, na Vila Mariana (zona sul de SP).

O colégio pediu, então, que os pais deixassem as sandálias em casa quando mandassem os filhos para as aulas. O mesmo ocorreu no Pentágono e no Albert Sabin.

No início, o veto provocou resistência dos pais. "As Crocs são muito práticas. É só colocar no pé da criança e pronto", diz a advogada Patrícia Mozes, 32. Mas ela passou a apoiar a medida depois que os dois filhos sofreram pequenas quedas com o calçado.

Henrique, 2, subia uma parede de escalada quando a Crocs "grudou" no brinquedo, prendendo o pé. Resultado: um machucado no rosto. Já Gabriela, 4, teve os pés grudados no escorregador e esfolou os joelhos. "Percebi que a relação custo/benefício não é tão boa", diz a mãe, Patrícia.

Júlia, 5, também já tropeçou algumas vezes com as Crocs. "Ela ia para a escola com a sandália, mas sei que não é adequado. As crianças correm muito, precisam usar sapatos que dão mais estabilidade", diz a mãe Nilza Brandini, fisioterapeuta.

Túlio Diniz Fernandes, ortopedista do Hospital Sírio-Libanês, concorda. "Um calçado deve ser protetor para a mecânica do pé. Essa sandália é completamente solta, larga, de modo que o pé da criança pode dobrar, e tem um solado grosso. É exatamente o contrário do que se entende por calçado protetor."

Túlio diz, entretanto, que não tem atendido muitos pacientes que sofreram acidentes com as Crocs. "Provavelmente são quedas pequenas, que não chegam ao hospital."

Outros países

A Crocs diz que respeita a decisão das escolas, mas afirma que o produto é vendido em vários países e que desconhece locais onde tenha havido orientação parecida.

Em 2008, o governo japonês pediu ao fabricante que mudasse o design da sandália, pois trazia o risco de prender os pés das crianças em escadas rolantes. Segundo a assessoria de imprensa da Crocs, porém, não houve mudanças, pois não foi comprovado que o calçado tinha problemas.

O produto ganhou uma etiqueta alertando aos usuários que pisem no centro do degrau das escadas rolantes.



Escrito por Regina Lopes às 18:26
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A importância de ser criança

http://i.pbase.com/u47/alexuchoa/upload/33998133.Crianasbrincandodecastelodeareianapraia.jpg


Por Ana Paula Galli, especial para o Yahoo! Brasil


Nascer, crescer, reproduzir, morrer. Cada momento do ciclo da vida tem uma importância definida. Mas, sem dúvida, a infância é o período mais representativo da formação do ser humano. "É nessa fase que o futuro adulto se constitui. Viver uma boa infância significa passar de forma saudável física e mentalmente para a fase adulta", explica a psicoterapeuta infantil Ana Olmos.

Brincar, fazer amizades, se divertir mas também ter obrigações; Ana conta que até deixar o filho passar por frustrações é importante. "É esse aprendizado que faz com que o adulto aprenda a lidar com vitórias, mas também com derrotas".


Conviver com os pais no dia a dia também é um importante fator de formação, mas que, por causa da correria e da falta de tempo comum aos moradores dos centros urbanos, se torna uma atividade cada vez mais rara.

"Muitas vezes os pais não conhecem os próprios filhos, que são formados principalmente pela cultura de massa", conta Solange Jobim, professora do departamento de Psicologia da PUC do Rio de Janeiro. Apesar de não existir uma fórmula milagrosa, a professora explica que a presença dos pais, entre outras ações como o acesso à diversidade cultural e aos diferentes ambientes lúdicos, incentivam o desenvolvimento da criatividade e, consequentemente, da personalidade da criança.

"A fantasia é indispensável à formação, mas ela tem que ser estimulada. Não basta ligar a televisão e colocar o filho para assistir. Tem que haver um diálogo direto com a criança. E, mais importante, os pais têm de filtrar o que é bom e o que é ruim", afirma Solange.

Infância dura

E se uma criança não tiver uma infância propriamente dita? Se por causa das intempéries da vida ela tenha sido obrigada a passar seus dias em sinais de trânsito vendendo balas ou em uma carvoaria no interior do país, trabalhando desde pequena? Essa realidade não é difícil de ser encontrada. Basta sair de casa para ver pequenos zanzando pelas ruas sem a supervisão de um adulto, em busca de um "trocado" ou vendendo algo.

Nesse caso, a fantasia de ser criança dá lugar ao excesso de responsabilidades, o medo de não ter o que comer, o receio de não ter onde dormir. "A infância se torna uma batalha a ser vencida. E a mente, em vez de ser ocupada por brincadeiras e fantasias, é inundada por preocupações que normalmente pertenceriam apenas à mente de adultos", explica Ana.

De acordo com a psicoterapeuta, ser responsável pela própria sobrevivência não é algo que deveria fazer parte do universo infantil, e o resultado pode ser desastroso. "O caminho natural da privação é a deliquência. E nesse caso, não só a criança perde. Aí toda a sociedade acaba vítima da falta de infância de uma criança de rua. O resultado é um mundo cada vez mais violento", conta Ana.

Um outro mundo possível

"Só quem sentiu na própria pele entende o que é passar frio, estar à mercê do perigo e não ter o que comer por dias". O relato é de Airton da Costa, advogado da prefeitura de Diadema (SP) que viveu boa parte da vida nas ruas.

Nascido em uma família pobre de Lins (SP), apesar de ter uma casa, Airton e seus irmãos preferiam desde pequenos passar os dias e as noites nas ruas. "Passávamos meses fora de casa. Era melhor por causa do meu pai, que era alcoólatra", explica. "Infância eu não tive. A cabeça nunca estava ocupada com coisas de criança. Em vez de fantasias, eu me preocupava em catar papelão e pedir esmola para sobreviver. Isso não é ter infância".

Mesmo com todas as dificuldades, diferentemente de seus irmãos, que se envolveram com drogas e sofrem hoje com sequelas, Airton frequentou a escola. Em busca de comida nos lixos, ele aproveitava para procurar cadernos com folhas em branco, que usava na sala de aula. "Enquanto meus amigos brincavam de bola eu sonhava em ser advogado. Desde pequeno eu sabia o que queria".

Aos 37 anos, com a ajuda do financiamento estudantil, Airton conseguiu entrar na faculdade de Direito. Hoje, aos 44 anos, casado com Maria Minervina e pai de duas meninas - Natália, 15 e Taís, 17 - ele faz questão de que suas filhas não passem necessidade. "Dei tudo para que elas tivessem uma infância saudável e continuo dando. Não só amor, carinho, diversão e comida mas também obrigações. Elas têm que aprender a dar valor à vida".

Como os pais devem agir para os filhos terem uma infância mais saudável

Não basta colocar na escola ou pagar uma babá para vigiar os filhos. Uma infância bem vivida depende muito mais das atitudes dos pais do que de qualquer outro fator

Diga não à super-proteção. Dentro dos limites, garanta a seus filhos liberdade de ir e vir e de tomar decisões.

Varie nas brincadeiras. Em vez de fornecer apenas brinquedos fabricados, incentive brincadeiras ao ar livre ou com brinquedos artesanais. Isso contribuirá para o desenvolvimento da fantasia e da criatividade do seu filho.

Participe. Estar presente e ser ativo na vida dos pequenos faz uma grande diferença na formação do ser. Dar atenção, jogar conversa fora, ter momentos simples e duradouros no dia-a-dia são formas de se aproximar.

Deixe a frustração acontecer. Assim como aprender a lidar com vitórias e conquistas, é indispensável para a criança aprender a lidar com frustrações e perdas.

Diminua o acesso à televisão e ao computador. Em vez de um joguinho de computador ou um desenho animado na televisão, incentive a leitura, o teatro, o cinema, fortes aliados na formação cultural e criativa da criança.


Escrito por Regina Lopes às 18:19
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PSICOLOGIA ESCOLAR

Teoria e Prática

Extensão - Formação

Inscrições Abertas - Últimas Vagas !

 
 OBJETIVO:

Apresentar, transmitir e treinar estudantes e profissionais da Psicologia no trabalho na Escola.

A prática será ministrada no Centro de Educação e Recreação New Garden, em São Cristóvão.

 PÚBLICO-ALVO:

Profissionais e Estudantes de Psicologia.

 DURAÇÃO:

TEORIA:

Dias:

24/10/09 - Sábado - Das 13:00 às 17:00h

14/11/09 - Sábado - Das 10:00 às 17:00h

21/11/09 - Sábado - Das 10:00 às 17:00h

PRÁTICA:

De Dezembro de 2009 a Julho de 2010 - 1 plantão de 4 horas por semana (dia e horário a combinar).

SUPERVISÃO:

De Janeiro a Julho de 2010 - a combinar.

  • Os alunos que já atuam em escola não precisarão compor as horas no Colégio designado. Deverão participar da supervisão trazendo a sua prática profissional para compor as horas referentes à prática.

 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
  • Psicologia na Escola – Prevenção X Clínica;

  • Desenvolvimento Infantil – da Psicanálise a Psicomotricidade / A importância do Brincar de 0 a 6 anos;

  • Anamnese Psicológica / Psicodiagnóstico;

  • Principais Teóricos da Aprendizagem;

  • Dificuldades de Aprendizagem;

  • Compreendendo a agressividade, a depressão infantil, a mentira, sexualidade Infantil - Limites! Papel dos Pais e da Escola;

  • O trabalho com a família e professores.

 CARGA HORÁRIA:

120 Horas.

 INÍCIO:

24 de Outubro de 2009 - Sábado.

 LOCAL:

Rua Conde de Bonfim, nº 377. Sl. 307 – TIJUCA / RJ.

 COORDENAÇÃO:

Márcia Regina Costa - CRP 05/14567.

Psicóloga Clínica Hospitalar e Escolar, Especialização em Medicina Psicossomática. Docente na Pós-Graduação de Psicologia Hospitalar da Universidade Veiga de Almeida. Especialização em Educação e Reeducação Psicomotora – UERJ; Ex-Coordenadora do Núcleo de Creche – INCA/MS; Responsável pelo Serviço de Psicologia Centro de Educação e Recreação New Garden/RJ.

APENAS 10 VAGAS !

INSCRIÇÕES ABERTAS - GARANTA SUA VAGA!

 INVESTIMENTO - TEORIA E PRÁTICA:

Inscrições: R$ 60,00 até 13 de Outubro, após R$ 80,00.

Mensalidade: 6 X R$ 200,00 Sendo a primeira parcela para o dia 24 de Outubro. As demais podem ser pagas com cheque pré-datado para todo dia 15 de cada mês subseqüente.

Fornecemos Material Didático e Conferimos Certificado !

 INVESTIMENTO - APENAS O MÓDULO TEÓRICO:

Inscrições: R$ 60,00 até 13 de Outubro, após R$ 80,00.

Mensalidade: 3 X R$ 200,00 Sendo a primeira parcela para o dia 24 de Outubro. As demais podem ser pagas com cheque pré-datado para todo dia 15 de cada mês subseqüente.

Fornecemos Material Didático e Conferimos Certificado !

DESCONTO PARA GRUPOS A PARTIR DE 3 PESSOAS

 COMO PROCEDER PARA INSCRIÇÃO:

Inscrições: preencher ficha de inscrição no site: www.psimare.psc.br

O recolhimento da taxa de matrícula deverá ser depositado no Banco do Brasil, Ag. 1250-5, C/C. 40398-9, em favor de Márcia Regina Costa. Enviar cópia do comprovante de depósito via fax(2442-4651). Em nenhuma hipótese o valor da matrícula será devolvido.

 INSCRIÇÕES ON LINE:

www.psimare.psc.br

Vagas Limitadas !

(21) 2288-7276

(21) 2442-1472 (Após às 19 horas)

(21) 9409-2482

(21) 2442-4651 (Fax)

psimare@ig.com.br

Incluso material de apoio e certificado!

 


Escrito por Regina Lopes às 21:29
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Mulheres têm papel importante nas mudanças da sociedade brasileira

http://www.esteticabr.com/wp-content/uploads/2008/03/idosos_felizes.jpg

 


Sociedade está envelhecendo, mas é boa notícia. A cada nova pesquisa, o Brasil aparece com uma nova cara.

O Brasil já foi um país do futuro, um país de jovens. Mudou. Está maduro, caminhando depressa para o envelhecimento e isso é boa notícia.

Hoje, 21 milhões de brasileiros são o que se convencionou chamar de idosos. Mas esses novos velhos deixaram de lado as convenções há muito tempo. É o que o Bom Dia vai mostrar, ao longo desta semana, em mais uma série especial: o Brasil com mais de 60. As mulheres têm um papel importante nessa transformação.

Tainá é uma brasileira recém-nascida. Saudável, forte, veio ao mundo com pouco mais de três quilos. “Meu grande sonho é que ela seja alguém na vida, estude”, diz a mãe de Tainá, Lessandra Alves.

Tainá é parte de uma transformação. No Brasil de hoje, as pessoas vivem mais. Na última década, a população cresceu 21%. Mas o número de pessoas com mais de 60 anos cresceu o dobro. O grupo com mais de 80 anos subiu ainda mais. Nos últimos 40 anos, a cada nova pesquisa, o Brasil aparece com uma nova cara.

De volta aos anos 1960, um outro país. Éramos 66 milhões de brasileiros. Quem nasceu nesta década, diziam as estatísticas, viveria no máximo até os 54,6 anos. Bebês como Tainá vão chegar aos 72 anos, pelo menos. Para os meninos, a expectativa cai 7,5 anos, principalmente por causa de mortes violentas - no trânsito ou no crime.

“O Brasil está deixando de ser um país de jovens e a população está envelhecendo. Isso se deve, em primeiro lugar, porque a partir dos anos 70 as mulheres estão tendo menos e menos filhos”, explica a pesquisadora do IPEA Ana Amélia Camarano.

Mudou a cabeça da mulher, mudaram as estatísticas.

“As mulheres passaram a se casar mais tarde, ou a estabelecer uma relação estável mais tarde, por volta dos 28 anos. Querem investir na sua carreira. Querem primeiro ganhar uma estabilidade para depois pensarem na maternidade”, destaca a psiquiatra Carmita Abdo.

Quem tem filhos, tem poucos. A taxa de natalidade caiu de 6,3 filhos por mulher em 1960 para menos de dois filhos. Em números de 2008, 1,89 filho por mulher. Tão importante quando o menor número de nascimentos foi a queda na mortalidade infantil. De 124 por mil crianças nascidas, para 23,5 por mil, em 2008.
O saneamento básico ainda precisa ser ampliado, mas já fez a diferença. As condições de moradia também. Por último, os avanços na saúde, que começam com a vacinação em massa das crianças e os novos tratamentos.

“Quando nós comparamos o ar, a água, a comida do início do século para agora, obviamente, as condições são muito melhores. As novas doenças hoje em dia são atacadas com maior rapidez, o que permite esse alongamento do tempo de vida”, compara o diretor-geral da UnaTI/UERJ Renato Veras.

Essa soma de fatores leva ao que se costuma chamar de envelhecimento. É uma boa notícia. Até porque a vida mudou, os tempos mudaram. Agora é o tempo dos novos velhos.

“Eu digo que a gente não está envelhecendo. Nós estamos rejuvenescendo. A população está envelhecendo, a sociedade, mas as pessoas estão rejuvenescendo. Você chega aos 60 anos, hoje se convencionou que é idoso, mas em plena condição de saúde, com condições cognitivas. Você pode ainda ter um tempo produtivo pela frente”, explica a pesquisadora do IPEA Ana Amélia Camarano.

“Faço consultoria na área de relações públicas, faço seminários, estou sempre em atividade”, enumera um senhor.

“Se parar, enferruja. É igual a um carro. Você coloca na garagem, no dia que vai tirar está sem bateria”, compara um homem.

O problema do Brasil é que muita gente se aposentou cedo. O afastamento precoce de tantas pessoas vai pesar por muito tempo nas contas públicas. Daqui para frente, haverá menos trabalhadores para pagar a Previdência e cada vez mais gente recebendo.

Basta olhar para a nossa pirâmide etária. A previsão é de que a população pare de crescer em 2030 ou antes. Em 2050, 20% da população brasileira vão estar acima de 60 anos.

Segundo o IBGE, a proporção pode ser ainda maior. Em quatro décadas, os idosos representariam 29% da população. Menos jovens, mais velhos e um sistema de Previdência em colapso.

“A cada ano que passa são mais de 650 mil idosos que entram na nossa pirâmide populacional”, alerta o diretor-geral da UnaTI/UERJ Renato Veras.

O Brasil com mais de 60 anos tem tantos novos desafios, que a nossa equipe saiu aqui da redação e foi às ruas, em diversas partes do país.




Escrito por Regina Lopes às 21:15
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Caso não consiga visualizar esta imagem acesse http://www.uva.br/znewsletter/2009/congresso_voz_fala_audicaov2.html

IX Congresso de Voz Fala Audição e Linguagem - I Simpósio de Saúde Mental - I Jornada de Surdez Infantil e Autismo
O autismo e a surdez, discutidos a partir de uma abordagem integrada das 3 áreas convergentes no seu tratamento: Fonoaudiologia, Pedagogia e Psicologia.
Público-alvo: Profissionais e estudantes de Fonoaudiologia, Pedagogia e Psicologia
23 de outubro - Uma programação completa para discutir temas relevantes no tratamento do autismo e da surdez - 24 de outubro  - Curso de Apresentação do Projeto Tartaruga
Investimento: R$ 40,00 - Local: Campus Tijuca - Rua Ibituruna, 108

Data: 23 e 24 de outubro de 2009
Local: Campus Tijuca

O congresso internacional irá colocar em pauta o autismo e surdez, área em comum de três áreas de conhecimento: Fonoaudiologia, Pedagogia e Psicologia.

Programação:
23/10 – Sexta-Feira

9h às 11h
Temas:
• Elementos Fundamentais no diagnóstico da surdez e referência as diversas fases do desenvolvimento
• Elementos Fundamentais no diagnóstico do distúrbio Autistico
• Analogia dos Elementos diferenciais entre Surdez e Autismo
• A terapia de uma forma ampla

Participantes:
Dra. Magda de Renzo – Italia
Dra. Mônica Nicola – Brasil - CRFa 2103-RJ
Dra. Cristina Simonek – Brasil - CRFa 4211-RJ
Coordenação: Prof. Dr. Reynaldo Lopes - CRFa 6914-RJ

11h às 12h
Tema:
Abordagem clínica para crianças especiais e família

Participantes:
Dra. Ana Claudia – Odontologista especialista em crianças especiais
Dra. Mônica Nicola – Psicanalista - CRFa 2103-RJ
Dra. Cristina Simonek- Audiologista - CRFa 4211-RJ

14h às 15h
Conferência sobre Aspectos Gerais da saúde Mental no Brasil

15h às 16h
Tema:
• Situação atual da surdez infantil e do autismo no Brasil

Participante:

Dra. Cristina Simonek - CRFa 4211-RJ
Coordenação – Prof. Dr. Reynaldo Lopes - CRFa 6914-RJ

24/10 – Sábado

9h às 16h
Curso de Apresentação do Projeto Tartaruga
Autismo - Diagnóstico - Terapia
Objetivo: fornecer um quadro completo das dificuldades e das possíveis evoluções no âmbito cognitivo, emotivo e social.
A metodologia proposta visa fornecer aos participantes artifícios da sua própria formação, estimulando as interrogativas para depois se confrontar com as nossas propostas.

Ministrado por:
Dra. Magda de Renzo / Dra. Mônica Nicola
Investimento: R$40,00

http://uvaonline.uva.br/mkt/site_conteudo/eventos3.asp?id_evento=10831



Escrito por Regina Lopes às 21:05
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CURSO:

OS ASPECTOS PSICOLÓGICOS

E MÉDICOS DO PROCESSO

DE ENVELHECIMENTO NA

ATUALIDADE

 

O envelhecimento populacional pode ser visto como um fenômeno social mundial. Até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos e ainda é grande a desinformação sobre os aspectos psicológicos e médicos do envelhecimento (OMS).

 OBJETIVO:

Produzir conhecimento sobre o tema do envelhecimento e preparar profissionais especializados que possam dar conta da urgente demanda existente na sociedade atual. O curso terá como foco a subjetividade do idoso nos diferentes locais de tratamento deste: a clínica, o home-care, as instituições de longa permanência e o hospital.

 PROGRAMA DO CURSO:
  • Conceituação do processo de envelhecimento;
  • O envelhecimento como demanda demográfica e social;
  • A clínica do envelhecimento: as transformações corporais, sociais, afetivas;
  • A interrogação dos sintomas contemporâneos do envelhecimento;
  • As questões intergeracionais;
  • A cognição na terceira idade: memória;
  • As principais doenças crônico-degenerativas;
  • O idoso e as instituições interdisciplinares;
  • A finitude;
  • A espiritualidade;
  • Discussão de casos clínicos.
 PÚBLICO ALVO:

Psicólogos, Estudantes de Psicologia e Profissionais de Saúde.

 AULAS TEÓRICAS:

Dias 07 e 21 de Novembro.

Sábados das 9:00 às 18:00h.

 LOCAL:

Centro Empresarial BarraShopping

Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

 INVESTIMENTO:

Estudante: 2 parcelas de R$ 175,00

Profissional: 2 parcelas de R$ 190,00

* Desconto de 5% para pagamento a vista !

ou * Desconto de 10% para Ex-Aluno Inner !

 COORDENAÇÃO TÉCNICA:

Psicóloga Patrícia Fonseca Caetano da Silva (CRP 05 / 32768)

Graduada pela UFRJ; Pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela UERJ/UnATI. Trabalha prioritariamente com atendimento clínico, institucional e domiciliar de idosos. Sócia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Professor Convidado:

Dr Filipe Gusman, clínico geral e geriatra.

 

Conferimos Certificado !

 
 
 INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
(21) 3385-4173

(21) 9724-5700

(21) 9987-4243

contato@innerpsicologia.com.br

 RESPONSÁVEIS TÉCNICAS:

Katya M. Kitajima Borges (CRP 05/20.240)

e

Mayla Cosmo (CRP 05/25.188)

CRP-PJ 05/1107

Visite nosso Site:

www.innerpsicologia.com.br

 
Divulgação:
www.agendapsi.com.br
 


Escrito por Regina Lopes às 09:32
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Confirmado Sidônio Serpa


O II Congresso da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte ganhou um grande reforço. O Prof. Dr. Sidônio Serpa, atual presidente da ISSP (International Society of Sport Psychology).

Ele estará conosco nos dias 26, 27 e 28 na UERJ, Rio de Janeiro, compartilhando conhecimentos e visões sobre os rumos da Psicologia do Esporte.

Abaixo mais informações sobre o Prof. Dr. Sidônio.

Começou meu envolvimento com a ISSP há 18 anos, organizando o 8º Congresso mundial em Lisboa. Em 1993 foi eleito como “Manager Council”. Após esta experiência como representante, foi Secretário Geral e Vice-Presidente, tendo trabalhado com todos os Presidentes, com exceção do Dr. Antonelli (fundador da ISSP).

Suas áreas principais de pesquisa são o aumento da performance e a relação entre técnico e atleta. Como Psicólogo do Esporte trabalha com atletas de alto rendimento, tendo participado dos Jogos Olímpicos de Sidnei e Atlanta. Como pesquisador, já participou em eventos nos 5 continentes. Foi também professor convidado de 1995 à 1999 na Instituto Politécnico de Macao (China). Além de ter organizado e participado de conferencias e inúmeros projetos na área.

Seus principais objetivos são: Iniciar ações coordenadas que contribuam com o avanço da Psicologia do Esporte no mundo, além de expandir a área através de tecnologias eletrônicas, dando continuidade às idéias do antigo presidente Dieter Hackfort da ISSP E-Academy entre outros objetivos.

Prof. Dr. Sidônio Serpa (Portugal); licenciado em Educação Física e Psicologia, Doutor em Psicologia do Desporto, Professor de Psicologia do Esporte na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa e atual presidente da Sociedade Internacional de Psicologia Esportiva (ISSP).

Condições para Efetivar a Inscrição II Congresso

Leia atentamente as instruções e clique estar ciente das condições para que possamos efetuar sua inscrição.

1. Preencher a ficha de inscrição no formulário eletrônico.
2. Os descontos somente serão oferecidos para os Estudantes mediante a apresentação do comprovante de matrícula ou a carteirinha que possua a indicação do ano vigente.
3. Somente o associado ABRAPESP que possuir a anuidade 2009 paga poderá obter o benefício do desconto para a participação do evento.
4. O valor da inscrição deverá ser feito através de transferência ou depósito na Conta Corrente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte:
Banco do Brasil,
agência 3559-9
c/c 33.500-2


1. O depósito poderá ser feito nos caixas do Banco do Brasil com o número do CPF identificado (depósito identificado) o que garante o reconhecimento imediato do depositante.
2. Depósitos realizados nos caixas eletrônicos não possibilitam a identificação do depositante portanto requer confirmação da transação através do envio do comprovante de depósito assim como a indicação de data e horário em que foi efetuado para confirmarmos a entrada de tal valor. Não nos responsabilizando por possíveis extravios e erros no processo bancário.
3. O depósito poderá ser realizado através de Transferência entre bancos. Realizar a opção de transferência identificada.
5. Após efetuar a transferência ou depósito, preencha a ficha de inscrição on-line e envie o comprovante de depósito (caso não tenha realizado depósito identificado) para o e-mail: contato@abrapesp.org.br, indicando no campo assunto: INSCRIÇÃO II CONGRESSO.
6. A inscrição somente será aprovada após a confirmação do depósito e preenchimento do formulário on-line.
7. Sua inscrição também depende do número de vagas disponíveis e restantes, caso após o depósito em banco for confirmada que não existem vagas devido à lotação do auditório, a ABRAPESP se responsabiliza em devolver o valor equivalente ao depósito efetuado.

Informações: contato@abrapesp.org.br
http://www.abrapesp.blogspot.com/



Escrito por Regina Lopes às 09:20
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 Caso não consiga visualizar a imagem acima, CLIQUE AQUI
 
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
(21) 2239-9848
(21) 2512-2265
www.spcrj.org.br
secretaria@spcrj.org.br
 


Escrito por Regina Lopes às 09:13
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DICA DE DVD

Em Qualquer Outro Lugar


http://1.bp.blogspot.com/_50UxmAFkQkA/R6Ue-CupkYI/AAAAAAAAAJE/0ZLRYngOv4Y/s320/em-qualquer-outro-lugar-poster01.jpg


Comédia dramática que trata das complicadas relações entre mãe e filha. Susan Sarandon é Adele August, uma mãe que vive em uma cidade pequena, mas sonha com uma vida mais glamurosa e excitante em Beverly Hills. Em busca desse sonho, ela abandona o marido (Ray Baker) e parte para Los Angeles com a filha, Ann (Natalie Portman), na bagagem. Chegando na cidade, as duas alugam um apartamento mais caro que suas possibilidades, deixando claro que, nesta relação, a parte madura vem da filha, enquanto que a mãe se restringe a só sonhar. E esses desejos da mãe acabam fazendo com que a filha assuma compromissos e atitudes que não lhe agradam, a começa pela viagem a Los Angeles, passando pelo interesse da mãe de tornar Ann uma atriz. É necessária uma tragédia na família para que Adele seja forçada a agir como uma mãe responsável.

Gênero:  Drama
Tempo:  114 min.
Lançamento:  1999
Classificação: 
Distribuidora: 

Estrelando:  Susan Sarandon, Natalie Portman, Eileen Ryan, Ray Baker, John Diehl.
Dirigido por:  Wayne Wang
Produzido por:  Laurence Mark


Escrito por Regina Lopes às 03:35
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SOBRE MIM

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Nome: Regina Lopes
Cidade: Rio de Janeiro
E-mail:reginabrazlopes@uol.com.br
O que Gosto: Livros, músicas, viagens,etc.
O que não gosto: Perder tempo

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