O Fim de Uma Era é uma obra contundente, que precisava ser escrita. Em suas páginas, Walter McAlister traça uma radiografia da Igreja evangélica brasileira do início do século XXI e demonstra em detalhes por que, se ela não abandonar as práticas e os valores mundanos que vem adotando, está condenada à falência iminente. Esta obra indispensável convida o leitor a um diálogo, à reflexão e à ação.
Nas palavras do Dr. Russell Shedd, teólogo e conferencista, que escreveu a apresentação de O Fim de Uma Era: “É raro neste novo século encontrar avaliações equilibradas, abrangentes e saudáveis como o leitor encontrará neste livro."
"Bispo McAlister reuniu muitas críticas valiosas dirigidas à Igreja Brasileira e exortações que precisam ser pensadas e incorporadas."
"Agradeço a Deus pelas colocações que muito precisavam ser ditas e discutidas."
“Encontrei um espírito que ama e zela pelas realidades que eu amo. O leitor que tem anseio para conhecer e praticar o que entendo ser discipular, pastorear, evangelizar e muito mais, não será decepcionado. Nas linhas contundentes desta obra o autor conclama a Igreja de Cristo no Brasil a voltar para sua simplicidade, para uma sinceridade cada vez mais bíblica.”
Em O Fim de Uma Era, Walter McAlister alerta:
“O que estamos vendo na sociedade, na mídia e na literatura vemos também na Igreja: o Corpo de Cristo enfrenta um momento de extrema confusão e de perda das suas amarras, sem compreender o que está acontecendo. Seu maior problema é que não está mais ciente dos seus fundamentos e, portanto, não tem onde se ancorar neste mundo de mudanças tremendas e desorientadoras. Logo, não consegue enxergar a sua própria ruína iminente.”
“Em vez de agir intencionalmente, a Igreja está sendo sugada por um redemoinho de forças culturais e não tem mais uma âncora para segurá-la.”
“O que vemos na Igreja é uma desorientação profunda. Ela se segura em qualquer coisa para tentar encontrar sua missão.”
“Não suponho que sejamos a geração mais corrupta ou perdida da História da Igreja. Não faço previsões apocalípticas. Meus comentários são uma leitura dos tempos, baseada em fatores que já se apresentaram no seio da Igreja em tempos passados. Também me atenho aos fatores sociais e epistêmicos que movem as mentes e os corações das massas. Esses elementos sinalizam grandes perigos, que procuro descrever no texto que se segue.”
“É altamente possível que a Igreja como nós a conhecemos hoje esteja prestes a desaparecer."
Trailer de "À Deriva", filme de Heitor Dhalia que está na mostra Um Certo Olhar do 62º Festival de Cannes. Ambientado no fim dos anos 80, "À Deriva" conta a história do fim de uma relação visto pelo olhar de uma pré-adolescente e tem no elenco Débora Bloch e o francês Vincent Cassel.
Uma tradicional família de classe média alta passa as férias de verão em Búzios, Rio de Janeiro. A viagem se configura como um esforço coletivo entre os pais e seus três filhos de reconstruir a família e reconquistar a felicidade já perdida. Filipa (Laura Neiva), uma menina de 13 anos, carrega consigo os conflitos clássicos de sua idade. Encontra-se em pleno ritual de passagem da adolescência para a idade adulta quando é sugada pela crise inesperada no casamento de seus pais. Ao longo do filme, Filipa tenta desesperadamente desvelar um caso amoroso entre seu pai e uma mulher mais jovem, vizinha de sua casa de praia. O tom mais urgente e perigoso do filme, apesar de delicado, é potencializado por um crime passional envolvendo um casal vizinho, que deixa uma casa manchada de sangue e abandonada, um lugar que ironicamente servirá de parque de diversões para as crianças do balneário.
Houve um tempo em que o mundo dos Legionários de Cristo era simples. De um lado, uma congregação católica em plena ascensão, fundada em 1941 por um homem excepcional - um "santo", acreditavam muitos legionários -, que havia ganho a confiança de diversos papas. Do outro, os inimigos da Igreja, determinados a destruir com calúnias a reputação e a obra do criador, o padre mexicano Marcial Maciel.
Durante meio século, esse discurso foi um escudo eficaz. Implantada em 22 países, a congregação dos Legionários forneceu à Igreja mais de 800 padres (95 dos quais ainda foram ordenados dia 12 de dezembro em Roma), possui 2.500 seminaristas, conta com um apostolado de 60 mil laicos, administra 200 escolas e universidades, movimenta um orçamento anual de US$ 650 milhões.
Mas ela atravessa hoje uma crise muito grave, que poderá comprometer a imagem de seu principal protetor, o papa João Paulo 2º, que deve ser beatificado este ano. Ainda dominante quando os Legionários haviam aberto suas portas ao mundo, no início de 2006, o perfil de Marcial Maciel sumiu de seu website, exceto pela seção "história". Não se cogita mais tê-lo como modelo para a juventude, como João Paulo 2º fizera em 1994.
Em foto de 2004, Papa João Paulo 2º abençoa o padre Marcial Maciel, fundador da Legião de Cristo, em audiência especial na Cidade do Vaticano. Ele é acusado de ter uma vida desregrada
No início de fevereiro de 2009, o "New York Times" revelou que o Padre Maciel, falecido um ano antes aos 87 anos, havia levado uma "vida dupla" e gerado "pelo menos" uma filha, que mora em Madri. No fim de agosto, soube-se da existência de três filhos mexicanos, nascidos de uma outra mãe, mas que tinham contato com sua meia-irmã. Além disso, Maciel teria tido um filho no Reino Unido, bem como uma filha francesa, morta em um acidente de carro. Em meados de dezembro, surgia a notícia de que ele também seria um plagiador.
Nenhuma dessas informações foi desmentida pelos Legionários, que se esforçaram para abafar os seguidos choques. Mas o mal-estar foi proporcional ao silêncio imposto por tanto tempo: por meio de um "voto especial", retirado somente em 2006, os padres dos Legionários eram proibidos de criticar seus superiores.
"Era uma espécie de pacto mafioso", afirma o sociólogo e psicanalista mexicano Fernando Gonzalez, autor de dois livros sobre o "caso Maciel", para os quais ele pôde consultar 201 documentos dos arquivos secretos do Vaticano, datados de 1948 a 2004. "Hoje, os Legionários devem confessar a parte heterossexual de seu fundador, por não ter reconhecido os abusos pederásticos". Pois nessa demolição progressiva de uma figura paternal outrora venerada, o pior sem dúvida está por vir.
Se os atuais dirigentes da congregação ainda esperam extirpar o tumor da forma mais limpa possível, parte da hierarquia católica não mede suas palavras, sobretudo nos países marcados por escândalos eclesiásticos, como a Irlanda ou os Estados Unidos. Para o arcebispo de Baltimore, Edwin O'Brien, Maciel é um "empresário genial que, com vigarices sistemáticas, se utilizou da fé para manipular os outros em função de seus interesses egoístas".
Em maio de 2009, o Vaticano nomeou uma comissão de investigação, composta por três bispos e dois outros religiosos, entre os quais um jesuíta. Uma primeira "visita apostólica", em 1956, deveria examinar o vício em drogas de Maciel, mas também os abusos sexuais cometidos sobre os noviços. Ela havia terminado em uma espécie de arquivamento, que por muito tempo impediu qualquer denúncia pública, ainda que o principal investigador tenha manifestado suas desconfianças em um relatório confidencial. "Todos nós mentimos", confessou mais tarde Felix Alarcon, um dos adolescentes entrevistados na época, para salvar "um padre que adorávamos", e que eles tinham como "acima da Igreja", revela um de seus colegas.
A exuberante atividade heterossexual do fundador dos Legionários semeou outros espinhos. Seus três filhos mexicanos (33, 29 e 17 anos), bem como a meia-irmã deles, Norma Hilda, 23, às vezes viajavam com seu pai - e até o acompanharam no Vaticano! -, que lhes escrevia sob um nome falso cartas carinhosas e cheias de erros, em papel timbrado de hotéis do mundo inteiro, para se desculpar por ser um "homem de negócios" tão ocupado. Hoje, eles pedem aos Legionários por um reconhecimento oficial, mas também por parte de sua herança.
O que teria acontecido, por exemplo, com o fideicomisso (testamento por meio de um terceiro) que Maciel teria criado para eles na Suíça, e sobre o qual ele tivera o cuidado de falar? "Os Legionários somente lhes mostraram os documentos de uma conta nas Bahamas, que está vazia", ressalta o advogado dos filhos mexicanos, José Bonilla, durante uma entrevista recente no México para o "Le Monde". Para José Barba, um ex-legionário que em 1998 prestou, junto com outras sete vítimas, uma queixa perante o Vaticano, é preciso se questionar sobre "a passividade da Igreja, e as estruturas que permitiram que esses abusos se perpetuassem por tanto tempo: agora dizem que Maciel era um monstro, ao mesmo tempo em que sugerem que os Legionários têm um grande futuro".
Quem é esse homem que conseguiu levar, bem no coração do catolicismo, a vida desregrada de um astro do rock? Nascido em uma família antiga do Michoacán - seu tio materno, Jesús Degollado, foi general dos Cristeros, os insurgentes que tomaram as armas, de 1926 a 1929, contra o governo mexicano "jacobino" -, ele usava de sua sedução tanto junto a garotos sujeitos à disciplina da instituição, como junto a viúvas ricas de quem extorquiu fortunas para financiar suas obras.
Segundo uma fonte próxima do Vaticano, trata-se de um caso patológico de distúrbio de personalidade. Maciel certamente fora violentado na infância, e fingia ter amnésia diante de suas vítimas. Mas o psicanalista Fernando Gonzalez não acredita em uma esquizofrenia: "Ele era um calculista malicioso que se adaptava perfeitamente a cada situação".
Em um ambiente de repressão sexual extrema, ele se valia de suas "dores no fígado" - na verdade, uma inflamação crônica da próstata - para obter dos meninos o "alívio" proporcionado por injeções de morfina, mas também por masturbações ou penetrações. Para isso, ele garantia ter uma "permissão especial do papa". E no final ele não hesitava em absolvê-los do pecado ao qual ele acabava de incitá-los. Ora, a "absolutio complicis", ou absolvição do cúmplice, é uma grave infração do direito canônico, punida com excomunhão.
Desde a ruidosa investigação em 1997 do jornal mexicano "La Jornada" e o "El Legionario", livro de Alejandro Espinosa, sobrinho e efebo de Maciel, vários livros trataram dessa personalidade diabólica, capaz de celebrar uma magnífica missa na capela, saindo da enfermaria onde o "santo" acabara de manipular os corpos e as almas na penumbra. "Nós éramos um arquipélago de solidões", escreve José Barba, evocando o longo sofrimento daqueles que sofreram abusos. Um dos filhos de Maciel tem dificuldade para superar: quando era criança, seu pai lhe repetia que era essencial não mentir
Carreiras: conheça os sinais de que já é hora de dar tchau e trocar de emprego
InfoMoney
SÃO PAULO – No ambiente de trabalho, é comum que algumas vezes a cultura da empresa e os valores dos funcionários acabem entrando em choque. Porém, se a situação se estende por muito tempo, talvez seja o momento de prestar atenção e avaliar se não é hora de dizer tchau.
De acordo com o consultor de RH da Human Brasil, Fernando Montero da Costa, uma das situações que mais impulsionam as pessoas a mudarem de emprego é a falta de oportunidades. Porém, diz ele, é preciso observar se o problema é da empresa ou do próprio funcionário. “Às vezes, o profissional é acomodado, ou não deixa claro as suas expectativas”, diz.
EmpresaPor outro lado, explica ele, existem alguns lugares que não possuem plano de carreira, ou são extremamente desorganizados.
“Existem algumas empresas que acabam, por exemplo, contratando alguém de fora ou dando oportunidades para funcionários mais novos, sendo que dentro da companhia existem pessoas preparadas para tais funções, que estão há mais tempo na companhia e que já sinalizaram que gostariam de uma oportunidade. Situações como essas geram desconforto e acabam fazendo com que estes profissionais queiram mudar de emprego”, diz.
AtitudesPara saber se o problema é do profissional ou da empresa, Costa dá alguns conselhos:
·Em primeiro lugar, preste atenção ao seu comportamento. Você se mostra interessado? Mostra resultados? Está atento às expectativas da empresa?
·Segundo o consultor, o momento de avaliação de desempenho é uma boa oportunidade de checar se está atendendo às expectativas. Por isso, aproveite este espaço para perguntar sobre o seu trabalho, o seu desempenho e aproveite para se colocar disponível para novos desafios e oportunidades.
·Se ainda assim, após um tempo nada acontece. Observe a situação da empresa, os resultados, se ela tem plano de carreira, se é organizada.
·Caso haja a conclusão de que as oportunidades de evolução são poucas, sendo que os cargos de chefia são praticamente perenes, talvez seja a hora de dar tchau
É interessante notar a quantidade de pessoas que próximo ao final do ano, se comprometem a uma série de realizações para o ano que se inicia. Algo no mínimo curioso é saber o porquê de somente nesta época que nos conscientizamos das pendências e dos projetos não consumados ao longo do tempo que se passou. Se temos o ano todo para perseguir nossos sonhos, por que somente próximo ao Reveillon é que somos visitados pela boa vontade e o súbito desejo de execução dos planos?
A resposta para essa questão é bem interessante: desde pequenos somos visitados por uma série de fábulas que indicam que em um determinado momento de nossas vidas, nossos esforços serão magicamente recompensados. Estas fábulas fazem alusão contínua ao que chamamos de “mito da chegada”, ou seja, “um dia” através do beijo do príncipe é que a princesa pode finalmente acordar do sono eterno; “um dia” através da súbita intervenção divina que os problemas se solucionarão ou mesmo através do dia que acharmos o final de arco iris é que poderíamos encontrar, “finalmente”, o pote de ouro e resolver nossas pendências.
É curioso notar que todas estas estórias carregam a mensagem de que tudo será resolvido de uma hora para outra. É bem verdade, que estas alegorias carregam em si a ideia de que o bem sempre prevalece sobre o mal, para citar apenas um exemplo, e de que finalmente podemos triunfar sobre a vida. Nada mais justo e, inclusive, indicado do que sensibilizar as crianças a respeito dos grandes preceitos da vida.
Ocorre, entretanto, que com o passar do tempo, por alguma razão continuamos acreditando que um determinado período será mais fecundo para a realização dos nossos sonhos do que outros e, assim, embora adultos, preservamos a semente daquelas pequenas mitologias infantis do mito da chegada ou do dia especial da realização.
Desta forma, não percebemos a pequena confusão que na infância era proveitosa, mas que na vida adulta se torna um verdadeiro transtorno, pois cometemos o grave erro de sobrepor “buscar a felicidade” com o “sentir-se bem”. Continuamos a viver a vida buscando uma suposta condição externa, mas esquecendo-se que ela, na maior parte das vezes, deriva da conjunção de sorte ou acaso e, portanto, sem qualquer possibilidade de nosso controle. Neste momento, acreditamos que iremos nos “sentir bem” finalmente, se chegarmos lá. Mas, sentir-se bem depende única e exclusivamente de “nossas habilidades pessoais”, ou seja, dos fatores internos que nos capacitam a manejar a vida de maneira proveitosa e não dos fatores externos encontrados em abundância nestes velhos mitos.
Portanto, se você realmente deseja que 2010 seja um ano maravilhoso, comece trabalhando por você agora mesmo. Lembre-se que isso não necessita de um tempo especifico para começar, pode ocorrer a qualquer dia do ano. Um dos grandes paradoxos da vida é que as pessoas desejam usualmente mudar as situações da vida, mas dificilmente querem se auto-melhorar.
Ao começar a pensar em você mesmo, pergunte como você gostaria realmente de ser enquanto pessoa e evite ao máximo pensar onde deveria estar (ou ter) a esta altura de sua vida. Como disse uma vez tão sabiamente Clarice Lispector: “se você fosse você, onde estaria e quem realmente seria?” – esse pode ser um bom começo para começar a pensar no assunto. Cuide-se bem.
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Cristiano Nabuco de Abreu, coordena o Programa de Dependência de Internet do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. E-mail: nabuco@usp.br
Videogames ajudam a melhorar a cognição visual, diz estudo
Pessoas que jogam regularmente vídeo games processam as informações visuais mais rapidamente, tanto quando estão jogando no mundo virtual como quando colocados frente a situações da vida real. Estas foram as conclusões de um novo estudo publicadas no número de dezembro de 2009 na revista Current Directions in Psychological Science.
Os pesquisadores da Universidade de Illinois e da Universidade de Rochester realizaram uma revisão da literatura sobre o uso de vídeogames, e, segundo eles, encontraram algumas idéias surpreendentes.
Por exemplo, eles verificaram que, ao contrário da crença de que os jogadores "pesados" se tornam menos precisos com o aumento da velocidade dos jogo, os jogadores não perdem a precisão, e se tornam mais rápidos.Segundo os autores, isso provavelmente seria resultado da melhora da cognição visual com a reprodução repetida de jogos.
Além disso, os jogos poderiam retardar uma parte do declínio cognitivo que surge com o envelhecimento.
Portanto, os videogames poderiam propiciar um esquema de treinamento eficiente para induzir uma aceleração geral dos tempos de reação perceptiva, sem diminuição da precisão de do desempenho.
Fonte: Dye, M. Current Directions in Psychological Science; vol 18: pp 321-326.
Secretaria divulga cardápio de combate ao envelhecimento
São Paulo - A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo divulgou um cardápio de alimentos antioxidantes, que ajudam a diminuir os efeitos dos radicais livres e ajudam no combate ao envelhecimento.
A Secretaria informa que ingerir alimentos ricos em vitaminas A, C e E ajuda na dieta para evitar o aparecimento de rugas e o mau funcionamento do corpo, provocados pelos radicais livres.
Entre os alimentos antioxidantes que contêm a vitamina A estão a cenoura, batata-doce, abóbora, espinafre, brócolis, vegetais folhosos verde-escuro.
A vitamina E aparece em óleos vegetais (germe de trigo, girassol e soja), ovos, abacate e brócolis. A vitamina C é encontrada em frutas cítricas (laranja e limão), morango, kiwi, mamão papaia, acerola, pimentas vermelhas, brócolis e couve-de-bruxelas.
Esses alimentos colaboram para evitar disfunções neurológicas, para prevenir o câncer e podem agir como anti-inflamatório. A Secretaria também lembra que a ingestão desses nutrientes deve ser controladas, para se evitar a hipervitaminose.
Percepção da saúde do companheiro pode ser preditor de sua mortalidade, afirmam especialistas
A percepção da saúde do companheiro pode ser um indicador de mortalidade tão preciso quanto a percepção da própria saúde, segundo estudo recentemente realizado na Califórnia. De acordo com os especialistas, esses resultados indicam que a percepção do companheiro sobre a saúde de uma pessoa pode ser utilizada quando a auto-percepção não é possível. Além disso, os autores destacam que ambas as avaliações juntas podem ser mais informativas do que cada uma delas isoladamente.
Realizado com uma amostra nacional de norte-americanos com mais de 50 anos e seus companheiros, o estudo Health and Retirement avaliou o papel da percepção da saúde pelos casais como preditor de mortalidade entre adultos desta faixa etária. Foram selecionados 673 casais para participar do estudo no módulo de saúde avaliada pelo companheiro. Para cada dupla, foi solicitado a um dos membros que quantificasse a saúde do parceiro.
As avaliações demonstraram que o estado de saúde informado pelo companheiro seria um forte preditor de mortalidade, da mesma forma que o estado de saúde auto-percebido (X21=0,36 p=0,54). Além disso, a combinação de ambas as informações sobre a saúde foi melhor preditor de mortalidade do que a utilização isolada da auto-percepção (X21=6,72 p=0,009).
Fonte: Arch Intern Med. Volume 169, Number 22, 14/28 Dec 2009. Pages 2156-2161
Dietas pobres em carboidratos podem causar doenças arteriais
Dietas com baixo teor de carboidratos, populares entre aqueles que desejam perder peso rápido, podem estar relacionadas a doenças arteriais, aumentando as chances de ocorrerem infartos cardíacos e doenças coronárias. O estudo foi feito por pesquisadores da Harvard Medical School e publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.
Para chegar aos dados, os pesquisadores americanos alimentaram grupos de ratos com dietas diferentes: uma com índices normais de carboidratos, outra com baixo carboidrato (ambas em proporções equivalentes à consumida por humanos) e um terceiro grupo com ração normal, para ratos.
Nos ratos alimentados com baixo carboidrato notou-se um aumento das placas de gordura que obstruiam as veias, fator que aumenta as possibilidades de um infarto cardíaco. Entretanto, esses ratos não tiveram qualquer aumento nos níveis de colesterol nem nenhum outro sintoma de doenças arteriais. Nos ratos alimentados com as doses normais de carboidratos não foi encontrado nenhuma diferença significante ao serem comparados com grupos alimentados com ração normal.
Defensores da dieta, popularmente conhecida como dieta “Dr. Atkins” dizem que os resultados são inconclusivos pois foram usados animais nos testes (e que as dietas adotadas poderiam influir diferentemente no organismo dos ratos). Os pesquisadores dizem que são necessários novos dados sobre a questão, mas indicam que pesquisas anteriores sobre os possíveis malefícios para a saúde causados por restrição radical de determinados alimentos, não haviam focado especificamente nos problemas arteriais. Até que surjam mais dados conclusivos sobre essas questões, sugerem os pesquisadores, o ideal é consultar um profissional que possa sugerir um plano de alimentação mais adequado.
Antidepressivos levam a alteração da personalidade, aponta estudo
A paroxetina – antidepressivo conhecido como inibidor seletivo de recaptação de serotonina (ISRS) – parece ter um efeito farmacológico específico na personalidade que é distinto da depressão, segundo estudo publicado na edição de dezembro da revista Archives of General Psychiatry. De acordo com os autores, caso possa ser replicado, este padrão contrariaria a hipótese do estado de efeito, e apoiaria a ideia de que os efeitos dos ISRSs sobre a personalidade vão além e talvez contribuam para o seu efeito antidepressivo.
Pesquisadores norte-americanos avaliaram se pacientes com depressão maior em uso desses medicamentos antidepressivos relatam mais alterações nos sintomas neuróticos do que pacientes recebendo placebo, e examinaram os efeitos da hipótese de que o relato de alteração da personalidade durante o tratamento com ISRS seria apenas um viés de avaliação relacionado com a depressão.
Foram avaliados 120 pacientes que receberam paroxetina, 60 que receberam placebo e 60 que foram tratados com terapia cognitiva e comportamental. Aqueles que tomaram paroxetina relataram maior alteração da personalidade do que aqueles tratados com placebo, mas a vantagem da paroxetina sobre o placebo em relação à eficácia antidepressiva não permaneceu após controle para as alterações nos sintomas neuróticos (p=0,46) ou extroversão (p=0,14). Embora os pacientes tenham exibido melhora substancial da depressão, as análises mostraram pouca melhora nos sintomas neuróticos (p=0,08) ou na extroversão (p=0,50).
Por sua vez, a terapia comportamental produziu maior alteração na personalidade do que o placebo (p<0,01). Porém sua vantagem na neurose não foi mais significativa após controle para depressão (p=0,14).
De acordo com os especialistas, a redução da neurose durante o tratamento foi preditor de um menor número de recaídas entre aqueles que responderam à paroxetina (p=0,003), mas não entre aqueles que responderam à terapia comportamental (p=0,86). Assim, os pesquisadores concluíram que alguns antidepressivos podem ter um efeito determinante na personalidade do paciente.
Fonte: Arch Gen Psychiatry. Volume 66, Number 12, Dec 2009. Pages 1322-1330
Ginkgo biloba é ineficaz para manter memória, diz estudo
da France Presse, em Washington
O Ginkgo biloba, um medicamento homeopático indicado para amenizar as consequências do Mal de Alzheimer, não tem qualquer efeito contra a perda das habilidades cognitivas ou da memória, mostrou um estudo científico publicado nesta terça-feira (29).
Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh (Pensilvânia) analisaram 3.069 pessoas, divididas em dois grupos, com o primeiro recebendo doses de Ginkgo biloba e o segundo, placebo.
Segundo os resultados publicados pela revista da Associação Médica Americana (JAMA, na sigla em inglês), "não há qualquer prova do efeito do Ginkgo biloba sobre a evolução das habilidades cognitivas e nenhum efeito sobre alguns aspectos cognitivos, como a construção visual e espacial, a linguagem, a atenção e a velocidade psicomotora".
Os autores do estudo destacaram que o Ginkgo biloba, extrato da planta chinesa do mesmo nome, é nos Estados Unidos e na Europa "o medicamento mais utilizado contra a perda das habilidades cognitivas decorrentes da idade".
O maior dos primatologistas mostra que traços “exclusivamente humanos” também se encontram nos outros primatas
Marcelo Marthe
O holandês Frans de Waal, de 59 anos, é a maior autoridade mundial no estudo dos primatas – a ordem do reino animal à qual pertencem o homem e os macacos. Desde 1977, ele se devota à observação da psicologia e das relações sociais de espécies como os chimpanzés.
Com suas pesquisas, De Waal demonstra que a distância entre o ser humano e os animais é infinitamente menor do que muitos cientistas e filósofos sempre supuseram – o que reafirma as idéias do inglês Charles Darwin sobre a evolução.
No livro Eu, Primata (recém-lançado no Brasil pela Companhia das Letras), ele revela como os padrões de conduta na política e até a noção de solidariedade são verificados nos parentes do homem – e têm, portanto, uma raiz biológica comum.
Em seu lançamento mais recente, Primates and Philosophers (Primatas e Filósofos, inédito no país), De Waal vai ainda mais longe: defende que a moralidade, atributo que por muito tempo se acreditou ser, por excelência, humano, também está presente em outros primatas.
De seu laboratório na Universidade Emory, na cidade americana de Atlanta, o pesquisador concedeu entrevista por telefone a VEJA em que fala das semelhanças do homem com uma espécie considerada agressiva como os chimpanzés – mas também com os dóceis e libidinosos macacos bonobos.
Veja – Para muitas pessoas, sobretudo religiosas, a idéia de que homens e macacos têm parentesco é ofensiva. Quão próximos estamos dos outros primatas, segundo a ciência mais recente?
De Waal – Até cinqüenta anos atrás, a ciência ainda achava que o homem era o único animal com inteligência Imaginava-se também que somente nós
Imaginava-se também que somente nós éramos capazes de autoconhecimento e de antecipar situações. Ou ainda de nos comunicar com os demais da espécie por meio de símbolos. Todas essas proposições foram condenadas ao ocaso graças ao estudo aprofundado dos primatas. Há diferenças, é óbvio, entre o homem e seus parentes. Mas elas são muito menores do que se pensava e só foram impressas ao nosso comportamento de forma lenta e gradual. Para ter uma compreensão completa sobre nossa espécie, é preciso analisá-la dentro de um panorama de evolução biológica que precede sua existência. A observação científica demonstra que, para além das semelhanças anatômicas, também comungamos nossos traços comportamentais com outros primatas. Conhecê-los é também um exercício de autodescoberta.
Veja – O senhor afirma que nem mesmo a moral é um atributo exclusivo dos humanos. Por que se pode dizer isso?
De Waal – Porque em outros primatas já se encontram os alicerces da moralidade, como a capacidade de empatia, a reciprocidade e mesmo o senso de justiça. Não digo que esses outros animais sejam seres morais como nós. Mas não há dúvida de que eles possuem as ferramentas fundamentais com que se constrói um sistema moral. É um erro, portanto, julgar que a moralidade do homem surgiu do nada ou que é somente um produto da religião e da cultura. Ela tem raízes em nossa psicologia, que é muito similar à psicologia dos primatas em geral. Podemos rastrear sua origem até um ancestral em comum com chimpanzés e bonobos, 6 milhões de anos atrás.
Veja – O que muda com a descoberta de que a moral é um produto da seleção natural? De Waal – Isso põe em xeque, por exemplo, a teoria sobre as sociedades humanas elaborada pelo inglês Thomas Hobbes no século XVII. Ele acreditava que, no estado natural, todos os homens estavam em guerra entre si e que a moral foi inventada com o intuito de permitir a convivência pacífica. A ciência hoje mostra que isso é um mito. Viemos de uma longa linhagem de animais que eram altamente sociáveis. Foi a natureza que criou as bases para a vida em sociedade tal e qual conhecemos, e não o homem. Mesmo o modelo econômico capitalista tem uma explicação darwinista. Experiências com os macacos já mostraram que entre eles também vigora um sistema de incentivo aos indivíduos que se aplicam em suas tarefas. O homem só aperfeiçoou algo que já constava em sua natureza.
Veja – O senhor afirma que Maquiavel poderia ter escrito seu tratado sobre o poder mirando-se nos chimpanzés. Somos mesmo tão iguais a eles nesse aspecto?
De Waal – Sim, os chimpanzés fazem política de maneira muito semelhante à nossa. Num grupo de galinhas ou entre boa parte dos outros animais, cada um alcança seu lugar no ranking do poder de acordo com sua força, destreza ou outra qualidade decisiva. Pode-se chamar isso de hierarquia – mas não de um sistema político. Já entre homens e chimpanzés as disputas não são ditadas puramente pela capacidade física dos indivíduos, mas também – e principalmente – por sua habilidade em formar coalizões. Alguém terá mais chance de alcançar uma posição dominante dentro do grupo quanto mais numerosos e importantes forem seus amigos. E também, é claro, quanto maior for seu poder de convencimento para levar esses simpatizantes a defendê-lo. Para obter o poder, não é suficiente ser bom de briga: é preciso cultivar relações. E, ainda, ter algo a oferecer em troca aos aliados. Esse tipo de transação é mais claro nos chimpanzés do que em qualquer outro animal. Bem antes de Maquiavel eles já sabiam que dividir os inimigos é a melhor forma de conquistar o poder.
Veja – Como isso se dá na prática?
De Waal –Eles formam parcerias (ainda que possam se voltar uns contra os outros ao sabor das conveniências), traçam estratégias de longo prazo e minam as coalizões dos adversários. Em minhas experiências, coloco chimpanzés na frente do computador e, por meio de um joystick igual aos dos videogames, testo suas reações diante de imagens de semelhantes. Eles demonstram ser tão bons no reconhecimento facial quanto os homens (ao contrário do que se pensou por muito tempo). Mas o mais surpreendente é que têm reações diferentes de acordo com o grau de ascendência política dentro do grupo do indivíduo que lhes é apresentado. Não raro, suas disputas de poder envolvem altas doses de drama. É comum ver coalizões sólidas entre dois machos ruir em razão da atração de ambos pela mesma fêmea. Ou então fêmeas se valendo de seu favoritismo e poder de sedução para fazer intriga e incitar o ciúme.
Veja – No livro Eu, Primata, o senhor comenta que a reação do ex-presidente americano Richard Nixon ao renunciar foi igual à de um chimpanzé destronado da posição de macho alfa. O que os políticos humanos herdaram de seus parentes primatas?
De Waal – A política é uma das áreas em que as semelhanças de comportamento entre o homem e os macacos são mais evidentes. Nossa linguagem corporal é basicamente a mesma dos macacos – e os políticos expressam essa verdade como poucas categorias. Isso é flagrante no jeito como eles inflam o peito e empostam a voz para falar em público. Também não é à toa que muitos políticos revelam a obsessão de nunca parecer pequenos. O ex-premiê italiano Silvio Berlusconi é um sujeito baixo e, por isso, não dispensava um banquinho nas ocasiões em que precisava ser fotografado ao lado de outros líderes. Isso vem de nossa raiz primata. Para ser poderoso e intimidante, é preciso parecer poderoso e intimidante. Há ainda outro traço inconfundível. Em tese, as disputas políticas deveriam ser travadas com base nos argumentos e na habilidade retórica. Mas, do Japão aos Estados Unidos (e imagino que também no Brasil), não é raro que discussões acaloradas nos parlamentos descambem para a agressão física. Embora acreditemos que nossas democracias são sofisticadas o suficiente para resolver as diferenças no campo dos argumentos, o instinto primata volta e meia nos trai.
Veja – Esse instinto também se faz sentir no ambiente de trabalho?
De Waal – De forma muito cristalina. Tempos atrás, o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, teve a reação esperada de um macho dominante acuado diante das investidas do Google para tirar profissionais talentosos dos quadros da empresa. Ele atirou uma cadeira no chão e disse que daria uma lição nos “garotos” que são donos da rival. Acessos de fúria como esse não são diferentes dos que ocorrem entre os chimpanzés. Por mais que vejamos esse tipo de comportamento como algo negativo, ele de fato produz um efeito intimidante que nos afeta, da mesma maneira que acontece com qualquer primata.
Veja – Por que a descoberta dos macacos bonobos revolucionou o estudo dos primatas?
De Waal – Os pesquisadores travaram contato com os bonobos pela primeira vez nos anos 20, mas, na época, acharam que estavam diante apenas de uma variação nanica do chimpanzé. Ninguém imaginava quão especiais são esses macacos. Os bonobos, como se sabe hoje, são a antítese dos chimpanzés: em vez de se basearem na força, suas relações sociais se lastreiam na contenção dos conflitos e no uso do sexo como uma ferramenta de distensão acionada a todo instante. Só se começou a
perceber isso nos anos 50 e não faz mais que quinze anos que os estudos mais profundos de seu comportamento trouxeram à tona os primeiros frutos. O resultado foi uma guinada espetacular naquilo que se sabia sobre os primatas, incluindo aí nossa espécie. Até então, todas as comparações entre os homens e seus parentes se baseavam nos chimpanzés. O fato de haver outra espécie tão distinta com o mesmo grau de parentesco mudou esse prisma.
Veja – O que temos em comum com os bonobos?
De Waal – Gosto de brincar dizendo que, à maneira do Dr. Jekyll e do Mr. Hyde, a personalidade de chimpanzés e a de bonobos estão introjetadas no homem. Com os primeiros, comungamos a agressividade, o comportamento territorial, o gosto pelo poder e a dominância dos indivíduos do sexo masculino. Com os bonobos, compartilhamos traços como o alto nível de empatia e a tendência à resolução dos conflitos por outras vias que não a da força. É por esse contraste que gosto de dizer que o homem é um animal bipolar. Quando somos maus, conseguimos cometer barbaridades piores que as praticadas por qualquer outro ser já observado. Mas, ao exercitarmos nosso lado bom, também vamos além de todas as demais espécies.
Veja – Os bonobos têm uma vida sexual incrivelmente movimentada. O que eles revelam a respeito do papel do sexo na vida social?
De Waal – Entre os bonobos, qualquer disputa séria é deixada de lado para dar vazão à libido. O desprendimento e a liberalidade deles nesse campo são capazes de fazer a maioria das pessoas corar, mas há uma semelhança crucial: tanto nós quanto eles fazemos amor por prazer. Eles constituem a prova biológica de que, ao contrário do que querem fazer crer tantas religiões, manter relações sem fins reprodutivos é, sim, uma característica inerente ao homem. Mais que um instrumento de prazer, o sexo funciona como uma moeda de troca social. A liberdade com que os bonobos praticam sexo dá às fêmeas desses macacos um poder de influência enorme. Isso talvez ajude a explicar a repressão da sexualidade em tantas culturas humanas – e o fato de o matriarcado ser uma exceção entre nós.
Veja – O poder e a violência são as melhores armas para vencer na evolução?
De Waal – Não necessariamente. Tome-se o caso dos bonobos. Eles são animais muito bem-sucedidos, embora possam ser considerados os hippies primatas. Levam uma vida folgada e sem rusgas. As sociedades humanas, assim como as dos chimpanzés, se baseiam na luta pelo poder e nos embates masculinos. Mas, ainda assim, em ambas as espécies os machos não são apenas brigões. A capacidade de cooperação entre eles é um traço não menos importante. Tanto quanto os traços que possam ser considerados negativos, o lado bom do ser humano é uma vantagem adaptativa depurada no decorrer de milhões de anos.
Veja – As guerras humanas encontram paralelo em outras sociedades de primatas?
De Waal – Entre os chimpanzés, é comum que grupos de machos se unam para defender suas posses ou invadir outros territórios. São investidas que não raro terminam em banhos de sangue. Mas a guerra como uma atividade organizada é algo que não se verifica em nenhum de nossos parentes. Ainda assim, não se trata de uma marca exclusiva dos homens, é preciso esclarecer. As formigas são os bichos que mais se devotam à guerra no planeta. Possuem exércitos regulares, com tarefas bem definidas para cada pelotão, e promovem matanças de grupos rivais. Mas nem entre elas existe algo equivalente ao genocídio, o assassinato maciço de outro grupo da mesma espécie. Só mesmo o homem é capaz disso em todo o mundo animal. referência
Atividade física traz felicidade e pode ser tão efetiva quanto antidepressivos
Mesmo curtos períodos de exercício, como uma breve caminhada, também podem desencadear um efeito positivo imediato
"Estudos indicam que o exercício pode ser tão efetivo quanto os antidepressivos no tratamento da depressão. O exercício aeróbio regular por 30 minutos, praticado pelo menos três vezes por semana, pode ajudar pessoas com depressão moderada,que relatam melhora no humor"
Certamente, existem muitos benefícios do exercício físico regular na redução da pressão sanguínea, melhora da força e resistência, aumento da confiança e autoestima, assim como melhora da diabete e doenças cardiovasculares. Ainda, a atividade física provoca uma ótima sensação de bem-estar.
Muitas pessoas esquecem ou ignoram os benefícios a curto e em longo prazo do exercício. Duas substâncias químicas envolvidas neste estado de bem-estar são o cortisol e as endorfinas.
O cortisol é um hormônio que quando produzido pelo corpo em excesso, como em situação de estresse, raiva, ansiedade e medo, provoca efeitos nocivos como diminuição da produção de testosterona, ação lenta da utilização da insulina, que atrapalha no transporte da glicose para as células musculares, evitando assim a reserva de glicogênio muscular. O cortisol age no cérebro provocando morte neuronal, etc. Nessas situações, o exercício físico ajuda a diminuir os níveis de cortisol.
As endorfinas, por sua vez, são substâncias que produzidas e liberadas no cérebro provocam sensação de bem-estar e o exercício físico libera essas endorfinas. Por exemplo: estudos mostram que uma única sessão de exercícios, com duração de 20 ou 30 minutos numa intensidade baixa ou moderada, leva à diminuição do desconforto da dor.
O exercício físico também induz a liberação de outras substâncias no cérebro, chamadas de neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, auxiliando na redução do estresse e ansiedade.
Além disso, *estudos indicam que o exercício pode ser tão efetivo quanto os antidepressivos no tratamento da depressão. O exercício aeróbio regular por 30 minutos, praticado pelo menos três vezes por semana, pode ajudar pessoas com depressão moderada, que relatam melhora no humor. Mesmo curtos períodos de exercício, como uma breve caminhada, também podem desencadear um efeito positivo imediato.
Se o exercício físico for realizado acompanhado de um amigo - com mesmo nível de condicionamento físico, pode ser ainda melhor, uma vez que a interação social ajuda na melhora da depressão. Assim, a melhora da saúde, da aparência física e a auto-imagem positiva levam a um melhor controle sobre suas atitudes e seu corpo. Isto pode fazer com que você se sinta mais confiante e seguro em outras áreas de sua vida aumentando sua autoestima, o que faz você mais feliz.
Referencias: Craft LL, Perna FM. Prim Care Companion J Clin Psychiatry. 2004;6 (3):104-111. The Benefits of Exercise for the Clinically Depressed.
Goodwin, RD Preventive Medicine 36 (2003) 698?703. Association between physical activity and mental disorders among adults in the United States.
Tocante e sentimental, "Sempre ao Seu Lado" é simples na medida certa, contando uma história de lealdade com personagens corriqueiros, sendo feito na medida para emocionar até o mais austero dos machões.
Thiago Siqueira
Algumas vezes não é necessário muito para se ter um bom filme. Personagens do cotidiano em situações que primam pelo comum, com uma leve pitadinha do extraordinário, por vezes bastam para encantar e emocionar uma plateia. É o caso de “Sempre ao Seu Lado”, que se não irá revolucionar o modo como vemos a sétima arte, causa mais impacto junto ao público que muitos blockbusters por aí.
Quebrando um certo paradigma de que remakes não fazem bons filmes, este longa é a refilmagem de uma película japonesa de 1987 intitulada “Hachiko Monogatari”, a qual, confesso, não assisti e que foi baseada em uma história real, que ocorrera no Japão da década de 1920. Já a história desta versão ocidental se passa nos Estados unidos durante os anos 1990. Certo dia, em uma estação de trem, uma gaiolinha que continha um filhote da raça de cães japonesa akita acaba caindo e libertando o seu habitante, que é encontrado (ou encontra) pelo professor de música Parker (Richard Gere).
Após tentar em vão descobrir a quem pertencia o cão, Parker fica com o animal, a despeito dos protestos iniciais de sua esposa, Cate (Joan Allen). Parker vai entendendo mais sobre a natureza sui generis dos akita e sua linhagem nobre graças a seu amigo Ken (Cary-Hiroyuki Tagawa) e descobre que, na coleira do filhote, havia o kanji para Hachi (“oito”, em japonês), sendo este o nome do novo companheiro do professor.
Conforme o tempo vai passando e Hachi vai crescendo, ele passa a acompanhar Parker, por vontade própria, rumo à estação de trem, voltando para casa após a partida do seu companheiro e estando na porta da estação novamente quando o trem de volta deste chega. A família de Parker passa a ter o cãozinho como um membro da família, que vê a filha de seu dono se casar e constituir seu próprio lar. No entanto, um trágico incidente mudará o rumo da existência de Hachi, que mostrará a todos o valor da amizade e da verdadeira lealdade.
Em sua primeira metade, a fita diverte pela interação entre Hachi e Parker, jamais apelando para o humor barato ou situações mais extravagantes, sempre mantendo tudo bem simples e corriqueiro, justamente para fisgar o espectador. Já o foco da segunda parte da produção passa a ser na emoção, com Hachi roubando a cena de seus companheiros de tela humanos. Aliás, se não fosse a habilidade dos cães que vivem o protagonista canino do filme, este não seria tão bem sucedido.
Richard Gere se sai muito bem como Parker, se utilizando de seu carisma natural e charme do clássico “bom-moço” para fazer sua ligação com a audiência. Joan Allen é outro destaque do elenco, tendo uma ótima química com Gere e até mesmo com Hachi, se entendendo muito bem com o animal em duas cenas absolutamente tocantes. Outros nomes mais conhecidos do elenco são Jason Alexander, o eterno George da série de TV “Seinfeld” como o bilheteiro da estação de trem onde Parker e Hachi se encontram, e Cary-Hiroyuki Tagawa, interpretando o amigo nipônico de Parker, Ken.
O grande trunfo do filme é a facilidade com que o público consegue se identificar com os personagens lá mostrados. O roteiro desta adaptação foi escrito por Stephen P. Lindsey e foca no cotidiano, no comum, na própria vida e na convivência entre Parker e Hachi, bem como com a família do professor e seus amigos, que ganham maior destaque a partir da segunda metade do filme. Com isso em mente, o diretor sueco Lasse Hallström aposta em uma narrativa mais clássica e em um visual familiar, quase uma versão mais urbana e contemporânea de um quadro de Norman Rockwell.
O cineasta só derrapa um pouco no uso de planos subjetivos em alguns momentos para nos mostrar as coisas do ponto de vista de Hachi e nas sequências de passagens de tempo tremendamente artificiais, se utilizando das estações do ano. Embora não sejam falhas muito comprometedoras, geram um ruído desnecessário para a fita, simplesmente não casando com a estética adotada pelo longa ou com a própria narrativa que está sendo contada.
Um ponto positivo a ser mencionado é a trilha sonora, composta por Jan A.P. Kaczmarek, que aposta mais em sons de piano, instrumento tocado por Parker, algo que acaba ajudando o espectador a adentrar no mundo do personagem e de Hachi, sendo um componente emocional de incrível valia na já citada segunda parte do filme.
“Sempre ao Seu Lado” mostra que investir em histórias cotidianas não é algo que pode ser esquecido pelo cinema. Em tempos de grandes produções que retratam outros planetas ou épocas passadas e futuras, é muito bom ser surpreendido por um simples conto de amizade e lealdade como este. Um belo filme, sem dúvida.
Mesmo nas histórias reais, a verdade nunca é simples
ELIANE BRUM ebrum@edglobo.com.br Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo.
É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo)
É curioso como acordamos com a ilusão de que sabemos o que vai acontecer. Numa manhã, dias atrás, eu tinha uma série de compromissos encadeados numa série que acabaria só tarde da noite. A parte leve do meu dia era um pit stop para fazer as unhas no salão aonde vou sábado sim, sábado não. Eu tinha acabado de superar o dilema feminino de escolher o esmalte, depois de oscilar entre cores e nomes que só os esmaltes são capazes de ter: Atrevida, Maçã, Paixão e Canoa. De repente, essa rotina segura foi rompida por um grito.
“A mulher está desmaiando”, gritou Elis, a moça que tinge, lava e seca os cabelos. Pela cortina, eu só vi as costas de uma mulher grande, sentada no banco diante da calçada, na Vila Madalena, em São Paulo. Ciça, a dona do salão, amparava o seu corpo. Tatiane, a recepcionista, correu a buscar um copo d’água. Rose, a manicure, arriscou um diagnóstico: “Pressão baixa”. Voltei a ler. A moça estava sendo cuidada. Eu tentava recuperar a palavra interrompida na página do jornal quando ela começou a falar.
O desespero na sua voz alcançou as cutículas da minha alma. Eu não entendia o que ela dizia, só escutava o desamparo. Pela cortina, via seus ombros sacudirem-se num choro convulso. Na porta, Tatiane narrava o que ouvia. Sua história vinha aos soluços, como no twitter. “O marido morreu”. “Ela saiu às 4h da manhã de casa”. “Foi despejada porque não tinha o dinheiro do aluguel”. “Deixou os filhos e suas coisas debaixo de uma árvore e veio procurar trabalho”. “O filho mais velho tem 12 anos e ficou chorando”. “Ela tem gêmeos de nove meses que amamenta”. “A vizinha ficou olhando os filhos”. “Ela está com fome”. “Ela está desesperada”.
No lado de dentro, nós éramos mulheres fazendo as unhas, tingindo e cortando os cabelos, num espaço do feminino distante do feminino dela. A dor da mulher entrava pela porta daquele santuário em que vivíamos nossas delicadezas no meio de uma cidade bruta. Cada uma com problemas que nos tentaculavam como polvos.
Algumas de nós cravaram os olhos em suas revistas de celebridades. Não porque fossem indiferentes ao drama, mas porque era dolorido demais entrar em contato. Tentavam se convencer de que aquilo não estava acontecendo. Se ficassem bem concentradas na polêmica sobre o vestido curto de Juliana Paes na cerimônia do Emmy, a voz terrível do lado de fora acabaria se calando. Uma delas nem percebeu que a revista estava de cabeça para baixo.
A certa altura, todas nós chorávamos. Uma mistura de compaixão e vergonha. Não por chorar, mas por não saber o que fazer. Éramos mulheres que davam duro para ganhar a vida e às vezes nos escondíamos ali para ficar bonitas. Fugíamos não só de nossas unhas roídas, mas da feiúra do mundo. E lá estava ela, à porta de nosso pequeno e frágil universo, chorando de fome e desespero. Cadê os seguranças, as cercas eletrificadas, o porteiro eletrônico, os vidros com insulfilm para nos proteger do desamparo alheio? Não havia.
Com braços espichados, pernas no colo da manicure, eu era um retrato patético da impotência. Depois de alguns minutos eternos consegui romper meu imobilismo. “Tati, quanto é o aluguel dela?”. Tati correu para fora. Voltou. “É cem reais.” A dona do salão ofereceu a ela um emprego em sua casa. Dei a ela o dinheiro do aluguel, para que pudesse reorganizar a vida e voltar a trabalhar.
A mulher quis entrar para me conhecer. O desamparo agora tinha corpo. Era negra, grande, os seios fartos de leite. O conjunto azul de saia e blusa revelava sua tentativa de estar apresentável para bater de porta em porta em busca de um emprego. Sempre me comovi com estes pequenos detalhes. O vestido puído, mas limpo, o paletó curto nas mangas, os sem-tetos que lavam as roupas nos parques para vesti-las embaixo de viadutos imundos.
Nos abraçamos ali, entre escovas, esmaltes e secadores de cabelo. Descobri que eu precisava tanto daquele abraço quanto ela. Duas estranhas abraçadas, cada uma com o nariz enfiado no pescoço da outra, misturando o sal das nossas lágrimas e do nosso suor. Duas mulheres em posições sociais diferentes, mas que se reconheciam no desamparo. Sem cercas para nos apartar, nos enxergávamos.
Quando percebi, eu dizia coisas para ela como: “A vida às vezes é bem dura, mas passa”. Ou: “Come antes de pegar o ônibus para não desmaiar”. Ou ainda: “Paga o aluguel, cuida dos teus filhos e depois volta”. Soube então que seu nome era Eliane. Éramos duas Elianes chorando abraçadas pela dor de ser mulher num mundo tão assustador.
Não era esmola o que dei ali. Nem era esmola o que ela aceitou. Era algo que nos igualava, que permitia que nos abraçássemos e chorássemos juntas. Ela achava que Deus tinha guiado os seus passos. “Eu ia por uma rua, mas Deus me mandou ir por outra”, disse ela. Já eu acredito mais nos pequenos milagres humanos. E acredito que eles acontecem quando vencemos nosso medo e nos reconhecemos nos olhos do outro. Toda violência, acho eu, começa quando deixamos de nos enxergar, erguendo – também literalmente – muros entre nós. Apartados uns dos outros, é óbvio que quando nos encontramos não há reconhecimento, só desconfiança.
Não foi por acaso que ela desabou naquela porta. O salão tem porta para a calçada e um banco onde é possível sentar. Sua arquitetura acolhe, não afasta. Deve ter sido o único banco que Eliane encontrou nos muitos quarteirões por onde andou arrastando a sua dor. Naquele mundo de mulheres ela chegou como estrangeira. Mas suas palavras foram ecoando em cada uma de nós, até que ultrapassaram a soleira da porta junto com ela. Ela então se tornou uma de nós, mulheres tentando desenredar a vida.
Salões de beleza, seja nos bairros nobres ou nas favelas, são universos onde os dramas do mundo feminino se desenrolam. Há uma força poderosa nesse desejo de se embelezar. Somos todas muito parecidas com os pés nus estendidos no colo de outra mulher. Essa trama delicada é tema de um filme bonito que está nas locadoras chamado Caramelo (Nadine Labaki, 2007).
Nele, as vidas de cinco mulheres se entrelaçam num salão de beleza de Beirute, no Líbano. Layale, amante de um homem casado, sonha com o dia em que ele vai se separar para ficar com ela; Nisrine está de casamento marcado, mas não é mais virgem e não sabe como contar isso ao noivo muçulmano; Rima sente atração por mulheres; Jamale tem medo de envelhecer; e Rose cuida da irmã mais velha.
Me senti num filme real naquele final de manhã. Um filme só de mulheres. Quando a outra Eliane partiu, ficamos fungando em silêncio. E Rose terminou de pintar minhas unhas com esmalte Maçã.
Eliane deveria voltar na terça-feira seguinte para começar a trabalhar na casa da dona do salão. Nunca apareceu.
O que teria acontecido? O final desta história não é simples.
A terça-feira em que ela deveria voltar, 8 de dezembro, foi o dia em que São Paulo parou por causa da chuva. Eliane disse que morava nos confins da Zona Leste. Teria ela sido acossada pela chuva? Ou alguma de suas crianças? Como acontece a cada ano, dezenas morrem de algo tão previsível quanto a chuva no estado mais rico do país. Só naquela terça-feira morreram pelo menos seis na Grande São Paulo. E centenas ficaram desabrigadas.
Fico de olho nas notícias sobre os mortos, mas até agora não encontrei ninguém com suas características. Ela pode estar ferida, o barraco pode ter desabado, um filho pode ter ficado doente. Ela não deixou nenhum endereço. Ficou apenas de voltar com certeza.
Ou seria um golpe? Aceitando essa hipótese plausível, teríamos nós, escoladas moradores da metrópole, caído numa velha pantomina. A favor de nós, para que nos sintamos um pouco menos idiotas, pode-se dizer que ela era uma grande atriz. Sim, porque estava gelada, suava frio, tremia muito e chorava lágrimas copiosas.
Há outras possibilidades. De que ela estivesse mesmo desesperada e com fome, mas precisou contar uma história mais trágica para nos sensibilizar. Ou ainda, que estivesse em síndrome de abstinência de algum tipo de droga, o que explicaria o quase desmaio, os tremores e o suor frio. Mas ninguém lhe daria dinheiro para comprar crack, por exemplo, se falasse a verdade. Neste caso, o desespero seria real, o motivo mentira.
A verdade nunca é fácil nem está toda no mesmo lugar.
Quando fazemos reportagens, precisamos duvidar de tudo. Vamos a todos os lugares, falamos com todos os envolvidos, checamos os documentos, ouvimos o contraditório e relatamos o que encontramos, para que os leitores possam chegar a suas próprias conclusões. Mas, na vida cotidiana, não temos esse tempo. As escolhas, em geral, precisam ser rápidas. Estender ou não a mão a alguém que pede ajuda?
Não há certezas. E, na dúvida, qual é o final que prefiro para esta história?
Por um lado, gostaria de não ter caído num golpe. Ninguém gosta de se sentir idiota. Por outro, se não era um golpe, ela pode estar morta ou ferida o suficiente para não poder ligar pedindo ajuda. Isso seria bem pior, obviamente. Por paradoxal que seja, o melhor é ter sido vítima de um golpe e feito um papel ridículo.
Possivelmente nunca saberei a verdade dela. Mas é importante conhecer a minha verdade. A pergunta que importa agora é: o que eu faria se algo assim acontecesse novamente?
Eu faria o mesmo.
Pertenço à parcela das pessoas que prefere deixar a porta aberta a se trancar atrás dela. Sempre há um risco de entrar um golpista pela porta, mas por ela também entra quem precisa de um colo, entra o novo e até o extraodinário. É uma convicção profunda que me move pela vida. E espero sempre ser capaz de escolher este final para a minha história.
Os jovens aderem à moda dos braceletes coloridos – muitos deles sem saber de seu significado erótico
Andres Vera
São pulseiras comuns, que qualquer garota usaria para ir ao colégio, feitas de silicone, em cores vibrantes e de aparência inocente. Mas nos últimos dias passaram a deixar muitos pais preocupados com rumores sobre seu verdadeiro significado. Segundo um modismo que surgiu na Inglaterra e chegou ao Brasil recentemente, arrebentar a pulseira de determinada cor obrigaria o portador da pulseira a se submeter ao ato correspondente àquela cor. Pulseira amarela, por exemplo, equivaleria a um abraço. Pulseira preta, a sexo.
Não se sabe como surgiu esse código nem como ele se espalhou entre os adolescentes. Na Inglaterra, as pulseirinhas ganharam o nome de shag bands (algo como “pulseiras da transa”). Lá também surgiu o jogo chamado “snap” (estouro, na tradução do inglês) e o dicionário de cores (leia o quadro abaixo). O assunto chamou a atenção da imprensa e virou motivo de alarde entre pais e educadores quando crianças do ensino fundamental começaram a usar as pulseiras.
Não demorou muito para a novidade se espalhar pela internet e chegar ao Brasil. Redes sociais como Orkut e Facebook têm comunidades dedicadas aos fãs das pulseiras. Uma delas já reunia 40 mil seguidores na semana passada, a maioria perfis de crianças e adolescentes. Embora seja comum encontrar jovens com o braço carregado de pulseiras, parte deles parece desconhecer seu significado. “Eu parei de usar quando descobri, mas vejo um monte de meninas do fundamental usando sem saber”, diz a estudante Bárbara Campos, de 15 anos, aluna de um colégio particular de São Paulo. Seu namorado, no entanto, ainda carrega três pulseiras no pulso: uma preta, uma branca e uma vermelha. “Se outra menina estourar as pulseiras dele, eu vou ficar muito brava.”
Vendidas por camelôs em qualquer cidade grande brasileira, a novidade ficou conhecida por aqui como pulseira cool (legal, na tradução do inglês), pulseira da amizade ou pulseira da malhação. Um pacote com 20 unidades, de cores sortidas, custa cerca de R$ 1. Entre os mais jovens e os que não levam o sentido do snap a sério, as pulseiras também resumem o “currículo” sexual da pessoa. Vale a mesma regra das cores: quem já fez sexo pode exibir sua pulseira preta. Os mais “populares” costumam usar a cor dourada.
Como pais e educadores deveriam reagir diante da conotação sexual de uma inocente pulseira de silicone? “Proibir não adianta, porque o adolescente pode se sentir excluído quando vir que os colegas continuam usando”, diz a psicóloga Denise Diniz, da Universidade Federal de São Paulo. “Os pais devem aproveitar a oportunidade para debater sexualidade em casa.” Os colégios se dividem entre proibir ou ignorar o uso das pulseiras. “Acreditamos que esse jogo não passe de um modismo, mas os pais podem e devem impor seus limites, sem alarde”, diz Silvana Leporace, coordenadora educacional do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Modismo ou não, não custa nada para os pais dar uma olhadinha no que os filhos andam usando no pulso.
ESTOURO Adolescentes com as “pulseiras da amizade”. Arrebentar a de outra pessoa é um convite à intimidade
Fonte: Época on line
Especialista sugere veto às pulseiras do sexo
As pulseiras coloridas viraram moda entre as meninas pré-adolescentes pelo apego estético. O significado sexual que elas carregam na Inglaterra, porém, não "pegou" entre as brasileiras. A grande maioria simplesmente desconhece o assunto.
No entanto, o recomendado aos pais é não deixar as filhas usarem o adereço. "Tem gente que pode achar que é uma provocação, porque elas carregam originalmente esse apelo sexual. Para que ninguém fique na dúvida, melhor não usar", diz a psicóloga Marina Vasconcellos, que tem especialização em terapia familiar pela Unifesp e é mãe de duas garotas - uma de nove e outra de 11 anos.
"Quando elas apareceram em casa com essas pulseirinhas, não vi nada de mais. Mas quando li na imprensa que na Inglaterra, onde foram inventadas, elas servem para designar brincadeiras sexuais, eu as proibi na mesma hora de usarem essas pulseiras."
Cada cor representa uma ação que vai desde um inocente beijo no rosto até uma relação sexual completa. Para ter essa "prenda", bastaria, em tese, que o garoto quebrasse a pulseira da menina. "Mas todo mundo sabe que isso não tem nada a ver", diz Ana Carolina Russo, 14 anos, estudante do Primeiro Ano do Ensino Médio. "As pulseiras são até bonitinhas. Eu e minhas amigas até usamos de vez em quando. Mas ninguém vai fazer nada disso do que falam por aí."
A doutora Marina concorda com Ana Carolina. "A maioria dessas meninas nem sabe o que essas coisas significam". A pulseira vermelha, por exemplo, dá direito a uma "lap dance" - será que uma menina de 14 anos sabe o que é isso?
O ideal, segundo a doutora Marina, "é não apressar a sexualidade da criança". Ela explica: "Se tem 10 anos no máximo, melhor nem falar nada - é pura inocência. Se tem 14, uma boa saída é mostrar as reportagens sobre as pulseiras e deixar com que as próprias meninas se posicionem. Elas vão acabar se assustando e deixando as pulseiras de lado."
Por precaução, alguns colégios de São Paulo proibiram o uso das pulseiras. É o caso do Santa Clara, uma escola de freiras na Vila Madalena (Zona Oeste) - coincidentemente, o local em que estudam as filhas da doutora Marina.
É... A idéia lá comia solta Subia a manga amarrotada social No calor alumínio nem caneta nem papel Uma idéia fugia
Era o rodo cotidiano Espaço é curto quase um curral Na mochila amassada uma quentinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada
Ô May brother
Não se anda por onde gosta Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta Ela some é lá no ralo de gente Ela é linda, mas não tem nome É comum e é normal
Sou mais um no Brasil da Central Da minhoca de metal que corta as ruas Da minhoca de metal É... Como um concorde apressado cheio de força Que voa, voa mais pesado que o ar E o avião, o avião, o avião do trabalhador
Ô May brother
É... Espaço é curto quase um curral Na mochila amassada uma vidinha abafada Meu troco é pouco, é quase nada
Não se anda por onde gosta Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta Ela some é lá no ralo de gente Ela é linda, mas não tem nome É comum e é normal
Sou mais um no Brasil da Central Da minhoca de metal que entorta as ruas Da minhoca de metal que entorta as ruas Como um Concorde apressado cheio de força Voa, voa mais pesado que o ar E o avião, o avião, o avião do trabalhador
Pessoas mais relaxadas e sem propensão a se estressar podem ter menor probabilidade de desenvolver demência, de acordo com estudo divulgado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia.
A pesquisa envolveu 506 idosos que não sofriam de demência ao serem examinados inicialmente. O grupo recebeu questionários para apurar detalhes sobre sua personalidade e estilo de vida.
O estudo concluiu que pessoas mais calmas e relaxadas têm 50% menor risco de desenvolver demência em comparação às pessoas com tendência a se estressar.
Os participantes foram acompanhados por seis anos e, durante esse período, 144 deles desenvolveram demência.
Personalidade
Nos questionários entregues às pessoas que participaram da pesquisa, as questões relativas à personalidade identificaram pessoas com diferentes graus de estresse. Também foi avaliado o nível de extroversão no diálogo com outras pessoas. Através de análises das respostas, os cientistas constataram que as pessoas que não se estressavam com facilidade eram calmas e satisfeitas, enquanto que as que se estressavam facilmente eram emocionalmente instáveis, negativas e ansiosas.
Os extrovertidos receberam uma pontuação mais alta no questionário e eram socialmente ativos e otimistas, em comparação a pessoas com pontuação mais baixa, geralmente reservadas e introspectivas.
O questionário sobre estilo de vida determinou como cada pessoa participava regularmente em atividades de lazer e sociais. “No passado, estudos mostraram que estresse crônico pode afetar partes do cérebro, tais como o hipocampo, possivelmente levando à demência, mas outros resultados sugeriram que ter uma personalidade calma e extrovertida combinado com um estilo de vida socialmente ativo pode reduzir ainda mais o risco de se desenvolver demência”, disse o autor do estudo, Hui-Xin Wang, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.
“A boa notícia é que fatores ligados ao estilo de vida podem ser modificados, ao contrário de fatores genéticos, que não podem ser controlados. Mas estes são resultados preliminares então ainda não está claro como exatamente a atitude influencia o risco de demência”, disse Wang.
O stress crónico afeta o processo de tomada de decisões, levando as pessoas a depender mais de hábitos e menos de comportamentos orientados por objetivos, demonstra um estudo de investigadores portugueses publicado em agosto de 2009 pela revista Science.
São vastas as implicações da descoberta, na medida em que envolve desde aspectos da vida quotidiana até processos patológicos, como as tóxico dependências ou as perturbações obsessivo-compulvisas.
O estudo foi realizado por uma equipe coordenada por Nuno Sousa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, e Rui Costa, na altura nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos e atualmente investigador no programa de Neurociência da Fundação Champalimaud.
Este trabalho revela que o stress crónico altera a estrutura de circuitos neuronais que ligam o córtex pré-frontal, comparável à memória RAM de um computador, ao estriado, a zona do cérebro relacionada com as decisões.
O que se passa, segundo Nuno Sousa, é que o stress promove a atrofia das dendrites dos neurónios do circuito associativo responsável pelos comportamentos orientados por objetivos (córtex pré-frontal medial e estriado dorsomedial) e aumenta as dendrites no estriado dorsolateral, o circuito sensório-motor envolvido nas ações habituais.
Isso torna o comportamento dos sujeitos submetidos ao stress “mais dependente de hábitos e menos de comportamentos orientados por objetivos”, explicou à Lusa o investigador coordenador do Domínio de Neurociências do ICVS e diretor do curso de Medicina da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.
“Este aspecto influencia o processo de tomada de decisão nesses sujeitos, tornando-o mais dependente de comportamentos habituais mesmo quando a situação contextual não o justifica”, observou.
Dado o interesse e a grande relevância do estudo, disse ainda Nuno de Sousa, a equipe decidiu submetê-lo aos editores da Science, que logo decidiram publicá-lo.
“Trata-se obviamente de um momento de enorme importância para todos nós, tanto mais que o estudo é assinado apenas por portugueses e com um trabalho experimental feito em Portugal [no ICVS]“, assinalou.
A investigação resultou de “um esforço de colaboração que representa a nossa visão de abordar os assuntos de forma multidisciplinar”, acrescentou.
A equipe foi constituída por sete elementos que pertencem ao Domínio de Investigação em Neurociências do ICVS, sendo o primeiro autor Eduardo Dias-Ferreira, um aluno de doutoramento que está agora a continuar o estudo com Rui Costa.
Entre os seus projetos em curso, Nuno Sousa salientou os mais diretamente ligados a este trabalho, centrados na tentativa de compreender melhor os mecanismos moleculares e funcionais envolvidos na conclusão a que chegaram.
Esses desenvolvimentos terão por objetivo “delinear estratégias que permitam modular os efeitos do stress nos processos de decisão e eventualmente utilizá-los futuramente como estratégias terapêuticas”, concluiu.
O isolamento social prejudica a saúde e pode ser tão nocivo quanto fumar, de acordo com o pesquisador John Cacioppo, professor de psicologia da Universidade de Chicago e um dos mais renomados pesquisadores sobre solidão dos Estados Unidos. Um novo estudo realizado por Cacioppo e outros pesquisadores da Universidade de Chicago indica que a solidão afeta o comportamento das pessoas e a forma como seus cérebros funcionam.
A pesquisa, apresentada durante a conferência anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), utilizou exames de ressonância magnética (fMRI) para estudar as conexões entre isolamento social e atividade cerebral. Os especialistas verificaram que, em pessoas mais sociáveis, uma região do cérebro conhecida como estriato ventral ficou muito mais ativa quando elas observavam imagens de pessoas em situações agradáveis. O mesmo não ocorreu nos cérebros de pessoas solitárias.
O estriato ventral, crucial para o aprendizado, é uma região importante do cérebro, ativada por estímulos que os especialistas chamam de recompensas primárias (como a comida) e recompensas secundárias (como o dinheiro). A convivência social e o amor também podem ativar a região.
Empatia
Os especialistas também verificaram que uma outra região do cérebro, associada à capacidade de empatia com o próximo, ficou muito menos ativa entre os solitários do que nos mais sociáveis quando observavam imagens de pessoas em situações desagradáveis.
“Devido aos sentimentos de isolamento social, indivíduos solitários podem ser levados a buscar um certo conforto em prazeres não sociais”, disse Cacioppo. O professor cita como exemplos comer ou beber demais.
De acordo com reportagem sobre o estudo publicada pelo jornal britânico Daily Telegraph, a solidão prejudica a imunidade, provoca depressão, aumenta o estresse e a pressão sanguínea e também aumenta as chances de uma pessoa desenvolver o Mal de Alzheimer.
Indivíduos solitários tendem a ter menos motivação e menos perseverança, o que dificulta a adoção de dietas mais saudáveis e a prática de exercícios. Segundo Cacioppo, um em cada cinco americanos sente solidão.
Voluntárias
O especialista é um entre cinco autores de um artigo publicado na edição mais recente da revista científica Journal of Cognitive Neuroscience.
Como parte do estudo, 23 estudantes do sexo feminino foram testadas para determinar quão solitárias elas eram. Depois, enquanto seus cérebros eram monitorados com exames de ressonância magnética, as participantes observaram imagens de situações desagradáveis (como conflitos humanos) e de situações agradáveis (pessoas felizes).
Entre as voluntárias classificadas como solitárias, verificou-se uma menor probabilidade de atividade intensa no estriato ventral quando elas observavam pessoas se divertindo. Embora a solidão possa influenciar a atividade cerebral, a pesquisa também sugere uma relação inversa, ou seja, que a atividade no estriato ventral pode levar a sentimentos de solidão, segundo o pesquisador Jean Decety, outro autor do estudo. “O estudo levanta a possibilidade intrigante de que a solidão pode ser o resultado de uma redução na atividade associada à recompensa no estriato em resposta a estímulos sociais”, disse Decety.
Ao tentar explicar ao jornal Daily Telegraph as razões por trás de um mecanismo como esse nos seres humanos, Cacioppo mencionou as teorias do biólogo britânico Charles Darwin: a necessidade de conexão com o outro teria suas raízes na evolução da espécie.
Para sobreviver e criar seus filhos, humanos tiveram de se unir, diz o pesquisador. Altruísmo e cooperação ao longo da evolução humana permitiram que a espécie florecesse. A solidão, como a dor física, teria evoluído nos humanos de forma a produzir uma mudança no comportamento. Esse mecanismo, de acordo com Cacioppo, sinaliza a necessidade ancestral do homem de se agregar socialmente.
Um estudo científico revelou que as mulheres idosas que consumiam mais de três chávenas de café ou chá por dia mostraram menos perda de memória do que as que tomavam apenas uma, um efeito não verificado nos homens.
A investigação foi realizada por uma equipa de cientistas portugueses e franceses que estudou o efeito da cafeína em 4197 mulheres e 2820 homens de três cidades francesas que, durante quatro anos, foram sujeitos a vários testes para avaliar o seu desempenho cognitivo.
Segundo o estudo, as propriedades psico-estimulantes da cafeína parecem reduzir o declínio cognitivo nas mulheres sem demência, especialmente nas mais idosas. O mesmo não se verificou nos homens, aparentemente porque assimilam a cafeína de forma diferente.
Apesar de nenhum impacto ter sido observado na incidência da demência, são necessários estudos adicionais para verificar se a cafeína pode ser potencialmente usada para prolongar o período de enfraquecimento cognitivo suave nas mulheres antes de um diagnóstico da demência.
Um dos investigadores que participou no estudo foi o neurologista português Alexandre Mendonça, que organizou um encontro, em Lisboa, onde especialistas internacionais debateram “A cafeína e o cérebro”.
Alexandre Mendonça disse à agência Lusa que se confirma “o efeito protetor da cafeína no Alzheimer e Parkinson, mas não se sabe se tem efeito noutras doenças degenerativas”. Apesar de a cafeína poder ser protetora das células nervosas, o neurologista alerta que o consumo em excesso pode ser nocivo.
Segundo o Programa “Café e Saúde”, implementado em Portugal pela Associação Industrial e Comercial do Café (AICC), 80 por cento dos portugueses ingere diariamente café, que está associado a hábitos sociais e tradições. Esta bebida tem suscitado uma aprofundada investigação sobre os benefícios que poderá ter na saúde, mas ainda existe uma falta de informação generalizada quanto a esses benefícios.
Para debater este tema, o “Café e Saúde” promoveu a Reunião Internacional do Alzheimer que irá procurar divulgar a evidência científica disponível quanto à relação entre café e risco de doença de Parkinson e o papel que pode desempenhar enquanto facilitador da atividade física e intelectual. Procurará ainda sustentar a relação entre consumo regular de café e a prevenção da doença de Alzheimer.
“Pela primeira vez, especialistas que deram um contributo importante nesta área se reuniram em conjunto para debater o café e o cérebro”, disse Alexandre Mendonça.
A tese de uma investigadora da Faculdade de Farmácia de Lisboa conclui que 37% dos doentes mais velhos consomem remédios inapropriados, o que aumenta o risco de reações adversas. A autora propõe mais formação para os alunos de Medicina e Farmácia
Cerca de 37% dos idosos estão a tomar medicação que não é adequada e que pode “aumentar o risco de reações adversas”, revelou ao DN Maria Augusta Soares, professora na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, que fez um estudo sobre o consumo de medicamentos nos mais velhos.
Segundo a especialista, há remédios prescritos pelos médicos que não são os melhores para o idoso. Mas, refere à autora do estudo, há também casos “de remédios que os doentes tomam apesar do médico ter dito para parar, acabando por ser tomados em duplicado”.
A investigadora inquiriu 600 doentes de 15 farmácias, no âmbito da sua tese de doutoramento. E identificou muitos casos de inadequação. Um dos erros que tem conseqüências mais graves é exatamente a duplicação de produtos. “Verificamos que 15% dos idosos tomavam mais do que uma dose do mesmo medicamento ou de produtos quase iguais”, alertou.
A duplicação acontece, sobretudo com calmantes e antiinflamatórios. “Há um uso excessivo de calmantes (benzodiazepinas) nestas idades. E os remédios estão associados a uma subida de quedas e de fraturas”, numa faixa em que há muitos casos de osteoporose.
É, sobretudo acima dos 65 anos que as quedas podem implicar complicações graves, “como fraturas do colo do fêmur, tromboses”, refere à perita, avisando: ” Há até casos de morte.” Na investigação, a professora detectou que havia doentes a tomar dois fármacos iguais e outros a consumir três calmantes diferentes.
Maria Augusta Soares explica que alguns dos medicamentos receitados aos idosos podem ser “prejudiciais, como os que provocam alterações cognitivas”. Daí que considere importante dar aos os alunos de Medicina e Farmácia formação nesta área, uma vez que é quase nula: “Vou propor a criação de uma cadeira na faculdade”.
A elevada quantidade de erros na prescrição aos idosos relaciona-se com o fato de estes doentes terem diversas doenças ao mesmo tempo. Neste estudo, verificou-se, por exemplo, que os idosos tinham, em média, 4,4 doenças e tomavam 5,3 remédios.
Outro dos fatores que leva a que os idosos tenham reações adversas é o mau funcionamento do rim e do fígado, o que muitas vezes não se tem em conta. “O medicamento tem um trajeto e depois tem de ser eliminado pelo rim, que perde capacidades nestas idades. Por isso, as substâncias acumulam-se. O mesmo acontece no fígado, que degrada o fármaco”.
O acumular de montanhas de lixo ou objetos inúteis em casa a pensar na sua eventual utilidade futura pode parecer muito estranho, mas é sintoma de uma doença que afeta principalmente idosos que vivem sozinhos e em situação de miséria.
Batizada com o nome do filósofo grego do século IV a.C. Diógenes de Sinope, que vivia como um mendigo e dormia num barril, a Síndrome de Diógenes caracteriza-se pela acumulação de objetos sem valor, isolamento social, falta de pudor e de cuidados com a higiene pessoal e recusa em receber ajuda.
“Apesar da doença também poder afetar pessoas mais novas, a maior parte são idosos que vivem uma vida quase de eremita”, disse à agência Lusa o diretor do serviço de psiquiatria do Hospital do Espírito Santo, em Évora, José Palma Góis, que tem acompanhado alguns casos.
À memória vêm-lhe dois casos. Um de uma senhora septuagenária “muito excêntrica”, que vivia sozinha numa casa “cheia de lixo”, que recolhia dos contentores, e outro de uma mulher na casa dos 50 anos que começou a fazer coleção de objetos inúteis desde os 20 anos.
Palma Góis conta que a mulher mais nova fazia acumulação de lixo por “montinhos”, como de roupa e sapatos, de acordo com as suas próprias regras. Mas com o passar dos anos, a doença foi piorando e atualmente já não organizava o lixo e a casa transformou-se numa verdadeira lixeira. A vida desta mulher é partilhada com um companheiro, alcoólico, que “por contágio aceitou este tipo de vida”, sublinhou.
Queixas dos vizinhos
Ambos os casos chegaram ao hospital através dos serviços sociais, que foram alertados pela vizinhança devido ao mau cheiro que as casas tinham e do comportamento bizarro.
Palma Góis conta que a idosa, quando chegou aos cuidados médicos, ia desnutrida, com um aspecto pouco cuidado e uma atitude desconfiada e assustada, tendo acabado por ficar internada quatro semanas. Depois de a casa ter sido limpa, a idosa, que tinha uma “demência ligeira” e registrou melhoras significativas com o tratamento, voltou para casa continuando a ter acompanhamento médico e o apoio dos serviços sociais para garantir o comprimento da terapêutica, alimentação e higiene.
Segundo Palma Góis, estas pessoas vivem numa situação de miséria material muito marcada e chegam a apresentar várias patologias, desde eczemas e infecções na pele causados por parasitas e sujidade, até anemias devido à negligência da alimentação e higiene.
As causas
Palma Góis explica que a Síndrome não nasce com a pessoa, mas pode haver traços de personalidade que predispõem para a doença, que pode surgir com a morte de um familiar, dificuldades econômicas, conflitos ou reforma antecipada. Embora a maioria dos casos seja em idosos, há pessoas mais novas que podem desenvolver a doença, mas nestes casos está associada a outras patologias, como uma doença obsessiva compulsiva ou esquizofrenia. Sobre a prevalência da doença em Portugal, o psiquiatra diz que não existem números, mas estima que sejam idênticos aos de Espanha: 1,7 em cada mil internamentos em pessoas com mais de 65 anos.
Psicopatas tendem a usar colegas para subir na carreira profissional
Um psicopata não criminoso tem, ao contrário dos que cometem ações punidas pela justiça, características que lhe permitem “uma rápida escalada de poder em algumas profissões”, disse ao DN Catarina Iria, membro do Centro de Psicopedagogia da Universidade de Coimbra. “Prejudica os outros e utiliza-os em seu benefício para subir na empresa, eliminar a concorrência ou manter–se no poder por formas moralmente censuráveis, ainda que nunca chegue a cometer atos ilícitos”, explicou esta especialista forense.
A cientista, que hoje lançou o livro Psicopatas Criminosos e Não Criminosos: Uma Abordagem Neuropsicológica, em co-autoria com Fernando Barbosa, investigador do Laboratório de Psicofisiologia da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, considera, no entanto, que entre estes dois tipos de indivíduos há traços comuns de personalidade. Entre eles, a “deficiente capacidade empática, pobreza de afetos, egocentrismo, impulsividade e tendência para um comportamento anti-social”.
“A tendência para um comportamento anti-social pode ser distinto do comportamento criminal, uma vez que o primeiro abrange desde a simples mentira até crimes graves punidos pelo processo penal”, explicou Catarina Iria. A grande diferença, disse, “consiste no fato de os psicopatas criminosos terem sido sinalizados”, ou seja, “descobertos pelo sistema judicial, e os psicopatas não criminosos nunca o terem sido”. Contudo, frisou, “também nós não podemos garantir se, neste último caso, os psicopatas não criminosos não cometeram crimes ou simplesmente nunca foram descobertos, por conseguirem ludibriar a polícia”.
“Felizmente, começam a surgir mais estudos sobre esta população de psicopatas ditos “bem sucedidos” e, no futuro, continuaremos a buscar um maior conhecimento acerca destas pessoas”, afirmou. Aliás, os autores deste livro esperam que ele “auxilie na desmitificação de algumas idéias acerca dos psicopatas, nomeadamente as que consideram que todos estes indivíduos são inevitavelmente criminosos, quando a maioria deles nunca chega a sê-lo, com ou sem disfunções neuropsicológicas”.
O livro que foi apresentado na Universidade de Coimbra é dirigido sobretudo a profissionais forenses e, dado que nele se faz uma síntese dos critérios classificativos da psicopatia, assim como uma revisão do conhecimento científico sobre a psicobiologia desta perturbação, pode também ser utilizado como manual para estudantes da área criminal.
Uma obra que se ocupa da visão psicobiológica do comportamento desviante, especificamente do comportamento psicopático, é uma obra que traduz os sinais dos tempos. Na verdade, se pensarmos que há menos de 20 anos tratar estes assuntos do ponto de vista biológico era considerado uma autêntica heresia ou, pior ainda, os testes psicobiológicos não eram mais do que "voodoo" como aconteceu com Mednick quando se propôs fazer este tipo de análises em 1984, vemos que não só a emergência destas obras traduz uma mudança dos tempos, como também traduz um interesse por uma psicologia de natureza mais complexa e completa, onde todos os factores que intervêm no comportamento são considerados e nenhum é excluído. No caso particular da obra que os autores nos apresentam, ela foca-se num domínio cada vez mais importante para a comunidade científica, para a comunidade forense em particular e para o público em geral: como explicar que uns indivíduos com determinadas características da sua neurobiologia que os predispõe a cometerem actos criminosos, não cometem esses actos? Dito de outra forma, como explicar o indeterminismo em termos biológicos? Esta questão que é uma questão final desta obra é uma questão essencial. «Professor J. Marques-Teixeira - Professor da Universidade do Porto»
Obesos com mais probabilidades de sofrer problemas psiquiátricos
Um estudo publicado no jornal “Psychosomatic Medicine”, envolvendo mais de 40 mil norte-americanos, revela que as probabilidades de um adulto sofrer de desordens psiquiátricas – depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mentais – são maiores quando o indivíduo tem peso a mais, podendo mesmo duplicar.
Nancy M. Petry liderou a equipa de investigadores do University of Connecticut Health Center, em Farmington, que analisou um inquérito governamental a 41654 adultos que receberam assistência devido a problemas psiquiátricos recentes ou já antigos. Conclusão: os adultos obesos têm maiores probalidades sofrerem de depressões profundas ou moderadas, de desordens relacionadas com ansiedade, como pânico e fobias, de episódios de alienação, de abuso de álcool e de desordens na personalidade, como transtorno obsessivo-compulsivo e paranóia.
Os investigadores também concluíram que os adultos pré-obesos são mais propensos a sofrerem de problemas relacionados com a ansiedade do que as pessoas com peso normal. Contudo, segundo a Reuters, não ficou claro como é que o excesso de peso pode levar a problemas de saúde mentais. O uso de medicamentos psiquiátricos que causam aumento de peso não explica as conclusões.
Factores comportamentais, biológicos e genéticos podem interferir na relação entre peso e saúde mental, consideram as investigadoras. Para Nancy M. Petry, as ligações entre alguns problemas psiquiátricos e o excesso de peso podem apontar para “desregulações comportamentais”, nas quais as pessoas combatem o stress fazendo tudo em excesso, inclusive comer.
O consumo de alimentos também pode ser um “reforço condicionado” em pessoas que normalmente comem como resposta à ansiedade, ou seja, até os episódios menos significantes de stress possam levar à sobrealimentação.
Dados do estudo Título: Overweight and Obesity Are Associated With Psychiatric Disorders: Results From the National Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions Publicação: Psychosomatic Medicine, publicado on-line a 31 de Março de 2008, republicado em papel em Maio de 2008, volume 70, páginas 288 a 297 Autores: Nancy M. Petry, Danielle Barry, Robert H. Pietrzak e Julie A. Wagner Fonte: Público.
Fumante tem nova mutação genética a cada 15 cigarros consumidos
Em 90% dos casos, é uma doença que acomete os fumantes e, em apenas 10%, pessoas que nunca fumaram.
Mapas genéticos vão transformar a luta contra o câncer
Por Kate Kelland
Cientistas identificaram todas as mudanças nas células de dois tipos fatais de câncer para produzir os primeiros mapas genéticos inteiros de um tumor. Segundo eles, isso marca um "momento transformador" na compreensão da doença.
Os estudos feitos por uma equipe internacional e pelo Instituto Wellcome Trust Sanger, da Grã-Bretanha, representam as primeiras descrições abrangentes de mutações celulares tumorais, e podem revelar todas as mudanças genéticas por trás do melanoma de pele e do câncer de pulmão.
"O que estamos vendo hoje vai transformar a forma como vemos o câncer", disse a jornalistas em Londres Mike Stratton, do projeto do genoma do câncer do Instituto Sanger. "Nunca vimos o câncer ser revelado dessa forma".
Os cientistas sequenciaram todo o DNA do tecido canceroso e do tecido normal em um paciente com melanoma e de um paciente com câncer de pulmão, usando uma tecnologia chamada sequenciamento paralelo em massa. Comparando as sequências tumorais com as saudáveis, conseguiram localizar todas as mudanças específicas do câncer.
O tumor de pulmão continha mais de 23 mil mutações, e o do melanoma tinha mais de 33 mil.
Mutação a cada 15 cigarros
Peter Campbell, também do Instituto Sanger, disse que o estudo sobre o câncer de pulmão sugere que o fumante desenvolve uma mutação a cada 15 cigarros que consome, e que o dano começa na primeira tragada. O câncer de pulmão mata cerca de 1 milhão de pessoas por ano no mundo, e 90 por cento dos casos são provocados pelo tabagismo.
"Esses catálogos de mutações estão nos dizendo como o câncer se desenvolve - então vão nos informar sobre a prevenção ... e sobre processos que são perturbados na célula cancerosa", disse Stratton.
Mas os cientistas disseram que identificar todas as mutações que causam o câncer exigirá muito mais trabalho, possivelmente ao longo de vários anos, até que surjam novos alvos para o desenvolvimento de medicamentos inéditos.
"Em algum lugar entre as mutações encontramos à espreita aquelas que levam as células a se tornarem cancerosas", disse Andy Futreal, que participou da pesquisa publicada na revista Nature. "Localizá-los será um dos nossos grandes desafios nos próximos anos".
Os cientistas já haviam identificado algumas mutações genéticas ligadas ao câncer - mutações de um gene chamado Braf são encontradas no melanoma, e novas drogas para bloquear essa atividade causadora do câncer estão sendo desenvolvidas. Medicamentos como o Herceptin (Roche) e Iressa (Astra-Zeneca) também atacam células com mutações específicas.
Stratton disse que o objetivo agora é produzir mapas genéticos de todos os tipos de câncer. Há mais de cem tipos de câncer, e cada processo de mapeamento genômico leva vários meses e custa dezenas de milhares de dólares.
As Conferências nacionais são um espaço de discussão entre os diversos setores sociais que visa elaborar e implementar as políticas públicas. É no processo conferencial que são organizados os debates, identificadas as diferentes visões sobre um determinado tema, mapeados os discensos e construídos os consensos.
O início da prática deste mecanismo de consulta cidadã aconteceu na 1ª Conferência Nacional de Saúde, em 1941, no Rio de Janeiro.
Os últimos seis anos foram marcados pela diversidade de temas e pela qualidade dos debates. Só neste período, foram realizadas 63 Conferências nacionais, que contaram com a participação de 4 milhões de brasileiros nas etapas municipais, estaduais e nacional. Por isso, desde 2003 elas exercem um papel cada vez maior na elaboração das políticas públicas. Atualmente, as propostas aprovadas nas Conferências são uma fonte importante de referência das ações do governo federal.
Até o final de 2009, outras dez serão realizadas, entre elas a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom). Com o tema central “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania era digital”, a 1ª Confecom se desenvolverá em três eixos-temáticos: “Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: direitos e deveres”.
É uma oportunidade longamente esperada entre representantes da sociedade, das empresas e do poder público para encaminhar propostas para o avanço da cidadania na era digital.
Data: 14 a 17 de dezembro de 2009 Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães
Abertura com Presidente Lula terá credenciamento de imprensa pelo Palácio do Planalto
O credenciamento para a Cerimônia de Abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será feito exclusivamente pelo Palácio do Planalto. A 1ª Confecom será aberta na próxima segunda-feira, dia 14, às 19h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães – a Conferência segue até o dia 17, quinta-feira.
Os interessados devem se informar dos requisitos para se credenciar no site do Palácio do Planalto (www.imprensa.planalto.gov.br), para onde também devem ser enviadas as solicitações. O prazo para envio dos pedidos expira nesta sexta-feira, dia 11, às 16h.
Os profissionais já credenciados para a cobertura regular do Palácio do Planalto não precisarão submeter-se a esse credenciamento.
IMPORTANTE: O credenciamento para os demais dias da 1ª Confecom continua aberto somente até esta quinta-feira, dia 10, às 20h, conforme aviso publicado na quinta-feira, dia 3, em www.confecom.br. Seguem os requisitos para o credenciamento para cobertura midiática da programação da 1ª Confecom nos dias 15, 16 e 17 de dezembro:
As solicitações de credenciamento devem ser encaminhadas para o endereço eletrônico assessoria.imprensa@confecom.com.br até as 20h de quinta-feira, dia 10 de dezembro. Não serão consideradas solicitações enviadas após este prazo.
Deve ser feita apenas uma solicitação de credenciamento por veículo de imprensa, encaminhado por e-mail que indique claramente a procedência (nome do veículo expresso no domínio do e-mail). Segundo o tipo de veículo, segue o limite de profissionais a serem credenciados por órgão de imprensa:
Jornais – 2 repórteres e 2 fotógrafos;
Revistas – 2 repórteres e 1 fotógrafo;
Rádios – 2 repórteres;
Televisões – 2 equipes (cada equipe com um repórter, um cinegrafista e um auxiliar);
Agências de notícias – 2 repórteres e 2 fotógrafos.
A solicitação de credenciamento deverá trazer a identificação dos profissionais, a saber:
Número de documento de identidade (com foto)
Número de registro profissional
Função a exercer na equipe de reportagem
Endereço institucional do veículo de imprensa para o qual trabalha
A Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Confecom institui também a figura do comunicador comunitário, que representará rádios e canais comunitários. Seu credenciamento obedece às mesmas regras explicitadas acima, mas é necessário também informar o número de inscrição da rádio ou do canal comunitário no Ministério das Comunicações, além do CPF do comunicador comunitário. Neste caso, serão considerados pedidos enviados por e-mails particulares.
Programação e painéis da Conferência
A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom) terá uma programação de painéis que dará subsídios aos debates dos 15 grupos de trabalho que estarão reunidos para discutir a comunicação no Brasil. A conferência está programada para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, entre os dias 14 e 17 de dezembro.
Ao todo, serão quatro painéis no dia 15, terça-feira. Às 9h começa o painel internacional, com a presença do deputado argentino Gustavo Granero, também secretário-geral da Federação Argentina dos Trabalhadores de Imprensa, representando a sociedade civil, e do norte-americano Eli Noam, professor de finanças e economia e diretor do Instituto de Teleinformação da Universidade de Columbia, nos EUA, para representar a sociedade civil empresarial. Para Marcelo Bechara, presidente da Comissão Organizadora Nacional (CON), ambos podem contribuir para o debate brasileiro. “Convidamos os dois para que eles tragam experiências de outras realidades para o Brasil.”
Às 10h30 se iniciam os três painéis simultâneos de acordo com os eixos que norteiam a 1ª Confecom: Produção de conteúdo; Meios de distribuição; e Cidadania: direitos e deveres. Cada painel terá um representante indicado por cada segmento. “São pessoas com profundo conhecimento da comunicação”, elogia Bechara. “E o formato com mediação serve para tornar a conversa mais dinâmica e estimular a interlocução entre os painelistas”, destaca. Os painéis contarão com os seguintes participantes.
Eixo 1:
- Sociedade civil: Murilo César Ramos, professor da Universidade de Brasília
- Sociedade civil empresarial: Walter Vieira Ceneviva, vice-presidente executivo do Grupo Bandeirantes e jurista
- Poder público: Silvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura e documentarista
Mediador: Fernando Vieira de Melo, jornalista
Eixo 2:
- Sociedade civil: Celso Schröder, secretário-geral da Fenaj
- Sociedade civil empresarial: Frederico Nogueira, vice-presidente do Grupo Bandeirantes
- Poder público: Marcelo Bechara, consultor jurídico do Ministério das Comunicações
Mediador: Samuel Possebom, jornalista
Eixo 3:
- Sociedade civil: Luiza Erundina, deputada federal
“... Autonomia significa ser capaz de considerar os fatores relevantes para decidir qual deve ser o melhor caminho da ação. Não pode haver moralidade quando alguém considera somente o seu ponto de vista. Se também consideramos o ponto de vista das outras pessoas, veremos que não somos livres para mentir, quebrar promessas ou agir irrefletidamente"
(Kamii C. A criança e o número. Campinas: Papirus)
Esta é a década mais quente em 160 anos; 2009 é o quinto ano com maior temperatura
A primeira década dos anos 2000 é a mais quente em 160 anos, segundo dados do Met Office, escritório britânico de meteorologia. E 2009 aparece até agora como o quinto ano com as temperaturas mais altas desde 1850, de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia. Os registros foram divulgados durante a Conferência sobre o Clima que acontece de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, Dinamarca.
Em 2009, registra-se um aquecimento de 0,44°C acima da média de 14°C, de 1961 a 1990. Desde a década de 1980 as temperaturas estão maiores que a média. 1998 foi o ano mais quente, graças principalmente ao El Niño, que levou a um aquecimento no Oceano Pacífico. O fenômeno também contribuiu para o aumento da temperatura neste ano.
Para o Met Office, os resultados mostram que a temperatura global está aumentando, principalmente por causa do crescimento da emissão dos gases do efeito estufa, e prova que o argumento de que o aquecimento havia parado é falho.
O instituto afirma que análises independentes da central climática dos EUA e da Nasa chegaram a resultados similares.
COP-15
Mais de 15 mil pessoas devem passar pela Conferência, sendo cerca de cem líderes internacionais já confirmaram presença para os últimos dias do encontro, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente da França, Nicolas Sarcozy, e outros das maiores potências mundiais.
Na reunião em Copenhague, representantes de 192 países vão tentar chegar a um acordo que estabeleça novos cortes obrigatórios de emissões para os países ricos e voluntários para os em desenvolvimento, além da provisão de fundos para adaptar os países mais pobres e vulneráveis às mudanças climáticas e financiar ações contra o desmatamento, responsável por entre 12% e 20% das emissões mundiais.
As geleiras do Himalaia retrocedem mais depressa que em qualquer outro lugar do planeta. Aldeias indianas já relatam problemas de abastecimento
No teto do mundo a água para beber escasseia. "Temos problemas de água potável. Os riachos que antes eram constantes agora trazem mais água algumas vezes e em outras estão secos. Não sabemos quando semear, porque as chuvas não vêm mais com precisão. Estamos à deriva, sem saber o que vai acontecer", explicou Skarma Dachen, uma agricultora de Ladakh, no Himalaia indiano.
Os efeitos do aquecimento climático começam a se fazer notar. As plantações se perdem devido a secas extremas, e os habitantes sofrem chuvas inconstantes e o derretimento das geleiras. "Até alguns anos atrás as montanhas ficavam totalmente cobertas de branco durante o inverno, agora só algumas têm neve na ponta", afirma Skarma.
As geleiras do Himalaia estão sem dúvida retrocedendo. Mas faltam estudos científicos precisos que analisem com que rapidez e qual é o efeito real provocado pela mudança climática, concordam os especialistas. De fato, na Índia se iniciou um grande debate antes da cúpula de Copenhague por conta das declarações do ministro do Meio Ambiente, Jairam Ramesh, que afirmou que "não há evidência científica conclusiva que relacione o aquecimento global ao que está acontecendo nas geleiras do Himalaia". Depois ele retificou.
Data "alarmista" O Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC na sigla em inglês) adverte que as geleiras do Himalaia estão retrocedendo mais rapidamente do que em qualquer outra parte do mundo, e poderão desaparecer completamente até 2035. Essa data foi discutida por especialistas em geleiras e considerada "alarmista" por alguns.
Mas organizações como o prestigioso Serviço de Monitoramento das Geleiras do Mundo (WGMS na sigla em inglês), apoiado pela ONU, admite que "as geleiras do Himalaia, em sua maioria, estão em rápido e substancial recuo"; embora afirme que não é provável que cheguem a desaparecer completamente nas próximas décadas. Essas geleiras têm a maior concentração de gelo fora dos polos, cerca de 12 mil quilômetros cúbicos de água. Na parte indiana há 40 geleiras, segundo um inventário do governo.
Esses rios de gelo são uma reserva natural de água doce, que derretem naturalmente. Mas agora estão se fundindo tão rápido - sobretudo os menores - que não se recuperam com a neve que cai no inverno, também escassa. E o degelo poderia causar desastres, porque as represas naturais que se formam com as geleiras, se receberem água muito rapidamente, poderão se romper de modo imprevisto e soltar seu caudal em tromba, arrasando infraestruturas e causando danos em casas e plantações, no mínimo.
Devoto hindu bebe água poluída do rio Ganges, na Índia, país que sofrerá escassez de água doce devido ao degelo do Himalaia. Mas faltam estudos científicos precisos que analisem com que rapidez e qual é o efeito real provocado pela mudança climática, concordam os especialistas
As geleiras são a fonte dos três rios mais importantes desta parte do subcontinente: o Indo, o Ganges e o Bramaputra, dos quais dependem centenas de milhões de pessoas na Índia, no Paquistão e em Bangladesh. "As geleiras são especialmente vulneráveis ao aumento da temperatura. A construção de represas, o desflorestamento e as chuvas erráticas estão provocando uma terrível falta de água nas comunidades", explica Vinod Bhatt, responsável pelo estudo "A Mudança Climática no Terceiro Polo: O impacto da instabilidade do clima nos ecossistemas e comunidades dos Himalaias".
"A falta de água é o maior problema hoje nas montanhas. As chuvas são muito instáveis. Talvez haja o mesmo volume de água, mas não está bem distribuída e as estações mudaram: um mês a mais de verão e um a menos de inverno", explica Bhatt, da prestigiosa ONG Navdanya, comandada pela reconhecida ambientalista indiana Vandana Shiva.
O estudo, elaborado em 165 aldeias de três estados da Índia, revela que na última década 280 de 809 mananciais antes perenes já se tornaram temporários ou secaram completamente. Dos 321 que manavam em temporadas, 144 secaram e pouco mais de um terço dos 324 riachos permanentes agora só correm em temporadas.
A miséria espreita. Jasodha Devi, de uma aldeia chamada Kanda Mandakini, conta que sua família só tem 40 litros de água por dia (na Espanha há 339 litros por habitante/dia, segundo o INE), que transportam em mulas, e que podem se banhar e lavar roupa somente a cada dez dias. "Não podia ver nossas vacas e búfalos morrerem de sede, por isso os vendi barato por 3.000 rupias (cerca de 43 euros)."
Indira Devi diz que sua colheita de batatas fracassou por falta de água. "Só Deus pode nos salvar agora, porque depois de tão longa seca não há forragem." Outros se surpreendem com a pouca chuva e neve que caem - a monção deste ano foi a que teve menos água em quase 40 anos. "O caminho para nossa aldeia permanecia fechado no inverno por causa da neve, mas nos últimos anos fica aberto o inverno todo", lembra o ancião Jaspal Singh, de uma aldeia de Poghta, em Uttarakhand.
Tiveram de mudar de cultivos e, por exemplo, as maçãs agora são colhidas em maiores altitudes. Alguns perderam seu gado ou o venderam barato por falta de água e forragem. Também está se perdendo a fauna, como o urso ou o leopardo da neve.
Além da diminuição das geleiras, a Índia enfrenta o aumento do mar que cobre algumas ilhas dos Sunderbans, próximas da fronteira com Bangladesh, ou ameaça cidades como Calcutá e Mumbai.
O ministro do Meio Ambiente admite que é um problema importante e que devem trabalhar para combatê-lo. No entanto, ele se nega a assinar um pacto vinculatório de redução de suas emissões (4% do dióxido de carbono mundial). Mas aceitou que a Índia diminuirá a intensidade das emissões entre 20% e 25% até 2020. Por enquanto, os ambientalistas do subcontinente estão de acordo com essa promessa. "Obviamente poderíamos fazer mais, mas é um bom primeiro passo", afirma o porta-voz do Greenpeace Ankur Ganguly.
Índia: ponto de partida
Cúpula sobre clima em Copenhague começa com pedido de acordo "ambicioso"
Emissões - Em 2006 (último ano com dados disponíveis) a Índia superou o Japão e se tornou o quarto emissor de gases do efeito estufa, atrás da China, EUA e Rússia. Seus 1.293 milhões de toneladas anuais de CO2 representam 4,4% do volume mundial.
Posição em Copenhague - A Índia, assim como a China, ficou isenta de restringir suas emissões no Protocolo de Kioto. Mas isso vai mudar. O volume de gases produzidos faz que sua colaboração seja indispensável para conter o aquecimento, e o país está disposto a reduzir o aumento (não a diminuir as emissões) em 20% ou 25% do que cresceria se não tomasse medidas.
O que está em jogo - O país é um continente e enfrenta todos os efeitos do aquecimento: aumento do nível do mar na costa, falta de água no sul e no centro, degelo nos cumes, fome, inundações e ondas de calor. Riscos demais para um país com 300 milhões de pobres.
Brasil precisa de R$ 27,7 bi para continuar a ter água
l demanda em grandes cidades já é maior que produção
l relatório da ANA aponta futuro incerto sem investimentos
Relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) mostra que a demanda de água em regiões metropolitanas já é maior do que a produção atual do recurso. Serão necessários investimentos de R$ 27,7 bilhões para impedir um colapso no setor nos próximos 15 anos, quando as regiões metropolitanas estudadas terão um aumento de 25 milhões de habitantes.
Esses R$ 27,7 bilhões, a título de comparação, representam um valor maior do que tudo o que o governo federal gastou neste ano de 2009 para conter os efeitos da crise financeira internacional. Os cortes de impostos em vários setores da economia custaram cerca de R$ 22 bilhões a R$ 23 bilhões para os cofres do Tesouro Nacional.
O investimento necessário em produção, tratamento e fornecimento de águas é de R$ 12,024 bilhões, segundo a ANA. Para o tratamento de esgotos, a agência estima investimentos de R$ 15,699 bilhões. A soma desses dois valores resulta nos R$ 27,7 bilhões estimadospelo estudo –como pode ser comprovado no detalhamentos dos quadros apresentados ao final deste post.
“As demandas urbanas atuais, em torno de 356 m3/s, são ligeiramente superiores à capacidade atual de produção de água (quase 352 m3/s), demonstrando que parte das unidades dos sistemas produtores opera em regime de sobrecarga ou de forma inadequada”, aponta o atlas sobre as regiões metropolitanas lançado pela ANA nesta quarta-feira (9.dez.2009).
Para reverter o quadro no setor de águas e esgotos, a ANA sugere, além dos investimentos, a criação de um comitê gestor interministerial sobre o assunto.
Abaixo, alguns dos pontos destacados pelo relatório, compilados pelo repórter Piero Locatelli:
- As regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista, Campinas e do Rio de Janeiro requerem 46% do total de investimentos na região Sudeste.
- A maioria das regiões metropolitanas apresenta algum grau de comprometimento da qualidade das águas dos mananciais. Porto Alegre (RS) é citada como exemplo pelo relatório.
- Curitiba (PR), Goiânia (GO), Distrito Federal e Fortaleza (CE) necessitam de ações mais fortes de controle de poluição, pois buscam água em mananciais cada vez mais distantes da cidade.
- A produção de água é concentrada no eixo Sul/Sudeste –dois terços dos sistemas produtores de água estão localizados nas duas regiões.
- Belém (PA), Manaus (AM), Natal (RN) e Maceió (AL) têm diminuído sua capacidade de captar água subterrânea. Por isso, devem aumentar o aproveitamento de mananciais superficiais e ampliar os sistemas já existentes.
Conhecidas como as "fab five", cinco cheerleaders quebram todas as regras de uma escola secundária. Bebem, postam fotos sugestivas na internet e tem todo tipo de comportamento inadequado possível, com seus pais e superiores aprovando tudo o que fazem. Baseado em um caso real no Texas.
Lázaro Ramos apresenta o tema da trilogia: a luta dos afrodescendentes pela busca de saúde emocional e psíquica na sociedade brasileira. O apresentador e a repórter Sandra Almada vão a uma reunião do projeto Tecendo Memórias, onde conversam com os idealizadores da iniciativa.
Há algum tempo temos notado o aumento da incidência de crianças e adolescentes que estão utilizando pulseiras coloridas em nossa escola.
Á priori uma pulseira colorida de silicone é totalmente inofensiva. Chegamos a pensar que isso poderia ser mais um invencionismo da mídia para causar polêmica. Contudo, nossa preocupação aumentou, quando vimos o assunto ser discutido na mídia de grande circulação: TV. Bandeirantes, Jornal Agora, Blogs e sites de diferentes credos e posturas.
SNAP – é o nome da pulseirinha que seu filho (a) pode estar usando. Ela surgiu na Inglaterra e já é febre em todo mundo, inclusive no Brasil. Segundo fonte do Agora em 10.11.2009, já é possível comprar 12 pulseiras por apenas R$ 1,50 nas barracas dos camelôs em São Paulo.
Mas afinal o que é SNAP? É um jogo.
Como funciona? Quem usa a pulseira automaticamente está participando do jogo. Uns tentam arrebentar a pulseira do outro. O vencedor ganha o direito a realizar o ato, ao qual a cor da pulseira corresponde que pode ir de um simples abraço ao sexo.
O que me preocupa como psicóloga é que a experiência sexual da criança e do adolescente está sendo determinada por um jogo, banalizando a sexualidade.
Atitude: Tenha um dialogo franco e honesto com seu filho (a) sobre o assunto, procurando explicar os riscos do envolvimento com brincadeiras que forçam as pessoas a fazerem aquilo que não querem , apenas para pertencerem a um grupo e principalmente com valores e ensinamentos que a família não defende.
Só proibir não resolve. Busque alcançar a consciência e o coração do seu filho (a) para o assunto em pauta. É um bom momento para exercitarem uma conversa saudável sobre sexualidade (respeitando os limites de cada faixa etária) e também acerca da influência negativa de certas modas.
O que nos preocupa não são as pulseiras em si, mas o significado atribuído na dimensão do jogo SNAP. Sexualidade não é brincadeira, na verdade é uma expressão maravilhosa do amor de Deus na vida de um casal, que de maneira madura resolveu concederem o “sim” mutuamente num altar, vivendo sob a benção Dele.
A seguir os códigos das cores das pulseiras:
Amarela: Abraço Laranja: Dentadinha de amor Roxa: Beijo com a língua etalvez sexo Verde: Chupões no pescoço Vermelha: Fazer uma lap dance Rosa: Sexo oral a ser praticado pelo rapaz Branca: A menina escolhe o que preferir Azul: Sexo oral a ser praticado pela menina Preta: Fazer sexo com o rapaz que arrebentar a pulseira Dourada: Fazer todos citados acima
Participe da corrida e caminhada pela doação de medula óssea! Quem quiser testar o fôlego numa competição de corrida e ao mesmo tempo realizar um gesto de solidariedade tem um ótimo programa no dia 13 de dezembro. Estão abertas as inscrições para a 1ª Corrida e Caminhada Com Você, Pela Vida – Doe Medula Óssea, promovida pela Fundação do Câncer, que será realizada no dia 13 de dezembro, domingo, no Aterro do Flamengo. A renda obtida será revertida para projetos do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A taxa de inscrição é de R$ 50, e o participante recebe um kit de corrida com sacola, camiseta e boné. Todos que finalizarem o percurso, correndo ou caminhando, receberão medalha de participaç& atilde;o. A expectativa é reunir cerca de dois mil atletas.
O HemoRio estará no local com sua unidade móvel para fazer a captação de doadores. Quem quiser participar como voluntário nas atividades de cadastramento de doadores, no dia do evento, pode contatar o Laboratório de Histocompatibilidade da UERJ (HLA) e falar com Mônica (tels.: 2587-8169/ 2587-6484 ou e-mail uerjsolidaria@yahoo.com.br).
De acordo com Jorge Alexandre S. Cruz, superintendente da Fundação do Câncer, o objetivo do evento é estimular a conscientização das pessoas para a importância da doação de medula óssea. “Acreditamos que é possível salvar vidas com pequenos gestos e ações. Ser doador de medula óssea é uma dessas (ações). Por isso, trabalhamos para difundir informações, aumentando o engajamento das pessoas pela nossa causa, que é a prevenção e o controle do câncer”, afirma.
Lei Pietro Sancionada em abril, a Lei Pietro instituiu a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea entre os dias 14 e 21 de dezembro. Neste período, serão desenvolvidas por todo o país diversas atividades de esclarecimento e de incentivo à captação de doadores. Pietro era filho do deputado gaúcho Beto Albuquerque (PSB) e morreu após lutar, por 14 meses, contra uma leucemia mielóide aguda. Infelizmente, os transplantes foram realizados cerca de um ano depois do diagnóstico, quando o jovem já se encontrava bastante debilitado pelos efeitos da doença.
Doação de medula no Brasil O Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) possui 1,2 milhão de cadastrados, mas é necessário aumentar esse número. Isso porque somente 25% dos pacientes que precisam de transplante encontram um doador na família, enquanto os outros 75% precisam recorrer aos registros de doadores voluntários. Até setembro deste ano, 99 transplantes com doador voluntário aconteceram pelo REDOME. Mas cerca de 1200 pacientes ainda estão em busca de um doador.
Para se tornar um doador, é preciso procurar o hemocentro da cidade, onde será coletada uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchido um formulário com dados cadastrais. Qualquer pessoa, com idade entre 18 e 55 anos e que não tenha doença infecciosa transmissível pelo sangue, pode se cadastrar. Se for verificada compatibilidade com algum paciente, o doador é, então, convocado para fazer testes confirmatórios e realizar a doação. O transplante de medula óssea é um tratamento indicado para pessoas com doenças do sangue, como leucemias, linfomas e alguns tipos de anemias.
Os interessados em doar podem obter mais informações no site do Inca – www.inca.gov.br – ou pelo telefone (21) 2506-6064.
Sobre a Fundação do Câncer Criada em 1991 para dar suporte ao Inca, a Fundação do Câncer é uma entidade filantrópica de direito privado, que presta assistência social e é dotada de autonomia patrimonial, administrativa e financeira. Como entidade sem fins lucrativos, sua atuação consiste no aporte de recursos para prevenção e controle da doença no país. Para isso, trabalha na captação financeira junto a pessoas físicas e jurídicas por meio de doações, convênios e contratos de patrocínio. Além disso, é gestora de diversos projetos de atenção ao câncer e presta serviços nas áreas de pesquisa, ensino e desenvolvimento institucional, científico e tecnológico.
No que tange à captação de doadores de medula óssea, a Fundação do Câncer realiza diversos projetos. Destacam-se: a expansão da Rede Brasileira de Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentários (Rede BrasilCord); a busca internacional de doadores não-aparentados; e o apoio ao Programa de Captação de Doadores de Medula Óssea do Inca.
Serviço Data da corrida: 13 de dezembro (domingo) Horário: 8h30 Número de participantes previstos: 2.000 Local: Aterro do Flamengo – largada na altura do Porcão Rio’s Distância: 6 km Taxa de inscrição: R$ 50. O kit de corrida (sacola, boné e camiseta) e medalha no término do percurso está incluído no valor da inscrição. Inscrições pela internet: www.comvocepelavida.org.br Telefones: (21) 2223-2772 ou (21) 7840-7538 Postos de inscrições: Lojas Físico e Forma Norte Shopping – loja 201 Norte Shopping – Piso G – loja 3003 Barra Shopping – Loja 117 - A
----------------------------------------------------------------------------------------------- CENTRO DE PRODUÇÃO DA UERJ Rua São Francisco Xavier, 524, 1º andar, bloco A, sala 1.006 Maracanã - Rio de Janeiro - RJ Atendimento de 9h às 18h Informações - Tel.: (21) 2334-0639 ou pelo site:http://www.cepuerj.uerj.br
Centenas de pessoas se aglomeram em frente a shopping de Jacarta, na Indonésia, em uma tentativa de conseguir comprar celular com desconto durante liquidação AP
Brasil terá quase meio milhão de novos casos de câncer em 2010
Marina Lemle
O país terá mais de 489 mil novos casos de câncer em 2010, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) nesta terça-feira (24), no Rio de Janeiro. Os tipos de câncer mais frequentes na população serão o de pele não melanoma, o de próstata e o de mama feminina.
O levantamento mostra que o câncer será mais prevalente nas mulheres (52%) do que nos homens (48%). Apesar de homens adoecerem e morrerem mais do que as mulheres, a população feminina é mais numerosa, especialmente nas faixas etárias mais avançadas, o que explica o resultado.
O envelhecimento é a principal causa de câncer em todo o mundo. A esperança de vida da população brasileira, que era de 62 anos em 1980, será de 76 anos em 2020. De acordo com o diretor geral do Inca, Luiz Antonio Santini, 43% dos casos ocorrem em pessoas com mais de 65 anos. Segundo ele, a expectativa de aumento do número de novos casos no Brasil nos próximos dez anos é de 34,6%.
O coordenador de Prevenção e Vigilância do Inca, Cláudio Noronha, acrescenta que o número de casos cresce na mesma proporção que o envelhecimento da população.
Câncer mais comum mata pouco
O tipo de câncer mais comum, em ambos os sexos, é o de pele não melanoma, que soma aproximadamente 114 mil casos novos, ou 23% do total de casos estimados para 2010. Esse levantamento é separado dos outros, na estimativa, por se tratar de uma doença com bom prognóstico e que implica baixíssimo risco de morte. Segundo Cláudio Noronha, 10% destes casos poderiam ser evitados com o controle da exposição ao sol.
Sem considerar o câncer de pele não melanoma, o número total estimado de novos casos é de 375.420, o que significa dois casos a cada mil brasileiros por ano ou 200 para cada 100 mil pessoas.
O tipo mais comum de tumor nos homens é o de próstata, seguido de pulmão, cólon e reto, estômago, oral, esôfago, leucemias e pele melanoma. Entre as mulheres, os cânceres mais frequentes são os de mama, colo de útero, cólon e reto, pulmão, estômago, leucemias, oral, pele melanoma e esôfago.
Os dados utilizados para o cálculo têm como base o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e os Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP). O Inca esclarece que a estimativa atual não pode ser comparada com as anteriores, porque reflete um contexto que se modifica ao longo do tempo.
Prevenção
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a tendência de mortalidade é menor em países desenvolvidos, onde a população tem mais acesso aos serviços de saúde. “Em média 40% das mortes por câncer poderiam ser evitadas”, afirma Luiz Antonio Santini.
Além do envelhecimento e da exposição ao sol sem proteção, são fatores de risco o tabagismo, o consumo de álcool, o sedentarismo, a ingestão de comidas gordurosas.
Estima-se que 30% dos novos casos de câncer previstos para 2010 (exceto os de pele não melanoma) poderiam ser evitados com o combate ao tabagismo. E uma alimentação rica em frutas, verduras e fibras, além de pobre em gorduras, poderia prevenir 35% deles.
Diferenças entre regiões
Exceto no caso do câncer de próstata, que é o mais comum em homens em todas as regiões do país, cada região possui perfil diferente em relação à prevalência de câncer masculino. Nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o tumor mais comum é o de pulmão. Já no Norte e no Nordeste, é o de estômago.
Em relação às mulheres, o câncer de mama só não é o mais comum no Norte, região em que o tumor de colo de útero é o mais prevalente. No Sul e no Sudeste, o câncer de cólon e reto é o segundo mais frequente. No Centro-Oeste e no Nordeste, o segundo câncer mais comum é o de colo de útero.
O câncer de pulmão será mais frequente nas mulheres do Rio Grande do Sul (21 para cada 100 mil mulheres). É lá, também, que estará o maior número de casos de câncer de próstata (80 para cada 100 mil homens) e de pulmão (48 para cada 100 mil). Já o câncer de estômago será mais incidente entre os homens e mulheres do Ceará (17 para cada 100 mil homens e 10 para cada 100 mil mulheres, respectivamente).
Detecção precoce
Em relação aos cânceres mais incidentes entre as mulheres – mama e colo de útero – alguns hábitos estão associados à prevenção. A amamentação, a prática de atividade física e alimentação saudável, além da manutenção do peso corporal estão associadas a um menor risco de desenvolver câncer de mama. A primeira gravidez após os 30 anos, o uso de anticoncepcionais orais, menopausa tardia e reposição hormonal são fatores de risco associados ao câncer de mama.
O Inca recomenda exame clínico das mamas anualmente a partir dos 40 anos e mamografia bienal dos 50 aos 69 anos. A partir dos 40 anos, caso o exame clínico esteja alterado, é preciso realizar mamografia.
A incidência do câncer do colo de útero é cerca de duas vezes maior em países em desenvolvimento do que em países desenvolvidos. Este é um tumor passível de ser evitado, prevenido e detectado precocemente por meio do exame de Papanicolaou, conhecido como "preventivo".
Mulheres de 25 a 59 anos devem fazer o exame Papanicolaou periodicamente. Se o resultado for normal em dois exames anuais seguidos, o preventivo deve ser repetido a cada três anos. As mulheres da região norte, onde a incidência da doença é maior, têm menos acesso aos serviços médicos do que as das outras regiões.
Já os homens a partir dos 50 anos devem procurar um posto de saúde ou um médico para realizar exames de rotina. Se, apesar de não ter sintoma de tumor na próstata (dificuldade de urinar, frequência urinária alterada ou diminuição da força do jato da urina, entre outros), o homem tiver histórico familiar da doença, precisa relatar isso ao médico para fazer os exames necessários.
Investimentos
O gasto mundial com câncer é de cerca de US$ 286 bilhões, sendo que US$ 219 bilhões são investidos nos Estados Unidos. Apenas 5% do total é investido em outros países. No Brasil, segundo Santini, foram gastos, pelo SUS, em 2007, R$ 1.800.000. “A previsão é que os investimentos sejam duplicados em cinco anos, com um aumento de 20% ao ano”, informou. De acordo com ele, a partir do ano 2000 houve um aumento do número de sessões de radioterapia, quimioterapia e internações. “O aumento do número de casos vem sendo acompanhado pelo aumento das políticas públicas de saúde”, garantiu.
O mito da raça: em busca da pureza, com Demétrio Magnoli
O sociólogo Demétrio Magnoli participa do Café Filosófico CPFL em São Paulo nesta quarta-feira, dia 25 de novembro, a partir das 20h30, com o tema "O mito da raça: em busca da pureza". A palestra encerra o módulo "Mitos. O que esperar de nossos ancestrais?", que conta com a curadoria de Antonio Medina Rodrigues.
"No começo, raça era apenas nação: um grupo humano que percorre a sua própria trajetória no firmamento do tempo. O mito contemporâneo da raça configurou-se há apenas dois séculos, com o 'racismo científico'. O seu paradigma é a busca da pureza, sob pretexto de estar buscando a célula primeira: ele opera pela separação dos corpos e das descendências. Incorporado ao mundo da política, serviu para a perpetuação de privilégios e hoje, fantasiado de multiculturalismo, é ferramenta para a delimitação de clientelas eleitorais."
Demétrio Magnoli
Sociólogo e doutor em geografia humana pela USP, integra o Grupo de Análises de Conjuntura Internacional da USP, é colunista de “O Estado de S. Paulo” e “O Globo” e autor do livro Uma gota de sangue – história do pensamento racial (Contexto, SP, 2009).
Participação
O público poderá participar enviando perguntas para o e-mail cpflcultura@cpfl.com.br, com o nome da palestra no campo assunto. As questões serão encaminhadas ao curador e poderão ser utilizadas nos encontros. As discussões também poderão ser acompanhadas pela transmissão ao vivo.
Serviço
Os encontros em São Paulo são realizados às quartas-feiras, às 20h30, no Tom Jazz (Avenida Angélica, 2331). A entrada é gratuita e por ordem de chegada, a partir das 18h30. Mais informações no site www.cpflcultura.com.br ou pelo telefone (19) 3756-8000.
Um filme sobre a violência conjugal liberta a fala das palestinas
Benjamin Barthe Em Jerusalém
O diretor de gabinete do chefe da polícia de Tulkarem, no norte da Cisjordânia, ainda está pasmo. No fim do mês de outubro, no espaço de 48 horas, ele recebeu 14 telefonemas de jovens mulheres, vítimas de assédio sexual dentro de suas próprias famílias. "Em um ano, costumamos receber menos de dez confissões desse gênero", explica o tenente Emad Salameh. "Em uma sociedade tão tradicional quanto a nossa, as mulheres preferem se calar". O estopim dessa onda de pedidos de socorro foi um documentário de 15 minutos, intitulado "Sementes de romã douradas", exibido alguns dias antes pela Al-Fajer TV, a cadeia de televisão de Tulkarem, e dedicado ao tabu do incesto.
Cenário aterrador No fim do mês de outubro, no espaço de 48 horas, o gabinete do chefe da polícia de Tulkarem, no norte da Cisjordânia, recebeu 14 telefonemas de jovens mulheres, vítimas de assédio sexual dentro de suas próprias famílias
Produzido pela Shashat ("telas", em árabe), uma ONG palestina que promove o cinema feminino, esse curta-metragem faz parte de um projeto da União Europeia chamado "Masarat" ("itinerários") que pretende suscitar o debate sobre o lugar da mulher na sociedade.
Quatro filmes foram realizados dessa forma, e depois projetados durante o outono em dezenas de associações, centros culturais e universidades de territórios ocupados, e entre eles "Sementes de romã douradas", dirigido pela documentarista palestina Ghada Terawi. Essa bela e dolorosa obra intercala entrevistas de jovens mulheres, que contam seu calvário nas mãos de um pai libidinoso e de uma mãe que finge não ver, com a apresentação de um conto folclórico sob forma de desenho animado.
É a história de uma jovem chamada "Sementes de romã douradas", martirizada pelo xeque de seu vilarejo que ela surpreendeu enquanto devorava uma criança, mas que ela se recusa a denunciar. O filme termina com a súplica de uma das mulheres que depõe, com o rosto à sombra para que não seja reconhecida: "Não fiquem em silêncio. Falem... mesmo que seja ao vento... mas falem, falem..."
A mensagem foi recebida muito além de qualquer expectativa. Duas horas após a projeção do filme no anfiteatro de uma universidade da Cisjordânia, duas alunas entraram na sala do diretor e lhe falaram dos apalpamentos feitos pelo pai. Após a exibição do filme na Gamma TV, o canal local de Nablus, Abir Kilan, a diretora, recebeu cerca de cinco telefonemas, principalmente de mães de família. Mas foi em Tulkarem que o impacto foi mais forte. O celular do tenente Salameh, que havia participado do debate televisionado após a projeção do filme, e que comunicou seu número nessa ocasião, não para de tocar. "Entre os chamados, houve o de uma jovem violentada por seu irmão e seu tio ao mesmo tempo; e também o de uma mãe de família submetida às agressões de seu pai, porque seu marido está preso em Israel e ela teve de voltar a viver com seus pais", ele conta.
Nos escritórios da Shashat, em Ramallah, a diretora Alia Arasoughly continua estupefata diante da reação, quase catártica, gerada por esse filme de 15 minutos. "Costumamos abordar os tabus da sociedade, mas eu não imaginava que desencadearíamos um fenômeno assim", ela afirma. "É como se tivéssemos aberto a caixa de Pandora sem querer".
Entretanto, a realização do projeto foi trabalhosa. Duas universidades, a de Tulkarem e a de Hebron, imediatamente boicotaram o filme, alegando que a acusação de um "xeque" por uma das mulheres entrevistadas poderia entrar em conflito com o conservadorismo prevalente. Muitas outras organizações que inicialmente concordaram foram abaladas pelas críticas que acusavam a Shashat de "promover uma causa ocidental".
Foi necessário o apoio da prestigiosa universidade An-Najah de Nablus, bastião da ortodoxia palestina, para que o ciclo de projeções tivesse início. "Os relatos dos debates chegavam até nós, e então percebemos que na maioria deles uma mulher expunha um abuso contra ela ou contra uma amiga ou parente", diz Alia Arashougly. "É como um imenso tapa na cara. Então para quê serviram os milhões de euros investidos nesses colóquios e outras conferências sobre os direitos da mulher?"
Maha Abu Dayeh, diretora do principal centro de auxílio jurídico para as mulheres na Cisjordânia, reconhece a gravidade. Segundo ela, o caos econômico e social causado pela repressão da Segunda Intifada agravou o flagelo das violências domésticas, comum a todas sociedades patriarcais. "Um homem que é humilhado, privado de meios para prover as necessidades de sua família, traumatizado pelas torturas sofridas na prisão, pode se sentir tentado a reafirmar sua virilidade ridicularizada às custas de sua mulher e de seus filhos", ela diz.
Apesar do trabalho de sensibilização iniciado, em especial junto à polícia, ela reconhece que a lei do silêncio ainda amordaça as mulheres com muita frequência. "A unidade familiar é o cimento de nossa sociedade frente às investidas dos sionistas", afirma Maha Abu Dayeh. "Muitas famílias preferem abafar o escândalo, manter uma aparência de unidade, em vez de ir ao tribunal".
O que acontecerá com as quatorze rebeldes de Tulkarem? "Tenho medo de que elas tenham falado em vão, que ninguém se arrisque a realmente escutá-las", suspira Ghada Terawi, a cineasta. Por enquanto, somente duas delas ousaram passar pela porta da delegacia para prestar queixa oficialmente.
Cansado dos erros cometidos pela humanidade, Deus (Antônio Fagundes) resolve tirar umas férias nas estrelas. Mas, para isso, ele precisa encontrar um santo que se ocupe de seus deveres enquanto ele estiver ausente. Resolve procurá-lo no Brasil, país muito religioso que, no entanto, nunca teve um santo reconhecido oficialmente. O guia de Deus pelo Brasil será Taoca (Wagner Moura), esperto borracheiro e pescador que enxerga, nesse encontro inesperado, a oportunidade de resolver seus problemas materiais. Mais tarde, se junta aos dois a solitária Madá (Paloma Duarte), uma jovem tomada por uma grande paixão. Do litoral de Alagoas ao interior do Tocantins, passando por Pernambuco, Taoca, Madá e Deus vivem diferentes aventuras enquanto procuram por Quinca das Mulas (Bruce Gomlevsky), o candidato de Deus a santo.
Unicef - 20 Anos da Convenção dos Direitos da Criança
Jean-Paul é uma das 20 mil crianças nascidas dos estupros cometidos durante o genocídio em Ruanda, África, em 1994. A grande maioria das mulheres que sobreviveram à onda de violência foi violentada, e muitas crianças nascidas dos estupros foram assassinadas. A família de Isabelle, mãe de Jean-Paul, não aceita o menino. ela diz que cada vez que olha para a criança ela se lembra do que aconteceu, não sabe quem é o pai e não sabe como vai viver com o filho
Na véspera do aniversário de 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Crianças (CDC), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou nesta quinta-feira (19) o relatório "A Condição da Infância no Mundo", levantamento que faz um balanço das metas sociais alcançadas nas últimas décadas e estabelece os desafios para os próximos anos.
O documento, apesar de comemorar avanços conquistados, alerta para situações como o baixo índice de mães que recebem orientação durante a gestão, fator responsável pela morte de quatro milhões de recém-nascidos com menos de um ano de idade.
As estimativas internacionais mais recentes indicam que aproximadamente uma em cada quatro gestantes não recebe sequer uma visita de um profissional de saúde capacitado para atendimento pré-natal, e que dois em cada cinco partos ocorrem sem a assistência de um médico, uma enfermeira ou uma parteira. Além dos óbitos, outro resultado dessa realidade é que cerca de 14% das crianças nascem pesando menos de 2,5 quilos, o que gera más condições de saúde.
Nos que sobrevivem à peneira da falta de atendimento, no entanto, os índices mostram que o trabalho pela defesa das crianças está dando frutos. O número de mortes de menores de 5 anos caiu de 12,5 milhões, em 1990, para menos de nove milhões, em 2008 - apesar de ainda morrerem, em média, 25 mil crianças menores de 5 anos por dia, principalmente por questões primitivas como falta de água e de saneamento.
As quedas constatadas têm relação direta com as campanhas de vacinação. A pólio, que é causa de incapacitação e morbidade nas crianças, está perto de ser erradicada, embora haja bolsões de resistência. Entre 2000 e 2007, o número de mortes de crianças devidas ao sarampo teve uma queda de 74% em termos globais; na África, essa proporção foi de 89%. Foram registrados ainda outros resultados do desenvolvimento infantil. A subnutrição, medida pela prevalência de baixo peso em meio a menores de 5 anos nos países em desenvolvimento, caiu em todas as regiões em desenvolvimento desde 1990.
Educação Nas escolas, também houve avanço. O número de crianças sem estudo caiu de 115 milhões, em 2002, para 101 milhões, em 2007; e hoje cerca de 84% das crianças em idade escolar estão na escola primária. Os dados de pesquisa citadas no estudo indicam que cerca de 90% das crianças que ingressam no curso primário permanecem na escola até o último ano desse ciclo.
Este curso começa com a tomada de consciência de que nós não gerenciamos o tempo. O tempo flui inexoravelmente a 1 seg/seg, 24 horas por dia e o tempo que você perde jamais poderá ser recuperado.
Gestão do Tempo é umaMetáfora. O que gerenciamos énossa atuação no tempo, o que fazemos e como, no tempo que temos para atuar.
A seguir apresenta e exercita um amplo conjunto de ferramentas cognitivas, para nos ajudar a ter maior produtividade pessoal e aproveitar melhor o tempo que temos para atirgirmos nossos objetivos, com mais efetividade e menos estresse.
D - FERRAMENTAS COGNITIVAS PARA MAIOR PRODUTIVIDADE PESSOAL
·Lista de Tarefas ·Matriz de Prioridades ·Agenda Pessoal ·Objetivos ·Metas e Objetivos ·Ao Telefone ·Dizer Sim para Dizer Não ·Autodisciplina ·Cobranças/Lembranças e Acompanhamentos ·Gestão de Informações Eletrônicas ·Responsabilidades Bem Definidas
·Projetos ·Desperdiçadores do Tempo ·Alavancadores do Tempo ·Planejamento ·Interrupções ·Delegação ·Organização Pessoal ·Fazer e Concluir ·Reuniões Produtivas ·Equipe Eficiente e Treinada ·Comunicação
E - COMPREENDENDO O CONTEXTO ONDE ATUAMOS
·Interação Homem x Máquina
·Soluções Criativas para problemas Complexos
·Teoria do U e Protótipos
·Sugestões para as Situações Complexas Identificadas
RESULTADOS ESPERADOS:
- Reconhecer melhor seus limites e recursos e como lidar com eles.
- Aumentos significativos na produtividade pessoal.
- Melhoria nos relacionamentos e no trabalho em equipe.
- Produzir muito mais resultados e com menos estresse.
- Melhor equilíbrio entre tempo para o trabalho e tempo pessoal.
Facilitador:MARCO ANTONIO FURTADOé diretor da PROSPER consultoria e treinamento. Engenheiro Industrial pela UFRJ, Mestrado em Gerência da Produção pela COPPE/UFRJ, Pós-Graduação em Docência Superior; vários Cursos Empresariais no Brasil e no exterior, Consultor de Empresas com grande experiência em Processos, Melhores Práticas de Negócios, Coaching de Equipes e Coaching Individual, com Projetos em empresas como PETROBRAS, ARACRUZ CELULOSE, VOLKSWAGEN, COPESUL, ACESITA, LAFARGE, MBR e outras.
Data: 24de Novembro (3ª feira) Horário:9:00 às 18:00 Local:INAp - Praia do Flamengo, 278 / 2º andar - Rio de Janeiro Investimento: 2x R$160,00 (ou R$300,00 à vista)
Mulheres casadas têm mais fantasias sexuais com outros homens
Atores Ben Affleck e Will Smith são os mais cotados pelas americanas, diz estudo
Por Minha Vida
Depois de dizer o "sim" no altar, a imaginação feminina pode ser mais picante do que a masculina, quando o assunto é sexo. Pelo menos é o que constata um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia, realizado com mais de três mil mulheres casadas dos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, após o casamento, a relação que a mulher estabelece com o sexo muda, fazendo com que ela tenha mais fantasias sexuais com outros homens.
A pesquisa mostrou ainda que os atores hollywoodianos Ben Affleck e Will Smith são considerados os casados famosos mais presentes nas fantasias sexuais das americanas avaliadas.
Durante o estudo, foram feitas perguntas para homens e mulheres sobre sexo, amor e fantasias sexuais. O questionário envolvia perguntas como: "Você tem vontade de sair com outros homens?" ou "Você se casaria com a mesma pessoa novamente?".
Os resultados dos testes revelaram que 49% das mulheres consultadas sentem vontade de transar com outros homens, sendo que 34% delas não se casaria com o mesmo homem. Enquanto os homens apresentaram-se mais recatados: 36% sentem vontade de manter relações sexuais com outras mulheres, destes, 43% já mentiram sobre traição para as esposas e apenas 15% se casariam com outras mulheres.
Outras perguntas revelaram que 76% das mulheres consultadas guardam segredos dos maridos, e ainda, que 84% gostariam de saber se o parceiro a engana com outras. Mais de um terço das mulheres ouvidas disseram que se apaixonam por outros homens de forma constante e acham isso natural.
Para os pesquisadores, o estudo indica uma mudança comportamental das mulheres em relação ao sexo e ao prazer. Segundo eles, as mulheres deixaram de associar sexo ao amor e se sentem mais livres para colocar para fora suas emoções e sentimentos, que durante décadas foram reprimidos por questões culturais.
"Clarice," inclui vírgula em título de biografia para lembrar estilo de escritora
da Livraria da Folha
A capa de "Clarice,", a biografia sobre Clarice Lispector (1920-1977) que chega às livrarias nesta quinta-feira, traz uma imagem da escritora na máquina de escrever. A cena foi retratada pela prestigiada fotógrafa Claudia Andujar.
O uso da vírgula após o nome "Clarice" no título é uma referência ao estilo de escrever da autora, que adorava esse sinal gráfico. O título original do livro não destacou esse detalhe. O papel da obra também é especial. A editora Cosac Naify fechou parceria com a Suzano Papel e Celulose para o livro.
A obra de Benjamin Moser foi impressa em papel Pólen Soft 80g, um dos produtos da linha de Papéis Não Revestidos da Suzano.
"Ficamos orgulhosos de o Pólen ter sido eleito para imprimir essa biografia, reconhecida mundialmente pela crítica como uma grande obra literária", disse Adriano Canela, gerente de marketing da unidade de papel da Suzano.
Os papéis da linha Pólen compõem a primeira linha de papéis off-white desenvolvida para atender as necessidades específicas do mercado editorial e possui tonalidade diferenciada, refletindo menos luz e, assim, proporcionando uma leitura mais agradável.
Reprodução
Capa da edição norte-americana da biografia de Clarice Lispector
Autor e tradutores
Foi quase por acaso que Benjamin Moser aprendeu português. Este texano de Houston, que nasceu em 1976 e fala seis línguas, queria aprender chinês até descobrir que não levava muito jeito para os ideogramas, e acabou matriculado num curso na língua de português.
Habituado, desde a infância, com a fala dos imigrantes lusitanos de sua região natal, não encontrou maiores dificuldades. Ao menos até deparar no terceiro semestre do curso com "A hora da estrela", de Clarice Lispector.
Colunista da "Harper's Magazine" e colaborador do "The New York Review of Books", Moser é formado em história e também estudou na França. Entre suas atividades esta ainda a tradução literária. Já traduziu do holandês, francês, espanhol e português. É dele a tradução de "Nove noites", de Bernardo Carvalho e de todos os romances policiais de Luiz Alfredo Garcia-Roza.
A tradução do livro foi feita por Henry James e Bioy Casares, José Geraldo Couto, para quem traduzir o livro de Moser foi uma tarefa prazerosa por várias razões:
"Em primeiro lugar, pela clareza de exposição do autor, pela limpidez de sua prosa e por sua habilidade narrativa. Foi também um aprendizado, dada a riqueza de informações embutidas no texto. Moser revela não apenas um conhecimento impressionante de detalhes da biografia de Clarice e do contexto social dos imigrantes judeus no país, mas também uma notável familiaridade com a vida cultural brasileira no século 20."
Se o mundo acabar agora, corra para o lago Titicaca; leia trecho de livro
da Livraria da Folha
Líder no ranking dos livros sobre o fim do mundo mais vendidos na Livraria da Folha, "Como Sobreviver a 2012" foi escrito pelo pesquisador belga Patrick Geryl, autor de nove best-sellers. Com toque futurista, o título detalha como será a vida dos sobreviventes à inversão polar que os maias antigos vaticinaram para o final de 2012.
No capítulo "Um lugar geograficamente adequado", Geryl escreve sobre os critérios para a escolha de um lugar pelos sobreviventes (é preciso ter R$ 36 mil para escapar, segundo o autor) para que se estabeleça uma nova civilização. O nível da água é apontado como o principal parâmetro. Se o fim do mundo ocorrer agora e você acreditar nas teorias do escritor belga, não tenha dúvidas: corra para o lago Titicaca, o mais alto do mundo, entre a Bolívia e o Peru, um dos locais recomendados pelo livro.
Leia trecho.
*
Há doze mil anos, o nível dos oceanos era cerca de 120 m mais baixo que atualmente. Grandes extensões da América do Norte e Europa setentrional estavam cobertas por centenas de metros de gelo. Em seguida à inversão polar anterior, essas áreas se deslocaram para climas mais temperados e a calota de gelo se derreteu. Isso resultou numa elevação considerável do nível do mar. No final de 2012, a situação se inverterá. A América e a Europa mergulharão de novo sob bilhões de toneladas de gelo; e de novo, a água refluirá dos oceanos. Numa velocidade, espantosa, portos construídos às pressas ficarão secos. Em muitos casos, outros terão de ser feitos talvez a milhares de quilômetros da antiga costa. Não é uma ideia lá muito agradável para quem acaba de montar sua infraestrutura. Portanto, convém esperar até que a situação se estabilize um pouco. Mas essas é uma decisão a ser tomada pelas próximas gerações.
Não é difícil imaginar como será o mundo futuro. Será uma cópia do que existiu antes do último dilúvio:
Haverá de novo um istmo entre o sul da Inglaterra e o norte da França. Em certos pontos o canal da Mancha terá apenas uns quarenta metros de profundidade e logo irá secar. Se surgirão geleiras nesses lugares, isso dependerá da magnitude do deslocamento da crosta terrestre.
O istmo entre o Alasca e a Sibéria também reaparecerá. Partindo da Europa, futuras expedições conquistarão a América de novo. Será de bom aviso, porém, usar roupas quentes, ainda que na época aquelas regiões gozem de um clima temperado. A América continental, por seu turno, gemerá sob uma espessa cama de gelo.
Muitas ilhas terão seu território aumentado; outras aflorarão em águas rasas. Malta e Sicília se juntarão; Córsega e Sardenha formarão uma só massa. Marinheiros e cartógrafos precisarão ajustar frequentemente seus mapas às circunstâncias mutáveis; para evitar naufrágios.
Hoje, os recifes das Grandes Bahamas são cobertos por águas rasas. Há doze mil anos, formavam um enorme planalto cerca de 120 m acima do nível do mar.
Austrália e Nova Guiné voltarão a ser ligadas como antes, formando assim um vasto continente. Os colonizadores ficarão espantados diante da imensidão do território.
O Japão, que atualmente consiste de três ilhas principais, se transformará numa massa contínua ligada à extensa costa chinesa.
O estreito de Ormuz é uma rota marítima das mais movimentadas. A cada ano, um número considerável de petroleiros passa por ele. Depois da inversão polar, secará rapidamente, pondo à mostra restos de tubulações e plataformas de prospecção - panorama bem diverso do que se observava nos primeiros anos do século XXI, quando quase se ia à guerra para garantir o fornecimento de petróleo.
Boa notícia para os turistas: a superfície das ilhas Maldivas praticamente dobrará. Todavia, na nova realidade, será difícil alcançar aquela região. A viagem de volta em barcos a vela, depois do cataclismo, poderá durar dois anos. Não fosse assim, o lugar ficaria cheio de gente.
O Sri Lanka estará de novo ligado ao continente indiano. As costas da Índia, como as da China, aumentarão.
Malásia, Bornéu e Sumatra se juntarão e se conectarão às costas do Vietnã, Tailândia e Camboja. Dado que as áreas intermediárias serão muito rasas, isso poderá acontecer bem depressa.
As zonas costeiras do Brasil e especialmente da Argentina se dilatarão bastante.
Em suma, os países menos industrializados do mundo se tornarão propícios à colonização. Exemplos: o Saara e várias áreas costeiras que reaparecerão e serão de novo acessíveis. Muitas terras aflorarão por mundo inteiro, equivalentes aos territórios dos Estados Unidos, América do Sul e Europa juntos. Isso será o bastante para manter bom número de colonizadores atarefados durante milhares de anos. Mas, melhor ainda, muitas áreas costeiras novas oferecerão um clima agradável. Como as antigas fontes poluidoras terão, na sua maioria, desaparecido, a humanidade renascida sem dúvida florescerá.
Esculpido na Areia Memória e Atenção: Os Desafios da Meia-Idade
Sinopse
Com humor e empatia, a jornalista Cathryn Jakobson Ramin destrincha os fatores que determinam o envelhecimento do cérebro e oferece esperança a todos que possam vir a enfrentá-lo.
Examinando uma grande variedade de fatores genéticos, bioquímicos e ambientais que atrapalham as conexões entre nossos 100 bilhões de neurônios, sobretudo no hipocampo, Ramin empreende dez métodos para aperfeiçoar a cognição.
A jornalista conta os aspectos positivos e negativos de medicamentos como o Stavigile; experimenta suplementos alimentares e neurofeedbacks. Conversa com especialistas, como o Prêmio Nobel Eric Kandel, sobre o que poderia contribuir para a jovialidade mental; a chave seria a criação de "reservas mentais" a partir de desafios que utilizam diferentes partes do cérebro, como aprender um idioma desconhecido ou estudar arte. A alimentação e o exercício físico também são importantes.
Falhas de memória se acentuam na meia-idade; saiba como evitar
Folha on line
Um: as chaves de casa. Dois: o celular. Três: a agenda. Quatro: a senha do banco. Cinco: o problema. A senha mudou e por nada nesse mundo você consegue se lembrar da combinação de números e letras que deve digitar. Mas lembra-se perfeitamente bem de estar na meia-idade (mais de 40 e menos de 60 anos) e de já ter ouvido que as perdas cognitivas começam nessa fase da vida.
Isso é verdade e, mais importante, inexorável?
Segundo Cathryn Jakobson Ramin, autora do livro "Esculpido na Areia" (352 págs, R$ 49,90, ed. Objetiva), lançado recentemente no Brasil, a perda da memória nessa fase da vida é um fato. Ao perceber que sua memória estava falhando bem mais do que o razoável para uma profissional ativa e que acabara de chegar à meia-idade, a jornalista norte-americana decidiu investigar o fato. Após saber que seus amigos também passavam pelo problema, testou métodos e tratamentos para desenvolver essa função cerebral. No livro, ela conta sobre a descoberta de que é possível preservar e até resgatar a memória perdida.
Para a fonoaudióloga Ana Alvarez, autora de "Deu um Branco" (144 págs., R$ 22,90, ed. Record), entre a quarta e a quinta década de vida a velocidade para prestar atenção, processar informações simultâneas e acessar lembranças diminui.
"Começamos a ter uma perda da capacidade dos órgãos de sentidos. É, por exemplo, o que ocorre com a audição, que "perde" informações, principalmente se há estímulos auditivos simultâneos. O deficit no recebimento das informações resulta em menor fixação na memória." Segundo ela, todo o processo começa junto: a menor velocidade do processamento sensorial e a necessidade de prestar mais atenção quando se está recebendo informações sonoras ou visuais demanda mais esforço para armazenar, fixar e evocar lembranças.
"As funções cognitivas perdem velocidade, o processo neural começa a não ser como antes. Mas isso pode ser revertido: é possível criar novas conexões neurais com exercícios específicos e medidas como garantir a qualidade do sono", afirma Alvarez, que trabalha com reabilitação cognitiva de pacientes em São Paulo.
"O cérebro é um órgão plástico. Se você o faz trabalhar, criam-se novas conexões neuronais. Isso aumenta a reserva cognitiva do indivíduo, incluindo a memória", diz Katia Osternack, neuropsicóloga e professora da Universidade Anhembi Morumbi. Osternack afirma que, a partir dos 40 anos, já é esperada uma perda sutil da memória, mas medidas de prevenção podem mudar esse curso.
Editoria de Arte/Folha Imagem
Exercitando o intelecto
Exercícios cognitivos e físicos, aprender coisas novas, alimentação saudável e controle do estresse são atitudes preventivas que, segundo a neuropsicóloga, deveriam ser tomadas durante toda a vida.
Há cerca de um ano e meio, a arquiteta Cândida Tabet, 52, percebeu que, do mesmo modo que exercita o corpo, deveria exercitar o intelecto. "A ideia era prevenir. Quero ser dona de minha inteligência e, para isso, percebi que devia trabalhar a atenção e a memória."
Desde então, Cândida inclui em seu dia a dia várias atividades, que vão de jogos de computador a curso de línguas, além de prestar mais atenção ao sono e levar a academia a sério. "O efeito é extraordinário. Fiquei muito mais atenta e rápida para memorizar e lembrar."
Para o neurologista Martín Cammarota, um dos coordenadores do Centro de Memória da PUC-RS, os lapsos não ocorrem somente na maturidade, mas é nessa fase que costumam trazer mais consequências. "Isso está relacionado ao ritmo de vida agitado e ao número de coisas que uma pessoa dessa idade tem que fazer", afirma. "De modo geral, o esquecimento relativo a atividades rotineiras é resultado da falta de atenção, que está centrada em problemas considerados fundamentais."
O psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria do HC de São Paulo, avalia que até os 60 anos as pessoas conseguem manter o desempenho da memória bem próximo do que era quando jovens. "Realizamos o projeto Clínica da Memória, aberto para pessoas a partir dos 18 anos. O que vimos é que, abaixo dos 60, a maioria que tinha queixas sobre a memória não tinha alterações. O que havia era muita ansiedade em relação ao desempenho."
Bottino acredita que, em geral, as dificuldades com memória antes dos 60 anos estão relacionadas a outras causas, como depressão ou transtornos de ansiedade, incluindo estresse.
Na opinião do neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo, a perda é "plenamente evitável", desde que a pessoa mude sua reação ao estresse e mantenha o cérebro em atividade.
Segundo ele, o estilo de vida atual favorece o surgimento de doenças neurodegenerativas. "O fator emocional é o mais importante. O estresse bloqueia a produção de novos neurônios e facilita a degeneração dos que a pessoa já possui", justifica.
Nas palavras de Cammarota, "desarranjos de ordem psíquica se cruzam com outro de memória. Se brigou com o namorado, por exemplo, a pessoa pode estar deprimida e não prestar atenção a coisas de que lembraria normalmente".
Ele também defende que, para a maioria das pessoas com menos de 65 anos, a perda de memória não está relacionada a uma doença degenerativa. "Se você não se lembra de quem é sua mãe, eu me preocuparia, mas esquecer a reunião é normal. Para isso, há as agendas."
Bottino lembra que outras doenças, como hipotireoidismo, podem causar problemas de memória. No caso, é preciso tratar a doença de base. Problemas no sistema circulatório, além de elevarem o risco de acidente vascular cerebral, também aumentam o risco de danos cognitivos no futuro.
A perda de memória associada ao envelhecimento do tecido nervoso ocorre a partir dos 65 anos. Com essa idade, 1% da população já apresenta demência e, a cada cinco anos, a porcentagem duplica, segundo Coimbra.
Em todos os casos, e em qualquer idade, os especialistas afirmam que o envelhecimento cerebral pode ser retardado, que é possível recuperar perdas da reserva funcional do cérebro, formar novas conexões e ter um desempenho melhor. "Cuidar do corpo como um todo, praticar atividades físicas e intelectuais estimulantes são passos fundamentais para isso", diz Bottino. Desses conselhos, é bom não se esquecer.
Falha de memória costumam ficar mais marcantes na meia-idade, mas há uma série de estratégias e hábitos para ajudar a manter vivas as lembranças.
O QUE AJUDA A MEMÓRIA
MEMORIZAÇÃO É possível treinar a memória para melhorar o desempenho. Os exercícios vão desde criar associações para se lembrar de uma informação (por exemplo, ligar uma imagem ao nome de alguém) até ler um livro sublinhando as informações mais importantes e revisá-las mentalmente horas depois.
MANTER-SE ATIVO O trabalho intelectual estimula a produção de novos neurônios. No entanto, a repetição diária de cálculos complexos não é tão efetiva. É preciso que a pessoa sustente um aprendizado ou a aquisição de novas habilidades (tal como o estudo de uma nova língua), ou o envolvimento com atividades criativas.
EXERCÍCIO FÍSICO A atividade física contribui para o bom funcionamento do sistema circulatório, favorecendo o fluxo de sangue e a oxigenação do cérebro. Estudos apontam que o exercício também promove novas associações neuronais, ajudando na preservação das funções cognitivas. Indiretamente, é benéfico por ajudar a controlar doenças (como as cardiovasculares) que são fatores de risco para distúrbios neurocerebrais.
SAÚDE VASCULAR Já foi dito que o que faz bem ao coração beneficia também a mente. É verdade. Estudos recentes mostram que o colesterol elevado na meia-idade aumenta o risco de Alzheimer na velhice. O desempenho das funções cerebrais está diretamente associado ao fluxo sanguíneo nessa região. Controlar o colesterol, que "entope" os vasos com gordura, e a pressão arterial ajuda a preservar as funções da memória e as cognitivas em geral.
DIETA A dieta rica em ômega-3, encontrado principalmente em peixes de águas geladas, fornece matéria-prima para a produção de novos neurônios. Além disso, o cozimento do pescado forma quantidades muito mais baixas de aminas heterocíclicas (substâncias que degeneram as células nervosas) do que o de outras carnes.
SAÚDE VASCULAR Já foi dito que o que faz bem ao coração beneficia também a mente. É verdade. Estudos recentes mostram que o colesterol elevado na meia-idade aumenta o risco de Alzheimer na velhice. O desempenho das funções cerebrais está diretamente associado ao fluxo sanguíneo nessa região. Controlar o colesterol, que "entope" os vasos com gordura, e a pressão arterial ajuda a preservar as funções da memória e as cognitivas em geral.
LAZER CRIATIVO Atividades de lazer que envolvem habilidades motoras (como artesanato) ou aspectos intelectuais (como ler livros ou ir ao cinema) levam à criação de novas ligações entre os neurônios. Isso cria novos "atalhos" no cérebro para as informações serem armazenadas e lembradas posteriormente. A aquisição de novos conhecimentos e habilidades aumenta a reserva cognitiva do cérebro.
*
O QUE AFETA A MEMÓRIA
DEPRESSÃO Além de o estado de apatia levar a um pior desempenho nas tarefas cognitivas, as alterações na atenção causadas pelo quadro depressivo fazem com que a pessoa não memorize bem informações recentes. As alterações nos neurotransmissores associadas à depressão teoricamente também podem interferir nos processos de memorização.
ESTRESSE Quando o estresse emocional se prolonga por muito tempo, causa o bloqueio da produção de novos neurônios e facilita a degeneração dos existentes, afetando a memória. Já o estresse transitório tem repercussão limitada, mas reduz a capacidade de concentração nas tarefas que estão sendo realizadas. Ele também provoca a liberação de maiores quantidades de cortisol, que afeta áreas do hipocampo associadas à memória secundária.
MEDICAMENTOS Alguns medicamentos, como os ansiolíticos, interferem na memória. Se as dificuldades relacionadas a essa capacidade forem muito marcantes, o médico deve ser consultado e o remédio, substituído. Medicamentos que causam uma diminuição temporária de atenção (por exemplo, anti-histamínicos) podem dificultar a memorização, mas o efeito é passageiro.
SONO Os estímulos recebidos pelo cérebro ao longo do dia se fixam durante o sono, que forma novas associações de neurônios. Dormir menos do que o necessário ou ter pequenos despertares prejudica a memorização. Distúrbios do sono também levam a deficits de atenção nos períodos de vigília; sem atenção,novas informações não são absorvidas.
DIETA O cozimento de carnes leva à formação de aminas heterocíclicas, as quais criam ligações irreversíveis com o DNA. O resultado é a degeneração acelerada das células nervosas, que se manifesta mais em idades mais avançadas, devido aos efeitos cumulativos. Quanto mais alta a temperatura do fogo, maior o efeito deletério, por isso grelhados e frituras não devem ser consumidos com frequência.
Falhas de memória se acentuam na meia-idade; saiba como evitar
Folha on line
Um: as chaves de casa. Dois: o celular. Três: a agenda. Quatro: a senha do banco. Cinco: o problema. A senha mudou e por nada nesse mundo você consegue se lembrar da combinação de números e letras que deve digitar. Mas lembra-se perfeitamente bem de estar na meia-idade (mais de 40 e menos de 60 anos) e de já ter ouvido que as perdas cognitivas começam nessa fase da vida.
Segundo Cathryn Jakobson Ramin, autora do livro "Esculpido na Areia" (352 págs, R$ 49,90, ed. Objetiva), lançado recentemente no Brasil, a perda da memória nessa fase da vida é um fato. Ao perceber que sua memória estava falhando bem mais do que o razoável para uma profissional ativa e que acabara de chegar à meia-idade, a jornalista norte-americana decidiu investigar o fato. Após saber que seus amigos também passavam pelo problema, testou métodos e tratamentos para desenvolver essa função cerebral. No livro, ela conta sobre a descoberta de que é possível preservar e até resgatar a memória perdida.
Para a fonoaudióloga Ana Alvarez, autora de "Deu um Branco" (144 págs., R$ 22,90, ed. Record), entre a quarta e a quinta década de vida a velocidade para prestar atenção, processar informações simultâneas e acessar lembranças diminui.
"Começamos a ter uma perda da capacidade dos órgãos de sentidos. É, por exemplo, o que ocorre com a audição, que "perde" informações, principalmente se há estímulos auditivos simultâneos. O deficit no recebimento das informações resulta em menor fixação na memória." Segundo ela, todo o processo começa junto: a menor velocidade do processamento sensorial e a necessidade de prestar mais atenção quando se está recebendo informações sonoras ou visuais demanda mais esforço para armazenar, fixar e evocar lembranças.
"As funções cognitivas perdem velocidade, o processo neural começa a não ser como antes. Mas isso pode ser revertido: é possível criar novas conexões neurais com exercícios específicos e medidas como garantir a qualidade do sono", afirma Alvarez, que trabalha com reabilitação cognitiva de pacientes em São Paulo.
"O cérebro é um órgão plástico. Se você o faz trabalhar, criam-se novas conexões neuronais. Isso aumenta a reserva cognitiva do indivíduo, incluindo a memória", diz Katia Osternack, neuropsicóloga e professora da Universidade Anhembi Morumbi. Osternack afirma que, a partir dos 40 anos, já é esperada uma perda sutil da memória, mas medidas de prevenção podem mudar esse curso.
Editoria de Arte/Folha Imagem
Exercitando o intelecto
Exercícios cognitivos e físicos, aprender coisas novas, alimentação saudável e controle do estresse são atitudes preventivas que, segundo a neuropsicóloga, deveriam ser tomadas durante toda a vida.
Há cerca de um ano e meio, a arquiteta Cândida Tabet, 52, percebeu que, do mesmo modo que exercita o corpo, deveria exercitar o intelecto. "A ideia era prevenir. Quero ser dona de minha inteligência e, para isso, percebi que devia trabalhar a atenção e a memória."
Desde então, Cândida inclui em seu dia a dia várias atividades, que vão de jogos de computador a curso de línguas, além de prestar mais atenção ao sono e levar a academia a sério. "O efeito é extraordinário. Fiquei muito mais atenta e rápida para memorizar e lembrar."
Para o neurologista Martín Cammarota, um dos coordenadores do Centro de Memória da PUC-RS, os lapsos não ocorrem somente na maturidade, mas é nessa fase que costumam trazer mais consequências. "Isso está relacionado ao ritmo de vida agitado e ao número de coisas que uma pessoa dessa idade tem que fazer", afirma. "De modo geral, o esquecimento relativo a atividades rotineiras é resultado da falta de atenção, que está centrada em problemas considerados fundamentais."
O psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria do HC de São Paulo, avalia que até os 60 anos as pessoas conseguem manter o desempenho da memória bem próximo do que era quando jovens. "Realizamos o projeto Clínica da Memória, aberto para pessoas a partir dos 18 anos. O que vimos é que, abaixo dos 60, a maioria que tinha queixas sobre a memória não tinha alterações. O que havia era muita ansiedade em relação ao desempenho."
Bottino acredita que, em geral, as dificuldades com memória antes dos 60 anos estão relacionadas a outras causas, como depressão ou transtornos de ansiedade, incluindo estresse.
Na opinião do neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo, a perda é "plenamente evitável", desde que a pessoa mude sua reação ao estresse e mantenha o cérebro em atividade.
Segundo ele, o estilo de vida atual favorece o surgimento de doenças neurodegenerativas. "O fator emocional é o mais importante. O estresse bloqueia a produção de novos neurônios e facilita a degeneração dos que a pessoa já possui", justifica.
Nas palavras de Cammarota, "desarranjos de ordem psíquica se cruzam com outro de memória. Se brigou com o namorado, por exemplo, a pessoa pode estar deprimida e não prestar atenção a coisas de que lembraria normalmente".
Ele também defende que, para a maioria das pessoas com menos de 65 anos, a perda de memória não está relacionada a uma doença degenerativa. "Se você não se lembra de quem é sua mãe, eu me preocuparia, mas esquecer a reunião é normal. Para isso, há as agendas."
Bottino lembra que outras doenças, como hipotireoidismo, podem causar problemas de memória. No caso, é preciso tratar a doença de base. Problemas no sistema circulatório, além de elevarem o risco de acidente vascular cerebral, também aumentam o risco de danos cognitivos no futuro.
A perda de memória associada ao envelhecimento do tecido nervoso ocorre a partir dos 65 anos. Com essa idade, 1% da população já apresenta demência e, a cada cinco anos, a porcentagem duplica, segundo Coimbra.
Em todos os casos, e em qualquer idade, os especialistas afirmam que o envelhecimento cerebral pode ser retardado, que é possível recuperar perdas da reserva funcional do cérebro, formar novas conexões e ter um desempenho melhor. "Cuidar do corpo como um todo, praticar atividades físicas e intelectuais estimulantes são passos fundamentais para isso", diz Bottino. Desses conselhos, é bom não se esquecer.
Poupança de sono" ajuda a compensar noites maldormidas
New York Times
Uma pessoa pode "compensar" o sono atrasado dormindo até tarde nos finais de semana?
A privação crônica do sono é um fato para a maioria dos americanos. Porém, compensar o sono atrasado não é tão simples quanto dormir até tarde no sábado.
Em estudos realizados ao longo dos anos, cientistas descobriram que pode levar uma semana ou mais para que as consequências cognitivas ou fisiológicas das noites maldormidas apareçam --até mesmo depois que as horas de sono aumentam.
Em um estudo do Walter Reed Army Institute of Research realizado em 2003, por exemplo, cientistas examinaram os efeitos cognitivos de uma semana de noites maldormidas, seguidas de três dias de sono de pelo menos oito horas por noite. Os cientistas descobriram que o sono de "recuperação" não reverteu completamente pioras no desempenho em um teste de tempos de reação e outras tarefas psicomotoras, especialmente no caso de participantes que tinham sido forçados a dormir apenas três ou quatro horas por noite.
Em um estudo similar, realizado em 2008, cientistas do Karolinska Institute, em Estocolmo, descobriram que, quando os participantes dormiam quatro horas por noite em cinco dias, e depois "tiravam o atraso" com oito horas por noite na semana seguinte, eles ainda apresentavam leves deficiências cognitivas residuais uma semana depois, embora eles não relatassem sonolência alguma.
No entanto, em outro estudo, também do Walter Reed Army Institute of Research, cientistas descobriram que as pessoas se recuperavam muito mais rapidamente de uma semana maldormida quando ela era precedida por uma semana de "acumulação", que incluía dez horas de descanso. Em outras palavras, se você sabe que tem pela frente uma semana de pouco sono, tente "adiantar" o sono antes, e não tentar recuperá-lo depois.
Conclusão: é necessário mais do que uma noite com horas a mais de sono para tirar o atraso de noites maldormidas.
Ginástica para cérebro Descubra quais são os melhores exercícios para manter a boa forma mental
POR STELLA GALVÃO / ILUSTRAÇÃO TATO ARAÚJO
Você passou parte da vida ouvindo que atividade física é fundamental para a saúde, certo? Provavelmente nunca ocorreu à maioria de nós que o cérebro igualmente precisa de malhação e, quanto mais envelhecemos, maior atenção deve ser dada às nossas conexões nervosas para ativá-las constantemente e mantê-las azeitadas, funcionando bem e melhorando nossas respostas mentais. Ou seja, muda a localização, mas o mecanismo da chamada "neuróbica", que atua no sistema nervoso central, é o mesmo da aeróbica que bota o corpo em movimento. "Esse termo é usado quando usamos os cinco sentidos por meio de atividades não rotineiras. Este exercício tem o objetivo de manter um nível constante de capacidade mental mesmo com o passar dos anos", explica a psicóloga Paula Teixeira Fernandes, doutora em Neurociências pelo departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A ideia, como ela exemplifica, é que possamos utilizar várias informações sensoriais como os gestos e o cheiro de uma pessoa que acabamos de conhecer, além de guardar seu nome ou fisionomia. Assim, o cérebro terá mais elementos para "lembrar" futuramente daquela a pessoa. Esse exemplo pode ser aplicado a qualquer situação do cotidiano. Para lembrar onde ficou o carro no estacionamento, reúna o maior número de informações (número e letra da coluna, a sinalização, elevador ou escada próxima etc.). Os estímulos contribuem para a formação de novas sinapses, a comunicação que ocorre todo o tempo entre os neurônios, as células que constituem nossa matéria cerebral. É a "plasticidade cerebral", que define as mudanças que ocorrem na estrutura ou da função no cérebro frente a um estímulo, seja ela de origem interna ou externa. Assim, a malhação cerebral está no fornecimento de estímulos contínuos, como diz Li Li Min, professor associado de Neurologia da Unicamp e doutor em Neurociências pela Mcgill University, Canadá.
Quanto mais, melhor
Essa dica de usar para expandir é a base das novas teorias expansionistas em matéria de neurônio. "Quanto mais se usa o cérebro, melhor e mais saudável ele se torna", diz a neurocientista Suzana Herculano, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Não basta reaprender, reelaborar, raciocinar. O corpinho também participa ativamente do processo, como diz Suzana. "A prática do exercício físico ajuda a regular o mecanismo da resposta ao estresse, o que repercute favoravelmente no hipocampo, região do cérebro responsável pelas memórias novas."
Manter-se lendo, estudando, pensando, brincando e entrando em contato com novidades contribui para permanecer com as funções cerebrais "azeitadas" em todas as idades
O sono adequado é outro fator que contribui para mantermos o cérebro em bom funcionamento - é quando se dorme que a nossa versão de HD, disco de memória cumulativa, sofre uma faxina e se atualiza para novo bombardeio de informações. Também é necessário combater coisas que sabidamente fazem mal ao organismo, como sedentarismo, fumo e colesterol alto, todos fatores de risco para entupimentos e vazamentos nos vasos sanguíneos do cérebro. "Estes 'derrames' ocasionam a morte de células cerebrais e a perda de suas funções, o que gera sequelas", afirma o neurocientista Rogério Panizzutti, professor adjunto do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e fellow da Human Frontier Science Program na Universidade da Califórnia, EUA. Ele chama a atenção para se manter o foco em exercícios que aprimorem a capacidade de captarmos as informações sensoriais básicas, como o som e a visão. É como em uma transmissão de dados pela internet: quanto melhor o input, melhor o processamento.
Atividades de lazer são importantes, como o contato com pessoas diferentes daquelas que constituem nosso círculo social. "Quando estimulamos áreas cerebrais relacionadas ao prazer, isso repercute na saúde física e no estado emocional", diz Paula Fernandes. Ela descreve atividades não rotineiras incentivadas pela neuróbica. Por exemplo, tomar banho com os olhos fechados, escovar os dentes com a mão não dominante (se você for destro, escove com a mão esquerda e viceversa), usar estímulos sensoriais (no banho, por exemplo, usar aromas), ler textos em voz alta. E o mais interessante: são atividades que podem ser realizadas a qualquer hora do dia. É só ligar o cérebro para responder ao seu comando e realizá-las.
O GRANDE ACHADO: o cérebro não estaciona, ou melhor, pode nunca estacionar
No passado, se julgava que manter o hábito de ler, estudar e entrar em contato com novidades ajudava a manter as capacidades mentais por mais tempo. Claro, isso continua valendo, mas a explicação era que manter o cérebro ativo evitaria o seu "envelhecimento". Esta associação tomava por base a hipótese de que após o término do desenvolvimento da estrutura cerebral, ao final da infância, o cérebro não teria mais capacidade de se modificar profundamente. De acordo com o neurocientista Rogério Panizzutti, este conceito começou a ser revisto a partir de 1984, quando o professor Michael Merzenich e seus colegas da Universidade da Califórnia (EUA) mostraram que o cérebro de macacos adultos se modificava profundamente após a amputação de um dedo. Esta descoberta abriu caminho para vários estudos visando entender os mecanismos envolvidos na "plasticidade" do cérebro adulto. "Extensos estudos realizados com animais de experimentação, como os ratos de laboratório, levaram ao desenvolvimento dos primeiros programas de ginástica cerebral.", conta Panizzutti. Nos últimos anos estes programas começaram a ser testados em humanos com efeitos surpreendentes, mas permanecem no plano experimental.
15 maneiras de exercitar a aos 30, 40, 50 anos e além
Não consegue encontrar as suas chaves. de novo? Não se dê por vencido. Os especialistas dizem que você pode ampliar instantaneamente as suas chances de lembrar onde coloca as suas chaves - e todo o resto que você continua a esquecer - se começar a tratar o seu cérebro corretamente (não importa a sua idade). Simples mudanças no estilo de vida irão ajudar você a ficar atento à medida que os anos passam.
Após ter atingido um pico em torno dos 27 anos, a capacidade do cérebro começa a decair já a partir dos 30 anos de idade. Nesse momento devemos começar a investir no futuro, cuidando da saúde por meio da prática de exercícios físicos regulares, do bom sono e da alimentação equilibrada e saudável. Nessa década, geralmente a vida profissional está em ascensão e passa a assumir grande importância em nossos pensamentos. Para cuidarmos do cérebro temos que diminuir o estresse, buscando atividades como meditação, ioga e massagem.
Use fio dental Um inimigo do cérebro que muita gente ignora é a formação de placa de tártaro nos dentes. "A placa pode causar uma reação imune que ataca artérias, que passam a não mais poder entregar nutrimentos vitais a células cerebrais," diz o médico norteamericano Michael Roizen, co-autor de Você - o manual do proprietário (Editora Campus). Solução? Use o fio dental diariamente. Não consegue lembrar-se? Deixe o fio dental onde você guarda sua maquiagem ou seu barbeador. "Facilitar o trabalho cerebral de achar os objetos só depende de nós mesmos", diz Roizen.
Multitarefa na academia Assim como malhar pode manter seu corpo em boa forma (à medida que você envelhece), alongar seu cérebro pode igualmente deixá-lo em ótima forma também. Os dois exercícios reunidos são garantia de dupla diversão. Faça palavras cruzadas enquanto se exercita em uma bicicleta ergométrica ou ouça lições de uma língua estrangeira no seu MP3 player enquanto corre na esteira. Os cientistas dizem que trabalhar corpo e mente ao mesmo tempo revitaliza células cerebrais. Não gosta de multitarefas? Faça palavras cruzadas depois dos esportes, quando o seu cérebro está energizado e receptivo.
Vá de peixe Já se sabe há algum tempo que peixe e células do sistema nervoso central foram feitos um para o outro. E por quê? O DHA, um tipo de ômega 3, ácido gorduroso encontrado em peixes como salmão e truta e em alguns alimentos como o iogurte, é um super poupador da memória. "O DHA reduz a inflamação arterial e melhora o reparo da bainha protetora em volta dos nervos," diz Roizen. O resultado, conforme o médico, é menor perda de memória relacionada com idade, redução do risco para a doença de Alzheimer, menos depressão e até mesmo uma mente mais rápida.
O declínio das funções cerebrais continua. Pesquisas em curso têm mostrado que poderíamos nos beneficiar da ginástica cerebral já a partir dos 45 anos.
A quantidade e frequência necessárias ainda estão por ser determinadas, segundo Rogério Panizzutti. A estabilização profissional, que muitas vezes ocorre durante esta década, não pode ser acompanhada por estagnação. Devemos procurar novas informações e desafios, realizando cursos e buscando novas atividades, como aprender a pintar ou a tocar um instrumento musical.
A partir dos 40 anos, o declínio das funções cerebrais continua. É preciso funções cerebrais continua. É preciso procurar novas informações e desafios: que tal aprender a pintar ou tocar um instrumento musical?
Brinque novamente Há uma nova versão do cubo mágico que você amou quando era criança, agora tridimensional e provavelmente bom para cérebros de qualquer idade, porque os torna mais flexíveis para solucionar problemas, diz a neuropsicóloga Karen Spangenberg Postal, presidente da Associação de Psicologia de Massachusetts, EUA. A chave: ao jogar, você está trabalhando sua memória, estratégia e habilidades espaciais, requisitos que atuam em conjunto para melhorar a saúde cereb
Apenas faça Elevar a média de seus batimentos cardíacos três vezes por semana durante 20 minutos, ainda que apenas caminhando, equivale a banhar o seu cérebro em oxigênio, ajudando-o a cultivar novas células. Exercício aeróbico duas a três vezes é tão eficaz quanto qualquer atividade de treinamento cerebral conhecida, diz Sam Wang, professor associado de Neurociência da Universidade Princeton e co-autor de Bem-vindo ao seu cérebro (Editora Pensamento-Cultrix). Se você não tem tempo para a academia durante a semana, tudo bem: pesquisas recentes mostram que exercícios moderados e outros mais vigorosos mesmo uma vez apenas por semana (digamos uma corrida aos sábados) fornecem 30% mais de chance para manter a sua função cognitiva à medida que você envelhece.
Comece a jogar cartas Se os clubes de livro te chateiam e os jantares festivos o deixam esgotado, então talvez um jogo mais vivo seja justamente o que o doutor recomendou. A combinação de estratégia e memória de alguns jogos desafia o cérebro a aprender a nova informação e exercita células, diz Karen Postal. Facilita, ainda, a socialização, enquanto o jogo de cartas acrescenta um nível da imprevisibilidade que funciona como uma carga para o cérebro - algo que os jogos individuais não oferecem. Os jogos de cartas estão de volta, portanto você pode aprender a jogar em um clube da comunidade ou por meio de um programa de educação de continuada, ou ainda contratar um instrutor particular.
Para manter as funções cerebrais, a ginástica mental deve ser utilizada, talvez com maior frequência. Continuar se expondo a situações e informações novas é fundamental para manter o fascínio em relação à vida. A atenção à saúde geral se intensifica com um aumento da frequência de exames preventivos. Devemos manter a atenção aos cuidados gerais com a saúde do corpo, incluindo exercícios físicos regulares e alimentação saudável. Potenciais problemas de saúde devem ser combatidos com medidas preventivas específicas, instrui o neurocientista Rogério Panizzutti.
Pauzinhos para comer "Os estudos mostram que ativar as células nervosas concentradas nas pontas do dedo leva estímulo diretamente para o cérebro," diz Maoshing Ni, autor de Segunda primavera: centenas de segredos naturais para revitalizar e regenerar mulheres de qualquer idade (ainda sem tradução para o português). A verdade é que qualquer atividade que use a ponta dos dedos - manuseio dos pauzinhos ou até mesmo a rotação de uma caneta ou lápis entre os dedos - também ajuda o seu cérebro, por promover o estímulo à maior circulação sanguínea. E uma boa circulação elimina resíduos inúteis que podem impedir que nutrientes cheguem ao seu cérebro.
Jogue jogos eletrônicos Não, você não é demasiado velho para um Wii ou para um dos novos jogos de exercício cerebral portáteis.
E pode ser bom porque até mesmo a simples tentativa significa algo de novo para o seu cérebro, diz a neuropsicóloga Reon Baird, do Long Beach Memorial Medical Center. "Quando este algo novo é um jogo em vídeo, você estimulará partes diferentes do cérebro que não usa normalmente no cotidiano," ela diz. Tente o Desafio Cerebral do Wii ou Idade Cerebral do Nintendo DS. Se isto é também é muito high tech para você, jogue Bingo ou outro formato de jogo, sugere Reon.
Cuidado com remédios Se você sente dores sempre que se exercita ou nunca dorme bem devido a suores noturnos, há uma pílula para este caso. Mas tenha cuidado: vários estudos já detectaram o risco de haver prejuízo cognitivo, como confusão mental e falta de clareza nas ideias, em pessoas que fazem uso regular de remédios para dormir, especialmente quando se automedicam. Alguns itens desta classe de medicamentos têm efeito anticolinérgico, que bloqueia a comunicação entre os neurônios. Fale com seu médico sobre outras opções como relaxamento ou terapia cognitiva para problemas de sono.
A ciência já comprovou que a prática de ginástica cerebral adequada a partir desta idade pode oferecer benefícios importantes para a função cerebral e a qualidade de vida da pessoa. Pode contribuir, por exemplo, para que a pessoa continue dirigindo seu carro com segurança e se comunicando bem com seus familiares. Manter-se lendo, estudando, pensando, entrando em contato com novidades também contribui para permanecer com as funções cerebrais nessa idade. Os cuidados com a saúde mental devem ser intensificados. "Devemos ficar atentos para identificar e tratar principalmente a depressão, frequente nesta época da vida. É fundamental mantermos a alegria de viver", propõe Rogério Panizzutti.
É interessante que as pessoas melhorem suas capacidades cognitivas com estímulos "mentais", como palavras-cruzadas ou sudoku. Este tipo de atividade ajuda a manter a memória, auxiliando o processamento de informações, como diz a doutora em Neurociências pela Unicamp, Paula Fernandes.
E, apesar do muito que já foi dito a esse respeito, nunca é demais reforçar que pessoas com mais de 60 anos de idade que praticam exercícios físicos melhoram as capacidades mentais. A vida social também pode fazer a diferença. "Quem se relaciona com outras pessoas e situações tende a usar mais a orientação espacial (localização dos lugares - ir de um ponto para outro)", diz o neurologista Li Li Min. O cérebro, afinal, não gosta de ficar quieto.
No universo feminino, alguns sinais de alerta enviados pelo corpo podem esconder doenças mais sérias do que se imagina
Por Ivan Alves
Interpretar sintomas de doenças é uma atividade complexa, por isso a orientação é de que a análise seja conduzida por especialistas. Para a mulher, alguns sinais de incômodo enviados pelo corpo podem ser avaliados com exagero ou minimizados pela paciente no autodiagnóstico. Toda dor aguda deve ser checada. É melhor errar pelo excesso. Parte dos problemas do universo feminino é causada por hábitos ou por suas características biológicas. "Para elas, duas regiões merecem atenção constante, a mama e o útero. O aparelho reprodutor da mulher está exposto ao contato com substâncias que vem de fora do corpo, ao contrário do homem, que fica protegido. A constante alteração hormonal delas também cria fatores que aumentam os riscos", indica Luiz Fernando Dale, ginecologista e responsável pelo departamento de Reprodução Humana do Instituto Fernandez Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Um artigo publicado no Health.com indica quais sinais de alerta podem estar indicando problemas de saúde à mulher e como eles podem confundi-las.
1- Dor nos ombros ou no peito
Incômodos intensos abaixo das costelas, nas costas e nos ombros são comumente associados a um ataque cardíaco. Porém, os alertas do coração são indicados por desconfortos nos membros do lado esquerdo. Se os sintomas estão no lado direito (no ombro, por exemplo), o quadro pode ser de pedra na vesícula. O problema acontece quando há o entupimento no canal entre o órgão e o intestino, impedindo o fluxo da bile, substância que ajuda na digestão de gorduras. O excesso de estrogênio faz com as mulheres tenham o dobro de chances de desenvolver a doença. O hormônio aumenta a concentração de colesterol na vesícula e reduz a capacidade do órgão em cumprir sua função.
O que fazer:é necessário mudar a dieta, optando por alimentos com pouca gordura e com alta concentração de fibras. Pessoas que sentem dores nos ombros e no peito, especialmente depois de refeições noturnas e de alta concentração de gorduras, devem procurar um médico.
2- Dormência ou formigação nas coxas
Calças apertadas causam uma compressão excessiva nos nervos cutâneos femorais, que ficam na lateral da coxa. Saltos altos só agravam o quadro, pois eles lançam a pélvis para frente, comprimindo ainda mais os nervos.
O que fazer: Neste caso o melhor remédio é trocar calças, bermudas e calçados, optando por modelos mais folgados e sapatos com saltos menores.
3 - Queimação nos pés
O uso abusivo de saltos altos é a causa encolhimento ou alargamento dos nervos dos pés. A paciente tem, a princípio, a sensação de andar sobre uma pedra. Mas esse problema pode se tornar uma dor crônica caso não receba tratamento.
O que fazer: dor nos pés nunca é normal. Mude para sapatos com saltos menores e com maior espaço para os dedos.
4- Lábios rachados
Naturalmente, o corpo humano é coberto por fungos e bactérias. Os problemas começam quando a mulher está com a pele desidratada. O lábio é mais sensível que a pele e, quando ressecado, sofre com o ataque desses micro-organismos, caracterizando inflamações. A boca concentra altos níveis de flora bacteriana, por isso, lamber os lábios nessas circunstâncias leva saliva contaminada à região, agravando o caso.
O que fazer: use cremes hidratantes na pele facial e batons (convencionais ou de manteiga de cacau). Evite lamber os lábios.
Quatro sintomas que jamais devem ser ignorados
Desmaio e falta de ar: chame a emergência.São dois sintomas detromboembolismo pulmonar.
Dor inexplicada na garganta: pode ser um ataque cardíaco e o paciente deve ser levado a uma emergência. Entre os sintomas relatados por mulheres estão: desconforto no maxilar e garganta, náusea, transpiração e fadiga. Já os sinais habituais - dor no peito e no braço esquerdo - são mais comuns entre os homens. Outra possibilidade de patologia é um ataque de alergia na região.
Sangramento incomum na vagina: ocorrências fora do período menstrual pode ser uma disfunção passageira. Se persistir, procure um especialista, pode ser um tumor.
Sua morte foi decretada, mas o túmulo nunca foi fechado: a questão ideológica continua muito presente na educação (e também fora dela). E não é demais questionar: é possível haver educação sem ideologia, ou a simples expressão desse desejo já é reveladora de um lugar de onde se vê (e pensa ) o mundo?
Fabiano Curi
Berlim, 1989: a queda do muro foi vista por alguns, como o americano Francis Fukuyama, como um marco do fim da história em termos de conflitos ideológicos. O tempo se encarregou de mostrar que esse dia ainda está por vir
Berlim, 1989: a queda do muro foi vista por alguns, como o americano Francis Fukuyama, como um marco do fim da história em termos de conflitos ideológicos. O tempo se encarregou de mostrar que esse dia ainda está por vir
Há cerca de duas décadas, o mundo testemunhou a implosão do socialismo de Estado encabeçado pela União Soviética. Mais do que isso, passou a viver num planeta que abandonava a bipolaridade das superpotências para caminhar na direção do sistema político-econômico sobrevivente. Sim, sobrevivente, pois para muitos a queda do modelo soviético levava consigo para o túmulo toda a ideologia que o cercava. Comunismo, socialismo, marxismo e todas as suas ramificações pareciam se haver evaporado do cenário geopolítico global, sumiço este que reduziria a pó a existência dos conflitos ideológicos. O mundo viveria sob a égide de um modelo hegemônico e, assim, decretava-se o fim das ideologias. Desde então, análises ideológicas passaram a ser vistas como objeto de estudo exclusivamente de historiadores que olhavam para o passado na tentativa de caracterizar enfrentamentos de grupos com conjuntos de ideias antagônicas. O esmorecimento de um mundo marcado por ideologias acabou afetando uma instituição que sempre esteve intimamente ligada ao debate ideológico: a escola.
Recentemente, a promulgação de uma nova Lei de Educação na Venezuela inflamou a grita daqueles que se opõem a Hugo Chávez. Os pontos divulgados - o controle do Estado na seleção e supervisão de professores, a proibição de conteúdos que vão contra a soberania do país e algumas propostas amplas de princípios de responsabilidade social, solidariedade e comunhão entre escola, comunidade e família, entre outros - foram vistos como mais um golpe autoritário e totalmente deslocado dos rumos da educação no mundo contemporâneo.
Contudo, o discurso de que tensões ideológicas são obsoletas não deixa de ser também ideológico. Para Marcos Cassim, professor de sociologia da educação da USP de Ribeirão Preto, "ideologia é concepção de mundo e a educação faz parte dessa concepção de mundo; assim, toda a educação é ideológica". Ele explica a razão disso argumentando que "todas as sociedades constroem o homem a partir de sua concepção de ser humano. O homem se constitui humano e se constitui historicamente".
Na opinião de Sílvio Gallo, professor da Faculdade de Educação da Unicamp e autor do recente livro Subjetividade, ideologia e educação (Alínea, 2009), o problema começa na definição do próprio conceito de ideologia, que é visto de forma distinta por diferentes autores. "Temos essa ideia de ideologia dominante muito claramente em (Karl) Marx e em alguns autores marxistas", diz. Ele lembra que, para Marx, há a ideia de um falseamento da realidade por parte das classes dominantes que, ao impor seus valores, buscam fazer com que sejam vistos como únicos e legítimos, enquanto para outros autores, mesmo no campo marxista, como (Antonio) Gramsci e (Louis) Althusser (leia texto na página 51), a ideologia representa os interesses de uma determinada classe e não, necessariamente, um falseamento.
"Em Marx, há oposição entre ideologia e ciência. A classe dominante, para falsear, produz ideologia, a classe dominada, para se libertar, produz ciência", desenvolve Gallo. "Nos autores posteriores vamos ter a extensão do conceito de ideologia para dizer que toda a produção de conhecimento por uma determinada classe é ideologia, independentemente de ela ser um falseamento da realidade ou uma afirmação da realidade, dependendo dos interesses do grupo", completa.
Dermeval Saviani, professor emérito da Faculdade de Educação da Unicamp, ressalta que essa tentativa de evitar os conflitos de ideias fica evidente ainda no início da massificação da educação europeia: "a partir do momento em que a burguesia se consolida no poder, começa a adotar uma ideologia, no sentido de mascaramento da realidade, de naturalização da realidade como se a ordem burguesa fosse a ordem definitiva".
Gallo lembra que existe também uma outra conceituação na qual uma determinada ideologia social é produzida com a participação consciente ou inconsciente da sociedade como um todo, mesmo que ela atenda a determinadas prerrogativas ou desejos da classe dominante, mas com a
aceitação da classe dominada, pois, se não houver reação, há, em algum nível, o consentimento.
Avaliações
Nos últimos anos, o esvaziamento do debate ideológico no campo educacional tem sido marcado pela associação direta da educação com o mercado de trabalho. Ainda que a formação de mão de obra seja uma das finalidades sociais da educação em qualquer regime político, no período recente a perspectiva utilitarista do espaço escolar ganhou muita força. Entre os indicadores educacionais que podem ser apreciados, há hoje em dia muita ênfase naqueles que relacionam escolaridade com renda e empregabilidade. Assim, muitos dos investimentos em educação só são justificados quando garantem saldos significativos na produtividade e na renda.
Na avaliação de Saviani, a educação sofre a "determinação das exigências de mercado, que envolve a busca de resultados com o mínimo dispêndio. Os investimentos em educação estão subordinados à busca de resultados e os resultados são aferidos pelos indicadores de mercado".
Para medir os efeitos da educação na vida das pessoas e no funcionamento da sociedade, os anos de reforma do Estado democrático foram ricos na proliferação de sistemas de avaliação de escolas, professores e estudantes. No Brasil, por exemplo, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a educação teve papel central e, dentro das políticas de universalização da Educação Básica, criaram-se mecanismos que buscavam de alguma forma mensurar a qualidade do ensino. Alvo de muitas críticas da oposição na época, tais políticas, com algumas mudanças pontuais, foram preservadas pelo governo Lula e, ainda que possam existir debates acerca das metodologias empregadas, as avaliações não são mais questionadas. De acordo com Odair Sass, psicólogo e professor do programa de educação da PUC-SP, as avaliações servem para "definir o que é funcional e o que é disfuncional para tentar consertar os problemas, mas não é colocado em questão o modelo de educação".
Fernando Veloso, economista e professor do Ibmec-RJ que co-organizou o livro Educação básica no Brasil: construindo o país do futuro (Campus, 2009), argumenta que "a mudança de política de avaliações não acontece apenas no Brasil, é uma tendência mundial, e eu não vejo ideologia nisso". Ele lembra que esse movimento começou nos Estados Unidos, e agora acontece em outros lugares "a ideia de que você tem de mensurar de alguma forma a qualidade da educação".
Veloso recorda que existiam no Brasil anteriormente vários indicadores de quantidade, como taxa de frequência, de matrícula e índice de escolaridade, mas que não havia uma medida de qualidade como as que foram implantadas nas últimas duas décadas.
O professor do Ibmec-RJ cita o exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos no período recente: "Em seu governo, Bush criou o No child left behind, um sistema de responsabilização, ou seja, você não só mede os resultados, mas responsabiliza as escolas pelo resultado. Isso não quer dizer culpar, mas saber qual é a contribuição da escola no contexto dela e estabelecer premiações e punições". O professor conta que, atualmente, "Obama, do partido adversário e com uma visão de mundo completamente diferente, deu um nome diferente para o programa, mas que, na essência, é muito parecido. Ele aprofundou e corrigiu alguns problemas do programa de Bush."
Veloso aponta que a nova administração está estabelecendo padrões mínimos de qualidade, pois lá os estados têm autonomia para fazer o sistema de avaliação e de responsabilização. "Alguns fizeram um programa bom e outros, um programa fraco." O economista complementa seu exemplo dizendo que esses sistemas não são ideológicos, pois o governo atual tem dado grande apoio às charter schools, que são escolas públicas com a gestão a cargo de organizações não governamentais ou mesmo do sistema privado, o que é visto em qualquer lugar do mundo como "atividade de mercado", diz ele.
"Não vejo ideologia nos Estados Unidos, mas sim a ideia de que você tem de mensurar e fazer o possível para melhorar", avalia. "E acho que no Brasil é igual: se pegarmos o governo Lula, talvez tirando os dois primeiros anos nos quais houve um desvio da atenção ao ensino básico que era dada no governo anterior mas que depois a retomou, no fundo, mesmo que ele não reconheça, o governo atual tem dado continuidade e aprofundado políticas adotadas no governo Fernando Henrique."
Veloso afirma que tais medidas são políticas de Estado, "o que não quer dizer que educadores e economistas concordem, mas acho que há um certo consenso de que qualquer política educacional bem feita tem de avaliar o resultado e usar essa avaliação para aprimorar". "É uma questão de princípio e não de ideologia", conclui.
José Leon Crochik, professor da Instituto de Psicologia da USP, também acredita que "estamos na era das grandes avaliações, não só no Brasil, mas em todo o mundo". E pondera que "isso é muito ruim quando se cria um ranking que torna a escola uma questão de mercado, mas, por outro lado, há uma preocupação com o índice de qualidade e com metas a serem perseguidas".
Escola e Estado
A determinação dos modelos de educação pelo Estado, ainda que seja para, na abordagem de certos espectros políticos, servir aos interesses privados, coloca nas mãos dos governos um importante instrumento ideológico. Em regimes despóticos, a ingerência do Estado é mais perceptível, mas ela não deixa de acontecer também em sistemas políticos democráticos.
Marcos Cassim problematiza que "se a escola não está sob a tutela do Estado, a sociedade não a reconhece, pois não há um certificado". "A escola não apenas produz o conhecimento, mas também o certifica."
Entretanto, ele enfatiza que se confunde educação com escola. "Escola é uma instituição do Estado e a educação é processo. A escola como aparelho do Estado é organizada de acordo com a visão desse Estado e das classes dominantes, mas no interior da escola acontecem processos diversos, às vezes não como afirmação, mas como negação", explica.
Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo Rosimar Esquisani, é possível haver contraideologia em relação ao Estado. "No Rio Grande do Sul, temos a gestão democrática do ensino público que tem dado certo em muitas instituições de ensino", revela. A escolha de diretores, a descentralização administrativa e a participação da comunidade nas decisões da escola podem alimentar ideologias muitas vezes contrárias ao que é de interesse do Estado ou de grupos dominantes.
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Vale ainda ressaltar que muitas escolas hoje estão aparelhadas com redes de computadores e atendem a um alunado cada vez mais inserido em realidades tecnológicas que dividem espaço com conteúdos preparados pelo professor, com o material didático e com as diretrizes da escola. Ainda que a maior parte dos modelos educacionais se sustente na lógica livresca e do professor como guardião do conhecimento, os canais de consulta ao redor e dentro da escola são mais numerosos do que em outros tempos.
Sílvio Gallo acredita igualmente que a educação também pode produzir contraideologia o tempo todo, mesmo no espaço da escola. Ele observa que "na medida em que a educação é tratada como coisa pública, existe o lado importante do investimento do Estado na formação dos cidadãos e também o controle efetivo que o Estado exerce". Contudo, ressalta que "ao mesmo tempo que isso acontece, nós temos no âmbito das relações cotidianas da escola reações por parte dos professores, dos estudantes e do corpo diretivo. Não há uma assimilação direta e acrítica por parte desses indivíduos".
Para Gallo, nenhum modelo progride se não houver uma aceitação de todas as esferas envolvidas na educação, principalmente do docente. "O professor é o verdadeiro ator desse processo todo. Uma política educacional só acontece se o professor a assumir e a realizar."
Professores ideológicos
No cenário da educação brasileira é muito comum emergirem críticas a professores que expõem dentro da sala de aula suas afinidades ideológicas. Não são poucos os que defendem que a escola deve manter uma postura neutra e ensinar o que deve ser ensinado sem pender para discursos políticos. Mas será que a neutralidade na educação é atingível ou, até, desejável?
"O que vemos nessas críticas ao professor ideológico são pessoas de extrema-direita criticando professores de extrema-esquerda ou pessoas de extrema-esquerda criticando professores de extrema-direita", crê Sílvio Gallo. Para a sua colega da Faculdade de Educação da Unicamp Ana Lúcia Goulart de Faria, "todo conhecimento é engajado, seja para as coisas melhorarem para todos, seja para melhorarem só para alguns."
Já José Leon Crochik alerta que "quando a educação se pretende neutra, equidistante, como se fosse possível abrir mão de si mesma e assumir um lugar imaginário sobre todo o mundo, aí se esposa talvez uma das piores ideologias".
No ponto de vista de Odair Sass, as críticas aos "professores ideológicos" acontecem porque "a ideologia não é vista na própria sequência pedagógica", ou seja, nas políticas educacionais, no material didático, na infraestrutura da escola. "Ela é individualizada na figura do professor."
Marcos Cassim identifica a ideia de neutralidade na educação como uma herança do pensamento positivista. Para ele, mesmo que a escola não se envolva em questões políticas, principalmente de política partidária, é preciso pensar a política como a capacidade de contribuir nas decisões.
Saviani também descarta a possibilidade de uma educação em que a questão ideológica não esteja presente. "Não existe conhecimento desinteressado. A ideologia é um elemento integrante da vida humana. O homem age sobre a natureza para transformá-la no interesse de sua própria sobrevivência. Ele conhece para dominar, conhecimento é poder."
Gallo acrescenta um aspecto desse processo: a formação de docentes. "A gente não tem homogeneidade na formação de professores. Vemos muitas críticas à universidade pública dizendo que formam professores ideológicos, que elas não preparam tecnicamente o professor, mas sim politicamente. Mas será que faz sentido uma formação estritamente técnica do professor? Uma boa formação técnica não está desvinculada de uma boa formação política e vice-versa", reflete.
A discussão, entretanto, recai sobre a capacidade de mediar debates e tensões ideológicas dos professores que se formam. Crochik nota que "a formação dos professores de uma maneira geral é muito imediata, concreta, precária, pouco afeita ao raciocínio, à imaginação, àquilo que seria próprio de um homem formado".
Os problemas de preparo desses professores acabam colocando na sala de aula profissionais acríticos ou doutrinários, o que, evidentemente, não é nada vantajoso para qualquer modelo de educação que se pretenda plural. "Não sou favorável a defender doutrinas na escola, mas sim que se passem as ideias dos pensadores de cada doutrina. Sou partidário da leitura do movimento da sociedade e das contradições visíveis nela", revela Crochík.
E como ficam os estudantes nesse processo de enfrentamento ideológico? Disse certa vez o crítico literário e cultural galês Raymond Williams sobre o processo de alfabetização na Europa depois das revoluções burguesas: "não há como ensinar uma pessoa a ler a Bíblia sem também ensiná-la a ler a imprensa radical".
Coordenação: Vitória Pamplona Psicóloga (CRP - 05/0308), Mestra em Educação, autora de livros sobre o ciclo de gravidez, parto e puerpério.
Co-Coordenação: Aline Melo Psicóloga (CRP - 05/35967), Mestranda em Psicologia, pesquisa sobre desenvolvimento humano e interações pais-bebês.
Objetivo e público-alvo: Qualificar estudantes e profissionais de saúde, educação e social para o trabalho educativo/preventivo, individual ou de grupo, no ciclo gravídico-puerperal com visão transdisciplinar e bio-psicossocial.
Carga horária: 108 horas, divididas em 9 encontros mensais. Sábados das 9:00h às 19:00h. / domingos das 9:00h às 13:00h.
Calendário: Março - 27 e 28: Coordenação de grupo educativo/preventivo, trabalho multidisciplinar e interdisciplinar: diferenças e semelhanças, vantagens e desvantagens, co-coordenação. Os objetivos de um grupo de gestantes.
Abril - 24 e 25: Questões de gênero e papel paterno e materno; família; sexualidade da infância ao pós-parto; anatomia sexual masculina e feminina.
Maio - 22 e 23: Contracepção: a contracepção no pós-parto; abortamentos anteriores e suas repercussões na gravidez em curso; maternidade e paternidade de adoção e reprodução assistida.
Junho - 26 e 27: Gestação: transformações bio-psicossociais da mulher; repercussões na família, o papel do pai na gestação; legislação que protege a gestante.
Julho - 24 e 25: Desenvolvimento fetal; interação feto-mãe; atendimento pré-natal.
Aagosto - 28 e 29: Parto: aspectos bio-psicossociais, tipos, rotinas; legislação que protege a parturiente; presença do pai no parto; o papel da doula.
Setembro - 25 e 26: Pós-parto: aspectos bio-psicossociais; blues puerperal e depressão pós-parto: prevenção, identificação e encaminhamento.
Outubro - 23 e 24: Amamentação: aspectos bio-psicossociais; manejo da amamentação (livre demanda, pega correta, prevenção de ingurgitamento e fissuras mamilares etc) legislação que protege a lactante.
Novembro - 27 E 28: Cuidados ao recém-nato: rotinas, aspectos psicológicos, relações familiares.
OBS.: consciência corporal, relaxamento e respiração na gravidez e no parto e técnicas de coordenação de grupo são temas trabalhados em todos os encontros.
Local: Instituto Pharos - Flamengo / RJ
Matrícula: Mediante entrevista agendada. Pessoas de fora do Rio de Janeiro poderão fazer a entrevista por telefone.
Investimento: 9 (nove) pagamentos de R$ 250,00, mais matrícula de R$ 90,00. Desconto para estudantes, servidores públicos e filiados à Rehuna (10%).
O filme "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007) aborda, de uma forma comovente e instigante, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. Tal filme se inicia com uma jovem professora, Erin (interpretada por Hilary Swank), que entra como novata em uma instituição de "ensino médio", a fim de lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes considerados "turbulentos", inclusive envolvidos com gangues.
Ao perceber os grandes problemas enfrentados por tais estudantes, a professora Erin resolve adotar novos métodos de ensino, ainda que sem a concordância da diretora do colégio. Para isso, a educadora entregou aos seus alunos um caderno para que escrevessem, diariamente, sobre aspectos de suas próprias vidas, desde conflitos internos até problemas familiares. Ademais, a professora indicou a leitura de diferentes obras sobre episódios cruciais da humanidade, como o célebre livro "O Diário de Anne Frank", com o objetivo de que os alunos percebessem a necessidade de tolerância mútua, sem a qual muitas barbáries ocorreram e ainda podem se perpetrar.
Com o passar do tempo, os alunos vão se engajando em seus escritos nos diários e, trocando experiências de vida, passam a conviver de forma mais tolerante, superando entraves em suas próprias rotinas. Assim, eles reuniram seus diários em um livro, que foi publicado nos Estados Unidos em 1999, após uma série de dificuldades. É claro que projetos inovadores como esse, em se tratando de estabelecimentos de ensino com poucos recursos, enfrentam diversos obstáculos, desde a burocracia até a resistência aos novos paradigmas pedagógicos. Em países como o Brasil, então, as dificuldades são imensas, mas superáveis, se houver engajamento e esforços próprios.
Nesse sentido, o filme "Escritores da Liberdade" merece ser visto como apreço, sobretudo pela sua ênfase no papel da educação como mecanismo de transformações individuais e comunitárias. Com essas considerações, vê-se que a educação, como já ressaltaram grandes educadores da estirpe de Paulo Freire, tem um papel indispensável no implemento de novas realidades sociais, a partir da conscientização de cada ser humano como artífice de possíveis avanços em sua própria vida e, principalmente, em sua comunidade.
Há pouco mais de meio século, a força de transformação da literatura da América Latina assombrava os países centrais, que haviam alcançado a modernidade graças ao desenvolvimento de suas indústrias, suas descobertas tecnológicas, suas redes de comunicação, seus trens e aviões. Mas sua linguagem e sua capacidade de narrar a sociedade estavam apergaminhadas, cansadas, e supriam a falta de ideias e sangue novos com jogos teóricos que não levavam a lugar nenhum. Na América Latina, o afã de criar esse mundo novo expresso pela revolução cubana parece ter se concentrado na literatura.
Clarice Lispector, em foto de 1976
Enquanto os países do Rio da Prata, México e Colômbia respiravam a plenos pulmões os novos ares, o gigante Brasil mantinha-se impermeável a tudo o que não vinha de si mesmo. O Brasil mudava de pele, mas se alimentava de sua própria música e de sua própria herança literária. Certa vez perguntaram a João Gilberto por que ele fazia tão poucos shows no estrangeiro, onde sua música tinha um sucesso clamoroso.
"Para quê?", respondeu. "No Brasil meu público é tão numeroso como no resto do mundo e, além disso, ele me escuta com mais felicidade".
Em meados do século 20, o grande nome da literatura brasileira continuava sendo o de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), que escreveu uma sucessão de obras mestras mediante o simples recurso de observar atentamente a paisagem interior dos pensamentos e dos sentimentos para contá-los de uma maneira incomum, inesperada. Um de seus maiores herdeiros é João Guimarães Rosa, que impressiona mais do que tudo por seu virtuosismo verbal e pelo ouvido finíssimo com que capta a música das vozes do sertão, no nordeste profundo de seu gigantesco país.
Entretanto, a única filha direta e legítima de Machado de Assis é Clarice Lispector, cuja obra misteriosa começa a difundir-se nos Estados Unidos com tanto ímpeto quanto a de Roberto Bolaño. O chileno foi consagrado pela revista The New Yorker, e o influente The New York Review of Books rendeu tributo a Lispector com um ensaio extenso de Lorrie Moore, a jovem deusa do minimalismo.
Moore adverte que a fama magnética de Lispector se deve em parte aos estudos sobre sua obra reunidos por Hélène Cixous, a quem as universidades francesas devem o apogeu dos estudos sobre a mulher. Na França, recorda Cixous, a extraordinária abstração da prosa de Lispector fez com que a vissem como uma filósofa. Quando ela assistiu a um encontro de teóricos sobre sua obra, abandonou a sala na metade da homenagem, dizendo que não entendia uma só palavra do jargão.
Uma das primeiras vezes que se ouviu falar de Lispector em Buenos Aires foi no final dos anos 70, quando circulou a lenda de que ela havia se queimado viva em sua casa no Rio de Janeiro.
Em 1969 o mítico editor argentino Paco Porrúa havia publicado na editora Sudamericana alguns de seus livros: os romances "A Maçã no Escuro", "A Paixão Segundo G.H." e "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres", assim como os admiráveis contos de "Laços de Família". Lispector rompia com todas as convenções da arte de narrar e arrancava de cada palavra um tremor secreto, enigmático. Suas revelações eram como as de um teólogo oriental participando de uma dança ritual africana.
Quando a lemos, deslumbrados, na revista "Primera Plana", pensamos que era imperativo viajar para o Rio de Janeiro para decifrar seus segredos. Sara Porrúa, que na época era mulher de Paco, quis ser a primeira nessa busca.
As primeiras notícias que enviou dissipavam a fábula de que Lispector fora queimada viva. Sua cama havia se incendiado acidentalmente quando dormiu com um cigarro aceso. Mas a haviam resgatado a tempo. Sua estranha beleza tártara (os olhos amendoados e rasgados, as maçãs do rosto salientes, a constante expressão de angústia de seu rosto) havia desaparecido quando queimou o lado direito do corpo, imobilizando-lhe o braço. Nada, entretanto, apagava sua paixão por narrar o mundo.
Sara a encontrou mais algumas vezes e, com sua imagem intensa, inesquecível, perdeu-se nas selvas da Guatemala e transformou-se em personagem de Cortázar.
Dar uma ideia de sua imaginação só é possível através de algumas citações. O começo do romance "Uma Aprendizagem..." (1969) é uma frase que vem do nada. A porta de entrada desse livro é uma vírgula: ", estando tão ocupada, viera das compras de casa que a empregada fizera às pressas porque cada vez mais matava o serviço, embora só viesse para deixar almoço e jantar prontos...".
Antes desse comentário doméstico e trivial, Lispector surpreendeu o leitor com uma advertência que é também uma afirmação de seu ser:
"Este livro se pediu uma liberdade maior que tive medo de dar. Ele está muito acima de mim. Humildemente tentei escrevê-lo. Eu sou mais forte que eu. C.L."
E no final de "Água Viva", ergue a voz: "Não vou morrer, ouviu, Deus? Não tenho coragem, ouviu? Não me mate, ouviu? Porque é uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde. Vou ficar muito alegre, ouviu? Como resposta, como insulto".
Seu desmedido desafio à morte impregna muitas das crônicas reunidas em "Revelación del Mundo", que incluem todas as que escreveu para o Jornal do Brasil entre 1967 e 1973. Outras, inéditas, serão publicadas no ano que vem em espanhol sob o título de "Descubrimientos".
Lispector continua sendo um enigma velado que assombra em cada frase, em cada desvio da vida. Morreu aos 57 anos de um câncer nos ovários, depois de ter passado os últimos anos fechada na solidão de sua casa do Leme, perto das areias de Copacabana.
Seu autorretrato cabe em uma frase: "Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa".
A Coragem da Verdade – apresentação e discussão do filme “Verdades e Mentiras” de Orson Welles
Horário: 10:30 h
Data Início: 28 de novembro
Participantes: Grupo de Estética e Psicanálise / RJ Grupo de Arte e Psicanálise / SP
Local: sede do EBEP Entrada franca
Rua Barão de Ipanema nº 56, sala 1001. CEP: 22050-030 - Rio de Janeiro - Copacabana E-mail: ebep@ebep.org.br / Tel: (21) 2257-9454 e Tel/Fax: (21) 2548-9847
Fofoca no trabalho é mais sofisticada e maldosa, afirma estudo
New York Times
Será que a fofoca entre adultos no escritório pode ser mais maliciosa que a dos adolescentes no seriado americano "Gossip Girl"?
Se você não acredita nisso, então deve ter perdido a edição mais recente do "Journal of Contemporary Ethnography". Talvez você tenha visto "etnografia" e tenha deduzido se tratar de relatórios curiosos sobre a Amazônia ou os mares do sul. Porém, desta vez os etnógrafos voltaram do trabalho em campo com um vídeo de um ritual nativo realmente selvagem: professores de uma escola do ensino básico no meio-oeste americano fofocando sobre a diretora por suas costas.
Esses são registros raros de "episódios de fofocas", que têm sido tema de um longo debate teórico entre antropólogos e sociólogos. Um lado, a escola funcionalista, vê a fofoca como uma ferramenta útil para reforçar regras sociais e manter a solidariedade do grupo. A outra escola vê a fofoca mais como um esforço hostil de indivíduos que, de forma egoísta, tentam alcançar seus próprios interesses.
No entanto, ambas as escolas passaram mais tempo teorizando do que observando os fofoqueiros em seus habitats naturais. Até agora, seus fluxogramas das conversas dos fofoqueiros (onde estariam as ciências sociais sem os fluxogramas?) têm sido amplamente baseados em estudos em ambientes informais, como as conversas casuais gravadas em um conjunto habitacional da Alemanha e na cantina de uma escola americana.
Os primeiros estudos descobriram que quando alguém fazia um comentário negativo sobre uma pessoa que não estava presente, a conversa ficava cada vez mais maliciosa, até que alguém imediatamente defendesse a pessoa. Caso contrário, entre adultos e adolescentes, os insultos continuariam, pois havia muita pressão social para concordar com os outros.
Considere, por exemplo, a enxurrada de insultos gravados no estudo de fofocas do colégio, realizado por Donna Eder e Janet Lynne Enke, da Indiana University. Nessa conversa na cantina do colégio, um grupo de garotas da oitava série falavam sobre uma colega de classe acima do peso, cujos seios elas consideravam grande demais para a idade:
Penny: No coral, aquela menina estava sentada na nossa frente e a gente fazia "muuuuu".
Karen: A gente dizia "Vem cá, vaquinha; vem cá".
Bonnie: Eu sei, ela é uma vaca mesmo.
Penny: Ela parece uma vaca gordona.
Julie: Quem?
Bonnie: Aquela menina do time de basquete.
Penny: Aquela vaca ruiva.
Julie: Ah, sei. Ela é uma vaca mesmo.
O novo estudo descobriu que a fofoca no ambiente de trabalho também tende a ser exageradamente negativa, mas os insultos eram mais sutis e as conversas, menos previsíveis, afirma Tim Hallett, sociólogo da Indiana University. Hallett conduziu o estudo junto com Eder e Brent Harger, da Albright College.
"A fofoca no trabalho pode ser uma forma de guerra reputacional", diz Hallett. "É como a fofoca informal, mas é mais sofisticada e elaborada. Há mais sutilezas, pois há indiretas e evasões. As pessoas são mais cautelosas porque sabem que podem perder não apenas uma amizade, mas também o emprego".
Durante seus dois anos estudando a dinâmica de grupo em uma escola básica do meio-oeste americano, que lhe concedeu acesso sob a condição de anonimato, Hallett descobriu que os professores se tornaram tão confortáveis com ele e sua câmera que insultavam livremente seus chefes durante entrevistas individuais. Porém, nas reuniões formais de professoras, onde eles sabiam que outro professor poderia relatar seus insultos à diretora, eles eram mais discretos.
Em vez de fazer críticas diretas, eles às vezes faziam comentários indiretos sarcásticos para sentir o terreno. Eles usavam outra tática indireta categorizada como elogio ao antecessor, como quando um professor lembrou carinhosamente da gestão anterior: "Era tudo tão calmo, podíamos ensinar. Ninguém ficava o tempo todo nos observando". Os outros professores rapidamente concordaram. Ninguém chamou a diretora atual, de forma explícita, de intrometida e autoritária, mas essa era a implicação óbvia.
Alguns professores eram especialmente hábeis em gerenciar a fofoca. Em uma das reuniões, depois que alguém reclamou de um aluno com o cabelo em forma de chifres ("Me diga, isso faz parte do código de vestuário do uniforme?"), o grupo começou a culpar o lapso de disciplina do assistente da diretora. A fofoca parecia seguir o mesmo caminho malicioso da conversa das adolescentes sobre a menina que mais parecia uma vaca, até que outro professor, um aliado do assistente da diretora, interveio de forma sutil.
Primeiro, o professor interrompeu o ataque ao perguntar o nome do aluno com o cabelo de chifre. Isso desviou a fofoca do grupo para as dificuldades acadêmicas e o comportamento estranho do aluno ("Ele assusta as crianças pequenas"). Então, o professor terminou o resgate do assistente da diretora com maestria, mudando completamente de assunto, lembrando a todos de um problema disciplinar diferente que era culpa de um administrador menos popular --a diretora, que prontamente se tornou o novo foco da raiva do grupo.
A fofoca dos professores nunca se tornou tão ostensivamente maldosa quanto à das adolescentes --ninguém foi chamado de vaca--, mas, de alguma forma, os efeitos foram sentidos mais amplamente.
À medida que os professores zombavam da diretora e reclamavam de sua atitude "repressora" e "exagerada", o ambiente ficou mais venenoso. A diretora sentiu que sua autoridade estava sendo minada pela fofoca e reagiu contra os professores que ela suspeitava (acertadamente) serem os autores das fofocas. Os professores a administradores saíram da escola, e as notas dos alunos baixaram.
"A fofoca realmente serviu para reforçar a solidariedade do grupo de professores, mas, neste caso, ela também foi uma forma de guerra que prejudicou a todos", disse Hallet. "É um resquício do velho ditado que diz que a fofoca é uma língua de três pontas: ela pode prejudicar o autor da fofoca e o ouvinte, assim como o alvo".
Alguns chefes tentaram transformar o escritório em "zonas sem fofocas", mas Hallett afirma que é mais realista tentar gerenciá-la.
Digamos, se um rival do trabalho parece estar a ponto de falar mal de um de seus aliados ausentes, Hallett sugere que você faça uma "avaliação positiva preventiva". Um rápido comentário do tipo "Ela não está fazendo um ótimo trabalho?" já pode ser suficiente para impedir o ataque.
Se seu rival tenta persistir com sarcasmo indireto --"É, ótimo trabalho mesmo"--, você pode forçar o assunto ao perguntar calmamente o que isso significa. Essa simples pergunta, uma ousadia com voz agradável, muitas vezes silenciou as fofocas sarcásticas observadas por Hallett.
Se isso não funcionar, Hallett sugere tentar uma tática ainda mais simples que foi usada com sucesso durante as reuniões dos professores --e pode ser usada em qualquer ambiente de trabalho, a qualquer momento. Na verdade, é uma das táticas que distingue a fofoca de trabalho da fofoca "comum". Quando os comentários começarem a ficar maldosos, quando a coisa vai ficando feia, você sempre tem uma saída: "A gente não tem trabalho para fazer não?"
XII Simpósio Internacional sobre Tratamento de Tabagismo e VIII Simpósio Internacional sobre Álcool e outras Drogas 19 a 21 de novembro de 2009 - Colégio Brasileiro de Cirurgiões - CBC - Rio de Janeiro/RJ
Prezados Colegas,
A dependência de drogas é uma das doenças de maior prevalência no Brasil e no mundo. Causa prejuízos sociais astronômicos. Centenas de bilhões de dólares são gastos com suas conseqüências diretas e indiretas. Além disso, é responsável por incontáveis prejuízos emocionais.
Faz-se fundamental que a sociedade como um todo se envolva nessa temática: não apenas os profissionais de saúde, mas os educadores, os advogados, os jornalistas, as diversas camadas da sociedade. Até porque esse é um problema que não escolhe cor, credo ou classe social.
Por isso, é imprescindível discutir políticas de prevenção e tratamento da dependência química. O controle desse grave problema, que deve ser tratado no âmbito da saúde pública, depende sobremaneira da atuação adequada dos órgãos governamentais.
A nós, profissionais e pesquisadores da área, cabe acrescentar novos conhecimentos acerca do assunto à nossa formação. O compromisso desse simpósio é trazer o que há de mais novo no cenário mundial e brasileiro. Para tanto, contamos com a presença de diversos especialistas internacionais e nacionais para discutir os diversos aspectos da dependência de drogas e outros transtornos do impulso, passando da prevenção ao tratamento em todas as faixas etárias.
Neste ano continuamos a dar uma posição de destaque ao tratamento do tabagismo e contamos com um curso pré-congresso direcionado a programas que trabalham essas questões dentro das empresas.
Até lá!
Analice Gigliotti Presidente da ABEAD Presidente do Simpósio
Maiores Informações: http://www.metodoeventosrio.com/tabacodrogas2009/
O CRP-RJ, por meio de seu Grupo de Trabalho Saúde Suplementar, realizará o evento “Saúde Suplementar em debate: a inserção do Psicólogo”, no dia 14 de novembro de 2009 (sábado) das 9h às 18h. O objetivo é aprofundar o debate sobre a relação da Saúde Suplementar com os profissionais psicólogos do estado do Rio de Janeiro.
Entre os temas debatidos, estará presente a Resolução Normativa (RN) nº 167, de 9 de janeiro de 2008, que atualiza o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Essa resolução constitui a referência básica para cobertura assistencial nos planos privados de assistência à saúde, contratados a partir de 1&ord m; de janeiro de 1999, fixa as diretrizes de Atenção à Saúde e dá outras providências.
9h – Abertura - A Saúde Suplementar: Repercussão do Ato Médico :: José Novaes (CRP 05/980) – conselheiro-presidente do CRP-RJ :: Ana Carla Souza Silveira da Silva (CRP 05/18427) – conselheira coordenadora da Comissão de Saúde do CRP-RJ
9h30 - Mesa 1 - Contextualização: O lugar do Psicólogo :: Luciana Massad Fonseca – Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
:: Anice Holanda Nunes Maia (CRP 11/01462) – Conselho Federal de Psicologia (CFP)
10h30 - Mesa 2 - Desafios e ações: panorama atual :: Elda Varanda Dunley Guedes Machado (CRP 06/21555-6) – conselheira do CRP-SP
:: Ana Christina Rigobello (CRP 03/846) – representante do Sindicato dos Psicólogos da Bahia e ex-conselheira do CRP-03 :: Cláudia Durce Alvernaz Harari (CRP 05/17507) – psicóloga do CRP-RJ :: Étila Elane - representante do Sindicato dos Psicólogos do Rio de Janeiro
12h - ALMOÇO
13:30h - Mesa 3 - Saúde Suplementar em suas relações com: :: Psicoterapia: Alexandre Trzan Ávila (CRP 05/35809)&nda sh; colaborador do GT de Saúde Suplementar do CRP–RJ :: Saúde Mental: Ana Lucia de Lemos Furtado (CRP 05/465)- conselheira coordenadora do GT de Saúde Suplementar do CRP–RJ :: Saúde do Trabalhador: André Souza Martins (CRP 05/33917)– colaborador da Comissão de Recursos Humanos do CRP-RJ
14h30 – Grupos de trabalho
:: Debate e proposição de ações para enfrentamento dos impasses referentes à inserção do Psicólogo na Saúde Suplementar
15h45– COFFEE-BREAK
16h – Plen ária
:: Apresentação da relatoria dos grupos de trabalho com indicativo de novas ações para Saúde Suplementar
VI SIMPÓSIO INTERNACIONAL ASSIM FALOU NIETZSCHE NIETZSCHE E AS CIÊNCIAS
17 a 19 de novembro de 2009 - Sala Vera Janacópulos
"Nota: Aproveito a oportunidade que me oferece esta dissertação [I Dissertação deA genealogia da moral, 17] para expressar pública e formalmente um desejo, desejo que até o momento revelei apenas em conversas ocasionais com estudiosos: que alguma faculdade de filosofia tome para si o mérito de promover os estudoshistórico-morais, instituindo uma serie de prêmios acadêmicos – talvez este livro possa dar um impulso vigoroso nesta direção. Tendo em vista tal possibilidade, propõe-se a seguinte questão; ela merece a atenção dos filólogos e historiadores, tanto quanto a dos profissionais da filosofia.
‘Que indicações fornece a ciência da linguagem, em especial a pesquisa etimológica, para a história da evolução dos conceitos morais?’
-É igualmente necessário, por outro lado, fazer com que fisiólogos e médicos se interessem por este problema (o dovalordas valorações até agora existentes): no que pode ser deixado aos filósofos de ofício representarem os porta-vozes e mediadores também neste caso particular, após terem conseguido transformar a relação entre filosofia, fisiologia e medicina, originalmente tão seca e desconfiada, num intercâmbio dos mais amistosos e frutíferos. De fato, toda tábua de valor, todo ‘ tu deves’ conhecido na história ou na pesquisa etnológica, necessita primeiro uma clarificação e interpretaçãofisiológica, ainda mais que psicológica; e cada uma delas aguarda uma crítica por parte da ciência médica.
Todasas ciências devem doravante prepara o caminho para a tarefa futura do filósofo, sendo esta tarefa assim compreendida: o filósofo deve resolver oproblema do valor, deve determinar ahierarquia dos valores".
UNIRIO – CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS Departamento de Filosofia e Ciências Sociais (DFCS) Programa de Pós-Graduação em Memória Social (PGMS)
terça-feira, 17.11.09 - TEMA: NIETZSCHE E A CIÊNCIA
08:00-08:30 – Inscrições
09:00-09:30 – Evento de abertura
09:30-10:00 – Performance: abertura musical
10:00-12:30 – Palestras Prof. Dr. Kathya Hanza (Universidad Católica de Lima/PERU): “Escepticismo como voluntad de poder. Nietzsche, lector de Lange”; Prof. Dr. Miguel Angel de Barrenechea (UNIRIO): “Nietzsche cientista?”; Prof. Dr. Rogério Lopes (UFMG): “Filosofia e ciência: Nietzsche como herdeiro do programa de Friedrich Albet Lange”.
12:30-14:00 – Pausa para almoço
17/11/09 tarde– TEMA: CIÊNCIAS DO CORPO
14:00-16:30 – Palestras: Prof. Dr. André Mota Itaparica (UFRB): “Nietzsche e Darwin: Natureza e moralidade”; Prof. Dr. Silvia Pimenta (UERJ): “Notas sobre grande saúde” e Prof. Dr. Gilvan Fogel (UFRJ): “Corpo como a Realidade Imediata”.
12:30-14:00 – Pausa para almoço
17:00– 19:30 – Palestras: Prof. Dr. Prof. Dr. Maria Cristina Franco Ferraz (UFF): “Nietzsche e a cultura somática contemporânea. Considerações extemporâneas”; Prof. Dr. Daniel Lins (UFCe): “Nietzsche e o elogio da beleza plástica” e Prof. Dr. Scarlett Marton (USP). “Nietzsche, entre a física e a biologia”.
19:30-20:00 – Performance: Música Extemporânea Brasileira (José Luiz Rinaldi).
Quarta-feira, 18/11/09 TEMA: CIÊNCIAS DA NATUREZA E CIÊNCIAS DA CULTURA
09:30-12:00 – Palestras: Prof. Dr. Adriana Delbó (UFG): “Nietzsche e Burckhart: cultura, Estado e glorificação do humano”; Prof. Dr. Claudia Beltran/Patrícia Horvat (UNIRIO): “Nietzsche e a História: entre a fictio e o factio” e Prof. Dr. Rosa Maria Dias (UERJ): “As considerações extemporâneas de Nietzsche e sua metafísica do gênio”.
12:00-13:30 – Pausa para almoço
13:30-16:00 –Palestras: Fernanda Bulhões (UFRN): “Ciência, natureza e filosofia nos primeiros escritos de Nietzsche; Prof. Dr. Charles Feitosa (UNIRIO): “Nietzsche e a Geografia “ e Prof. Dr. Vanesa Lemm (DEUT/CHI): “La dominación biopolítica de la vida en Nietzsche y Adorno/Horkheimer”.
16:00-16:30 – Pausa para café
16:30-19:00 – Palestras: Prof. Dr. Vânia Azeredo (UNIJUI): “A interligação entre Filosofia, Psicologia e Fisiologia no pensamento de Nietzsche”; e Prof. Dr. Jô Gondar/Francisco Farias (UNIRIO): “Nietzsche e a psicanálise” e José Thomaz Brum (PUC/RJ): “Nietzsche e o Contemporâneo”;
19-30 – 21:30 - Palestras: Prof. Dr. Rafael Haddok Lobo (UFRJ): “Nietzsche por detrás da Gramatologia de Derrida ou a desconstrução do signo” e Paulo Pinheiro (UNIRIO): “Nietzsche, a linguagem e a retórica”.
Quinta-feira, 19/11/09 – TEMA: CIÊNCIAS DA SOCIEDADE
09:30 – 12:00 – Palestras: Prof. Dr. Ivo Dantas (UNIFESP): “Nietzsche e a epistemologia do domínio”. Prof. Dr. Javier Lifschitz (UNIRIO): “Nietzsche e a sociologia” e Antonio Edmilson Paschoal (PUCPR): “O ressentimento como um fenômeno social”
12:00 – 13:30 – Almoço
13:30-16:00 –. Prof. Dr. Rosana Suarez (UNIRIO): “Nietzsche e a filologia: questões de interlocução”. Prof. Dr. Valéria Wilke (UNIRIO): “A ‘Quinta Extemporânea’: das vantagens e desvantagens da filosofia para a vida – homem e super-homem na polis ou sobre a grande política e as políticas públicas”. Prof. Dr. Wolfgang Bock (DEUT/WEIMAR e UNIRIO): “Nietzsche e Benjamin: tradução e filologia”.
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS (CCH) – Av.Pasteur 458
16:00-17:00 Pausa para Café
17:00 – 19:00 Comunicações (CCH)
19:00 – 20:00 Performance “Dionisos e o eterno retorno da alegria” (Letícia Damasceno e Grupo Fronteiras) - Festa de Encerramento nos Jardins do CCH
OS EFEITOS DA ESCRITA NA PASSAGEM AO ATO SUICÍDA Lenita Bentes
Psicanalista, Membro da Associação Mundial de Psicanálise (AMP), Membro da Escola Brasileira de Psicanálise /Seção Rio, Mestre e Douturanda em Teoria da Clínica Psicanalítica pela UERJ, Coordenadora da Unidade de Pesquisa da UERJ.
MORTE E LUTO Mirtha Ramirez
Psicóloga (05/9090), Psicanalista (CEP), Sócia, Psicoterapeuta Corporal em Análise Psico-Orgânica (CEBRAFAPO) Fundadora do Banco de Horas – IDAC, Membro Titular da Associação Brasileira de Análise Psico-Orgânica (ABRAPO.
Data/Hora: 27/11/2009 – 6ª f. às 19:30
End: Rua Maria Eugênia, 215/sl. 201 - Humaitá/RJ
Informações: Comissão Cultural da ABRAPO Tels: Silvana Sacharny: 2537-4081 Ana Luisa Baptista: 3062-3400
Mito e ética: Sócrates e Kant, com Antonio Medina Rodrigues
Antonio Medina Rodrigues participa do Café Filosófico CPFL em São Paulo nesta quarta-feira, dia 11 de novembro, a partir das 20h30, com o tema "Mito e ética: Sócrates e Kant ". A palestra faz parte do módulo "Mitos. O que esperar de nossos ancestrais?", que conta com sua curadoria.
"Insistentemente fala-se em ética hoje, e fala-se como se ela fosse uma senhora idosa. Erro crasso. Não adianta falar disso. Não adianta falar de política. Sócrates cansou. Para Protágoras, todos tem razão em tudo, inclusive adversários. Kant, igualmente cansado, incluiu nesse problema o seu momento épico, ou seja: prove com tua vida, meu! Tenho de jogar tudo na mesa. Para falar deveras. Caso contrário, cala-te. Para a verdade só interessam novos heroísmos."
Antonio Medina Rodrigues é professor de língua e literatura grega na USP. Conferencista da Casa do Saber, Medina é, também, tradutor, poeta e ensaísta. Autor de inúmeros artigos publicados na imprensa de São Paulo, que serão recolhidos em Papo Cabeça, da Ateliê.
Participação
O público poderá participar enviando perguntas para o e-mail cpflcultura@cpfl.com.br, com o nome da palestra no campo assunto. As questões serão encaminhadas ao curador e poderão ser utilizadas nos encontros. As discussões também poderão ser acompanhadas pela transmissão ao vivo.
Serviço
Os encontros em São Paulo são realizados às quartas-feiras, às 20h30, no Tom Jazz (Avenida Angélica, 2331). A entrada é gratuita e por ordem de chegada, a partir das 18h30. Mais informações no site www.cpflcultura.com.br ou pelo telefone (19) 3756-8000.
Quem não mora em São Paulo pode acompanhar pela internet
18h - Abertura: :: Francisca de Assis Rocha Alves - conselheira e presidente da Comissão Gestora da Subsede de Nova Iguaçu do CRP-RJ :: Maria da Conceição Nascimento - conselheira e presidente do Grupo de Trabalho de Psicologia e Relações Raciais do CRP-RJ
18h30 – Roda de Conversa: Psicologia e Saúde da População Negra :: Membro do coletivo CRIOLA :: Adriana Soares Sampaio – Instituto de Psicossomática Psicanalista Oriaperê :: Andris Cardoso Tibúrcio - Coordenação de Saúde da Família da Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu
20h - Apresentação Cultural – Alunos da Escola Arruda Negreiro
21h – Lanche e Encerramento
U E R J
17h30 – Credenciamento
18h – Mesa de abertura :: Ademir Pacelli – Departamento de Psicologia da UERJ :: José Novaes – conselheiro-presidente do CRP-RJ :: Maria da Conceição Nascimento – conselheira e presidente do Grupo de Trabalho de Psicologia e Relações Raciais do CRP-RJ
18h30 - Apresentação da esquete RACISMO NA SAÚDE - Companhia da Saúde
19h – Mesa: Subjetividade e Racismo em debate ::“Democracia Racial: o não dito racista”: Ronaldo Laurentino Sales – sociólogo da Universidade Federal de Campina Grande/PB :: “População Negra e Subjetividade: impactos do racismo”: Marco Antônio Chagas Guimarães – psicólogo e psicanalista do Instituto de Psicossomática Psicanalítica Oriaperê :: Coordenação: Celso Moraes Vergne – GT Psicologia e Relações Raciais