DICA DE DVD

Déjà Vu

http://downloads.open4group.com/wallpapers/dejavu-filme-70542.jpg

Todo mundo já passou pela inquietante sensação do mistério do déjà vu - aquele lampejo de memória quando conhecemos alguém novo e sentimos que já o conhecemos, ou quando reconhecemos um lugar apesar de sabermos que nunca estivemos lá antes. Mas e se essas sensações estranhas e assustadoras forem, na verdade, avisos enviados do passado ou pistas para um futuro em andamento? No novo e instigante suspense de ação do produtor Jerry Bruckheimer e do diretor Tony Scott, escrito por Terry Rossio & Bill Marsilii, é a sensação de déjà vu que guia, inesperadamente, o agente da Agência de Tabaco, Álcool e Armas de Fogo (ATF), Doug Carlin (DENZEL WASHINGTON) através da investigação de um crime estarrecedor. Chamado para recuperar provas após a explosão cataclísmica de uma bomba em uma balsa de Nova Orleans, Carlin está prestes a descobrir que aquilo que a maioria das pessoas acredita que esteja só na mente delas é, na verdade, algo bem mais poderoso - e isso o levará em uma corrida de manipulação da mente para salvar centenas de pessoas inocentes. Na medida em que a investigação se aprofunda, ela não apenas investiga os planos de tempo e espaço mas também se torna uma história de amor inovadora que se passa de trás para frente, quando Carlin descobre sua confusa ligação emocional com uma mulher cujo passado guarda o segredo para impedir uma catástrofe que poderia destruir o futuro deles. Na fração de um segundo de um olhar, sem palavras, mas de total confiança, Carlin tem a chance de mudar tudo.



Escrito por Regina Lopes às 23:06
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Escrito por Regina Lopes às 18:45
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IBH - INSTITUTO BRASILEIRO DE HIPNOSE APLICADA
CRP-PJ  05344
Resp. Téc. Clystine Abram
CRP-05 15048

 

I SIMPÓSIO MULTIPROFISSIONAL DE ATENÇÃO HUMANIZADA À SAÚDE

DIA 10 DE NOVEMBRO DE 2009

LOCAL - HOSPITAL PHILIPPE PINEL – RJ

PROGRAMAÇÃO

08:00 - ABERTURA
08:30 – A INFLUÊNCIA DA ESPIRITUALIDADE NA SAÚDE
Denise Assis (Psicologia IBH)

09:00 – TECNOLOGIA ASSISTIVA: O COMPUTADOR ADAPTADO PARA OS DEFICIENTES VISUAIS E TETRAPLÉGICOS
Antonio Borges (Análise de Sistemas – Pesquisa – NCE-UFRJ)

09:50 – PRÁTICA DE PESQUISA EM HOSPITAL
Luciana Saiter (Psicologia UFF)

10:10 – COFFEE BREAK

10:30 – ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR NA OBESIDADE MÓRBIDA
Equipe de cirurgia bariátrica do HFAG
Nancy Ferreira / Flávia Costa (Psicologia HFAG)
Karina Mauro (Nutrição HFAG)
Sérgio Furrer (Endocrinologia HFAG)
Bernadete Valente Faria (Serviço Social HFAG)

11:30 – ATENDIMENTO HUMANIZADO À GESTANTE CARDIOPATA
Natália Pinho de Oliveira Ribeiro (Psicologia UFF)
Alexandre Rafael de Mello Schier (Psicologia UFF)
Coord. Adriana Cardoso

12:00 – ALMOÇO

13:00 – O RISCO DO ADOECIMENTO MENTAL NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Lislie Gomes (Medicina UNESA)

13:20 – A UTILIZAÇÃO DA HIPNOSE NO CTI
Clystine Abram (Presidente IBH - Psicologia)

14:00 - PREVENÇÃO: ADOTE E CULTIVE ESTE HÁBITO!
Luiz de Souza e Silva (Presidente ONG Núcleo e Ação)

14:30 – REABILITAÇÃO FÍSICA DE CRIANÇAS EM HEMODIÁLISE
Maria Margarete de Souza – (Fisioterapia SEFHAM e CDR Botafogo)

14:50 - HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE: LÓGICA OU REDUNDÂNCIA?
Carlos Eduardo Urjais Rodrigues (Gestão Hospitalar – SEFHAM – Prof. IBH)
Marta Elini dos Santos Borges (Psicologia Min. Saúde HGB – Profª. IBH)

15:10 – COFFEE BREAK

15:30 – AUTISMO: UMA VISÃO MUITO ESPECIAL
Heloisa Helena de Almeida Neves (Fonoaudiologia UFRJ)

16:00 – TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS
Shirley Souza (Fisioterapia Min. Saúde HGJ)
Heverton José Gonçalves (Méd. Veterinária – Hosp. Jorge Watse)
Alexandre Monteiro (Psicologia CENTRONATI)
Beatriz Berro (Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia – Hípica-RJ)

Investimento: Até 30/10/09 estudantes de graduação e do IBH – 25,00 profissionais – 40,00
Após 30/10/09 estudantes de graduação e do IBH – 35,00 profissionais– 55,00
Serão conferidos certificados aos participantes.
Coord: Marta Elini S. Borges CRP-05 5894

Inscrições:
ibha@ibha.com. br
ou pelos telefones: (21) 2549-4413 ou (21)85004413
 
- VAGAS LIMITADAS -

Divulgação:
Cadastre-se no site do CCNS e manifeste sua intenção de participar do evento, para receber em primeira mão as notícias do simpósio e garantir sua vaga!


Escrito por Regina Lopes às 18:26
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Escrito por Regina Lopes às 21:28
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DELPHOS

 

XV Jornada Científica

 

Perdas     Crises   Transformações

 

06 de novembro – 10 às 18hs

 

 Workshop “Perdas e Ganhos”

 

Com Dr. Sérgio Perazzo

 

Jornada

 

07 de novembro

 

 

 

Local

Delphos – Rua João Afonso, 20 Humaitá

Rio de Janeiro

 

Informações

delphos@delphospsic.com.br

(21) 2537 – 6534 / 2527 – 1933 

  

http://www.delphospsic.com.br/

 

 

 

Programação da XV Jornada – 07 de novembro

 

09h/10:30h

Credenciais / Abertura

 

Painel I: Lindando com Perdas

 

Perdendo e Ganhando na Dinâmica Familiar

Psic Maria Cecília Veluk Dias Baptista

 

10:30h/12h

 

Sexo na 3ª idade – Perdas?

 

Ms. Jorge Maurício Santa Bárbara

 

Perda da Cidadania. O que fazer?

 

12h/13:30h

 

Almoço

 

Painel II: Crises Contemporâneas

 

13:30h/15h

 

O Sexo e casamento: crise ou prazer?

 

Psic. Nice Pereira Brandão

 

Crise Organizacional

Psic. Mary Marly Basílio de Barros

 

15h/15:30

 

Intervalo

 

Painel III: A  Importância de Transformação

 

15:30h/17h

 

As propostas morenianas para a transformação

 

Ms. Carlos Rubini

 

EMDR – um novo caminho para transformação

 

Psic. Lilian R. Tostes

 

O Sociodrama e o EMDR no Programa Ajuda Humanitária

MS. Jorgelina Carvalho

 

17h/18:30h

 

Sociodrama do Encerramento

 

Direção: Psic. Du Carmo Mendes

 

 

Investimento

 

Pagamento no Delphos

Ou depósito identificado no Unibanco – Agencia Humaitá: 0747

C/C nº 105705-4 a favor de Delphos Espaço Psicosocial

 

Jornada

 

Associados Delphos – R$ 40,00

Assoc. FEBRAP/ATF – RJ R$ 50,00

Profissionais – R$ 60,00

Estudantes de Graduação – R$ 30,00

No local - + R$ 10,00 em cada categoria

 

 

 

 



Escrito por Regina Lopes às 12:34
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Idosos se aproximam do mundo virtual

http://www.faf.edu.br/imprensa/fotos/grande/d4fb29e01daf3f7089d43e0ddbe51223.jpeg

 

Em uma comunidade do Rio de Janeiro, os moradores que já passaram dos 60 anos estão cada vez mais perto do mundo virtual.

Sandra Passarinho - Rio de Janeiro

Para muitos idosos, o computador não é mais aquele bicho de sete cabeças.

A novidade é um sucesso na cidade de deus. Os idosos representam 20% dos alunos do curso. Maria do Socorro chegou assim no 1º dia de aula. "Eu pedi pro professor me apresentar a fera. não sabia de nada, nem como ligar", diz ela.

Um mês depois... "Isso aqui é o monitor, isso aqui é o teclado, isso aqui é o mouse".

Lá se aprende o be-a-bá da alfabetização digital. O curso abre uma porta para a descoberta de um mundo que maior parte desses idosos só conhecia de ouvir falar. Vários alunos ainda trabalham e começar a usar a internet para procurar informações profissionais. É o caso do eletricista Paulo César Inácio.

"Ajuda porque onde trabalho tem esse sistema", diz ele.

O acesso à rede facilita o pagamento de contas e ajuda o aposentado a se atualizar. "Gosto de saber como é que andam as políticas por aí...", diz uma senhora.

A vovó de 74 anos começou a se interessar por informática em casa, estimulada pelos netos, e hoje disputa o computador com eles. "Eles me vêem no computador e mandam eu sair. Eu digo não, vocês têm computador na casa de vocês".

O neto de Marta Azeredo montou aparelho na casa da avó. Ela já sabe mandar Correios e acha que a internet é importante para romper o isolamento do idoso.

"Por dentro eu me sinto com muita vida, mesmo. Eu sinto que sou capaz de fazer muita coisa. Ajudar também muita gente", diz uma senhora.

A gente conversou - ao vivo - pelo computador - com a dona Regina Simões que depois de se aposentar virou professora de informática. Assista ao vídeo.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 15:36
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Jogo eletrônico estimula a violência entre jovens

http://memoriasealem.files.wordpress.com/2009/03/bully.jpg

 

As escolas públicas e privadas de Pernambuco podem ser obrigadas a incluir no projeto pedagógico o combate ao bullying. É o que prevê um projeto de lei.

No meio da rua, no centro do Recife, se compra um game pirata no qual os competidores são estimulados a perseguir os estudantes mais gordinhos ou os chamados nerds e a bater neles.

É o que se chama de bullying, um tipo de agressão gerada pela intolerância, que está nas escolas e agora também nesses jogos eletrônicos.

“Ser valentão estimula essa violência. Vivemos em uma sociedade em que a perversão e o prazer em ver o sofrimento do outro”, diz Carlos Brito, psicólogo.

Mas essa violência pode virar caso de polícia. É o que uma turma de Direito está estudando.

“Existem medidas sócioeducativas que vai dar advertências, liberdade assistida, prestação de serviços à comunidade, a semiliberdade e o caso excepcional que é a prisão”, fala Anabel Pessoa, coordenadora do curso de Direito.

As escolas públicas e privadas de Pernambuco podem ser obrigadas a incluir no projeto pedagógico o combate ao bullying. Isso é o que prevê um projeto de lei que está na Assembleia Legislativa.

Se a lei contra o bullying já estivesse em vigor em Pernambuco, provavelmente um rapaz não teria as marcas que tem hoje da perseguição que sofreu. “Você passa a se sentir totalmente diminuído, excluído, você passa a se sentir nada”, afirma.

Situação que Humberto Suassuna, estudante, não precisa mais enfrentar. Ele tem síndrome de down. Está no último ano do curso de educação física. Assim que percebeu o comportamento dos colegas dele, a direção da faculdade destacou um monitor para acompanhá-lo todo o tempo. “Sempre teve essa preocupação de me atender, me acolher, consegui ficar em sala regular e através disso eu vou conquistando a quebra desse paradigma”, afirma.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 15:31
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Pessoas mal-humoradas são mais atentas

http://3.bp.blogspot.com/_YtlqvHJdMrM/SZAhRKh4VtI/AAAAAAAAB38/UFPeKi1LWYY/s400/mal.jpg

 Um estudo mostra que pessoas mal-humoradas conseguem ser mais atentas, podem ter uma memória melhor e tendem a tomar decisões mais prudentes.

Lília Teles - Nova York

A pesquisa desafia o senso comum. É difícil acreditar que um pouco de mau humor e tristeza podem até fazer bem.

A pesquisa enche a bola dos rabugentos. O estudo diz que as pessoas mais negativas, que têm sempre o pé atrás, desconfiadas, têm uma capacidade de análise maior e conseguem pensar mais claramente. Ao contrário daquelas pessoas muito alegres, muito flexíveis, os mais amargos têm mais facilidade para tomar decisões e são menos ingênuos. O estudo foi conduzido por um professor de psicologia de uma universidade australiana, Joseph Forgas.

Ele observou voluntários que assistiram a diferentes filmes e também falaram sobre passagens positivas ou negativas da vida de cada um, para ver se isso os deixava de bom ou de mau humor.

Depois os participantes discutiram assuntos variados e descreveram eventos que tinham testemunhado.

A conclusão da pesquisa é que enquanto um estado de ânimo positivo facilita a criatividade e a cooperação, os mal humorados cometem menos erros e são melhores comunicadores porque são mais cautelosos com os julgamentos e prestam mais atenção ao mundo externo, ou seja, nem sempre é bom estar de bom humor. Às vezes, euforia demais atrapalha.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 15:26
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Violência de gangues amedronta Chicago, nos EUA

 

 

Em Chicago, cidade onde Barack Obama comemorou sua eleição como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos,

moradores têm receio de deixar suas casas com medo da violência de gangues.



Escrito por Regina Lopes às 11:06
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O primeiro copo de cerveja antes dos 13 anos

O primeiro copo de cerveja antes dos 13 anos

Álcool e adolescentes, uma mistura pra lá de perigosa. Apesar da venda ser proibida para menores de 18 anos, conforme a Lei nº 9294, de 15 de julho de 1996, não é dificil encontrar jovens abaixo dessa idade consumindo cerveja e destilados.

Na pesquisa desenvolvida pelo projeto "Este Jovem Brasileiro", mais de 80% dos entrevistados, entre 16 e 18 anos, já experimentaram álcool e 90% alegaram que a bebida é facilmente adquirida.

Além da saúde desses jovens estar em jogo, há também sérios problemas de convivio em sociedade que trazem consequencias mais sérias na idade adulta. Às vezes, o primeiro gole vem de forma ingênua e também associado a problemas em casa. Filhos de pais que nunca viveram juntos; jovens que têm relação ruim ou péssima em casa; famílias em que pai e mãe bebem demais, além de alunos com desempenho péssimo na escola e que faltam demais às aulas, são os grupos mais propensos a consumir frequetemente bebidas alcoólicas, conforme o estudo do Portal Educacional (www.educacional.com.br).

A pesquisa também mostrou os "fatores de proteção" ao consumo mais pesado: ter uma relação boa ou ótima dentro de casa, ter pai e mãe que não bebem muito, seguir uma religião e praticar uma atividade física moderada.

"Ela aponta para a necessidade de se discutir essas questões de uma forma mais séria, mas ao mesmo tempo mais dinâmica, dentro e fora da escola. E é fundamental que o jovem participe ativamente dessa discussão. Ele precisa entender os riscos e impactos do consumo abusivo de álcool e aprender a se relacionar com a bebida de uma forma mais saudável", comenta Jairo Bouer, médico psiquiatra e coordenador da pesquisa.

O estudo do Portal Educacional com 12 mil alunos, de 13 a 18 anos, e outro feito pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), do Estado de São Paulo, confirmam que muitos jovens buscam a bebida entre 11 e 13 anos. Dos 11.846 jovens que responderam à pesquisa do portal, 7924 já beberam. Desses, 37% começaram aos 13. Já no Cratod, outro dado relevante: metade dos 512 pacientes entre 12 e 17 anos atendidos lá têm pais ou parentes próximos com problemas relacionados ao consumo de álcool.

O álcool, assim como as drogas, causa uma relação de dependência e deve ter consumo controlado desde a adolescência. Entre adultos e jovens já se estima que o número de dependentes esteja entre 10% e 15% da população mundial. No Estado de São Paulo, por exemplo, pelo menos 1 milhão de pessoas sofrem desso alcoolismo.

Conforme o Ministério da Saúde, o alcoolismo é uma doença tratável, mas ainda não há cura. Isto significa que mesmo que um dependente de álcool esteja sóbrio por muito tempo e tenha sua saúde de volta, ele ainda está suscetível a recaídas e deve continuar evitando todas as bebidas alcóolicas.




Escrito por Regina Lopes às 22:26
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O drama do alcoolismo cresce entre as mulheres

http://mercadoetico.terra.com.br/website/wp-content/uploads/2009/10/alcoolatras.jpg



O número de mulheres dependentes do álcool aumentou nas últimas décadas, conforme indica o "I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira". A pesquisa investigou em detalhes como o brasileiro bebe e mostrou que, em duas décadas, a proporção de mulheres entre a população alcoólatra passou de 10% para 30%.

De acordo com a pesquisa, 23% dos brasileiros (homens e mulheres) bebem frequentemente e pesado. Entre as mulheres, 17% bebem mais de quatro doses - considerado abusivo - e 63%, menos de duas. A pesquisa, feita pelo Conselho Nacional Antidrogas, em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas e a Universidade Federal de São Paulo, revelou também que 12% da população têm algum problema com o álcool.

O diretor do Centro Terapêutico Novo Horizonte, que fica em Itu, interior de São Paulo, Adriano Alves, analisa que a independência feminina seria a maior razão desse aumento no número de mulheres alcoólatras. "Foi um processo similar com o cigarro. Com o decorrer dos anos, as mulheres buscaram várias formas de se autoafirmar perante a sociedade. Antes era o cigarro, agora é o álcool", afirma.

Ele diz que ainda não é possível estabelecer um padrão, de quando e porque a mulher começa a beber. "Estudos que dizem que a maior parte das mulheres bebe como forma de se livrar dos sintomas da depressão inicial. Por outro lado, existe a tese que algumas fazem isso como forma melhorar o relacionamento com amigos", comenta. "Mas, sem dúvida, a influência dos pais é fundamental neste processo. Nos 17 anos de trabalho do Centro Terapêutico, podemos notar que 50% dos pais de jovens dependentes também bebem". Segundo Adriano, o alcoolismo é uma doença que afeta não apenas o paciente, mas toda a família, por meio da codependência.

Nem toda mulher sabe que que está consumindo em excesso. E aí mora o perigo de ser alcoólatra e nem saber. "A síndrome da dependência do álcool é uma doença caracterizada por compulsão (necessidade forte e desejo incontrolável de beber), perda de controle (inabilidade de parar de beber uma vez que já começou) e dependência física (com sintomas de abstinência como náusea, suor, tremores e ansiedade). Esses sintomas são aliviados com a ingestão da bebida ou outra droga sedativa. Quando a tolerância ao álcool diminui e a necessidade de beber fica cada vez mais para se sentir alto, é preciso atenção. "Não são necessários todos os elementos para caracterizar a doença. Mas se a pessoa já se deparou com esses sintomas, é hora de procurar ajuda", sugere Adriano.

Segundo ele, existem várias formas de tratamento, que começam com o apoio familiar e passam por acompanhamento psicológico em grupo ou individual, acompanhamento psiquiátrico e, em último caso, internação. "Procurar um profissional qualificado de imediato pode ser essencial para a pronta recuperação da paciente. Mas sempre se deve ter em mente que o alcoolismo não tem cura", lamenta Adriano. Isso significa que o dependente, nesse caso, sempre está sujeito à recaídas. "Por isso, continuar bebendo socialmente pode ser uma grande armadilha".

A drunkorexia (anorexia com bebida alcoólica) também é uma (nova) grande entre as mulheres. Elas deixam de se alimentar para beber. "Além de causas estéticas, essa doença é impulsionada por cobranças do mercado, angústias e compulsões profissionais. Buscando manter um corpo dentro do padrão exigido, algumas pessoas restringem o consumo necessário de nutrientes para o organismo e descontam seus anseios na bebida".

Quem bebe compulsivamente tenta se livrar da depressão, buscando momento de prazer, seguindo a mesma lógica das drogas em geral. Quer fugir da realidade. Ou então, vê-la pelo fundo da garrafa.

Por Sabrina Passos (MBPress)

Fonte: Vila Equilíbrio



Escrito por Regina Lopes às 22:22
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http://www.aislinnahimana.blogger.com.br/setrtrt.JPG

 

Para encontrarmos o projeto original de um indivíduo, precisamos compreender a imagem que ele aprendeu a ter de si próprio; a totalidade de significação que ele assegura à sua existência. Examinando historicamente a vida de uma pessoa, não como uma forma de descobrir as causas determinantes do comportamento mas para entender o processo de valorização que o indivíduo faz de suas alternativas de vida, procura-se entender a formação desse projeto. (ERTAHL, 1999, p. 65).



Escrito por Regina Lopes às 18:21
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Morre aos 100 anos o antropólogo Lévi-Strauss

Claude Lévi-Strauss

A ligação de Strauss com o Brasil foi crucial em sua carreira

O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que conviveu com tribos indígenas do Mato Grosso e da Amazônia, faleceu na madrugada do último domingo aos 100 anos de idade, informou nesta terça-feira um porta-voz da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris.

Lévi-Strauss era considerado o maior intelectual francês vivo. Ele exerceu uma importante influência sobre as ciências humanas na segunda metade do século 20.

Nascido em Bruxelas, na Bélgica, o antropólogo foi um dos fundadores do chamado pensamento estruturalista, segundo o qual os processos sociais são originários de estruturas fundamentais que são frequentemente não-conscientes.

Professor honorário do Collège de France, que reúne os grandes intelectuais do país, e único membro centenário da Academia Francesa de Letras, Lévi-Strauss foi professor de sociologia na Universidade de São Paulo de 1935 a 1938.

Brasil

Segundo o próprio Lévi-Strauss, f oi esse convite para lecionar no Brasil que inspirou sua vocação para a etnografia – o estudo descritivo das sociedades humanas.

De 1935 a 1939, ele organizou e dirigiu várias missões de estudos de tribos indígenas no Mato Grosso e na Amazônia.

Em 1955, ele publicou Tristes Trópicos, sua obra mais famosa, que o tornou conhecido no mundo todo.

O livro mistura lembranças de viagens, meditações filosóficas e relatos de seus encontros com os índios brasileiros, o elemento central da obra.

A obra científica de Lévi-Strauss, desde seus primeiros trabalhos sobre os índios no Brasil, foi reconhecida internacionalmente. Ele renovou os estudos dos fenômenos sociais e culturais, principalmente dos mitos.

No ano passado, o Museu do Quai Branly, em Paris, realizou um evento para celebrar o centenário de Lévi-Strauss com leituras de suas obras e documentários sobre sua vida, além de fotografias e exposições de objetos das diferentes populações estudadas pelo antropólogo.

Lévi-Strauss sofria de mal de Parkinson e completaria 101 anos no próximo dia 28.



Escrito por Regina Lopes às 18:20
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Gentileza gera gentileza

A mais subestimada das virtudes humanas faz muita falta no mundo

Eliane Brum
 Reprodução
ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br
Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo.
É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo)

Vivo num prédio em que boa parte das pessoas não dá bom dia. Nem mesmo um grunhido. Nada. Fora o resto. Na semana passada, abrimos o porta-malas do carro para retirar as compras do supermercado, bem ao lado do elevador. Duas mulheres puxaram a porta antes que conseguíssemos alcançá-la, para não ter de dividir o elevador. Puxaram a porta, porque se ela tivesse fechado naturalmente teria dado tempo de entrarmos. Dá para acreditar? Claro que dá. Volta e meia cruzo no pátio, indo ou vindo, com gente que vai ou vem – e abaixa rapidamente a cabeça para não cruzar os olhos e, então, ser obrigada a me cumprimentar. Essas pessoas não me conhecem, nem sabem se sou bacana ou chata, logo, não é pessoal. Até o zelador, cujas atribuições incluem dar bom dia, só cumprimenta quando está de bom-humor.

Então, aconteceu.

Aquele vizinho, em especial, me irritava muito, porque ignorava solenemente meus sonoros bom-dia e boa-noite. Ele simplesmente passava por mim – e por todo mundo – numa marcha militar, olhos fixos em alguma movimentação de tropas no campo adversário. Eu voltava da minha aula de pilates, na manhã de quarta-feira, toda alongada e saltitante, quando o vi avançando em passadas largas na minha direção. “Bom dia!”, eu disse. Nada. Grilos. Cri, cri, cri.

Aquilo me irritou muito. Mas muito mesmo. Não pensei. Simplesmente me virei, marchei mais rápido do que ele, postei-me na sua frente e gritei: “Bom dia! É importante dar bom dia para as pessoas!”. Ele ficou totalmente desconcertado. E o resto eu não vi, porque marchei direto para o elevador, num passo tão marcial como o dele.

Foi uma cena totalmente absurda. Eu fui absurda. Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza. E não é nada gentil obrigar alguém a ser gentil. Eu fui o oposto de gentil gritando diante do homem que ele deveria ser gentil.

Mas o episódio serviu para que eu pensasse nessa virtude tão subestimada em nosso mundo. Gentileza parece algo menor, descartável. Em alguns casos, até meio otário. Ou fora de moda. Até para escrever essa coluna me pareceu prosaico demais. Pensei: vão achar que estou sem assunto. Então, decidi correr o risco de soar piegas.

“Gentileza gera gentileza”, o título da coluna, foi tomado emprestado dele, o próprio Gentileza. Se você não o conhece, vá atrás de sua história. Garanto, vai ganhar o dia. Eu mesma, na minha ignorância, só sabia que Gentileza havia sido um poeta das ruas que escrevia pelas pilastras do Rio de Janeiro, um pouco maluco, meio folclórico, um tanto extraordinário. E que um dia foi tema de uma música de Marisa Monte. Era bem mais do que isso, descobri. Gentileza foi um grande homem, com um grande legado e uma grande vida.

Passou a maior parte dela pregando a gentileza como um modo de existir. Depois que morreu, em 1996, velhinho, aos 79 anos, a Companhia de Limpeza Urbana do Rio cobriu seus escritos nas pilastras do viaduto do Caju com tinta cinza. Não podia ser mais simbólico. O apagamento de Gentileza gerou um movimento de reação chamado “Rio com gentileza”, que resgatou o livro urbano de Gentileza e propõe a gentileza como uma forma de estar no mundo. Comecei a pesquisar sobre o Gentileza na internet e de cara entrei no site do movimento. Depois de uma delícia de passeio por lá, saí com vontade de propor o movimento Brasil com gentileza para o meu vizinho.

É sério. Parece pouco. É muito. Faz uma enorme diferença. Quando somos maltratados em algum lugar, por alguém, isso já envenena o nosso dia. E desencadeia reações desencontradas em cadeia. Por outro lado, às vezes nem percebemos, mas a beleza de outro dia, nosso suspeito bom-humor num dia comum, começou lá atrás, quando alguém teve um gesto gentil, nos acolheu com simpatia, nos tratou bem. Seja o nosso chefe, o motorista do ônibus, o balconista da padaria. Faz bem para a vida ser tratado com gentileza. E um gesto gentil também desencadeia reações similares em cadeia. Gentileza, o profeta, tinha toda a razão quando respondia aos que o chamavam de maluco: “Maluco pra te amar, louco pra te salvar”.

Gosto muito de observar as pessoas, os enredos. Percebo que grandes desencontros são desencadeados por um detalhe muito pequeno. É como aquelas cenas de animação, em que o personagem tira uma pedrinha do lugar e causa uma avalanche. Você já deve ter visto em alguma reunião de empresa ou mesmo dentro de casa ou numa repartição pública. Alguém fala algo sem nenhuma gentileza, que poderia ser dito de um jeito muito mais cuidadoso. O destinatário daquela mensagem recebe como agressão e retruca um tom acima. Daí em diante, já era. Não acaba em nada de bom.

Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.

Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar.

Por que algo tão essencial se tornou supérfluo? Porque gentileza não se consome, talvez. Não tem valor monetário. Não se ganha nada de material com ela. Também não custa nada.

Esta, em parte, é a insubordinação contida na arte de Gentileza, o poeta das ruas. Ele, que nunca aceitou um centavo pela sua gentileza. Dizia: “Cobrou é traidor – o padre tá esmolando, o pastor tá pastando e o papa tá papando, papão do capeta capital”.

O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer. Como o que Gentileza deu à cidade do Rio de Janeiro: não apenas seus escritos, mas seu existir. Sua estética era sua ética, ele as continha ambas no seu viver.

Era grande o que ele gerava nas vizinhanças do Caju, ao dar algo que ninguém pediu – sem querer ganhar nada com isso. Nos últimos tempos só acenando sorridente ao lado de sua obra física. Suavemente ele punha abaixo a lógica do mundo. Só sendo. E ser era tão subversivo que, na época da ditadura, chegaram a achar que Gentileza era comunista. Teve de dar explicações às autoridades sobre as iniciais PC do estandarte que então carregava pelas ruas: não, não, PC não era Partido Comunista, mas Pai Criador.

Hoje, tratar mal as pessoas, marchar pelos corredores, fechar a cara, não dar bom dia e dizer coisas duras sem nenhum cuidado parece ser um atributo dos poderosos. Quase uma virtude. Ao conhecer alguns CEOs por aí, fico imaginando se no currículo deles está escrito: “Há 20 anos grita com quem está abaixo dele na hierarquia”. Ou: “Tem PhD por Harvard em humilhação dos subordinados”. Ou ainda: “Massacra os funcionários em inglês fluente, mas se for necessário pode xingar também em francês e mandarim”.

O conjunto de características que costuma cercar o poder é imediatamente incorporado pelos subordinados. Nessa lógica, há sempre alguém mais ferrado que podemos maltratar, a quem não precisamos beneficiar não com a nossa gentileza, porque gentileza não tem nada a ver com isso, mas a quem não precisamos beneficiar com a nossa bajulação. Canso de ver motoboys ser maltratados por recepcionistas de empresas chiques, enquanto me tratam bem porque numa rápida avaliação da minha roupa acreditam que talvez, quem sabe, posso ser alguém importante. Canso também de ser gentil e, por isso, ser tratada com rispidez, porque confundem minha gentileza com fraqueza. Recuso-me a embarcar nessa lógica que me obrigaria a falar alto e exalar arrogância para ser tratada com deferência. Prefiro falar com delicadeza e exalar apenas o meu perfume.

Acho que ser gentil não é nada prosaico, é um ato de resistência diante de uma vida determinada por valores calculáveis: só faço tal coisa se ganhar algo em troca, seja dinheiro ou um dos muitos pequenos poderes ou um ponto a mais com quem manda. A gentileza vira essa lógica do avesso: sou gentil sem esperar nada em troca. Sou gentil porque sou. Não porque tenho ou porque quero. Apenas sou. E, como sabemos, o ter – o consumir desenfreado – é aquele que vai tentar preencher o buraco aberto pela impossibilidade do ser.

Numa de suas internações porque alguém decidiu que ele era louco, Gentileza passava os dias com os outros internos ao redor, pregando sua gentileza. Até que um psiquiatra teria dito: “Gentileza, você veio aqui para nós te curarmos ou para você nos curar?”. Alguém que, como ele, havia se desfeito de todo o patrimônio para pregar a gentileza só poderia mesmo ser considerado louco nesse mundo. Mas, ainda bem, havia um médico que também era um pouco doido para devolver Gentileza às ruas.

Dia desses flagrei-me sendo indelicada com a moça do telemarketing. Me senti muito mal. É chato, todo mundo sabe. Ela também acha chato, tenho certeza, ter de falar como um robô horas a fio, dia após dia. É bem pior para ela do que para mim. Desde então, tenho me esforçado. Pouco antes de começar a escrever esse texto peguei a mim mesma respondendo secamente a uma assessora de imprensa que ligou, errando o meu nome (Elaine Blum) e perguntando se eu trabalhava com um tema que não tem nada a ver com o que faço. É verdade que não é legal errar o nome e a área das pessoas para quem queremos dar uma informação, mas também é óbvio que ela preferia acertar. Às vezes até nos convencemos que temos razão de sermos incivilizados, mas não temos. Se tínhamos alguma, a perdemos no momento em que agimos mal. E sempre há um jeito de dizer, mesmo coisas muito duras, sem arrasar quem nos escuta.

Tenho uma grande amiga que se apaixonou por um homem numa festa. Foi um dos poucos casos de amor ao primeiro gesto que testemunhei. Ela derrubou comida na roupa e ele imediatamente pegou um guardanapo para ajudá-la a se limpar. Logo depois, a encontrei no banheiro e ela me pegou pelo braço: “Vou casar com aquele cara”. E eu, chocada diante de alguém que era famosa por ser avessa a casamento: “Como assim?” E ela: “Ele é gentil”. Ele era – e é – um homem incrivelmente gentil. Estão juntos há sete anos, e o deles é um dos casamentos mais felizes que conheço. Minha amiga, que tinha alguns cantos bem abruptos, ganhou contornos mais arredondados: descobriu que também havia uma mulher gentil morando dentro dela.

Gentileza não é mesmo algo que temos, é mais algo que somos. E que nos tornamos. Talvez o verdadeiro poder esteja naquele que pode dar sem esperar nada em troca. Como Gentileza.

Assim como inventaram um dia sem carro, acho que podíamos criar um dia com gentileza. Não precisa ser uma campanha de massa, basta uma decisão interna, silenciosa, de cada um. Só para experimentar. Um dia só tentando ser gentil. Engolindo a palavra ríspida, calando a fofoca ainda no esôfago, olhando de verdade para as pessoas, escutando o que o outro tem a dizer, mesmo que não nos pareça tão interessante, sorrindo um pouco mais.

Pequenos gestos. Segurar o elevador, dar oi e dar tchau, não se atravessar na frente de ninguém nem sair correndo para ser o primeiro, ter paciência em vez de se irritar, elogiar um pouco mais, deixar passar o que não foi tão legal, mas também não foi tão grave e, quando a crítica for imprescindível, abusar da delicadeza. Um dia só, mesmo que seja apenas para experimentar algo diferente.

Quem sabe o que pode acontecer?



Escrito por Regina Lopes às 15:23
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Cotidiano

 

Dizem que ou nós comandamos a nossa vida, ou acabamos comandados por ela. Antes que se note, o dia-a-dia tomou conta, e tudo o que fazemos é repetir tarefas sem pensar. O curta fala sobre uma mulher que largou as rédeas da vida.

 

Porta Curtas:

http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=8980#



Escrito por Regina Lopes às 23:04
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Escrito por Regina Lopes às 11:16
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Livro

Velhice Ou Terceira Idade

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 Autor: BARROS, MYRIAM MORAES LINS DE

Editora: EDITORA FGV (Fundação Getúlio Vargas)
Assunto: MEDICINA E SAÚDE - MEDICINA - GERIATRIA

 

 

 

 

 

Este livro traz a perspectiva antropológica para o debate sobre a velhice, comumente dominado por publicações das áreas de gerontologia, medicina social e psicologia. O objetivo básico dos diferentes trabalhos nele reunidos é compreender a construção social dos significados conferidos à velhice e ao processo de envelhecimento. Com esta obra, a antropologia mostra que, comparecendo sistematicamente nas discussões interdisciplinares sobre o tema, acompanha o próprio movimento de descoberta da velhice por parte da sociedade, trazendo para a reflexão a apreensão dos fenômenos da velhice a partir de uma análise cultural.



Escrito por Regina Lopes às 11:15
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Por que comprar é tão bom

A ciência começa a explicar de onde vem
o prazer que gastar dinheiro proporciona

Por Daniela D'Ambrosio

 

Ilustração Fernanda Guedes
Liquidações funcionam porque 66% das decisões são feitas na própria loja e em menos de cinco segundos depois de avistado o objeto do desejo

Comprar dá prazer. Isso não é novidade. Mas decifrar as razões pelas quais comprar é tão bom é um desafio para os estudiosos do comportamento humano. "Na hora da decisão de compra, os prazeres são muito mais fortes que as necessidades", diz Everardo Rocha, antropólogo, professor da PUC do Rio de Janeiro e autor dos livros Magia e Capitalismo e A Sociedade do Sonho. "E isso independe da classe social." Comprar sonhos – e não meros produtos – é o que realiza as pessoas. A sedução do consumo é um fenômeno mundial. Países que tiveram economia fechada, como os antigos satélites soviéticos na Europa e mesmo o Brasil dos anos 80, abrigam populações fortemente consumistas . "Até hoje, anos depois da abertura econômica, o consumidor brasileiro ainda busca formas de compensar a emoção adiada tantas vezes em compras que ele não pôde fazer", diz Jaime Troiano, sociólogo e consultor de marcas, espécie de assessor que faz uma radiografia completa das marcas. Troiano atua há nove anos nesse mercado, e entre seus clientes estão empresas como Fiat, Elma Chips e C&A. Comprar é um ato de afirmação social. Comprar as mesmas coisas que amigos e colegas de trabalho é uma maneira de ser aceito pelo grupo. "Quem compra, compra para o outro, mesmo sem ter consciência disso", diz Everardo Rocha. "O consumo é a forma mais óbvia de demonstrar inserção num determinado meio, mesmo que ele esteja longe da realidade da pessoa." Na sociedade atual, hábitos de consumo mais refinados ajudam nos relacionamentos, na vida amorosa e até na carreira. Afinal, é dessa necessidade humana de projetar uma imagem acima de suas posses que vivem as marcas exclusivas.

A antropologia do consumo, ciência que começou a ser estudada na Inglaterra nos anos 60, vem explicando os impulsos de compra, especialmente aqueles dirigidos a objetos e serviços supérfluos. "O consumo é um elemento central de nossa sociedade e tem um caráter de diálogo fundamental", afirma Valéria Ravier, professora de antropologia e sociologia da Escola Superior de Propaganda e Marketing e Ph.D. em antropologia do consumo pela PUC de São Paulo. Comprar é participar de uma linguagem coletiva, significa identificar-se com certas tribos e diferenciar-se de outras, dizem os estudiosos. Ou seja, as pessoas buscam afirmação pessoal nas compras. A sensação agradável de comprar é potencializada pelos elogios que outras pessoas fazem às escolhas. "Se as pessoas forem elogiadas e valorizadas pela compra que fizeram, elas se sentirão recompensadas e felizes e vão continuar comprando", explica a psicóloga Maria Cristina Mastopietro, sócia da Sense, empresa especializada em pesquisar hábitos de consumo no Brasil e no mundo. Como todo marido sabe, criticar as compras da mulher é tensão na certa. Os especialistas explicam. Isso equivale a criticar o que elas têm de mais instintivo e pessoal. Equivale ainda a criticar a essência da mulher. Mesmo que as decisões de compra sejam daquela categoria que se pode classificar como instantânea. O Point of Purchase Advertising International (Popai), entidade dos Estados Unidos que estuda hábitos de consumo, aponta que 66% das decisões de compra são feitas na própria loja e em menos de cinco segundos depois de avistado o objeto do desejo instantâneo. No Brasil, segundo estudo do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Universidade de São Paulo, cerca de 40% dos consumidores compram mais itens do que haviam planejado. "Os consumidores estão sempre imersos em emoções quando fazem qualquer tipo de compra", diz o consultor Troiano. "São raros os casos de pessoas que fazem compras de forma estritamente objetiva, como se elas fossem equações matemáticas."

Não por acaso, um dos maiores investimentos dos empresários se destina a pesquisas para entender a estrutura mental do consumidor. Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil, entidade que reúne indústrias, varejo e integrantes da cadeia de abastecimento, diz que os grandes casos de sucesso são pontos-de-venda que envolvem o comprador num clima de lazer e entretenimento. O melhor exemplo são as lojas temáticas americanas, como as da Nike, Sony e Disney. Mas o ato de comprar está de tal forma imbricado nos mecanismos de prazer da natureza humana que mesmo as menores transações são satisfatórias. "Pesquisas qualitativas nos mostraram que existem mulheres que se sentem plenamente realizadas em comprar simples produtos de limpeza", conta Maria Cristina, da Sense. "Nesses casos, o prazer vem da valorização que ela terá por manter a casa limpinha e cheirosa."

Fonte: Veja



Escrito por Regina Lopes às 11:10
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A capo

DOCUMENTÁRIO IL CORPO DELLE DONNE

http://medias.cafebabel.com/9840/thumb/355/-/papigate-same-debate-about-women-and-media-in-berlusconi-era-boring-berlusconi-feminism-women-media-debate.jpg


  A capo

O CORPO DAS MULHERES é o título do documentário de 25 minutos sobre o uso do corpo da mulher na televisão.

Partimos de uma urgência. A constatação que as mulheres, as mulheres reais, estejam desaparecendo da televisão e estejam sendo substituídas por uma representação grotesca, vulgar e humilhante. A perda nos pareceu enorme: o cancelamento da identidade das mulheres está acontecendo sob o olhar de todos, mas sem que haja uma resposta adequada, até mesmo pelas mulheres. A partir daqui, se abriu caminho para a idéia de selecionar as imagens da televisão, que tivessem em comum o uso manipulador do corpo das mulheres, para contar o que está acontecendo não só a quem nunca assiste a televisão, mas especialmente a quem a assiste mas “não vê”. O objetivo é nos perguntar e questionar as razões para esta supressão, um verdadeiro “massacre”, do qual somos todos espectadores silenciosos. Em particular, o trabalho colocou uma ênfase especial sobre o cancelamento dos rostos adultos da TV, o uso da cirurgia estética para apagar qualquer sinal da passagem do tempo e as consequências sociais desta remoção.

Há uma versão legendada:

http://www.ilcorpodelledonne.net/?page_id=209

 

 



Escrito por Regina Lopes às 09:22
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convite

 

 

 



Escrito por Regina Lopes às 07:29
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Primeira Apresentação do Psicanalista

JEAN-PIERRE LEBRUN

no Rio de Janeiro em 2009

 

Participação dos Psicanalistas:

Benilton Bezerra

e

Marcus André Vieira

 

Coffee Break e Ambiente Totalmente Climatizado

 

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INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:

(21) 2286-6922

(21) 2286-6812

 
 


Escrito por Regina Lopes às 22:54
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Peça Laranja Azul



Laranja Azul é um espetáculo ambientada em um hospital público psiquiátrico, onde um jovem negro, internado para observações e tratamento. Vira alvo da divergência de diagnóstico entre dois médicos, trazendo à tona a discussão sobre o preconceito racial e as restrições enfrentadas pelos indivíduos que sofrem de distúrbios mentais, ficando, muitas vezes, à margem da sociedade. O texto é de Joe Penhall.l. e a direção de Guilherme Leme.

De 22 de outubro de 2009 a 3 de janeiro de 2010
Quarta a domingo, às 20h
CCBB | Teatro III

Classificação: 18 anos



Escrito por Regina Lopes às 22:05
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Selvagens por natureza


Autoilusão dá vida aos Homo sapiens globalizados. Vestígios do passado ainda habitam nosso inconsciente. Descobri-los e superá-los é o caminho para extinguir o autoengano

Por Armando Correa de Siqueira Neto

Shutterstock

O homem possui uma imensa dívida consigo mesmo. Trata-se da superação do autoengano, elemento de defesa psíquica que atua em seu socorro cada vez que a verdade se impõe dolorosa. O autoengano provavelmente surgiu nos primórdios do uso do raciocínio, quando o ser humano passou a se perceber sob a luz da razão, levando-o, consequentemente, a sofrer com tal descoberta. Quanto mais adentrava no universo da sapiência, maior era a sua agonia ante a visão animalesca e sombria que tinha de si mesmo. Ele precisou defender-se do mal-estar que lhe invadiu impiedosa e esmagadoramente, desenvolvendo, assim, o jogo da autoilusão; exercitado e aperfeiçoado desde então, chegou à contemporaneidade.

Todavia, ascender ao degrau evolutivo de tal superação requer o rompimento com a etapa infantil na qual grossa parte das pessoas ainda se encontra inconscientemente envolvida, atingindo novo e vital estágio de maturidade. Para tanto, é importante parar de apontar o dedo da culpa para o lado de fora de si e entender definitivamente que há uma responsabilidade pessoal a se assumir integralmente diante das consequências causadas.

Não se pode eliminar, contudo, a autoilusão; dispositivo criado pela sábia natureza. O que se pode fazer é reduzir-lhe a potência por meio da tomada de consciência a seu respeito, minando em graus significativos o seu alcance, penetração e, sobretudo, o controle sobre os pensamentos e emoções, cuja submissão encarcera o ser humano, levando-o a ficar refém inconsciente de si mesmo.
O homem crê inocentemente que consegue se autocompreender baseando-se tão somente no nível de percepção que atingiu. Um erro a ser corrigido. Mesmo depois de milênios de evolução, considerando-se o nosso ancestral, o homem de Cro-magnon, originado entre 90 mil e 40 mil anos atrás, e o uso cada vez maior da nova camada cerebral, o neocórtex, pouco se avançou no terreno da consciência pessoal.

Infelizmente, como dominador o homem soube apenas conter o seu próximo, fazendo-lhe mal em graus que variam da simples retenção ao cruel sadismo e, em certos casos, agindo de modo psicopático por meio de comportamentos caracterizados pela frieza afetiva. Foi justamente quando se deu a civilização que, pelos costumes, leis e amparo religioso o homem passou a escravizar o homem.

"Enquanto a responsabilidade não recair sobre si mesmo, a infantilidade permanecerá disfarçada de azar"

Mesopotâmia, China, Egito, Grécia, Roma, América Pré e Pós-colombiana deram a sua aula de escravização com tenebroso primor registrado inequivocamente pelas obscuras páginas da história. Outros registros macabros de dominação vicejam no século XX: os campos de concentração nazistas e os seus 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, entre tantos outros. Ressalte-se que cada época e local teve sua própria alegação para impor a escravidão ou seus ideais, mas o que se aprecia aqui, todavia, é o fenômeno comum da dominação perpetrado pelo homem.

Dominar a si mesmo, no entanto, faltou em demasia. O autodomínio é uma meta. Mas muita acomodação e má vontade são percebidas em pleno século XXI. O fato é que ainda se vê o ser rude esconder-se atrás da aparência social à espreita de uma oportunidade para mostrar as suas garras afiadas, seja por meio de uma tola desavença, seja por meio de uma discussão no trânsito com estranhos ou nas agressões entranhadas nas relações familiares entre marido e mulher, pais e filhos



Escrito por Regina Lopes às 00:15
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Na verdade, se for possível admitir, sem recorrer ao autoengano, mesmo sob a dor da torturante luz do reconhecimento, o bicho ainda está bem solto. Tanto na vizinhança quanto dentro de casa, a pré-história e a história coabitam. A autoilusão faz o seu jogo ao entorpecer as ideias do seu autor, alegando-lhe que os outros são atrasados, e ele, ao contrário, é tão somente uma vítima que se vê obrigada a se defender dos ataques violentos, usando para isso, de igual ou superior violência. Não se reflete, porém, que se é prisioneiro das informações genéticas e, portanto, somente por meio da consciência a esse respeito que se pode evoluir e deixar para trás, gradativamente, o lado natural, grotesco e por vezes perigoso.

 

Shutterstock
Nos escondemos atrás das nossas aparências sociais, aquilo que a sociedade pede que sejamos. Contudo, o selvagem que nos habita pode se manifestar em situações tolas, como em uma discussão no trânsito

Olhando para si mesmo

O entorpecimento psicológico turva a mente daquele que se acomoda e pouco luta em seu próprio favor, pois enquanto houver a crença de que os outros são os culpados pelo tipo de vida que se leva, pouco se andará na direção do crescimento. Enquanto a responsabilidade não recair sobre si mesmo, a infantilidade permanecerá disfarçada de azar e infelicidade. Não é à toa que se tornou famoso o grego Sócrates, que tanto cultivou hutterstocka reflexão (“conhece-te a ti mesmo”) e a análise das equivocadas impressões que temos acerca de nós mesmos e das coisas ao nosso redor, fato este que o levou à sentença de morte (sob a acusação de corromper os jovens, desrespeitar os deuses e violar as leis) por maioria de votos dos 500 atenienses que o julgaram em 399 a.C.

Porquanto o grande objetivo no momento, além de sobreviver, é virar o jogo e passar a dar as cartas. É a superação do Homo sapiens, do salto que se pode dar em vez de se manter nas passadas lentas e frustrantes tão comumente observadas. Da inconsciência acerca daquilo que se crê ser a consciência do que se é de fato. Do autoengano exagerado à noção mais realista sobre si mesmo. Da culpa alheia à responsabilidade pessoal. São atitudes essenciais, sem as quais se emperra o processo da transformação pessoal. Sem enxergar a ferida não procuramos a ajuda necessária. Aceitando-a com a devida clareza, porém, corremos na direção do auxílio.
“Você quer mudar e se superar?” Essa não é uma pergunta qualquer e pressupõe análise crítica, profunda, antes que se responda. O ponto central está no fato singular de que somente a pessoa pode se autorizar a autoavaliar-se, optando, por direito (quiçá o dever), ao desenvolvimento em maior escala.

Saiba mais

Sem o autoengano, nossa vida seria extremamente dolorosa. O livro Auto-Engano (Companhia de Bolso) mostra, em uma linguagem acessível, como nos sabotamos para que nossa vida possa ter o encanto que acreditamos que ela tenha. A obra também mostra as mentiras que costumamos nos pregar, o perigo dos excessos e como evitar sofrimento com a autoilusão

 

 

Amando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. Coautor dos livros Gigantes da motivação, Gigantes da liderança e educação 2006. E-mail: selfcursos@uol.com.br

Revista Psique



Escrito por Regina Lopes às 00:08
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Transtorno social
Psicologia da corrupção


A falta de moral pode ser explicada por meio do desenvolvimento inadequado do "senso ético" no cérebro, mas aspectos socioantropológicos, fatores genéticos e pessoais também colaboram para o surgimento do transtorno de personalidade difícil de ser curado

Por Agência Notisa de Jornalismo Científico

Corrupção, segundo consta no dicionário on-line Michaelis (acesso em 28/7/09), vem do latim corruptione e tem por significados "ação ou efeito de corromper", "decomposição", "putrefação", "depravação", "desmoralização", "devassidão", "sedução" e "suborno". A palavra se tornou comum e mesmo vulgar no vocabulário dos brasileiros após os inúmeros escândalos, envolvendo personalidades e políticos, divulgados pelos meios midiáticos nos últimos tempos.

Porém, a discussão sobre suas causas e origens diverge entre diversos fatores apontados por especialistas. A psiquiatra forense Hilda Morana, coordenadora do departamento de Psiquiatria Forense da Associação Brasileira de Psiquiatria, define o termo no seu sentido social. Para ela, corrupção é "ato de cometer atitudes ilícitas com o intuito de conseguir vantagem financeira ou mais poder". Segundo Hilda, o típico corrupto é "o indivíduo que busca driblar regras em benefício próprio, sem levar em consideração outras coisas que não o próprio benefício".

Ela afirma que esse tipo de comportamento é causado por um transtorno de personalidade, que, especificamente, pode ser definido de forma mais clara como um defeito do caráter. "É o chamado transtorno de personalidade antissocial. O indivíduo que possui o transtorno de personalidade antissocial não foi capaz, ao longo do tempo em que ocorreu o desenvolvimento de seu cérebro, de desenvolver adequadamente o 'senso ético'.

Ele não é capaz de respeitar o outro em sua plenitude, espontaneamente", afirma. Hilda diz que esse distúrbio é causado por falhas cerebrais, mais especificamente, "por falhas do desenvolvimento cerebral em áreas frontais, chamadas suborbitárias, que muitas pesquisas apontam como sendo as regiões do cérebro responsáveis pela formação do 'senso ético', e também da assimilação da moral estabelecida.

Ou seja, é 'um defeito de fabricação'". Se o indivíduo apresenta esse problema em algum momento da vida, muito provavelmente vai morrer com ele, e até mesmo tratamentos modernos contra o transtorno de personalidade não apresentam resultados 100% garantidos na recuperação".

Parentes envolvidos

A especialista acredita que o quadro é parte de um conjunto de outros distúrbios, denominados transtornos de desenvolvimento. Entre eles, Hilda cita o retardo mental, que é um distúrbio que afeta de forma mais ou menos séria as áreas responsáveis pelo desenvolvimento intelectual do indivíduo, e o autismo, que afeta as áreas do cérebro responsáveis pela fala, pela sociabilidade e também pode afetar as áreas responsáveis pelo desenvolvimento intelectual.

"Por sua vez, o transtorno de personalidade provoca uma deficiência no caráter, em decorrência de má-formação das áreas do cérebro responsáveis pela sensibilidade moral", declara. A psiquiatra forense argumenta que, para ela, há poucas dúvidas sobre o caráter herdado do distúrbio. Ela diz que sempre há pelo menos um parente que também está envolvido em alguma operação ilícita ou em alguma trapaça, embuste ou situação similar.

"O caráter herdado da doença é inquestionável. Nem sempre o outro indivíduo afetado é um parente direto, como um pai ou uma mãe. Às vezes um tio, ou primo. Mas é certo que, se o indivíduo apresentou em algum momento esses sintomas, é possível encontrar outros afligidos pelo quadro na família". Para Hilda, a corrupção pode ser diagnosticada a partir do consultório.

Ela explica que é possível determinar a presença do distúrbio por meio do exame Pet Scan, ou tomografia por emissão de pósitrons, e que "o método revela com clareza a área suborbitária afetada pelo distúrbio do desenvolvimento. A gravidade do quadro pode variar muito. A gradação do distúrbio altera entre 'leve' até 'muito grave', e permite enquadrar a maioria dos criminosos e transgressores. Por exemplo, um quadro 'leve' pode se adequar a um oportunista que realiza pequenos delitos. Já um caso muito grave pode representar um político que realize grandes perseguições ou até mesmo um genocídio, como um ditador".

Você aceita a corrupção?

Você considera as situações abaixo aceitáveis, indiferentes ou inaceitáveis?
Todas elas são exemplos de práticas corruptas e fazem parte do estudo desenvolvido por Rita Biason e colegas com universitários de três instituições de ensino de São Paulo. A pesquisa foi publicada na revista Probidad (El Salvador) em março de 2008. Veja abaixo os índices encontrados pelos pesquisadores e descubra onde você se encaixa.




Escrito por Regina Lopes às 23:25
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Uma pessoa que possui o transtorno de personalidade antissocial tem falhas cerebrais responsáveis pela formação do 'senso ético'. Os especialistas afirmam que ela não é capaz de respeitar os limites do outro espontaneamente

Sem cura

Entre as causas do problema, a psiquiatra aponta o fator genético. Mas, ao mesmo tempo, ela declara que não há apenas um gene responsável pelo quadro, mas uma interação entre genes responsáveis pelo desenvolvimento cerebral. E por outro lado, há também as pressões ambientais.

"A má-formação das regiões suborbitárias do cérebro em decorrência desse distúrbio do desenvolvimento é consequência não só de um gene específico, ou de uma pressão ambiental. É uma interação genético-ambiental, uma associação de genes e 'fatores desencadeadores'. Ou seja, em dois gêmeos univitelinos, existe a possibilidade de que um apresente o problema, e outro não".

"O transtorno de personalidade provoca uma deficiência no caráter, em decorrência de má-formação cerebral"

Quanto ao comportamento do indivíduo afetado, Hilda declara que "o portador do distúrbio tem plena consciência da natureza criminosa e funesta de seus atos, mas não apresenta remorso ou hesitação, exceto quando a ação pode trazer algum mal considerável para ele mesmo. Para ele, vale o 'dane-se o resto'". E acrescenta: "na linguagem popular, é 'safadeza' mesmo, oportunismo, falta de moral, ética e escrúpulos.

Esse personagem é constantemente atraído para situações em que se conhecem possibilidades de obtenção de vantagens diversas com facilidade, e por isso a proliferação desses indivíduos no meio político". Ela declara que "essa situação não é exclusiva do Brasil,percebe-se esse padrão no mundo. Estatísticas recentes apontam que cerca de 15% da população mundial é afetada pelo transtorno. Entre todos os casos, os mais graves, que podem responder por crimes mais sérios, orbitam entre 1% e 2% desses indivíduos. Estes, quase que obrigatoriamente, cometerão atos cruéis de algum tipo: grandes golpes que podem afetar muitas pessoas, torturas, assassinatos bárbaros para obtenção de fortunas, etc.".

Museu da Corrupção

Feito para apresentar todas as páginas negras da política brasileira, o Museu da Corrupção é uma página on-line de informação e de notícias. Lá estão reunidos os maiores escândalos dos últimos anos, vídeos, dossiês, tudo representado de uma maneira satirizada e cômica. Indispensável para quem quer se aprofundar no tema da corrupção
http://www
.dcomercio.
com.br/muco
/home.htm

A psiquiatra lamenta que não existam medicamentos com resultados satisfatórios contra o transtorno. "Alguns até apresentam efeitos moderados e podem mesmo melhorar o funcionamento da região afetada, mas nunca acabar com o comportamento patológico", diz. Para ela, uma solução adequada para o problema é "o fim da permissividade excessiva para com a corrupção política".

Hilda afirma que "o portador do transtorno conhece as consequências possíveis de seus atos, para ele mesmo, mas a impunidade estimula esse indivíduo a praticar o ato, porque ele é capaz de 'pesar' os benefícios e revezes que a ação ilícita pode trazer".

Apesar do transtorno de personalidade ser um fator genético, gêmeos univitelinos podem apresentar diferenças nesta questão. Isso porque há a interação ambiental como fator potencializador do problema

Virada da infância

Já João Augusto Figueiró, médico e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas da USP, corrobora em muitos aspectos com a colega forense, mas acredita em uma causa multifatorial e, principalmente, em menos determinismo.

"A corrupção política, policial, tem a ver com a formação insuficiente da moralidade, mas não necessariamente com a presença de um distúrbio de personalidade. As práticas corruptas normalmente são realizadas por indivíduos com falhas nos ditos 'sentimentos morais', na ética e na preocupação pelo bem-estar alheio".

Figueiró explica que a região do cérebro responsável pelos sentimentos morais é "o chamado 'cérebro moral', que é composto pelo lobo pré-frontal, pelo sistema límbico e por uma porção do lobo temporal". Ele atesta que, quando essas regiões sofrem um desenvolvimento adequado, na juventude, o indivíduo em questão poderá apresentar comportamentos considerados adequados.

Para ele, esse desenvolvimento se dá por meio da interação do cérebro com o ambiente, ou seja, pela interação entre o que foi herdado pelo sujeito e as pressões ambientais. O psicoterapeuta diz que esse processo ocorre principalmente nos primeiros anos de vida, quando já são observados padrões de comportamento moral.

Ele declara que "já no primeiro ano pode ser observada alguma reação 'moral' a expressões do sofrimento alheio. Entre os 3 e 5 anos de vida, ocorre uma virada que evidencia preocupações legítimas com o outro, sentimentos de culpa e anseio por reparações. Essa virada pode ser explicada como uma 'virada para a empatia', ou a capacidade de se identificar com o outro".

Acredita-se que o portador de transtorno de personalidade seja estimulado a cometer atos ilícitos graças à impunidade política. A falta de punição severa desencadeia a permissividade excessiva a quem é suscetível a esse transtorno


Escrito por Regina Lopes às 23:25
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Conduta e moral

De acordo com o especialista, indivíduos que não passaram por esse processo de forma saudável podem sofrer de deficiências no cérebro moral. Essa deficiência provoca o transtorno de personalidade. Segundo ele, "esse quadro resulta de uma interação negativa entre o que foi herdado pelo indivíduo (seus genes) e o ambiente, ou seja, de uma interação nociva entre sua constituição cerebral e as pressões ambientais.

Essas pressões ambientais podem ser provenientes de uma criação muito permissiva ou de limites morais e éticos muito frouxos". Assim como a psiquiatra forense Hilda Morana, João Augusto aponta que existe um transtorno que caracteriza a maioria dos corruptos: "é o transtorno antissocial, que torna o portador um indivíduo sem limites morais e éticos, quando se trata de obter vantagens diversas. Há também o transtorno narcísico, mas geralmente este caracteriza o indivíduo extremamente egocêntrico, que nem sempre é corrupto".

"uma característica do antissocial é a dificuldade de se identificar com os sentimentos dos outrosde"

O psicoterapeuta explica que "uma característica do antissocial é a dificuldade de se identificar com os sentimentos dos outros, como os assassinos, chefes políticos cruéis ou indivíduos que desviam grandes quantidades de recursos do país, possivelmente prejudicando muitas pessoas". Segundo ele, na infância, não existem transtornos de personalidade, propriamente ditos.

Existem transtornos de conduta, que podem, com a idade adulta, evoluir para os transtornos de personalidade. "Entre eles estão as proverbiais maldades das crianças contra os animais e as intrigas elaboradas, feitas para prejudicar colegas intencionalmente. Mas nem todos que apresentam esses transtornos de conduta desenvolvem transtornos de personalidade", alivia. O especialista igualmente afirma não existir cura para o transtorno de personalidade antissocial.

"O grande problema é que isso não tem cura e o portador nunca busca tratamento. A única forma de combater o quadro são medidas de contenção externas, como a vigilância e a punição. Em situações onde os delitos praticados são punidos de fato, os portadores do transtorno tendem a se portar melhor", avisa.

Para João Augusto, vale lembrar que "apesar dos problemas referentes ao transtorno antissocial, indivíduos 'normais' também podem ser corruptos. Tudo depende dos ambientes nos quais estão inseridos. Ambientes extremamente permissivos e com acesso a muito poder, marcados pela impunidade, que são típicos da paisagem política brasileira, normalmente favorecem o surgimento do personagem corrupto".

O desenvolvimento não adequado da região cerebral responsável pelos sentimentos morais pode causar falha no senso ético. Um exemplo comum é a prática de bulliyng na adolescência e infância

Tolerância mil

Você considera aceitável que um guarda de trânsito não multe um motorista porque ele conta que cometeu a infração em função de uma emergência? Mais da metade de um total de 269 entrevistados considera que sim.

Esta foi apenas uma das situações simuladas pela professora Rita Biason, professora da Unesp, do Campus de Franca, cientista política e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Corrupção, e por colegas durante uma pesquisa realizada com estudantes universitários de três instituições de ensino superior do Estado de São Paulo que buscou avaliar o impacto da corrupção e a percepção dos universitários sobre o tema e ainda seus valores em relação ao assunto.

"Há grande dificuldade para criminalizar a corrupção, ou seja, demonstrar por meio de provas o ato corrupto"

O exemplo é um caso de suborno em que há implicação emocional. Os pesquisadores afirmam no artigo publicado em 2008 na revista Probidad que quando se trata de questões pessoais, o público tende a demonstrar maior tolerância. Por outro lado, muitas pessoas mostram-se mais sensíveis à corrupção que envolve órgãos públicos, principalmente no que se refere ao nepotismo e à compra de votos. (Veja quadro Você aceita corrupção?).

Entretanto, a compra de votos não é vista como algo inaceitável por todos os segmentos da população. Segundo Rita Biason, em outro estudo realizado, ela identificou que a classe socioeconômica que recebe até três salários mínimos não vê problema em trocar o voto pelo saco de cimento, pela consulta médica e outros bens ou serviços. "Isso remete à necessidade, o sujeito precisa do saco de cimento embora haja aqueles indivíduos que tripudiam o coletivo, que exageram nas solicitações e muitas vezes sem necessidade.

Essa população tem vivido um ciclo de dependência dos programas do governo - Bolsa Família, Leve Leite entre outros. São ações que acabam não resolvendo a questão, mas sim criando uma dependência e sob certo aspecto reforçando a prática de corrupção. O problema não são os programas governamentais propriamente ditos. Ocorre que perguntamos para as pessoas: você considera aceitável ou inaceitável receber uma Bolsa Família mesmo sem necessidade? A grande maioria aceita receber. Há, portanto, um dilema ético que só aparece a partir do momento em que o aguçamos", destaca.

Público e privado

Mas, segundo Rita, o principal fato verificado na pesquisa é que todas as classes sociais praticam corrupção. "Temos dificuldade de dizer 'não' à corrupção no Brasil porque não conseguimos distinguir o público do privado. Os exemplos que temos tido ao longo dos anos reforçam a ideia de que o público é algo que pertence ao indivíduo, e somente ele pode usufruir. A forma como a maioria dos agentes públicos - eleitos ou não - se comporta no Brasil, especificamente sobre a 'coisa pública' é lamentável e contribui para reforçar esta situação", afirma.

Falta de pai

Para Laura Ward da Rosa, membro titular da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, psicanalista e professora do Curso de Pós-graduação em Psicanálise e Educação da UniRitter, de Porto Alegre, a corrupção sempre existiu, porém no mundo contemporâneo ganhou traços mais visíveis e sua manutenção está relacionada a um déficit de atuação das instâncias paternas.

Ela afirma que a saída da mulher para o mercado de trabalho foi um dos fatores que corroborou para uma mudança na estrutura familiar. "Há uma grande perda de limites na situação atual, até mesmo no campo da política. A família de hoje ganhou certo espraiamento com relação à questão da autoridade, as crianças opinam sobre coisas que não devem opinar, a adolescência se antecipou e seu final foi retardado.

Há uma perda de autoridade e falta de limites que contribuem para a criança crescer pensando que pode tudo. Pode escolher tudo: brinquedo, alimento. Tudo é muito liberal, sem um critério do mais conveniente e adequado a cada faixa etária. Há uma perda de valores ao longo do processo de desenvolvimento desde a infância, passando pela adolescência e chegando à vida adulta. As relações amorosas são muito frágeis, as pessoas não querem se comprometer. Não há criação de um vínculo firme, seguro. As pessoas não se comprometem no trabalho, na vida amorosa, na política e tampouco na educação", afirma a psicanalista.



Escrito por Regina Lopes às 23:24
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"Rouba, mas faz"

Há tempos atrás o slogan da campanha de Paulo Maluf (ex-governador do Estado e duas vezes prefeito da cidade de São Paulo) - "Rouba, mas faz" - chamou a atenção da sociedade. Porém, como explica Rita Biason, esse slogan foi criado por Adhemar de Barros, duas vezes governador do mesmo Estado (décadas de 1940 e 1960). Para a cientista política, campanhas desse tipo já criaram um tom jocoso e políticos adeptos dessa prática perderam muito espaço, uma vez que muitos estão sendo processados.

No entanto, para a psicanalista Laura Ward da Rosa, há por trás dessas condutas uma condição de psicopatologia. "Elementos mais perturbados tendem a imitar esses padrões, acreditando que tais posturas são corretas. Funciona como um espelho.

Pessoas com déficit absorvem padrões de desvios éticos", afirma. Ela reforça que na conduta psicopatológica não existe culpa. O sujeito não se deprime e considera o que está fazendo como algo correto. "Precisamos ter pessoas de cabeças sadias para liderar uma mudança", afirma.

Tudo às claras

O consultor de empresas e conferencista Stephen Kanitz realiza seminários em grandes empresas no Brasil e no exterior. Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, foi professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo e é mantenedor do site http://www.
kanitz.com.br. Lá, é possível ter acesso a seu texto O que é corrupção, com passagens polêmicas como "somos, sim, um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um jornalista ou alguém botou a boca no trombone".

Percepção do erro

Mas a percepção da corrupção parece ainda estar relacionada a outros fatores. Segundo Eduardo Salcedo-Albarán, filósofo pela Universidad del Rosario, Bogotá, Colômbia, e coordenador da área de Metodologia do Método - Transdisciplinary research group on social sciences -, a identificação de uma vítima de um crime público de corrupção exige a elaboração de relações causais complexas por parte do cérebro "Em alguns crimes é fácil identificar a vítima, e quando é o caso, uma relação causal simples permite ligar o crime atual à vítima.

É chamado de 'fácil', porque o cérebro tem de conectar poucos eventos para conectar o crime à vítima. Por exemplo, se você está andando em uma rua e vê que uma pessoa foi baleada e, momentos depois, essa mesma pessoa morre - você apenas precisa ligar os dois eventos. O cérebro é muito eficiente quando conecta poucos eventos.

Além disso, quando conectamos um par de eventos envolvendo a percepção de emoções, o cérebro reage muito rápido, também com respostas emocionais originadas em áreas emocionais. Elaboração de relações causais simples sobre reações de empatia são geralmente automáticas, mas não relacionadas com capacidades cognitivas sofisticadas. Aquelas áreas emocionais, aquelas do cérebro primitivo, reagem mais rápido do que áreas relacionadas a capacidades cognitivas de alto nível, como lógica rígida e argumentação.

Nesse sentido, em crimes públicos de corrupção, essas áreas relacionadas com capacidade cognitiva devem ser usadas. Por exemplo, se você paga um suborno, não está claro quem será afetado pelo seu ato e, por isso, é fácil pensar que não há vítima. No entanto, se pensar cuidadosamente, usando capacidades cognitivas e elaborando uma relação causal complexa, você achará a vítima do seu crime", explica Eduardo.

Segundo o filósofo, existem basicamente duas grandes áreas no cérebro: o interior do cérebro, chamado de cérebro primitivo, e o neocórtex. Assim, enquanto emoções e sentimentos são originados no cérebro primitivo, o córtex externo ou neocórtex - área que apareceu mais recentemente na evolução do Homo sapiens - está relacionado à racionalidade, lógica, argumentação e, em geral, às capacidades cognitivas.

Neurônios espelho

Eduardo explica que além desses processos causais cerebrais, acredita que haja outro mecanismo envolvido: a inativação de neurônios espelhos. "Na verdade, é uma questão empírica que ainda precisa ser confirmada por exames de imagem", diz. O pensador explica que testou a hipótese de que neurônios espelho relacionados à empatia e a emoções sociais não são ativados quando ocorre um crime de corrupção pública.

Para tanto, ele apresentou relatos de corrupção para um grupo de pessoas e analisou suas reações. "Quando liam uma história pequena de corrupção e não dávamos informação sobre as vítimas, elas tendiam a pensar que o ato de corrupção não estava completamente incorreto em termos morais, precisamente, porque 'ninguém estava sendo prejudicado'.

Mas quando dávamos informações sobre a pessoa que estava sendo prejudicada pelo ato de corrupção, as pessoas tendiam a dizer que aquela ação é moralmente incorreta. Em termos gerais, quanto mais se sabe sobre a pessoa em particular que está sendo prejudicada pelo ato, mais neurônios espelho relacionados à empatia e a emoções sociais provavelmente serão ativados", considera

Na infância, os transtornos de personalidade são conhecidos como transtornos de conduta. Assim, costumam maltratar animais e criar intrigas entre colegas a fim de prejudicar alguém intencionalmente

O que os olhos não veem...

Eduardo diz que emoções mais poderosas de empatia social surgem quando se pode ver a vítima e, mais forte ainda, se é possível ver a face da vítima. Ele conta que o psicólogo Paul Slovic, do Decision Research Institute, tem estudado essa questão para genocídio e tem observado que mais emoções de empatia surgem quando você conhece sobre, por exemplo, um menino que deve ser resgatado, quando vê sua face e sabe sobre sua vida, do que quando lhe contam que 20 pessoas foram assassinadas.

O pesquisador explica que, emocionalmente, não somos sensibilizados pelo número 20 tanto quanto somos sensibilizados ao ver a face do menino. Para Eduardo, há uma carência de estudos que relacionem corrupção com neurociência. Em sua opinião, cientistas sociais e neuropsicologistas deveriam trabalhar em conjunto.

Entretanto, ele destaca que cientistas sociais geralmente pensam que a inclusão de genes, cérebro e biologia no entendimento dos comportamentos humanos pode levar ao determinismo biológico ou eliminar o poder das variáveis culturais.

 

Especialistas não acreditam em cultura da corrupção, mas culpam o Judiciário por não criminalizar a corrupção, em outras palavras, de não provar o ato corrupto

Cultura da impunidade?

Segundo a cientista política Rita Biason, a Carta de Pero Vaz de Caminha já continha indícios de corrupção, pois o autor pede emprego ao rei para um parente. Ela diz que no Brasil Colônia também há vários relatos do crime na obra Arte de Furtar. Entretanto, considera imprudente demonstrar que a corrupção no Brasil é um dado histórico.

"Se for esta a lógica, não podemos fazer mais nada, teremos uma situação de imobilismo, passividade e aceitação. Dizem que há uma cultura da corrupção, mas não creio nisso. Para mim, há uma cultura de impunidade", destaca. Para a professora, o ponto mais vulnerável hoje para a manutenção da corrupção é o Judiciário.

"Há uma dificuldade muito grande para criminalizar a corrupção, ou seja, demonstrar por meio de provas o ato corrupto", diz. Nesse sentido, Rita afirma que o Ministério Público de São Paulo, por exemplo, hoje consegue condenar mais agentes públicos eleitos por meio da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) do que pelo Código Penal. "Isso porque pela LIA, as provas costumam ser mais evidentes e juridicamente eficientes.

No Código Penal, há algumas vulnerabilidades que dificultam a condenação", afirma. Para ela, o ajuste nesse dispositivo iria agilizar a criminalização e diminuir a sensação de impunidade entre a população. Entretanto, a pesquisadora ressalta que a corrupção não é eliminada. "Este problema estará apenas sob controle, não há forma de suprimi-lo. Os países desenvolvidos não são menos ou mais corruptos do que o Brasil, apenas possuem mecanismos de controle eficazes e punição rápida.

Em geral, na América Latina podemos observar que a década de 1990 trouxe mudanças importantes. Se tomarmos o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparency International é possível observar avanços e recuos da corrupção na Colômbia, na Costa Rica, no Uruguai, na Argentina e no Chile. São países que passaram por problemas semelhantes aos do Brasil com governos militares seguidos de democracia", considera.

"Para alguns especialistas, há uma carência de estudos que relacionem corrupção à neurociência"

Rita lembra que o pesquisador Treisman afirma que em novas democracias, as práticas de corrupção somente serão superadas após 40 anos de Estado democrático. "A boa notícia é que já vivemos 20 anos dos 40. O aprimoramento significa a criação de instituições capazes de controlar os processos internos, como tribunais de justiça, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Tribunal de Contas da União (TCU) e conselhos e comissões de ética. Eu sou otimista porque vejo muitos países em que não há nem divulgação dos casos de corrupção e nem movimentação para investigar e denunciar atos ilícitos. Nesse sentido, nós avançamos muito", destaca



Escrito por Regina Lopes às 23:23
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Por que votamos neles?


Opinião própria, manipulação eleitoral, consciência, impulso, identidade coletiva, ideologia: o que motiva a escolha do nossos votos?

Por Agência Notisa de Jornalismo Científico

1, 6, 10, 11/JoSÉ Cruz/ABr - 2, 12/Antônio Cruz/AB

Enquanto você permanece em dúvida sobre em quem votar nas próximas eleições, especialistas em comportamento eleitoral no Brasil e em outras partes do mundo neste momento já elaboram estratégias para entender como funciona seu processo de decisão. A Psicologia Política, disciplina que desenvolve estudos desse tipo, sistematicamente vem apresentando novos dados sobre diferentes processos de subjetivação para a escolha do voto. Com base em conceitos psicossociológicos como identidade social, consciência social e identidade coletiva, o resultado dessas investigações ajuda no trabalho daqueles que moldam estratégias de persuasão em campanhas de candidatos a cargos políticos e também explicam aos pesquisadores como certos conceitos refletem nas relações entre os grupos sociais.

1/JoSÉ Cruz/ABr - 2/Antônio Cruz/ABr - 3/SHuttErSt
Nas eleições de 2002, as ideologias de Serra e Lula eram claramente antagônicas

“O comportamento de votar tem sido estudado no campo da Psicologia Política por muitos anos, e ele é visto não como um comportamento individual, mas sim como um comportamento mediado por elementos subjetivos, como, por exemplo, as crenças, as representações sociais, os afetos associados a tal ato, a história de vida”, explica Marco Aurélio Maximo Prado, professor do Núcleo de Psicologia Política (NPP) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo ele, a relação entre ideologia e participação não pode ser analisada desconsiderando esses aspectos subjetivos que constituem o pensamento, a ação e as emoções humanas.

É com esse objetivo que Salvador Sandoval, um dos precursores do estudo da Psicologia Política no Brasil e coordenador do Núcleo de Psicologia Política e Movimentos Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mostra que a busca pela compreensão do comportamento dos eleitores pode ser ponderada por perguntas bastante corriqueiras: “por que o indivíduo decide seu voto pelo santinho dado na fila para votar?”; “o santinho define de fato seu voto?”; “será que o santinho faz com que ele decida seu voto simplesmente por ir com a cara do candidato ali impresso?”; “ou o santinho apenas reforça uma opinião anterior à escolha do voto?”.

Salvador lembra que, no entanto, questionamentos como esses nem sempre possuem respostas imediatas. Na maioria das vezes, demandam constante investigação, uma vez que, se a Psicologia Política investiga os mecanismos subjetivos do voto, outras disciplinas, como a Ciência Política e o estudo da opinião pública, delimitam a conjuntura política do período analisado. Crises institucionais, crescimento econômico e políticas públicas também são tidos como fatores de grande importância no processo de escolha do candidato e, se não moldam o que muitos teóricos chamam de ideologia, são interiorizados pelo indivíduo como valores, corretos ou não.

INFLUÊNCIA DO VOTO: IDEOLOGIA E VALORES SOCIAIS
Yan de Souza Carreirão, professor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em artigo publicado na edição de maio de 2002 da revista Opinião Pública, considera ideologia como um fator influente na decisão do voto para presidente. Partindo do conceito de identidade ideológica formulado pelo cientista político André Singer, Carreirão mostra que “identificação ideológica é a adesão a uma posição no contínuo esquerda-direita ou liberal-conservador que, mesmo sendo difusa, isto é, cognitivamente desestruturada, sinaliza uma orientação política geral do eleitor”.

Revista Psique



Escrito por Regina Lopes às 22:58
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"MESMO COM A DEMOCRATIZAÇÃO, A GRANDE BUROCRATIZAÇÃO DO SISTEMA AINDA IMPEDE MAIS PARTICIPAÇÃO DO ELEITOR"

No artigo Identificação ideológica, partidos e voto na eleição presidencial de 2006, de sua autoria, publicado na edição de novembro de 2007 da mesma revista, Carreirão exemplifica essa posição, partindo da idéia de que, no decorrer do primeiro mandato do presidente Lula, houve um processo de diluição da ideologia entre os diferentes partidos que compõem a esfera política brasileira. Isto é, se nas eleições de 2002 os candidatos Lula e José Serra se colocavam em posições antagônicas em termos ideológicos, em 2006, ideologia político-partidária não contou como sendo um dos fatores preponderantes na reeleição de Lula.

Diante disso, resta aos especialistas compreender o que é determinante no posicionamento do eleitor e em sua identificação com conceitos como direita e esquerda, conservador e liberal. Para o próprio André Singer, que, além de cientista político, é professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), jornalista e ex-porta-voz da Presidência da República, a formação de um quadro ideológico individual é um processo singular. Segundo ele, a formação ideológica é a construção de um pensamento mais ou menos autônomo que depende do processo cognitivo que cada um percorre, sendo que sempre é decorrente de um diálogo com aquilo que o meio apresenta. “É claro que cada indivíduo pode chegar a conclusões singulares dependendo daquilo que experimentou”, reitera.

Singer classifica a ideologia como um sistema abrangente de organização das crenças norteado por categorias abstratas, e que tenta organizar as demais questões que aparecem no universo social a partir desses critérios. Ele diz que somente um grupo limitado de eleitores possui essa organização ideológica do pensamento. “Normalmente, a maioria das pessoas tende a organizar o pensamento com base em coisas concretas e mais fragmentadas”, afirma.

A consciência política se forma a partir de um conjunto de elementos que se articulam e que permitem um pensamento em constante transformação

CONSCIÊNCIA POLÍTICA
Essas “coisas concretas e fragmentadas”, assim como o processo de abstração que leva à formulação da ideologia, são de particular interesse para Alessandro Soares da Silva, psicólogo político e professor da graduação em Gestão de Políticas Públicas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP). Em artigo publicado no primeiro semestre de 2007 no periódico Estudos e Pesquisas em Psicologia, ele chama a atenção para sete dimensões psicossociológicas prevalentes na literatura científica, que, segundo ele, formam o processo da consciência política.

Valores morais associados às polêmicas do dia-a-dia, como aborto, uso de camisinha, relações homossexuais, podem direcionar o voto

Essas dimensões se constituem em identidade coletiva, crenças e valores societários, sentimentos de interesses coletivos e identificação de adversários, sentimentos de eficácia e de ineficácia política, sentimentos de justiça e injustiça, vontade de agir coletivamente e metas e propostas de ação coletiva. Soares da Silva explica que, dessa forma, a consciência política não é apenas uma reflexão inerte sobre a sociedade e como os sujeitos se relacionam com ela. É, na verdade, um conjunto de elementos que se articulam e que permitem o desenvolvimento de um pensamento em constante transformação.

Por um outro lado, de acordo com a abordagem da Ciência Política, a ideologia surge como resultado daquilo que seus teóricos chamam de socialização política. Tal processo, segundo André Singer, acontece durante a fase da vida do indivíduo que fica entre o final da adolescência e o início da vida adulta, quando ele adquire noções fundamentais entre valores morais e éticos e tem uma visão de mundo que acaba tendo reflexos na sua maneira de encarar a política. Como esse processo acontece em um período anterior ao exercício do voto, considera-se a família como transmissora de posições e valores ou como fonte de antagonismo. “O mais freqüente é encontrar uma reprodução que está no âmbito da família, embora o oposto também não seja tão raro”, complementa Singer.



Escrito por Regina Lopes às 22:57
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Os cinco traços da personalidade do eleitorado ocidental

O caso alemão
A Psicologia Política preconiza que traços de personalidade são fatores importantes para explicar o comportamento da elite política. Uma dupla de pesquisadores da Johannes Gutenberg–University Mainz, na Alemanha, investigou a hipótese de traços de personalidade influenciarem no entendimento das atitudes políticas e dos processos de decisão, dessa vez, de indivíduos comuns. A confirmação de que esses traços têm impacto nas atitudes partidárias e na escolha do voto foi publicada na Political Psychology de agosto de 2007, no artigo em que os pesquisadores afirmam que as cinco mais importantes dimensões da personalidade — abertura mental (abertura à experiência, criatividade), conscienciosidade (correção, escrúpulo), neuroticismo (afetos negativos), extroversão (avidez por contato, adaptação ao ambiente) e socialização (possuidor de sentimento coletivo) — exercem papel importante nesse entendimento.

Abertura mental, segundo o estudo, torna os cidadãos mais inclinados a apoiar partidos ligados ao social liberalismo, enquanto baixos escores de conscienciosidade e altos graus de socialização aumentam a probabilidade de gostar e votar por esses partidos. Por sua vez, altos níveis de neuroticismo correspondem a indivíduos mais inclinados a apoiar partidos que oferecem abrigo contra dificuldades materiais ou culturais.

Para ilustrar seus argumentos, os pesquisadores observaram o efeito da abertura mental no voto entre os partidos Verde e Social-Democrata. Os Verdes, que formaram um governo de coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD) à época, foram fortemente favorecidos por indivíduos marcadamente relacionados à abertura mental, já que essa qualidade é típica de quem vota no SPD. O efeito da conscienciosidade foi semelhante, com grandes escores desse traço entre os eleitores do SPD e baixos entre os Verdes. “Esses resultados sugerem que a diferença nos efeitos de personalidade reflete políticas diferentes entre o SPD e os Verdes; o primeiro aparece como um partido tradicional de esquerda e o segundo um partido de nova esquerda com foco primordial na agenda social”, explica a dupla.

Os empreendedores do estudo também compararam esse cenário com o cenário italiano, pesquisado em 1999 com Caprara e colegas. “Nossos resultados, quando comparados com a Itália, mostram que altos escores para abertura mental e socialização e baixos escores para conscienciosidade estão relacionados com eleitores mais inclinados em votar em partidos de esquerda”, ilustram. No entanto, enquanto neuroticismo apresenta efeitos consideráveis nas atitudes partidárias e na escolha do voto na Alemanha, na Itália esse traço não é relevante na escolha de partidos entre a centro-esquerda e a centro-direita. Em contrapartida, extroversão, na Itália, é de grande influência no voto para partidos de centro-direita, enquanto na Alemanha não.

O caso norte-americano
Partindo do princípio que indivíduos são atraídos por seus semelhantes, estudo publicado na edição de outubro de 2007 da Political Psychology mostrou que pessoas viam sua própria personalidade como sendo similar àquelas dos candidatos em quem votavam. “É possível deduzir que eleitores projetam em seus candidatos preferidos as características de sua personalidade que são mais marcantes e que eles mais valorizam, ou que eleitores são atraídos por candidatos que mostram características de personalidade que eles mais valorizam”, diz o artigo.

Traços de personalidade, prossegue o estudo, permitem que eleitores estabeleçam suas impressões sobre políticos e que vinculem as personalidades diferenciadas desses políticos às suas próprias personalidades. “São esses os elementos a partir dos quais o princípio da atração pela similaridade opera na política”.

Em um exemplo concreto, investigado pelos pesquisadores, eles revelam que, nas eleições presidenciais americanas de 2004, eleitores de John Kerry, do Partido Democrata, mostraram maior grau de abertura mental que os que preferiram Bush. Kerry também apresentou escores particularmente altos de abertura mental, à semelhança de seus aliados. A similaridade entre Bush e seus eleitores foi particularmente alta na socialização, encerrando características como sincero e leal, e conscienciosidade. Os pesquisadores observaram, no entanto, que essa similaridade não foi tão clara quanto aquelas ligadas a Kerry. Em se tratando de uma reeleição, “é razoável pensar que Bush foi beneficiado por um certo tipo de inclinação positivista que leva as pessoas a esperarem que o presidente dos Estados Unidos seja honesto, leal e inspire confiança”, notam.

O estudo também indicou que socialização é o traço que as pessoas mais projetam nas outras. Dessa forma, segundo o artigo, é possível esperar que, se as pessoas tendem a se apresentar com taxas altas em socialização, atribuindo-se especificamente características positivas como leais e sinceras, elas tendem a preferir políticos com esses traços. Não à toa, socialização e conscienciosidade são os traços que as pessoas mais negam ao oponente.



Escrito por Regina Lopes às 22:57
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MORAL E ÉTICA
Buscar entender o comportamento eleitoral como uma derivação de conceitos morais e éticos também é uma alternativa, embora alguns especialistas sejam cautelosos ao buscar correlações genéricas. Não só porque conceitos como ética e moral são bastante diferenciados entre diferentes países, mas também pelo fato de os sistemas político-eleitorais, mesmo aqueles pautados na democracia representativa, serem radicalmente diferentes.

Estudo empreendido por pesquisadores da Universidade de Illinois e da Universidade Northwestern publicado na primeira edição de 2008 do periódico Political Psychology procurou entender como valores morais associados às polêmicas do dia-a-dia motivaram as pessoas a votar nas eleições presidenciais dos EUA em 2004. Eles também investigaram se a ênfase nesses valores pesou decisivamente para a vantagem eleitoral republicana conservadora.

De acordo com os autores, alguns conselheiros políticos estadunidenses intuitivamente se agarraram à noção de que moralidade é um estímulo importante para a mobilização dos eleitores. Há evidências de que a persuasão moral ativaria formas específicas de afeto, como a sensação de nojo. “Wheatley e Haidt (2005) descobriram que induzir as pessoas a sentir nojo em resposta a palavras neutras as levou a julgar como moralmente condenáveis atos descritos com tais palavras comparativamente com aquelas que não foram induzidas a isso”, exemplificam.

Desse modo, Skitka e Bauman focam seu estudo no retorno que as atitudes moralizantes produzem, mais que a moral em si, para efeito eleitoral. Ambos argumentam que o conceito de moral e sua influência são questionáveis, já que poderiam facilmente alegar que é impossível dizer se decisões sobre a guerra no Iraque e sobre a economia do país são mais ou menos arraigadas em preocupações morais que decisões sobre aborto ou casamento gay. “Por exemplo, uma pessoa pode apoiar o aborto porque ele permite uma rede de segurança contra gravidez indesejada e não porque ela sente alguma conexão moral em particular ao proteger a autonomia feminina. Ao mesmo tempo, pessoas podem se opor ao aborto porque as autoridades da igreja disseram que elas deveriam, sem necessariamente ter qualquer vínculo pessoal ou moral sobre a questão”, ilustram.

O artigo ainda apontou que “três de três testes mostraram que convicção moral associada a tópicos do dia-a-dia — aborto, casamento gay, guerra no Iraque — explicaram uma variação singular nas intenções de voto e na preferência pelos candidatos”. As convicções morais e polêmicas da agenda política foram decisivas para níveis altos de engajamento político sobre ambos os candidatos — George W. Bush pelos republicanos e John Kerry pelos democratas, refletindo no comportamento dos eleitores e suas intenções até as urnas.

Na realidade brasileira, moral e ética tomam formas distintas. O psicólogo político Salvador Sandoval prefere pensar que a moral permeia o pensamento das pessoas julgando ideologias sob perspectivas de regras morais. A ética, por sua vez, é uma sistematização da idéia da moralidade. “As raízes da ética estão em ideologias; o que é certo e errado vai em compasso com a ideologia. A moralidade, no entanto, está relacionada às relações sociais”, assinala.

Historicamente, a esquerda é quem hasteia a bandeira da moral na política, postura que já a deixou em apuros algumas vezes

São nas implicações éticas da ideologia que residem as observações do cientista político André Singer. “É comum a determinadas posições que estão à esquerda e à direita uma valorização do que podemos chamar de ética republicana no trato das questões públicas. Isso não é um monopólio ético da esquerda ou da direita”, pontua. Por outro lado, segundo ele, tendo em vista que as formulações entre esquerda e direita são filosoficamente diferentes, é natural encontrar diferenças éticas entre elas. “De um ponto de vista de esquerda, graus extremados de desigualdade são tidos como não-éticos, enquanto, no caso de uma formulação de direita, não seria bem assim”, complementa.

"AS RAÍZES DA ÉTICA ESTÃO EM IDEOLOGIAS; A MORALIDADE, NO ENTANTO, ESTÁ RELACIONADA ÀS RELAÇÕES SOCIAIS"



Escrito por Regina Lopes às 22:56
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O psicólogo político Marco Aurélio Maximo Prado segue por esse mesmo raciocínio e acredita ser extremamente importante a diferenciação entre esquerda e direita para que se ressalte que o que cada vez mais distingue uma posição da outra é a hierarquia na qual são posicionados os valores da igualdade e da liberdade, da participação e da representação. “Mas não me parece que a diferenciação entre esquerda e direita pode ser feita a partir de preceitos morais ou éticos”, acentua.

Para Alessandra Aldé, professora da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), cientista política e pesquisadora associada do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), historicamente, salvo raras exceções, a esquerda é quem hasteia a bandeira da moral na política. “Ela reivindica um discurso que, além de político, é também moral, ao afirmar que seu projeto é mais nobre, que é qualitativamente superior”, afirma.

Alessandra nota que essa postura de superioridade moral, na prática, já deixou a esquerda em apuros algumas vezes. Ela lembra que a bandeira da ética, historicamente reivindicada pelo Partido dos Trabalhadores, foi tanto o que ajudou Lula a se eleger, em 2002, como foi o que o fez perder votos, no primeiro turno de 2006. Por outro lado, também é comum à esquerda certa resistência em fazer concessões a estratégias políticas. “O marketing político e a comunicação política estratégica estão mais associados à direita, assim como a formulação de alianças oportunistas; todos eles não são dilemas éticos dessa ideologia”, explica.

"A CONSCIÊNCIA POLÍTICA É O CUNJUNTO DE ELEMENTOS QUE SE ARTICULAM E QUE PERMITEM DESENVOLVER UM PENSAMENTO EM CONSTANTE TRANSFORMAÇÃO"

No México, país da América Latina com tradição republicana democrática, pesquisadores buscaram identificar entre suas diversas forças político-partidárias percepções ideológicas estereotipadas. O estudo, publicado na edição 33 de 2006 do periódico Psicología Política, constatou que a relação entre estereótipos e ações políticas procede, mas somente nos grupos de esquerda, nos quais também se identificou maior identificação partidária.

1/JoSÉ Cruz/ABr - 2, 3/WilSon diAS/ABr
A proporção de leitores que manifestaram preferência por algum partido variou entre 41% e 54% do eleitorado nacional

“O estereótipo que se tem sobre a Esquerda Mexicana se associa a condutas como: participar de reuniões, comitês e assembléias, cumprir e formular propostas, sem a necessidade de deixar a militância ou trocar de partido”, afirmam os pesquisadores. Esse estereótipo, segundo o artigo, foi reforçado principalmente devido ao período eleitoral de 2006.

A pesquisa também mostrou que, enquanto os grupos políticos se identificavam internamente como atualizados, conhecedores dos problemas nacionais, cultivadores da democracia, percebiam ao mesmo tempo os demais grupos como desonestos, corruptos e agressivos. Os pesquisadores acreditam que os resultados obtidos sobre as percepções ideológicas das tendências políticas mexicanas permitem corroborar com a idéia da existência de favoritismo endogrupal, em que os simpatizantes mantêm uma identidade partidária positiva, de acordo com preceitos morais estereotipados.

PARTIDOS POLÍTICOS
O periódico Dados, em sua primeira edição de 2004, publicou pesquisa sobre preferências partidárias brasileiras desde 1989 até 2002 com base no estudo de Yan de Souza Carreirão, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e de Maria D’Alva G. Kinzo, da Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores constataram que, entre 1989 e 2002, a proporção de eleitores que manifestaram preferência por algum partido variou entre 41% e 54% do eleitorado nacional, com uma média de 46% para o conjunto no período. “Isso significa que este não é um fenômeno majoritário, embora não possamos desprezar o fato de haver uma parcela significativa de eleitores — beirando a metade — que assim se manifesta, quando instada a fazê-lo”, observam.

7 fases partidárias

ElzA FiÚzA/ABr

O Brasil teve sete fases partidárias. A primeira, monárquica, começou em 1837. As rebeliões provinciais da regência possibilitaram a formação de dois grandes partidos — o Conservador e o Liberal —, que dominaram a vida política até o final do Império. O aparecimento de um Partido Progressista e a fundação, em 1870, do Partido Republicano, completaram o quadro partidário do Império. A segunda fase partidária, na Primeira República, de 1889 a 1930, conheceu partidos estaduais.

A terceira formação partidária se deu na Segunda República, com agremiações nacionais de profunda conotação ideológica: a Aliança Nacional Libertadora e o Integralismo. Há, pela primeira vez, possibilidade de apresentação de candidatos por partidos ou por alianças. Com o golpe de 1937 e a instalação da Terceira República, houve o único hiato em nossa trajetória partidária. Com a Quarta República, a redemocratização trouxe, em 1945, a exclusividade da apresentação dos candidatos pelos partidos políticos. Nessa, que seria a quarta formação partidária do País, ocorreu a explosão de um multipartidarismo com 13 legendas.

O golpe militar de 1964 iniciou a quinta fase partidária, com o bipartidarismo. A Arena seria assim o projeto brasileiro de um futuro PRI (Partido Revolucionário Institucional). As sublegendas — mecanismo utilizado para acomodar as diferenças internas nos dois partidos de então, Arena e MDB — foram copiadas do modelo uruguaio. A sexta formação partidária se deu pela reforma de 1979. Buscou-se imitar o sistema alemão de condicionar a atuação dos partidos ao alcance de um mínimo de base eleitoral. A sétima e atual fase começou em 1985, com a Emenda Constitucional no 25, com o pluripartidarismo.



Escrito por Regina Lopes às 22:56
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A preferência partidária centrou-se entre PT e PMDB. Segundo Carreirão e Kinzo, o percentual médio para o período estudado aproxima PMDB e PT a uma taxa de preferência de 14%. Eles destacam, no entanto, que esses dois partidos apresentam tendências diferentes, pois o PMDB começa em 1989 com as maiores taxas de identificação partidária, seguindo esse perfil até 1998, quando o PT desponta como o partido de maior preferência. Em 2002, enquanto apenas 9% dos eleitores manifestavam preferência pelo PMDB, 18% o faziam pelo PT.

Teóricos atribuem ao bom desempenho de Lula em 2006 a existência de um menor grau de sofisticação da opinião dos eleitores menos escolarizados

A pesquisa ainda mostrou que aqueles eleitores que manifestaram preferência partidária, seja ela de esquerda, centro ou direita, tenderam a votar em candidatos de acordo com essas posições no espectro ideológico. “Isto transparece nos altos percentuais de eleitores, dentre os que manifestaram preferência por partidos situados à esquerda, que votaram em candidatos à esquerda (82,7%), o mesmo valendo para os que votaram à direita (78,3%), dentre os que expressaram preferência à direita”, explicaram os pesquisadores. Os eleitores que declararam preferência por partidos ao centro, de acordo com os dados divulgados, se dividiram mais, mas a maioria relativa (44,3%) votou em partidos localizados ao centro. Dentre os 46% que mostraram preferência partidária, existe uma parcela que não vota de acordo com o espectro ideológico no qual seu partido está inserido, restando, portanto, cerca de 30% do eleitorado nacional para quem a preferência partidária poderia ter influenciado o voto.

Carreirão e Kinzo ressaltam, porém, que essa configuração não significa que há uma tendência forte de os eleitores com preferência por um determinado partido de votarem em um candidato deste partido. Eles indicam a possibilidade de existir, nesse contexto, o voto estratégico. “Eleitores com preferência por um partido de direita, por exemplo, sabendo que o candidato de seu partido não tem chances eleitorais (ou se o seu partido preferido não tiver lançado candidato), podem vir a votar em um candidato de outro partido de direita”, ratificam.

Em pesquisa publicada posteriormente, sobre as eleições de 2006, Carreirão verificou continuidade nesse processo de identificação partidária. As motivações de ordem psicológica que levam à identificação partidária do brasileiro, no entanto, são pouco conhecidas. O psicólogo político Marco Aurélio Maximo Prado comenta, por outro lado, sobre os motivos que levam o indivíduo a não ter interesse na política partidária. “A relação entre representação e participação tem colaborado para democratização de processos institucionais. No entanto, o que as pesquisas atuais demonstram é que há uma grande burocratização impeditiva muitas vezes da participação do eleitor no processo”, aponta.

Maximo Prado chama a atenção para um lado da moeda que não foca a identificação e a militância partidária — o que ele classifica de “ação consensual”— como fator decisivo para a escolha do voto daqueles alinhados ideologicamente. Segundo ele, observa-se que política pode ser pensada como um dissenso, “como a emergência de um conflito que pode ser posicionado no centro da democracia e enfrentado a partir da constituição de uma multiplicidade de atores políticos que estão em cena”. Desse modo, a atuação de pessoas fora da política institucional, isto é, fora dos partidos, pode corresponder também a um posicionamento ideológico legítimo, já que, de acordo com Prado, jovens que encabeçam atividades culturais e políticas engajadas sem relação com política partidária também sabem dizer o que significa a direita e a esquerda como trajetória histórica das decisões políticas.

1/Antônio Cruz/ABr - 2/divulgaAção
Segundo estudo, a preferência partidária brasileira, entre 1989 e 2002, centrou-se entre PT e PMDB

O MITO DA SOFISTICAÇÃO DA ESCOLHA DO VOTO
Construir uma justificativa razoável para o voto não é um processo de subjetivação simples, o que não quer dizer também que a maioria das pessoas seja desqualificada para fazê-lo. Especialistas indicam que muitas pessoas — não apenas aquelas com níveis de instrução mais baixos — optam pelo caminho da simplificação da esfera política para tomar decisões responsáveis.

As pesquisadoras Denilde Oliveira Holzacker, da Bentley College, e Elizabeth Balbachevsky, da Universidade de São Paulo (USP), em artigo publicado no periódico Opinião Pública de novembro de 2007, ressaltam que alguns teóricos atribuem ao bom desempenho eleitoral de Lula nas eleições de 2006 a existência de um menor grau de sofisticação da opinião entre o eleitorado menos escolarizado. “Segundo essa interpretação, os grupos mais pobres e com menor escolaridade seriam desprovidos de instrumentos cognitivos necessários para decidir o seu voto a partir de uma interpretação mais ampla do cenário político”, elas explicam.

De acordo com esses teóricos, esses setores seriam mais suscetíveis à manipulação da informação feita pelo governo, e também mais vulneráveis às estratégias de clientela que muitas vezes acompanham políticas de perfil assistencialista. Os eleitores pertencentes aos estratos médio e alto da sociedade, por sua vez, seriam menos vulneráveis ao “jogo de manipulação de informações feito pelo governo” e, conseqüentemente, tenderiam a ser mais críticos com relação à sua avaliação geral, já que trabalhavam com a memória da crise política do ano anterior. Holzacker e Balbachevsky também citam a hipótese de que os mais pobres se inclinariam a favor de Lula por se tratar de um candidato ex-operário que, no seu primeiro mandato, teve sucesso na implementação de políticas compensatórias para corrigir desigualdades históricas. No outro extremo, segundo elas, estaria uma elite insensível às desigualdades que marcam a sociedade brasileira e contrária às demandas populares. No artigo, as pesquisadoras situam-se no limite entre ambas as interpretações do cenário político. “Quaisquer que tenham sido as outras motivações do eleitorado que votou em L

A preferência partidária centrou-se entre PT e PMDB. Segundo Carreirão e Kinzo, o percentual médio para o período estudado aproxima PMDB e PT a uma taxa de preferência de 14%. Eles destacam, no entanto, que esses dois partidos apresentam tendências diferentes, pois o PMDB começa em 1989 com as maiores taxas de identificação partidária, seguindo esse perfil até 1998, quando o PT desponta como o partido de maior preferência. Em 2002, enquanto apenas 9% dos eleitores manifestavam preferência pelo PMDB, 18% o faziam pelo PT.

 

"ELEMENTOS SUBJETIVOS, COMO CRENÇAS, REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, A HISTÓRIA DE VIDA E EMOÇÕES MEDIAM O ATO DE VOTAR"



Escrito por Regina Lopes às 22:55
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A cientista política Alessandra Aldé assinala que as tomadas de decisão estão de fato diretamente relacionadas com as experiências do indivíduo no acesso às representações políticas corriqueiras. A relação com o síndico do condomínio, a ida a alguma repartição do governo, o atendimento em algum centro público — tudo isso molda a concepção do que as figuras políticas representam e no que elas podem contribuir para fazer essa estrutura funcionar adequadamente. Essa particularização da política, segundo ela, é própria das democracias de massa. “Não se pode destacar apenas o Brasil pela baixa informação ou por uma suposta pouca sofisticação do voto. À medida que as democracias vão se massificando, as próprias reivindicações serão menos claramente de classe”, afirma.

O psicólogo político Alessandro Soares da Silva também atribui à massificação das relações cotidianas a demanda pela simplificação das relações de poder. A tensão entre coletivo e indivíduo marca muito as possibilidades de participação política. “Temos um espaço privilegiado de alienação da deliberação pública. Devido à ausência de tempo, à dificuldade de reflexão sobre a existência, o sujeito tem dificuldade de construir de maneira crítica. O que ele faz ao votar? Procura no coletivo aquilo que o satisfaz individualmente”, indica.

Meios de comunicação: mediadores do debate entre as demandas sociais e as decisões políticas, funcionam também como filtros de informação

DESCRENÇA E AFASTAMENTO NO POSICIONAMENTO POLÍTICO
E a descrença na política — ela também é uma ideologia política? O psicólogo político Salvador Sandoval diz acreditar que sim. “A descrença diz respeito a como as pessoas vêem a classe política, e produz uma visão de mundo em que o espaço político é visto com pouca legitimidade”, afirma. Segundo ele, ser descrente quanto à política é, sim, uma postura ideológica, pois pretende criticar um sistema político que não satisfaz naquele momento sua necessidade de representação. “É uma visão política da política”, complementa.

Alessandro Soares da Silva também chama a atenção para a descrença como pretexto para a acomodação. “Quando eu atribuo o poder de decisão, eu continuo tendo uma expectativa de que aquele representante irá fazer as opções corretas para mim, já que tendo a acreditar que ele tem todo poder necessário para resolver os problemas”, ilustra. Essa posição tem a ver, de acordo com as ponderações do psicólogo, com uma postura quase crônica dos indivíduos em se distanciar da memória política do seu meio, ou mesmo da história de sua cidade e de seu país. Ele lembra que não é à toa que grupos sociais resgatam a memória da coletividade para ganhar visibilidade para sua causa, pois é assim que impulsionam os acomodados para mudar a cultura política.

"AS TOMADAS DE DECISÕES ESTÃO DE FATO DIRETAMENTE RELACIONADAS COM AS EXPERIÊNCIAS DO INDIVÍDUO NO ACESSO ÀS REPRESENTAÇÕES POLÍTICAS TRIVIAIS"

Alessandra Aldé parte da idéia de que a descrença na política é resultado da própria cultura política de distanciamento das instituições. “Temos uma sociedade com um grau de anomia muito alto; as pessoas não acreditam nas instituições”, diz. Para ela, toda atitude em relação à política tem um efeito político. Se a descrença em relação à política é crítica, ela pode produzir reflexos políticos; do contrário, pode estimular um afastamento ainda maior das instituições.

EFEITOS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Uma das mais importantes funções dos meios de comunicação, em uma sociedade de massa, é diminuir a distância entre as instituições políticas e a sociedade. Tidos como mediadores do debate entre as demandas sociais e as decisões políticas, funcionam também como filtros de informação, uma vez que acompanham acontecimentos, selecionam fatos e os hierarquizam por importância. Desse modo, é natural que influenciem em uma medida significativa as relações de poder — é por meio deles que a sociedade se informa sobre as decisões que afetam seu dia-a-dia, que os políticos prestam contas para a sociedade e que a opinião pública é alimentada.

“Não temos uma tradição de controle dos representantes. Não compartilhamos ideologia. Enquanto nossa cultura política tiver por um lado informações tuteladas para os cidadãos, por outro lado, a forma de participação será bastante limitada e subserviente a determinados interesses que não permitem à sociedade um espaço de reflexão”, protesta Alessandro Soares da Silva. Ele atribui parte da culpa desse distanciamento do cidadão para com as instituições às falhas dos meios de comunicação social em mediar de forma plural o debate público.

1/tv gloBo/zÉ PAulo CArdEAl - 2/nElSon Jr./ASiCS-t
O controle de informação pode ser a garantia de perpetuação no poder

O controle da informação, segundo ele, é garantia de perpetuação no poder, já que, no momento em que o cidadão tem mais acesso à informação, tem maiores possibilidades de intervir na dimensão pública, o que é difícil para o Estado. “Se pensarmos em Maquiavel (1469-1527) quando publicou O Príncipe, pensaremos sobre o que é fazer uma psicologia política das relações de poder. Na obra Maquiavel fala, sobretudo, como o Príncipe deve melhorar seu relacionamento com o povo, de modo a dar uma idéia de ampliação os espaços de discussão na sociedade e, ao mesmo tempo, torná-los objetos de controle social”, complementa.

Foi a partir dessa idéia de que os veículos de comunicação preservam as disposições sociais, que um estudo publicado na edição de outono de 2007 do International Journal Of Public Opinion Research mediu como a conjugação dos filtros sociais, intrapessoais e de mídia influenciou na opinião pública sobre o processo político dos EUA. Os pesquisadores perceberam que aqueles que disseram ter prestado mais atenção a matérias sobre eleições apresentaram opiniões significantemente menos favoráveis do processo eleitoral, assim como opiniões significantemente mais fortes.

Os filtros sociais, intrapessoais e de mídia, quando conjugados, resultaram em dois momentos distintos da formação da opinião. A pesquisa indicou que características individuais são dominantes durante a fase formativa da opinião pública. Porém, com o passar do tempo, crescente cobertura da mídia e discussões mais freqüentes podem exercer uma influência mais forte. “Aprofundando a analogia dos filtros, sugerimos que, quando a influência da mídia e da sociedade é introduzida, o filtro intrapessoal se torna mais ‘poroso’ de tal forma que predisposições e características demográficas passam a ter menos impacto na opinião pública”, concluem.



Escrito por Regina Lopes às 22:54
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Velhos consumidores, novos (super) endividados?

Impactos do crédito consignado

http://www.capitalbrasil.com.br/imagens/idoso.jpg

 

Caroline Stumpf Buaes

 

Agradeço ao Conselho Federal de Psicologia o convite para participar do  Seminário Nacional Envelhecimento e Subjetividade. A proposta de discussão que será apresentada está centrada nos impactos de uma modalidade de empréstimo – o crédito consignado – na vida dos idosos. Para começo de conversa, é importante pontuar alguns aspectos que caracterizam a dita “sociedade do consumo”. Vivemos em uma sociedade na qual consumir é um imperativo que interpela, cada vez com mais intensidade, os sujeitos a buscarem a satisfação de desejos produzidos em um determinado contexto social e cultural. É justamente a perspectiva da promessa de satisfação de desejos irrealizáveis que move a economia das sociedades contemporâneas.

Se a sociedade industrial moderna valorizava o homem por sua capacidade de produção, a sociedade de consumo o valoriza por sua capacidade de consumir. Essa perspectiva produziu transformações no modo como o sujeito percebe seus desejos e constrói suas relações.

A sociedade do consumo, conforme teoriza Baudrillard, para existir, precisa da produção dos objetos, mas, sobretudo, necessita da destruição deles para se manter estruturada. Nesse contexto, valores de duração e de permanência foram substituídos pela ostentação da qualidade do que é transitório e novo. O sociólogo Zygmunt Bauman, em suas reflexões sobre a sociedade contemporânea, pontua que tanto a depreciação e a desvalorização dos produtos, logo após terem sido alçados ao universo dos desejos do consumidor, quanto da constante suscitação de novos desejos produz a permanente insatisfação do sujeito. Nunca se está satisfeito com o estilo de vida que se tem e se vive constantemente a sensação de estar desatualizado.

Nesse sentido, o consumismo, governado pela ordem do desejo, acaba deslocando o crédito produtivo, antes destinado para a aquisição de bens duráveis, para a aquisição de bens de consumo. Com uma disposição facilitada de créditos e a vontade de consumir, muitas vezes, a pessoa pode não perceber suas limitações financeiras. Dessa forma, produz-se  uma nova categoria de consumidor: os super endividados. Segundo Claudia Lima Marques, professora da Universidade Federal do Rio Grande Sul e reconhecida pesquisadora na área do Direito do Consumidor, no contexto brasileiro e internacional, o super endividamento é definido como a impossibilidade do consumidor pessoa física, leigo e de boa fé, pagar a totalidade das suas dívidas atuais e futuras de consumo.

Essa situação é conseqüente do abuso de crédito e consumo demasiado, práticas cada vez mais características da sociedade contemporânea. O mercado alicerçado no consumo, para se manter equilibrado, necessita “descobrir” constantemente novas fatias de consumidores. No contexto



Escrito por Regina Lopes às 21:34
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brasileiro, observam-se, atualmente, dois fenômenos que possibilitam a “descoberta” de novos consumidores. O primeiro deles é a ascensão das classes populares para a camada média, que se deve, principalmente, à maior formalização do trabalho por parte das empresas contratantes, ao aumento do salário mínimo e aos programas assistenciais promovidos pelo governo, como o Bolsa Família. No levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de 2007, observa-se que, entre 2001 e 2007, 13,8 milhões de pessoas subiram de faixa social, sendo a maioria originária da base da pirâmide: 10,2 milhões saltaram da camada de baixa renda (entre R$ 0 e R$ 545,66 de ganho mensal por família) para a de renda média (entre R$ 545,66 e R$ 1 350,92). O restante, 3,6 milhões de pessoas, subiram da faixa de renda média para a alta renda (acima de R$ 1.350,82).

Sabe-se que é difícil conceituar classe média em razão de suas subdivisões e do fato de que, num país de dimensões e características regionais diversificadas como é o Brasil, o fator “renda” não delimita claramente a condição econômica familiar. Aquilo que se pode fazer com

um salário de mil reais, no Nordeste brasileiro, não garante a mesma condição de vida a quem recebe essa mesma quantia no cenário de estados mais desenvolvidos, como os da Região Sudeste do país. Mas, esses dados possibilitam compreender que uma camada da população está se tornando um nicho de consumidores em potencial, descoberto pela área do marketing e da publicidade como mais um segmento que move a economia.

Outro fenômeno que vem se configurando no contexto brasileiro nosúltimos anos é o aumento do poder de consumo de idosos. No Brasil, o número de pessoas idosas, acima de 60 anos, está crescendo rapidamente e sua participação na população geral aumentou de 4,7% em 1960 para 10,2% em 2006, representando hoje um grupo com mais de 18 milhões de pessoas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio, do IBGE, de 2006.

Muitos idosos obtiveram melhoria na sua situação financeira com a ampliação dos benefícios, especialmente para os trabalhadores rurais a partir da Constituição de 1988. Observa-se que a grande maioria dos idosos é caracterizada por possuir uma renda baixa, mas regular.

Neste cenário, percebe-se o aumento das estruturas familiares contemporâneas que possuem idosos residentes. Ana Amélia Camarano

e Solange El Ghaouri, pesquisadoras na área de Estudos Populacionais e Demografia do IPEA, diferenciam em seus trabalhos essas famílias em

dois grupos: famílias de idosos, nas quais o idoso é o chefe ou o cônjuge, e famílias com idosos, nas quais eles moram na condição de parente do chefe. No Brasil, predominam os arranjos em que o idoso é o chefe – membro denominado como responsável pelo domicílio – chegando a 86% do total de famílias com idosos residentes. Além disso, as famílias brasileiras de idosos apresentam melhores condições econômicas do que as famílias com idosos. Nesse sentido, se pode pensar no idoso como um sujeito que constitui um arrimo de muitas famílias, porque se observa que, hoje, se tem muito mais gerações convivendo e coabitando os mesmos espaços.

É neste “caldo”, em que se articulam transformações na estrutura social, econômica e demográfica e nas políticas de consumo que, em 2003, no Brasil, surge a possibilidade de um crédito consignado, com baixas taxas de juros, para as pessoas que recebem aposentadoria ou pensão através do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essa modalidade de crédito – debitado automaticamente do benefício do aposentado e do pensionista – foi criada por meio da medida provisória 130/2003 e regulamentada em 2004, para aposentados e pensionistas, e alcançou uma adesão impressionante entre os idosos.

Desde a sua criação, houve problemas com a regulamentação do crédito consignado, o que levou a mudanças constantes das normas reguladoras, que não cessaram até hoje. Em 2004, não havia limites para o valor financiado. Contudo, hoje, o valor máximo da renda a ser comprometida, não pode ultrapassar 30% do valor da aposentadoria ou pensão recebida pelo beneficiário, dividida da seguinte forma: 20% da renda para empréstimos consignados e 10% exclusivamente para o cartão de crédito. O número máximo de parcelas é de 60 meses, conforme instrução normativa do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), publicada em 2008.

Por ser tratada como política pública de inserção do idoso no mercado  de consumo e incentivado pela legislação, o crédito consignado está sendo fomento de diversas atividades. Como exemplo, podemos citar a recente iniciativa criada na área do turismo, lançada em setembro de 2007 pelo Ministério do Turismo. Trata-se do Programa Viaja Mais - Melhor Idade, que oferece pacotes turísticos com preços reduzidos e possibilidades de pagamento por crédito consignado, no período de  baixa temporada. Como justificativa para a concepção de tal programa, encontra-se o argumento de que o incentivo ao turismo tem por objetivo reduzir a taxa de desemprego durante a baixa ocupação e dinamizar anda mais a atividade turística do Brasil. Assim, observa-se a relação direta do crédito com a movimentação da economia.

Frente a este aumento repentino dos créditos aos aposentados e pensionistas, torna-se indispensável compreender o que representa o crédito consignado para este grupo da população e que repercussões ele provoca na vida dos idosos que o contratam. A partir do levantamento dessas questões, o grupo de pesquisa do qual faço parte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), composto por professores e estudantes de graduação e pós-graduação em Educação e Direito - desenvolveu um estudo em parceria com o PROCON de São Paulo. A pesquisa “O idoso frente ao empréstimo consignado: implicações educacionais” foi realizada junto a pessoas que freqüentam grupos de convivência em Porto Alegre e em São Paulo. Nesse



Escrito por Regina Lopes às 21:28
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estudo foram entrevistadas 215 pessoas idosas, 125 em São Paulo e 98 em Porto Alegre.

Para contribuir com as discussões deste evento quero compartilhar algumas  características da realidade do Rio Grande do Sul – especificamente da cidade de Porto  Alegre. Os enfoques principais do estudo foram: quem são as pessoas que contratam crédito consignado? Quais são as razões para contrair tal crédito? Quais são os efeitos desse crédito na vida dos sujeitos?

 

 

O perfil do idoso endividado: o caso de Porto Alegre

 

Os resultados da pesquisa realizada em Porto Alegre indicam que do grupo entrevistado, 43 (43,9%) informaram que tinham feito pelo menos um crédito consignado, um dado muito próximo ao número geral do INSS. Dos 43 participantes, 38 eram mulheres e 5 eram homens. Observa-se um número maior de mulheres, característica associada à expressiva participação destas nos espaços de socialização em que foram realizadas as coletas de dados. A maior parte dos idosos (58%) que relataram já ter contratado crédito consignado tem entre 66 e 75 anos.

Sabe-se que os participantes da pesquisa não são representativos para caracterizar os idosos do Brasil, em função dos locais onde foram feitas as entrevistas – grupos de convivência. Contudo, o perfil sócio-econômico é muito semelhante ao de um grande grupo de idosos brasileiros: uma renda estável, mas pequena (12% até um salário mínimo; 42% entre um e dois salários mínimos; 37% entre dois e quatro salários mínimos) e uma escolaridade bastante baixa (9% sem escolaridade; 39% entre um e quatro anos de escolaridade). Este dado é muito preocupante, pois nos faz questionar sobre a real capacidade de os sujeitos compreenderem as regras dos contratos e se planejarem para os impactos dos empréstimos em seus orçamentos mensais.

Grande parte dos idosos coabita com filhos e netos. Nesse sentido, é possível verificar a existência de uma influência do núcleo familiar para a contratação dos créditos, já que praticamente um terço dos idosos revelou que contrataram empréstimos para terceiros (27,9%) ou para reformar a casa (23,3%).

Os “terceiros” comumente são pessoas da rede familiar e as reformas da casa podem estar associadas a um “ninho cheio” de familiares. Outra questão que pode ser levantada a partir desses resultados é a configuração do crédito como mais um elemento de suporte – como o afeto e o cuidado – nas relações de trocas inter geracionais familiares.

Em relação às conseqüências do crédito na vida dos participantes, um considerável grupo (64%) enfrenta certas dificuldades e contraiu novas dívidas. Destes, 41% cortaram gastos com necessidades básicas, saúde ou atrasaram outros pagamentos. Quando questionados sobre a situação de vida após o contrato do crédito, as opiniões dos participantes mostraram-se bastante diversas: cerca de 35% referiram que sua situação melhorou, 35% mencionaram que nada mudou, e para 30% a situação piorou.

Mesmo frente às adversidades provocadas pelo impacto do crédito na vida dos idosos, a maioria dos entrevistados faria um novo empréstimo por considerar que embora o crédito não seja bom, às vezes “não se tem alternativa”. Esse discurso evidencia o empobrecimento desses grupos sociais.

Pergunta-se, então: qual é a base do sucesso do crédito consignado? Um dos elementos é a produção de necessidades pela ordem do desejo. A modelagem e fabricação da subjetividade são feitas através de diferentes artefatos culturais e técnicos com os quais as pessoas têm contato.

Assume um lugar de destaque na contemporaneidade a produção e circulação de formas simbólicas por meio das atividades da mídia.

 

 

Mídia e crédito consignado

 

A mídia vem transformando-se em uma das fontes mais poderosas da produção de desejos.  Mike Featherstone, na década de 90, ao discutir as funções contemporâneas da publicidade aponta que ela é especialmente capaz de fixar imagens de romance, exotismo, beleza, realização, progressocientífico e vida boa em diversos bens de consumo do dia-a-dia, tais como sabões em pó, máquinas de lavar roupa, pastas de dente, refrigerantes, entre tantos outros. Dessa forma, captura-se o sujeito por meio de uma economia



Escrito por Regina Lopes às 21:28
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emocional que o torna desejante de viver aquilo que ele interpreta dos signos que lhe são oferecidos como possibilidades de identificação. Conforme Severiano, em uma pesquisa realizada em 2006 a acerca dos processos de individuação/homogeneização no contexto das sociedades de consumo contemporâneas, a partir de publicidades de celulares e carros, as estratégias utilizadas para captar os sujeitos baseiam-se na promessa de realização dos seus desejos de completude, com ênfase aos ideais de singularidade de distinção social.

Destaca-se, nesse sentido, a importância do Código de Defesa do Consumidor – Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 – como norma geral das relações de consumo no contexto brasileiro. Especificamente em relação à publicidade, cita-se o art.6º., IV, em que o legislador determina que é direito básico do consumidor sua proteção “contra publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços”.

 

Outras estratégias que vão ao encontro da identificação do consumidor são personagens apresentados em filmes e programas de televisão. Artistas em geral tornam-se pontos de referência comuns para milhões de indivíduos. Especificamente em relação à propaganda de crédito consignado pode-se citar o exemplo do Banco Panamericano que, para divulgar o produto Cred Pan em 2005, tinha uma foto da Hebe Camargo, artista amplamente conhecida no contexto brasileiro, como referência de seu anúncio publicitário, promovendo o Crédito Amigo. A artista contratada pode ser vinculada aos signos de dinamismo, beleza, irreverência. Esse anúncio mobiliza, assim, diferentes emoções no público para o qual é destinado, pois a linguagem utilizada opera no sentido de produzir certos significados para que o sujeito invista-os de sentido conforme suas experiências.

A pesquisa “O idoso frente ao empréstimo consignado: implicações educacionais” apontou os três bancos mais contratados pelos participantes do estudo residentes em Porto Alegre (RS). São eles: Caixa Econômica Federal, Banrisul e Banco do Brasil. Uma rápida análise dos folders de divulgação desta modalidade de crédito podem auxiliar nas discussões acerca das estratégias utilizadas pela publicidade para “fisgar” esses consumidores. O folder da Caixa Econômica Federal instituição responsável, apresenta na capa dois casais que veiculam as impressões de alegria, companheirismo

e bonança. A mensagem transmite a idéia da segurança e tranqüilidade, apelando para uma narrativa de cunho ilusório de salvação quando anuncia o crédito com a palavra “ACREDITE” em destaque, assumindo lugar central da propaganda.

Consome-se, assim, por antecipação uma situação que se apresenta distante da realidade, no momento em que basta acreditar para contratar o crédito e resolver todos os problemas ou satisfazer todas as necessidades/desejos de forma instantânea e fácil.

Destaca-se também o caráter abusivo da publicidade – comum à propaganda dos três bancos citados – observado na parte externa e interna do material “informativo”. As informações não são claras, tanto do ponto de vista do conteúdo quanto do tamanho da letra do texto, dificultando a compreensão e alcance do seu teor. Há, também, na narrativa do texto, uma pressão para que o sujeito “confira a simulação e faça já seu empréstimo”.

Assim, não se apresenta nenhum respeito à oportunidade de tomar conhecimento prévio do conteúdo dos contratos de empréstimos. “Sem necessidade de consulta ao SPC/SERASA e sem avalista, o crédito consignado CAIXA oferece as melhores condições do mercado e sem burocracia”, demonstrando, desse modo, não se preocupar se o contratante tem condições de cumprir o contrato. Assim, apresenta mais um ato abusivo.

A propaganda também reforça a confiança do banco em seus clientes, utilizando-se, novamente, dos efeitos produzidos pelos significados do verbo acreditar expresso na parte interna do anuncio por meio da frase “O banco que acredita nas pessoas”. Assim, o sujeito sente-se importante e valorizado por uma instituição boa que acredita na boa fé das pessoas.

A propaganda do Banrisul traz algumas semelhanças com a praticada pela Caixa no que tange à falta de clareza das informações. Observa-se especificamente a imprecisão acerca



Escrito por Regina Lopes às 21:27
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das taxas de juros. Contudo, há diferenças nas emoções que podem ser mobilizadas pela imagem da capa do folder. O folder da Caixa valoriza a relação de parceria entre casais. Já o folder do Banrisul faz um apelo romantizado para a manutenção de afetivas e prazerosas relações familiares.

Tem-se, então a casa como figura de fundo e em maior destaque um idoso recebendo um abraço de uma mulher mais jovem. O idoso está em evidência com uma expressão  facial e corporal que remete à idéia de uma satisfação e empoderamento, enquanto a jovem o abraça, de maneira afetuosa e acolhedora, com o olhar voltado para baixo e

expressando um sorriso.

No caso analisado, a casa e as relações afetivas são elementos importantes para o segmento alvo do anúncio, visto os resultados da pesquisa de O idoso frente ao empréstimo consignado: implicações educacionais que apontam como principais razões para contrair o empréstimo o contrato de crédito para outros membros da família e para reformar a casa. Desse modo, percebe-se que o produto a ser anunciado aparece vinculado com elementos do dia-a-dia da vida do consumidor, levando-o a interagir de forma automatizada na sua aquisição.

Por fim, a capa do folder do Banco do Brasil apresenta outras mensagens vinculadas ao crédito consignado. Contudo, há um elemento comum com o anuncio do Banrisul: trata-se do uso da expressão “melhor idade”. Esse termo possui uma equivalência à terminologia terceira idade no sentido de representar um sinônimo de envelhecimento ativo e independente. Também se observa que nos anúncios que utilizam a designação de melhor idade para identificar seu público alvo, os idosos parecem ser mais velhos e estão vivenciando uma relação intergeracional, que pode ser vinculada às trocas promovidas pelas redes sociais de reciprocidade.

Por outro lado, o anúncio da Caixa que não utiliza essa expressão veicula imagens de casais de idosos mais jovens, remetendo a um suporte solidário, fundamentado nas trocas entres as pessoas de uma mesma geração.

O folder do Banco do Brasil utiliza-se das cores rosa, lilás, azul – que por si só remetem a uma sensação de doçura e candura – para representar a relação intergeracional. As expressões e posturas da idosa e da criança transmitem a ideia de  carinho e admiração. A figura central do anúncio, que une menina e idosa, pode representar na cena a entrega de um cartão da neta dado para avó ou a leitura de um livro. Ambas as situações envolvem uma troca e uma valorização positiva dessa situação. É possível conceber que o crédito consignado pode ser positivo, aumentar o bem-estar das famílias e proporcionar o acesso ao mercado de consumo de bens e serviços. Nesse sentido, se o sujeito utiliza o crédito consignado de forma consciente – isto é, contrai o crédito conhecendo o contrato e as taxas de juros e organiza seu orçamento mensal para o débito das parcelas durante os meses acordados – este pode ser compreendido como um mecanismo de inclusão social. Mas, como já foi citado, também pode acarretar consequências mais problemáticas na vida de quem o contrata. Dessa forma, é importante pensar tanto em medidas de proteção legal como na criação de intervenções que permitam aos sujeitos uma compreensão das ferramentas do consumo contemporâneo, e assim usar de forma consciente os novos recursos de acesso ao mercado como o crédito consignado.

Neste evento, falou-se em educação para a saúde e a proposta da discussão aqui apresentada dirige-se à importância de se pensar em uma educação para o consumo. A Psicologia, neste sentido, é convocada a criar estratégias nas suas diferentes áreas de prática profissional, que possibilitem o surgimento de condições para a produção de um novo tipo de subjetividade. Felix Guattarri e Suely Rolnik na obra Micropolítica,

Cartografias do desejo, propõem que se singularize por meio de outras maneiras de ser, outras sensibilidades, outras percepções que se opõem à subjetividade capitalística. Não se trata de diabolizar a contratação de empréstimos, mas de criar mecanismos que ofereçam ao consumidor a possibilidade de se posicionar perante os apelos do consumo.

E quais são os nossos possíveis parceiros? Conselhos Municipais e Estaduais de Idosos, Grupos de Convivência, Universidades da Terceira Idade, escolas que oferecem Educação de Jovens e Adultos (EJA), Associação de Aposentados e Pensionistas, Procon’s.

Cabe destacar que, conforme Censo do IBGE de 2000, 22% das pessoas que freqüentam alfabetização de adultos têm mais de 50 anos.



Escrito por Regina Lopes às 21:27
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Escrito por Regina Lopes às 21:19
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Escrito por Regina Lopes às 15:01
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"Crianças precisam de liberdade para errar"
O filósofo escocês diz que a sociedade competitiva transformou a infância em uma fase de stress comparável à da vida adulta

Por Suzane G. Frutuoso

Fotos: randy quan/divulgação; shutterstock
MOMENTO "Somos pressionados a oferecer uma infância perfeita aos nossos filhos", diz ele

No dia em que o filósofo escocês Carl Honoré, 41 anos, foi chamado na escola do filho Benjamin, hoje com 10 anos, e ouviu da professora de artes que o menino desenhava muito bem, ele se encheu de orgulho e sonhou alto. Saiu de lá e foi fazer uma pesquisa na internet sobre escolas de educação artística. Já imaginava: "Estarei criando o próximo Picasso?" Mas, ao indagar o menino sobre o curso, levou um balde de água fria. "Não quero ir para uma aula na qual o professor vai me dizer o que fazer. Só quero desenhar", disse Benjamin, com firmeza. "Por que os adultos têm que tomar conta de tudo?" Honoré percebeu quanto estava sendo um pai ansioso querendo dominar a felicidade simples do filho e transformá-la em realização. Ele entendeu também que não estava sozinho. Foi quando deu início às pesquisas do livro "Sob Pressão" (Ed. Record), recém- lançado no Brasil. "A ideia era retomar minha autoconfiança como pai e ajudar outros da mesma maneira", diz Honoré, que também é pai de Susannah, 7 anos. Uma das principais vozes do movimento slow (por uma vida mais tranquila), o filósofo foi criado no Canadá e hoje mora em Londres. Ele domina o português porque morou no Brasil em 1988 e 1990 para trabalhar com meninos em situação de risco.

ISTOÉ - Qual o problema de pais que, como o sr., tentam desde cedo lapidar a vocação infantil? Carl Honoré - Não há nada errado em encorajar o talento de um filho. Pelo contrário. É uma das principais responsabilidades dos pais identificar suas paixões e ajudá-los a desenvolvê-las. Mas existe uma grande diferença entre incentivar um talento e colocar a criança sob pressão, numa corrida obsessiva mirando o topo. A infância serve para descobrirmos quem somos e no que somos bons gradualmente, sem ninguém decidindo por nós. Deveria ser um tempo de experimentação em uma série de atividades diferentes. Focar logo cedo em algo leva ao perigo de se fechar para outras opções. Você limita os horizontes da criança no momento em que ela deveria estar aberta para um mundo de possibilidades. Uma criança não é um projeto que você pode modular. Ela é uma pessoa que precisa de permissão para ser protagonista de sua própria vida.

ISTOÉ - Mas a sociedade acredita que talento bom é talento precoce, certo?
Honoré - Talento precoce não é garantia de futuro brilhante. Crianças mudam conforme crescem, especialmente na adolescência. O menino que dribla espetacularmente os amigos, como o jogador Robinho fazia aos 6 anos, pode ser um atleta medíocre aos 13. Crianças precisam de espaço e liberdade para cometer erros, fazer más escolhas, ficar em segundo lugar no pódio. É assim que elas aprendem a trabalhar seus pontos fortes e descobrirão no que são boas. Claro que há casos de crianças prodígio que treinam com afinco seus talentos naturais e alcançam benefícios - na música, por exemplo. Mas é importante lembrar que é uma minoria. Nossa cultura exige perfeccionismo. Isso torna difícil para nós, pais, segurar expectativas e ajudar nossos filhos a desenvolver todo potencial que têm sem cair na fantasia de que eles podem ser os próximos Pelé, Paulo Coelho ou Caetano Veloso.

Fotos: Randy quan/divulgação; shutterstock
"Crianças mudam. O menino que dribla espetacularmente, como Robinho fazia aos 6 anos, pode ser um atleta medíocre aos 13"

ISTOÉ - Como a pressão, com atividades que em tese melhorariam o desempenho no futuro, pode ser prejudicial?
Honoré - É possível acabar para sempre com o desejo dela por algo de que goste. Acelerando o processo de aprendizado, frequentemente não se aprende tão bem. Uma professora de música de Londres me contou sobre uma menina que começou a estudar violino aos 3 anos. Ela saltou à frente de seus pares. Mas aos 6 a técnica dela era tão distorcida que precisou passar meses reaprendendo o básico. As outras crianças que ela tinha ultrapassado acabaram deixando-a para trás.

ISTOÉ - Quais são os problemas do mundo contemporâneo que já afligem as crianças?
Honoré - Estamos em um momento único da história da infância na qual somos pressionados a oferecer uma infância "perfeita" aos nossos filhos.

Uma série de tendências convergiu ao mesmo tempo para produzir uma cultura da perfeição. A globalização trouxe mais competição e incertezas sobre o mercado de trabalho, o que nos deixa mais ansiosos em preparar os filhos para a vida adulta. A cultura do consumo alcançou a apoteose nos últimos anos. O próximo passo é criar uma cultura de expectativas elevadas: dentes, cabelos, corpo, férias, casa, tudo deve ter perfeição. E crianças perfeitas fazem parte desse retrato. É uma cultura do tudo ou nada.

Ou você é uma celebridade ou você é um ninguém. É rico ou pobre. É feliz ou depressivo. Parece que perdemos todas as nuances entre os extremos. Não toleramos coisas medianas ou boas o suficiente.



Escrito por Regina Lopes às 14:50
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ISTOÉ - Por que isso acontece?
Honoré - Porque os pais dessa geração perderam a autoconfiança. O que nos torna iscas fáceis de empresas que criam produtos desnecessários para cuidar de crianças. Ao mesmo tempo, a sociedade é profundamente impaciente. Queremos tudo agora. E achamos complicado recuar e deixar as coisas acontecerem. Sou pai e sei como é confuso criar uma criança nos dias de hoje. O foco do livro não é demonizar os pais. É nos fazer menos culpados e inseguros em relação aos nossos filhos.

ISTOÉ - Como, então, incentivar o talento das crianças de modo saudável?
Honoré - Primeiro, não pressionando os muito pequenos. No esporte, há um número recorde de crianças com lesões graves, como rompimento dos ligamentos, porque estão treinando como profissionais. Quando crescem, deixam o esporte de lado por perderem o prazer de praticá-lo devido à competição que viveram muito jovens. Para medir a paixão de um filho por algo é necessário observar, ouvir e ler os sinais dele. Se nunca fala sobre uma atividade que pratica pode ser sinal de que não está completamente engajado naquilo. Se dorme no carro a caminho da atividade ou tem olheiras, provavelmente está sendo exigido demais. Se você tem de brigar para que um filho se dedique ao que faz, talvez seja hora de parar. A resistência contínua é sinal de que a atividade não é a ideal para a criança. Ou não é o momento certo. Também é crucial não deixá-la preocupada em relação ao desempenho. Encoraje-a a se dedicar constantemente, mas sem pressa. O pai do golfista Tiger Woods permitiu que ele fosse adiante num ritmo comedido. Sua política era fazer Tiger se desenvolver em seu próprio ritmo, nada além disso. E olhe como funcionou!

ISTOÉ - Existem paralelos entre crianças com excesso de atividades extracurriculares e crianças exploradas em trabalhos infantis?
Honoré - Talvez existam. Em ambos os casos, elas são prejudicadas ao serem impedidas de viver uma infância apropriada. O tempo delas não lhes pertence realmente. Criadas assim serão menos criativas. Estão tão preocupadas em agradar aos adultos e fazer tudo certo que não aprendem a pensar por si sós e a olhar para dentro de si mesmas. Sofrem com stress. Como têm cada minuto organizado e supervisionado por adultos, mais tarde descobrirão que é difícil viver por conta própria. Nunca amadurecerão. Há pouco tempo, soube do caso de um professor que pediu a um rapaz de 19 anos que desligasse o celular em aula e ouviu: "Por que você não resolve isso com a minha mãe?" Há pais que estão indo a entrevistas de trabalho com os filhos negociar salários e benefícios.

ISTOÉ - Parece que os pais de hoje sofrem justamente por terem inúmeras possibilidades e não saberem o que é melhor. Eles estão apavorados?
Honoré - Muito. Eles têm um mundo de conselhos, alertas e opções - e ficam sem saber o que fazer. E quando não sabemos o que fazer acabamos fazendo o que todo mundo está fazendo. Pais confiantes são resistentes ao pânico e à pressão, conseguindo assim encontrar o caminho para educar seus filhos. Não existe fórmula mágica para educar. Cada criança é única, assim como cada família. O segredo é encontrar a fórmula que funciona melhor para você e seu filho.

ISTOÉ - Há no Brasil pais escolhendo a escola dos filhos de 5, 6 anos conforme um ranking daquelas cujo ensino garante o ingresso nas melhores universidades. Eles estão certos?
Honoré - É o mesmo fenômeno aqui na Inglaterra. Eles querem que o filho entre numa boa universidade. O problema é o sistema para chegar lá. As melhores escolas são tão obcecadas em alcançar as maiores pontuações nos exames de avaliação que a educação sofre falhas. Há colégios hoje que são como fábricas com uma linha de produção. É uma escolha difícil para os pais. Não se pode esperar que sacrifiquem o futuro de seus filhos. Então, acredito que seja a única coisa que esses pais podem fazer nas atuais circunstâncias. Mas há outro ponto a ser lembrado. Criar um mundo perfeito para seu filho, no qual tudo é gerado de acordo com as necessidades dele, em que as emoções dele sempre vêm primeiro, não é uma preparação razoável para a vida adulta. Não é assim que o mundo real funciona. Nem todos aqueles que vão para as melhores escolas particulares e mais renomadas universidades são mais felizes, saudáveis e bem-sucedidos.

Fotos: Randy quan/divulgação; shutterstock
"Uma escola escocesa eliminou a lição de casa dos 3 aos 13 anos. Em um ano, as notas em matemática e ciências melhoraram 20%

ISTOÉ - O que é fundamental na educação de uma criança?
Honoré - Elas precisam de tempo e espaço para explorar seu próprio mundo. Precisam de amor e atenção. Devem ter permissão para se arriscar.

Há um movimento na Inglaterra contra festas de aniversário esbanjadoras. Muitos pais estão limitando os presentes que os filhos recebem ou até os proibindo. Estão reaprendendo a dizer não. Investimos tempo, dinheiro e energia num currículo matador para nossos filhos, mas tendemos a vacilar na disciplina. Do mesmo modo, crianças precisam dizer não para nós às vezes. Vejo uma mudança se aproximando. Pelo mundo, escolas estão revendo a obsessão por exames e evitando o excesso de atividades acadêmicas para que os alunos tenham tempo de relaxar, refletir e aprender coisas sozinhos.

Há pouco tempo uma escola escocesa eliminou a lição de casa para as crianças de 3 a 13 anos. Em um ano, as notas em matemática e ciências melhoraram 20%.

ISTOÉ - Há outros exemplos?
Honoré - Sim. Para que os jovens voltem a se interessar por esportes, as ligas esportivas estão reprimindo o abuso de pais que enfatizam a importância de ganhar a qualquer custo. Recentemente, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) reformulou o formulário de matrículas com ênfase num número menor de atividades extracurriculares que os alunos considerassem importantes para a futura carreira e optassem por assuntos que lhes despertassem paixão. Até mesmo Harvard está revendo o excesso de atividades, como mostra uma carta da direção encaminhada aos novos alunos.

"Você pode equilibrar melhor sua vida se participar de algumas atividades por puro divertimento, mais do que daquelas que imagina que serão um diferencial para conseguir emprego. As relações humanas que você construir com seus colegas pode ter uma influência maior em sua vida futura do que o número de cursos que você fará." O título: "Vá devagar: absorvendo mais de Harvard fazendo menos."



Escrito por Regina Lopes às 14:49
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INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:

(21) 2550-9059

(21) 2550-9060

 

PROGRAMAÇÃO DETALHADA:

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www.portalcejur.rj.gov.br

  



Escrito por Regina Lopes às 14:42
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III Colóquio Educação, Cidadania e Exclusão - Gênero e Pobreza: Imagens de Escola

  



Gênero e Pobreza: "Imagens de escola"

Na edição de 2009 buscamos atualizar as discussões sobre exclusão e pobreza inserindo a temática de Gênero a partir das imagens das escolas, em que os estudos etnográficos contribuem, sobremaneira, para conhecer, compreender e desvelar a realidade sócio educacional vivenciada por uma parcela significativa de jovens e crianças em todo mundo. As desigualdades de gênero, associadas a pobreza, têm incidido sobre as práticas, as políticas e as teorias educacionais no Brasil na última década.


Data: 04, 05 e 06 de Novembro
Local: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Rua: São Francisco Xavier, 524
Maracanã - RJ
Informações: (21) 3253-5849
coloquio@netedu.pro.br

No I e II Colóquio Educação, Cidadania e Exclusão (2005 e 2007) reunimos professores e pesquisadores de diversas instituições para debatermos a questão da desigualdade e da exclusão observadas nos altos índices de fracasso escolar no Brasil. Oportunizamos a participação de estudantes de graduação e de demais profissionais da educação, que atuam em escolas públicas e particulares, onde as condições de exclusão evidenciam o modo como os processos educacionais se desenvolvem para a formação dos sujeitos do conhecimento.

O III COLÓQUIO EDUCAÇÃO, CIDADANIA E EXCLUSÃO têm como intuito contribuir para os estudos em educação, tendo a investigação qualitativa e a abordagem etnográfica como instrumentos para melhor atender as necessidades de pesquisa desta natureza.

Com a 3ª edição do Colóquio, o Núcleo de Etnografia em Educação - NETEDU pretende reunir pesquisadores, docentes, discentes e profissionais da área de Ciências Humanas do Brasil e do Exterior, possibilitando trocas de experiências adquiridas entre os mesmos sobre a temática a partir da investigação qualitativa.

Com o objetivo de expandir o espaço de debate sobre etnografia em educação, o NETEDU juntamente com outras instituições está realizando seu terceiro evento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

OBJETIVOS
III Colóquio Educação, Cidadania e Exclusão – Gênero e Pobreza: Imagens da Escola terá como tema central as políticas públicas e como foco as teorias que abordam as questões sobre gênero e pobreza e suas implicações para inclusão/ exclusão escolar. O evento pretende discutir tais temáticas, para assim promover no âmbito acadêmico espaços de trocas de experiências entre pesquisadores, docentes, discentes e profissionais da área de educação e áreas afins.

 

TEMÁTICA CENTRAL

Educação, Cidadania e Exclusão;

Gênero e Pobreza.

 

EIXOS TEMÁTICOS

Gênero e Educação.

Etnografia em Educação.

Pobreza e Exclusão.

Políticas Públicas.
Fracasso Escolar
Letramento

 

 REALIZAÇÃO DO EVENTO
A 3ª edição do Colóquio Educação, Cidadania e Exclusão – Gênero e Pobreza: imagens da escola ocorrerá no dia 04 de novembro, no horário de 17 às 19:30 horas e nos dias 05 e 06 de novembro de 2009 no horário de 10 às 18 horas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ - Campus Maracanã, 1º andar Auditório 11 Bloco F.

 

PÚBLICO ALVO

Pesquisadores especialistas;

Professores e professoras;

Estudantes de Graduação e Pós-Graduação;

Profissionais de áreas do conhecimento para os quais os temas são relevantes.

 

CONVIDADOS

 

Frederick Erickson - University of California (Conferencista Internacional)
Nigel Bagnall - University of Sydney (Conferencista Internacional)
Maria Torres - University of New York (Conferencista Internacional)

Alba Zaluar (UERJ);
Alfredo Veiga-Netto (ULBRA)
Antônio Flávio Barbosa Moreira (UCP)
Fúlvia Maria de Barros Mott Rosemberg (PUC/SP); 
Guacira Lopes Louro (UFRGS);
Marília Pinto de Carvalho (USP);
Elizabeth Macedo (UERJ);
Dagmar Meyer (UFRGS)
Stella Bortoni-Ricardo (UNB)


http://www.netedu.pro.br/noticias/19



Escrito por Regina Lopes às 14:34
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A Escola Lacaniana de Psicanálise

Oferece:

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INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:

 

ESCOLA LACANIANA DE PSICANÁLISE

(21) 2294-9336

(21) 2239-7199

secretaria@escolalacaniana.com.br

 


Escrito por Regina Lopes às 14:28
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A razão cínica

 

http://sergiogsilva.sites.uol.com.br/imagens/jurandir_freire.jpg   O psicanalista Jurandir Freire Costa leva o Brasil ao divã e constata que o desamparo político explica a ânsia de tirar vantagem em tudo.

 

Jurandir Freire Costa

 

 

A infindável farsa conhecida como transição democrática pode levar o povo brasileiro à loucura? Jurandir Freire Costa, 44 anos, destacado psicanalista de consultório e diretor do Instituto de Medicina social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, desconfia que sim. A psicanálise, normalmente distante dos embates sócio-políticos, costuma acudir indivíduos problemáticos. Seu método, sozinho, é incapaz de fundar uma teoria social. Pode, porém, ajudar a entender o que se passa com um país, onde a crise dos valores, a rigor, prescreveria que toda a população mergulhasse no divã. Costa puxou o fio da meada psicanalítica num polêmico artigo - "Narcisismo em Tempos sombrios"-, publicado em meio a uma coletânea aparentemente especializada: Percursos na História da Psicanálise (Ed. Taurus). Os tempos sombrios do título são, obviamente, aqueles em que vivemos. O narcisismo, diz Costa, é a chave para se entender uma sociedade desagregada que elegeu como pauta de comportamento o oportunismo e o cinismo. O brasileiro tornou-se, pensa o psicanalista, "um homem sem pudor", voltado apenas para si mesmo, não se identificando com nenhum valor social. Costa tornou-se vítima pessoa dessa degenerescência política ao ser expurgado, recentemente, ao lado de outros técnicos progressistas, do Hospital Psiquiátrico Pedro II, do rio, pelo novo diretor da instituição, Pedro Monteiro de Bastos, por sua vez apadrinhado do deputado federal Jorge Leite (PMDB-RJ). A indicação de Bastos era uma recompensa a Leite pelo voto a favor dos cinco anos para José Sarney.

Leia abaixo a entrevista.

 

Isto É - A psicanálise tem condições de dizer para onde vai o Brasil?

Jurandir Freire Costa - Uso o instrumental da psicanálise, é verdade. Mas eu não estou explicando o Brasil psicanaliticamente. Estou dizendo: face a essa desorganização que existe, veja como a gente começou a se comportar. O que eu quero é apontar que, formado esse círculo vicioso de desestruturação da sociedade, começa a existir um dado novo que escapa ao controle puramente político, econômico ou social, que é o dado psicológico.

Isto É - E qual é a sua análise?

Jurandir Freire Costa - Indica que se precipita sobre todos nós essa situação de desesperança, de descrença e de desespero. Ou se consegue restituir a possibilidade de investir num projeto futuro e nas realizações de ideais, ou então vamos Ter um dado incontrolável, que é o medo, o pânico das pessoas, que levará o indivíduo a querer se defender a qualquer custo, permanecendo o mais fechado possível e abrindo mão da intervenção no social.

Isto É - Como é que se percebe isso, no dia-a-dia?

Jurandir Freire Costa - Na transformação dos brasileiros em indivíduos social e moralmente supérfluos. Por isso, essa sensação nacional de que nada mais tem valor. Passa a proliferar a idéia de que o valor não existe, que tudo é igual. Ou seja, passa a imperar uma filosofia, que eu chamo de razão cínica, que, no nível político, do dia-a-dia, diz que, seja eu um mau caráter, seja eu um homem de bem, é exatamente igual. Ou pior, do ponto de vista do usufruto individual, até há mais vantagens em ser um cafageste.

Isto É - Como é que se chegou a essa moral do desespero?

Jurandir Freire Costa - A queda do autoritarismo trouxe, no seu bojo, uma desorganização muito grande. Uma vez desestruturada a sociedade, os indivíduos se precipitaram nesse regime de economia ego-narcísica que, por sua vez, faz com que ele realimente o processo de desorganização, criando um círculo vicioso. Ou seja, as pessoas foram empurradas para um regime de economia mínima - do eu mínimo -, que realçou seu narcisismo, em detrimento da sua possibilidade de exercício da cidadania. No momento em que elas começaram a funcionar dessa maneira, passaram, por outro lado , a retroalimentar o processo de dissolução do social.

Isto É - O que o narcisismo tem a ver com a realidade nacional?

Jurandir Freire Costa - Por natureza, o homem não é um ser social. Não existe nele, como nas abelhas e nas formigas, um instinto de preservação da espécie - apenas o de autopreservação. Somos, então, por natureza, narcísicos, porque só vemos, primordialmente, o nosso bem-estar individual. O convívio social, e mais ainda, o convívio social democrático, nos impõe, portanto, um trabalho enorme.

Isto É - Como assim?

Jurandir Freire Costa - É simples. A instância primeira do homem é o seu narcisismo, o seu instinto de autopreservação. Mas existe uma Segunda instância, igualmente importante, que poderíamos chamar de ideais - o que eu quero vir a ser, aquilo que eu poderia ser, o que eu gostaria de ser. O bom funcionamento de uma sociedade é ditado pela eficiência com que ela agencia esses ideais, como que ela lida com essa espécie de suborno que viabiliza a vida em sociedade.

Isto É - É essa eficiência que falta à sociedade brasileira?

Jurandir Freire Costa - É. O que me torna aflito em relação ao projeto da sociedade brasileira é quando esses ideais entram em falência.

Isto É - Alguma vez o brasileiro experimentou essas perspectiva de futuro, de realização de seus ideais?

Jurandir Freire Costa - Claro. Pelo menos a classe média. Sempre, no brasil, houve uma imensa massa que, ao longo da história, foi despida de [64] qualquer possibilidade de participação social. O problema é que essa situação de superfluidade - termo concebido pela brilhante Hannah Arendt -, de que nada que a gente faça, nada que a gente diga, nada que a gente queira, importe para a sociedade está, agora, atingindo também a classe média.

Isto É - E qual a conseqüência da cassação dos ideais da clase média?

Jurandir Freire Costa - é bom lembrar que ela sempre foi colchão de ar entre as elites e os excluídos, uma guardiã da moralidade, em cima da qual se incutia e germinava a ética do trabalho, do respeito, da moralidade, do bom comportamento, que a elite nunca teve e que os despossuídos nunca precisaram ter.

Isto É - Contaminada a classe média, o que acontece?

Jurandir Freire Costa - Acontece o que estamos vendo todos os dias. O comportamento das elites agora sem



Escrito por Regina Lopes às 15:20
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amortecimento da classe média, tem um efeito de demonstração, no sentido de aguçar o comportamento marginal da classe pobre, que é o da delinqüência assassina, mortífera.

Isto É - Quer dizer, pode piorar?

Jurandir Freire Costa - Esse questionamento, por sinal, está intimamente relacionado com a razão cínica. São mecanismos de acomodação histórica que fazem com que o cidadão acredite que nunca a coisa é tão grave, que não é verdade que o País esteja tão mal, que isso é pânico antes do tempo, que ele vai conseguir escapar. Por força disso, germinou entre nós a idéia de que, neste país, em tudo se dá um jeitinho. O que não tem nada de verdade. Existem sociedades que se tornaram inviáveis, mesmo. E o perigo não é a meu ver, apenas o prolongamento desse estado de coisas por mais algum tempo, e sim chegarmos a ponto de perdermos a idéia de sociabilidade e o país se fragmentar em gomos.

Isto É - O que seria isso, exatamente?

Jurandir Freire Costa - É o estado em que, acho eu, está mergulhada a Colômbia. Ela está um passo à frente do Brasil. Num ponto em que já perdeu o sentido de representatividade e as pessoas estão dominadas pelo império do tráfico de drogas que desestruturou a sociedade.

Isto É - O senhor atribui o problema brasileiro à crise posterior à queda do autoritarismo. De que tipo de crise o senhor fala?

Jurandir Freire Costa - Basicamente, esse processo de detonou através da irresponsabilidade dos que assumiram o poder depois do fim dos governos militares.

Isto É - A razão cínica não proliferou sob a ditadura?

Jurandir Freire Costa - Ela estava latente. Mas sua manifestação estava representada pela perspectiva de concretização de um ideal, o de que tudo iria mudar e de que, com o fim do regime militar, a gente iria fazer uma democracia verdadeira e construir o brasil com que a gente sonha.

Isto É - Seria correto dizer que a razão cínica se acentua durante as crises econômicas?

Jurandir Freire Costa - Sim, se acentua, porque não há mais condição de bancar sequer uma promessa de conforto que, no Brasil, foi representada pelo carro financiado em 36 meses, a casa própria via BNH e o acesso facilitado a diversos bens de consumo. Por que isso? Nas crises, o homem habituado a delegar poderes à elite para decidir o que é melhor para o bem comum perde a confiança na Justiça e a apatia política se acentua e toma as pessoas, em maior ou menor grau, à perda do sentido de responsabilidade social.

Isto É - Essa reação já foi estudada pela psicanálise?

Jurandir Freire Costa - Estudada, não. Freud tentou, numa espécie de ensaio com tinturas de ficção, antever o que aconteceria a uma sociedade que entrasse numa crise de autoridade e perdesse a noção da transcendência da Justiça. Valeu-se para isso de um romance inglês, When it was dark, como forma de ilustração. Nesse livro, teriam sido descobertos fatos históricos que negavam a ressurreição de Cristo. A morte de Jesus, e portanto de Deus, teve na história o efeito de desmantelar completamente a vida social, pelo  aumento da violência. Os indivíduos, sem Deus, passaram a descrer das leis e a agir pressionados simplesmente por seus medos ou interesses privados.

Isto É - Não é esse o quadro da criminalidade no Rio, por exemplo?

Jurandir Freire Costa - Não é possível, nem exato, transpor uma situação retratada numa ficção para a realidade brasileira. Certamente, não chegamos a esse ponto. Mas se o pânico narcísico ainda não se instaurou, há indícios sociais que apontam para lá.

Isto É - Quais?

Jurandir Freire Costa - Diante de uma sociedade em degradação, o ego-delinqüente, fruto do pânico narcísico, tem a tendência de manifestar-se de duas maneiras: ou como absolutamente impotente, ou como onipotente. Quando impotente, ele se traveste no modelo da subserviência burocrática, onde a regra é a obediência devida, qualquer lei é lei, autoridade e autoritarismo são indissociáveis e o que o move é o medo. Na outra ponta, encontramos a arrogância onipotente que tem a desobediência como a lei. Desse lado, estão o marginal que não vacila em matar alguém por um relógio de plástico ou um par de tênis, o cidadão que estaciona em fila tripla, paralisando o trânsito de toda uma rua só para apanhar seu filho na escola, o político ladrão e o empresário fraudulento. Engravatado ou descamisado, o delinqüente arrogante considera-se acima da lei e desafia todos os que não querem transforma-se em apêndice de sua onipotência.

Isto É - Busca instaurar sua própria lei?

Jurandir Freire Costa - Exato. Chamo de legislar em causa própria. A lei passa a ser a de um só, a lei do banditismo. Porque lei a gente aprende na prática. Não é através de teoria. É vendo e agindo, o tempo inteiro. Só observando nossos companheiros da sociedade é que vamos introjetando as normas de conduta social.

Isto É - E os nossos exemplos de hoje são o político corrupto, o empresário sonegador, o marginal e o motorista que elege sua própria lei de trânsito...

Jurandir Freire Costa - Posso acrescentar outros exemplos tão ou mais graves. A responsabilidade do funcionalismo público nesse estado de coisas, por exemplo. A meu ver, o funcionário público é o protótipo do indivíduo narcísico e um fato absolutamente abominável neste país. Ele tem ainda uma dupla ação



Escrito por Regina Lopes às 15:19
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abominável neste país. Ele tem ainda uma dupla ação social: a de exemplo vivo da cultura do levar vantagens e a de germe de dissolução do social.

Isto É - O senhor se refere ao empreguismo?

Jurandir Freire Costa - Sejamos direto. Esses lugares são todos cabides de emprego, onde se entra basicamente pelo nepotismo, pelo clientelismo e onde se demole diariamente qualquer sentimento de dignidade que possa ainda resistir.

Isto É - Como assim ?

Jurandir Freire Costa - Porque os funcionários públicos - e, aí, obviamente, estou falando de maneira genérica - não se enganam. Eles sabem que são parasitas, que não fazem jus aos salários que recebem. Eles sabem que não trabalham e as elites brasileiras habituaram gerações e gerações de pessoas - que não são poucas - a viverem nessa situação de indignidade, onde o que prevalece é, exclusivamente, o interesse corporativo, de extorquir cada vez mais, num reflexo imediato ao comportamento dessa mesma elite. Em setores como educação e saúde, isso é pavoroso, para não falar na administração do Estado. Eles estão, no dia-a-dia, mostrando ao cidadão como se vive de forma parasitária, criando, portanto, um sentimento de injustiça atroz. Basta ver como um operário que trabalha e, de fato, produz riqueza - e tem consciência da dignidade do que ele faz para a sociedade - é tratado dentro da burocracia do aparelho do Estado, ou no setor de saúde, ou no de educação.

Isto É - O exemplo, então, é o pior possível?

Jurandir Freire Costa - Na burocracia, na obediência cega, que confunde, como eu já lhe disse, autoridade com autoritarismo e segue a ordem pela ordem, está um dos piores germes da dissolução do social, que é o germe do fascismo e do nazismo. Numa sociedade autoritária, ditatorial, a opressão é fundada, basicamente na rotina e na burocracia. São aqueles que obedecem até o ponto de torturar e matar os outros. Quando se passa a obedecer cegamente, você perde o sentimento do que é a lei, na medida em que as regras são frutos da discussão pública. As leis mudam, somos nós que as fazemos e elas são sempre melhores em função do interesse comum. Se não as discutimos, e advogamos que qualquer lei é lei, então estamos do lado da marginalidade e somos capazes de desprezar as regras e instaurar nossa própria lei.

Isto É - E o exemplo dos políticos?

Jurandir Freire Costa - Bem, as promessas não cumpridas ou frustradas - que tiveram grandes momentos do fim do autoritarismo para cá, com a morte de Tancredo Neves e o fim do Cruzado - podem estar entre as maiores causas da desesperança. Acho que os políticos têm uma responsabilidade muito grande. A meu ver, é preciso existir um espaço onde a reflexão sobre a ética e o bem comum seja possível, e esse lugar privilegiado é o político, na sua verdadeira dignidade. É preciso quebrar essa imagem - e que já virou senso comum - de que todo político é um ladrão, um parasita.

Isto É - Um ilustre representante do "centrão' lançou mão da frase "é dando que se recebe". Ele não passa a ser um militante dessa razão cínica que ameaça o País?

Jurandir Freire Costa - Nem é cinismo - é desfaçatez elevada à milésima potência. Primeiro, subverteu-se, de uma maneira inconcebível, uma figura como São Francisco de Assis. Depois, como politico, dizer isso dentro deste país, no momento atual, num contexto de troca de favores, de pilhagem, de insensibilidade absoluta em relação ao estado em que está o Brasil, é muita irresponsabilidade.

Isto É - A versão mais bem-acabada da razão cínica...

Jurandir Freire Costa - Não, a versão mais elaborada está nas universidades, nos meios acadêmicos. Mas eu faria papel de tolo se dissesse que são teorias produzidas no Brasil ou adaptações feitas, propositadamente, para a realidade brasileira. Elas são basicamente idéias produzidas na Europa e nos Estados Unidos, mas, transpostas e aceitas por um certo número de pessoas, são nocivas por engrossar o caldo de irresponsabilidade. Essas teses a que se poderia chamar de relativismo ou racionalismo procuram justificar através de argumentos - muitos extraídos com impropriedade de autores como Nietszche e Foucault - uma crítica à existência de valores. Como se dissesse: sempre foi assim e sempre será.

Isto É - Com o que o senhor não concorda?



Escrito por Regina Lopes às 15:18
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Jurandir Freire Costa - Para mim não é preciso ser idealista, nem metafísico grego, para afirmar que os valores foram feitos por nós e, portanto, não são hiperhumanos, nem perfeitos. Mas estão longe de serem apenas, como advogam os adeptos da razão cínica, mecanismos exclusivamente de coação, ou, como dizem, instrumentos de dominação. Existem leis e valores que surgem do consenso, como o conceito de democracia - onde se procura assegurar o espaço para a divergência de opiniões e a proteção aos mais fracos - e mecanismos de obediência consentida, como as leis de trânsito. Que não existam leis divinas, eu concordo com eles. Mas que todas as leis são violentas e servem apenas para a defesa de interesses particulares dos mais poderosos, isso eu considero um erro primário e perigoso.

Isto É - O senhor não é tão cético quanto essas pessoas?

Jurandir Freire Costa - eu sofri ácidas críticas por estar desenhando um panorama absolutamente negro do País. Não é isso. Tenho certeza de que existem pessoas que se estão associando, que estão defendendo seus interesses de maneira legítima, que estão lutando por algumas coisas melhores. Como um amigo meu me lembrou, em certos subúrbios, comunidades de bairro, você ainda vê práticas de solidariedade, certos objetivos que se tentam cumprir coletivamente. Há políticos que eu respeito, que têm um projeto nacional, como há colegas que eu respeito. Eu não diria que o País inteiro esteja mergulhado nisso. Se assim fosse, seria a hecatombe. As pessoas que estão na contramão, contudo, são pessoas muito acuadas. Quando escrevi meu artigo sobre o assunto, quis me comunicar com essas pessoas, dizer que há outras pessoas que se importam, que querem reagir e que adianta, sim. Aqui dentro da Universidade, por exemplo, onde chefio o Departamento de Medicina Social, meus colegas não vão  parar de dar aulas e não vão parar de cumprir expediente, não. Tenho os instrumentos institucionais e, se precisar, a gente obriga, sim. O aluno vai fazer prova. O professor vai dar aula, vai ser responsável pela produção.

Isto É - Dá para iniciar uma mudança de rota?

Jurandir Freire Costa - O desfecho eu não sei, porque parto de um pressuposto radical, no modelo de Hannah Adrendt. Acho que, quando a gente prevê o desfecho, está muito perto de criar o que se chama de sociedade autoritária.

Isto É - Não é possível, então, apontar uma saída?

Jurandir Freire Costa - A saída, não. O que eu poderia dizer é o que não é a saída, por exemplo, achar que podemos, individualmente, encontrar a solução. Também não é saída continuarmos achando que é tudo culpa do Estado e não da sociedade, que nós, enquanto cidadãos, não temos nenhuma responsabilidade sobre isso e que compete exclusivamente aos governantes resolverem os nossos problemas. Por essa demissão, a gente paga caro. Foi a demissão do povo alemão que os levou à derrocada da República de Weimar e ao nazismo. Também não é saída a esperteza. Não vai demorar e as pessoas perceberão que para cada trambique que derem, tem dez outras para dar trambiques nelas. Então, pouco a pouco, elas vão querer a ordem. E será a ordem fascista.

Isto É - É para isso que podemos nos encaminhar ?

Jurandir Freire Costa - Sim. Essas pessoas não vão mais aceitar a desordem, e os resultados eleitorais vão começar a apontar isso, para a eleição de políticos que tenham esse tipo de perfil, com maior ou menor dose populista, mas que vão vir para isso. Será o ápice da demissão.

 

 

[1] Revista ISTO É, Nº 982, 11 de julho de 1988, p. 3-7. Entrevista dada a Maurício Dias e João Carlos Leal com o título de "A Lei do Gérson". Este texto também encontra-se publicado no livro ÉTICA E O ESPELHO DA CULTURA, Rio de Janeiro: Editora Rocco, pp. 62-70. Entre parênteses encontra-se a referência originalmente no livro



Escrito por Regina Lopes às 15:18
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Em "Substitutos", robôs tomam lugar dos humanos

SÃO PAULO (Reuters) - No futuro, os seres humanos poderão se desvencilhar de algumas tarefas e delegar sua execução a um robô. Todas as atividades econômicas passariam, então, a ser executadas por máquinas, controladas à distância por seus proprietários, instalados em poltronas confortáveis e ligados a computadores que transmitem as ordens de seus cérebros aos substitutos.

O que parece ser um sonho fascinante, no entanto, pode esconder uma realidade nada agradável. Em vez de delegar apenas tarefas chatas, repetitivas e perigosas a robôs, os seres humanos estariam, na verdade, se escondendo para não revelarem os sinais de seu envelhecimento e decadência física. Seus substitutos, ao contrário, permaneceriam jovens, como eles gostariam de nunca deixar de ser.


O diretor Jonathan Mostow ("O Exterminador do Futuro 3 - a Rebelião das Máquinas") teve nas mãos ingredientes de sobra para refletir sobre esse "admirável mundo novo" em seu novo filme, "Substitutos", com estreia nacional na sexta-feira. Foi o mesmo que fez, aliás, Ridley Scott no cult "Blade Runner", de 1982.

Mas Mostow preferiu realizar um filme futurista, que também possui qualidades, mas com ênfase maior nos efeitos especiais e cenas de ação: perseguições e acidentes de carro em que as vítimas são os robôs com corpos humanos.

Nessa sociedade, dirigida nos bastidores por pessoas de carne e osso, o aparente planejamento perfeito foge do controle de seus idealizadores quando um desconhecido, munido de uma arma letal, passa a perseguir os substitutos de pessoas conhecidas para neutralizá-los. Só que a eliminação dos robôs causa também a morte do dono a quem o robô está conectado.

A trama é descoberta casualmente pelo detetive Tom Greer (Bruce Willis) -- na verdade, o substituto do verdadeiro policial, que o comanda de seu apartamento. A aparição inicial do personagem de Willis é hilariante: ele está com a pele de um jovem de trinta anos e fartos cabelos loiros, com direito a um topete - uma divertida brincadeira com o aspecto real do enrugado, careca e gordo ator, que não tem mais como esconder sua decadência física, a não ser com um substituto.

Mas esse jovem e ágil detetive-substituto não terá vida longa e o policial veterano terá de sair de seu apartamento em pessoa para executar sua missão. Entra em ação o Bruce Willis que todos conhecem da série "Duro de Matar", que dirigirá carros em alta velocidade, sofrerá todo tipo de atentados e acabará o filme todo estropiado, sangrando e com novas cicatrizes no rosto.

O detetive oculta um drama pessoal: perdeu um filho e, desde então, sua mulher, Maggie (Rosamund Pike), desistiu de enfrentar a realidade e prefere ficar conectada a sua substituta, como uma mulher ainda jovem e atraente.

Durante as investigações, Tom descobre que nem todas as pessoas que estão ao seu lado são confiáveis, mesmo na polícia. Alguns podem, de alguma forma, estar vinculadas ao mandante das mortes violentas dos substitutos e de seus donos.

O filme aborda, mesmo que de forma superficial, a tendência das pessoas preferirem se isolar num mundo irreal de progresso tecnológico e eterna juventude, em vez de enfrentarem os desafios diários que começam logo ao raiar do dia.

(Por Luiz Vita, do Cineweb)



Escrito por Regina Lopes às 20:38
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Cultura da violência

A ética e o espelho da cultura

 

por José Castello

  Quatro atributos, todos detestáveis, compõem o perfil da cultura brasileira hoje: o cinismo, a delinqüência, a violência e o narcisismo. Não é fácil, antes é muito doloroso, admitir que eles se tornaram a confusa imagem de nosso país. O cotidiano brasileiro nos leva, sempre, a deparar com cínicos, delinqüentes, homens violentos e lamentáveis narcisistas com a pose de homens de bem. Heróis de tempos obscuros, eles estão por toda parte - e um pouco dentro de nós mesmos. Não é fácil defrontar com essa imagem no espelho. Guardamos uma ponta de desconfiança, tentamos nos proteger, mas preferimos não pensar muito, e ver apenas o indispensável para seguir em frente.

O psicanalista Jurandir Freire Costa, ao contrário, quer fitar essa imagem frontalmente. Não é simples acaso que um psicanalista, e não um sociólogo, um cientista político, um antropólogo, tome essa decisão. Foi relendo Freud, com atenção voltada para a realidade do país, que Jurandir Freire Costa formulou seu esboço de teoria do Brasil. Em textos de alguns psicanalistas pragmáticos e contaminados de religiosidade científica preferem encarar como ficções freudianas em vez de teoria psicanalítica - casos de "Mal-estar na civilização", "Moisés e o monoteísmo" e "Psicologia de massas" - Freud mostrou que, sem um olhar que transcenda a realidade, sem um vôo sobre o real, o homem cai na agonia, na atomização, no pânico. E perde a própria humanidade.

Desprovidos de ideais que produzam alguma ordenação no mundo concreto, homens desnorteados se afogam no temor. Não há homem, portanto, sem um ideal. "Somos nós, indivíduos, que inventamos os universos de valores que nos permitem viver em comunidade, ou seja, assumindo compromissos", diz o psicanalista. "Só com valores nos tornamos capazes de prometer. De prometer e de cumprir". O homem se diferencia do animal justamente porque seu destino não está traçado no autoritarismo do instinto. A sociedade humana, fundada sobre um caos, precisa de artifícios culturais para sobreviver. "É em resposta à vulnerabilidade do corpo à potência esmagadora da natureza, à mortalidade que os homens inventam as civilizações", realça.

Quando o homem destrói este equipamento de segurança que o protege do perecimento, da evanescência, e retarda a morte, ele cai na mais absoluta desproteção. Torna-se, então, capaz de tudo, porque não é um animal cujos passos estão delimitados pelas regras de um impulso espontâneo e alheio à razão. Sem a cultura, o homem se tornaria mais desprotegido que o mais desprotegido dos animais. "A natureza não tem compromissos", lembra Jurandir Costa. "para processos naturais, não existe valor. Tanto faz morrer ou viver, porque tudo entra no mesmo ciclo da eternidade. Os homens é que são capazes de construir um espaço humano de permanência". A cultura não é, portanto, como querem crer os ideólogos da indústria cultural, um simples artefato de revestimento que retoca as aparências do universo humano. Não é uma "superestrutura", como os marxistas fizeram crer por décadas; não é um luxo, uma pausa entre dois momentos de seriedade, como faz crer a indústria da diversão e do lazer. Ao contrário, ela é a própria condição de sobrevivência do homem no Planeta. "Se você ataca sistematicamente o equilíbrio cultural de um povo, você retira dos indivíduos seu único dispositivo de proteção para enfrentar a desordem e o vazio", enfatiza o psicanalista, você se torna, então, um suicida.

Toda essa digressão é indispensável para se entender a vigorosa teoria do Brasil esboçada nos ensaios de Jurandir Freire Costa. Estamos, hoje, no país da desgraça. "Os indivíduos no Brasil tornaram-se moral e socialmente supérfluos", pensa o autor. Eles nada valem como cidadãos, pessoas que têm responsabilidades. Ao contrário, são postos em situação de desqualificação e de tutela. Pessoas lançadas neste fosso moral passam a descrer das leis. Valores, regras, ética, compromissos passam a ser entendidos apenas como racionalizações que encobrem a violência. Cidadãos amargos preenchem o vazio produzido por esta descrença com uma moral cínica. "O que vigora hoje, no Brasil, é uma razão cínica", identifica Jurandir Costa, tomando emprestado um conceito de Peter Sloterdijk. "No lugar da indignação, produziu-se um discurso desmoralizante que diz que toda lei



Escrito por Regina Lopes às 17:47
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é convencionalismo, formalismo, idealismo, conservadorismo".

Torpedeada a lei, é todo um universo simbólico que desmorona. Por isso esta sensação nacional de que nada mais tem valor: de que tudo "termina em pizza". Tornamo-nos, todos, homens sem pudor. Não são apenas os marginais organizados em falanges para o que der e vier, nem os políticos destilados na malversação e na corrupção renitente que se deixam dirigir por essa razão cínica. "Existe um elo indissolúvel entre o político que lesa o erário público, o cidadão que ultrapassa o sinal vermelho e o assaltante que mata", aponta o psicanalista. "Todos deixaram de levar em conta a lei". Mas nos parece muito sensato, quase sempre, ultrapassar o sinal vermelho, enquanto reclamamos do deputado corrupto, ou falsificar um recibo médico para o imposto de renda enquanto lamentamos o aumento da violência nas cidades. Realizamos uma cisão entre as duas esferas de valor, uma indignada e furiosa, outra generosa e condescendente, e acreditamos com isso salvar a própria pele. Exercitamos, assim, nosso cinismo.

Nada mais ilusório. Ora, o que é a lei senão esta convenção sem a qual não podemos sobreviver à desordem da natureza? A aniquilação da lei é, então, um ato suicida. Um exercício de auto-agressão. O motorista que estaciona na faixa de pedestres é, em certo sentido, tão violento quanto uma assaltante que metralha sua vítima. Ambos se julgam acima da lei e estão se destruindo. "A cultura da delinqüência é uma cultura suicida, por que nós, homens, enquanto espécie, não temos o instinto de sobrevivência para nos proteger", adverte Jurandir Costa. Mas cidadãos que atuam embriagados pela cultura da delinqüência têm os olhos vedados pela ilusão de que podem escapar impunemente da dissolução social. Não podem, e aqui começa a nossa tragédia brasileira.

O cidadão que estaciona em fila tripla para esperar o filho em porta de colégio age, ainda que em proporções diferentes, com a mesma arrogância delinqüente do marginal que fuzila um caixa de um banco ou a gangue que executa o motorista de um carro-forte. Todos atuam munidos da ilusão de que, apesar de tudo, irão escapar. Esta desclassificação da lei inclui, em seu extremo, um ataque à política. Vivemos num país em que a política está quase identificada com a delinqüência. Disso, se conclui que, se políticos no fim das contas agem movidos por razões inconfessáveis, todos devemos fazer o mesmo, ou seremos ingênuos e fracos. "No Brasil, você começa a ter uma desvalorização da política em favor de uma cultura marginal, de delinqüência, e dos interesses particulares de cada um", aponta o autor. Se a política deixa de ser o espaço próprio ao exercício da liberdade para se tornar o lugar privilegiado da delinqüência, os cidadãos intimidados retraem-se nos mecanismos cegos de sobrevivência que o pensador americano Cristopher Lasch chamou de "mínimo eu". Estamos em um país fragmentado em pequenos e cínicos seus. O país de anões, com suas almas toscas e seus desejo perverso de invisibilidade.

Mas eis a serpente enroscada sobre si mesma: na cultura da sobrevivência em que os indivíduos investem todas as energias na defesa de um terreno mínimo de sobrevivência, a conduta social de regra é a própria delinqüência. "O que a razão cínica faz é dizer que não existe mundo de valores, porque qualquer valor é produto da violência", mostra Jurandir Costa. Chegamos, assim, à terra do "salve-se quem puder", e escalamos os pescoços, uns dos outros hipnotizados pela utopia da redenção individual. "Mas, se não existe mundo de valores, qualquer situação é válida. Desaparece, então, qualquer possibilidade de reflexão ética". Se tudo é possível, nada é impossível: restam apenas a indiferenciação e a escuridão.

Estamos em um país que pensa assim: ou você explora, ou você engana, ou você é calhorda, ou você é escroque, ou não há saída. Por quê? Porque quem faz a lei é quem manda, quem se beneficia da lei são os amigos, e quem legisla está comprometido unicamente com seus interesses pessoais. Uma lei que fosse igual para todos é, portanto, mentira. Num país que pensa nesses termos, quem age dentro da lei cai no ridículo. Parece agir contra si mesmo, parece buscar a derrota. "É esse cinismo aplicado à vida cotidiana que se torna o mais perigoso", diz o psicanalista.

Os cidadãos brasileiros parecem, hoje, condenados a um destes dois terríveis destinos: ou se tornam burocratas



Escrito por Regina Lopes às 17:46
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obedientes, indivíduos rotineiros que fazem da anulação de si uma maneira de ser, ou reagem tomados pela arrogância delinqüente, atributo extremo de uma cultura regida pelo narcisismo. Os obedientes enfileiram-se na legião de provadores daquilo que Hannah Arendt chamou de "banalidade do mal", porque até o mais enlouquecido torturador é, antes de tudo, um burocrata dobrado pelo desejo de obedecer. Os que optam por delinqüir, perdendo a noção de prêmios e sanção, de permissão e interdição, afundam-se na cultura do narcisismo e do cinismo. O burocrata servil é, na aparência, o oposto do delinqüente arrogante, mas ambos fazem o mesmo tipo de jogo: desmerecem a importância de um ideal.

Aqui voltamos a Freud. Sem um ideal que caucione a vida social, o homem se torna um ente que viaja na escuridão. Passa a sofrer, então, de um "pânico narcísico", expressão pescada por Freud num romance de segunda classe inglês chamado When it was dark, que descreve a desordem provocada por uma suposta descoberta científica de que Jesus Cristo não foi, de fato, imortal. O "pânico narcísico" é um efeito avassalador de situações e que o homem perde suas referências de equilíbrio. Diante dele, a opção é a fruição imediata do mundo. O espelho de Narciso é o presente tornado destino. O futuro se transforma apenas numa quimera, estúpida, que esfarela em suas mãos. O sentimento dominante, então, é o de "fim de festa". Estamos próximos, é preciso dar nome, da psicopatia. "O que é psicopata senão aquele que, dentro de uma cultura que funciona adequadamente, é cego em relação a valores?", pergunta Jurandir Costa. "Se todos passam a agir à revelia da lei, entramos de fato numa cultura de psicopatas". Mas o autor, prudente em relação aos estigmas de hábito acoplados à noção psiquiátrica de psicopatia, prefere falar mesmo em delinqüência. O que desnorteia o país hoje é, mais do que uma doença, o sentimento de que fomos lançados de volta a um tempo primitivo e disforme, anterior a toda lei.

Em tempos sombrios, o narcisismo aparenta ser a única capaz de garantir ao homem um mínimo de imunidade. Só provido da cápsula narcísica ele ainda pode sentir confiança para navegar pelos desvãos de um país que exterminou a lei. Mas aqui é preciso fazer uma distinção: a cultura do narcisismo e da delinqüência não é um atributo necessário da cultura da violência. Mas o que parece um alívio é um perigo. "Em regimes totalitários, regidos pela violência, leis draconianas podem manter a sociedade funcionando, porque ainda resta a lei da obediência a um só líder", distingue o psicanalista. Mas é uma coesão mecânica, produzida pela dissuasão, pelo medo, pela intimidação. A cultura do narcisismo formou-se no Brasil, cabe lembrar, após a queda do autoritarismo. "Foi a incapacidade dos políticos de catalisar o desejo de mudança que produziu a descrença e justificou a delinqüência", diz o autor. Por isso parece fazer sentido, hoje, o sentimento irresponsável de que nos tempos do regime autoritário, ao menos, o país tinha alguma lei. Aqui Jurandir Costa nos deixa diante de uma grave advertência: num país em que a lei foi posta em descrédito, qualquer promessa de lei, por mais draconiana que seja, ou talvez quanto mais draconiana for, pode comportar um poder de sedução irresistível. Surge uma ilusão: a do "eu era feliz e não sabia". Podemos estar montados na cegueira de nosso pânico, sobre o ovo da serpente. A cultura narcísica é, em algum grau de possibilidade, uma cultura pré-fascista. Justiceiros moralistas, seitas fanáticas e skinheads espocando aqui e ali nos fornecem, hoje, indícios desse risco.

A análise afiada de Jurandir Freire Costa, desenvolvida em ensaios esparsos mas contundentes publicados na imprensa e reunidos nesta coletânea, coloca-nos cara a cara com um perigo: o da paralisia social. O sintoma da doença brasileira pode ser, hoje, a incapacidade de reação. Ou o sentimento generalizado de que qualquer reação se transforma, inevitavelmente, em frustração. Mesmo aqueles que conservam um mínimo de responsabilidade para com o país não escapam dessa sensação de impotência. "Enfatizo isso porque não tenho uma visão idílica do que pode vir a acontecer", admoesta o psicanalista. E, desmontando a hipótese de qualquer falsificação de seu pensamento em catecismo idealista, adverte: "Eu acho que o Brasil pode não dar certo, acho que a catástrofe pode chegar. Nada assegura que as coisas tenham solução. Há coisas que se encaminham para um ponto em que não há mais solução possível".

Jurandir Costa não faz essa dura advertência movido pelo



Escrito por Regina Lopes às 17:46
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pessimismo, mas pelo realismo e desejo de reação. O desencanto pode, de fato, destruir o país - e é contra ele que se deve agora lutar. As classes médias passam a sentir, ultimamente, o mesmo vazio de perspectiva que sempre foi sentido pelas populações marginalizadas", aponta. "Elas nunca tiveram qualquer universo de esperança. Só que isso, que antes era sentido apenas no gueto, passa agora a ser comum a todos nós". O cinismo aparece, na verdade, para encobrir o sofrimento. O amargor, a ironia encobrem a tristeza e a desesperança. E nunca é bom fugir do sofrimento e da infelicidade. A saída narcísica leva os cidadãos a buscar a felicidade na proteção de suas casas, munidos de artefatos de consumo cada vez mais sofisticados, mas cada vez mais descrentes de qualquer saída coletiva. Jurandir Costa pensa que o que está em jogo, por fim, é a liberdade, "A liberdade, no sentido clássico, é a liberdade de sair à rua, de participar de convívio comum. Era isso o que o escravo não tinha, e era por isso que ele não era livre". Intimidados pela violência, desconfiados até dos amigos e enclausurados em nossa vida privada, tornamo-nos escravos do medo. Tornamo-nos nossos próprios carcereiros.

Cidadãos reclusos em seu narcisismo, armados de cinismo até a alma, convictos de que atuar socialmente é o mesmo que delinqüir, vivemos da ilusão de que podemos escapar solitários da catástrofe. "Não vamos escapar", enfatiza Jurandir Costa. "A espécie humana não tem instinto de sobrevivência. Ela pode explodir o planeta de uma hora para outra, pode fazer da própria vida um verdadeiro inferno." O que a protege de si mesma é, nunca é demais insistir, a cultura. Este mundo de leis e ideais que transcende cada desejo individual e nos faz empenhar a palavra e depois cumpri-la. Sem os limites ditados por esta lei, o país permanecerá enjaulado nas pequenas miríades do narcisismo. É ele que nos enlouquece.

Os artigos e entrevistas de Jurandir Freire Costa reunidos nesse livro servem, seguramente, como um poderoso antídoto contra o pessimismo e a desilusão. Suas idéias, cruas e difíceis, a princípio fazem estremecer, mas logo, passado o susto, nos levam a pensar. Não há, hoje, caminho fácil para os que desejam formular uma saída para o Brasil. Não existem atalhos floridos, nem passagens secretas mágicas, ou vias expressas de segurança máxima. O caminho que temos pela frente é longo, tortuoso e inseguro. Nada garante, além disso, que encontraremos a luz em seu fim. Mas nossa única chance é lutar.

José Castello é jornalista.

* Prefácio do livro A Ética e o Espelho da Cultura, de Jurandir Freire Costa, da Editora Rocco.

 

José Castello


Mestre em Comunicação pela UFRJ, é colunista do “Prosa&Verso” de O GLOBO, colaborador do VALOR ECONÔMICO, das revistas BRAVO! ÉPOCA, e do RASCUNHO, portal literário. Ele foi cronista e repórter literário de O Estado de S. Paulo, editor de “Idéias” do Jornal do Brasil, da sucursal carioca de Istoé e repórter de Veja. É autor do romance Fantasma,(Finalista do Jabuti 2003) e livros sobre escritores como João Cabral de Melo Neto - O homem sem alma e a biografia do poeta Vinicius de Moraes O Poeta da Paixão, (Jabuti em 1994).
José Castello é Jurado do Prêmio Portugal Telecom de Literatura.

 

Ouça a entrevista com José Castello: www.letraseleituras.com.br/entrevistados.php?...



Escrito por Regina Lopes às 17:44
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Novos velhos são exemplo de vitalidade e saúde

http://www.suadieta.com.br/Content/img/materias_idoso.jpg

 

Dona Canô, com 102 anos, faz exercícios todos os dias e diz que o segredo da longevidade é não se indignar.

 O passar do tempo deixa marcas e impõe desafios pessoais e até mesmo financeiros. O maior deles: ter saúde. E até nisso os novos velhos surpreendem.

Autonomia e independência. Ter saúde depois dos 60 ganhou novo significado para as pessoas e para as famílias. Acordar de manhã e não conseguir se levantar sozinha: a aposentada Josefa Matos tem se esforçado para vencer a rotina de limitações: “O mais difícil é não andar. Tenho mais vontade de andar e não posso. Mas do resto tudo eu vou vencendo", afirma a aposentada Josefa Matos.

O tratamento é lento, exige paciência. Ela ainda se recupera da retirada de um tumor na medula. Como subir e descer quatro lances de escada depois de uma cirurgia e sem poder andar? Era o drama de Dona Josefa, que morava em um prédio, sem elevador. Mas como resolver esse problema numa família de pouco dinheiro? Só há uma alternativa, dizem os filhos: fazer qualquer sacrifício para ajudar no tratamento.

A primeira providência foi mudar de endereço. Hoje ela mora em um prédio com elevador, tem acompanhantes e fisioterapeuta. As despesas são divididas entre os dez filhos.

“Mesmo com esse baque financeiro, conseguimos ficar mais unidos. Acho que isso ajudou na recuperação dela", elogia a administradora Luciana Matos.

“Nossa mãe é uma guerreira. Ninguém imagina uma mãe numa cadeira de rodas. A luta é administrar a cabeça, isso é complicado", diz o funcionário público José Roberto Matos.

 

 

O empenho dos filhos tem sido decisivo. Dona Josefa melhora a cada dia: “Se eu não tivesse esses filhos todos, já tinha morrido. Quem vinha tomar conta? Fazer tanta coisa para mim?".

A ajuda da família não é tudo, diz o doutor Wilson Jacob. Ele recomenda mais atenção à saúde antes de se tornar um idoso. Envelhecer, de acordo com o professor, é uma tarefa para a vida toda.

"Podemos nos ocupar, preparar este envelhecimento, ao contrário do que fizeram nossos antecessores, que era sempre o de temer o envelhecimento ou buscar estratégias fantasiosas de reverter o processo de envelhecimento", aponta o geriatra Wilson Jacob Filho.

A partir dos 60 anos, a probabilidade de ter hipertensão é de 50%. Diabetes: 20%. Aos 70, é grande o número de derrames e de fraturas causadas pela osteoporose não tratada. Aos 80, aumenta a incidência de doenças como o Mal de Alzheimer.

Quem não se cuida, sofre mais depois dos 80. “Foi aquele diabetes que começou aos 50 e mal cuidado provocou complicações aos 80. Aquela hipertensão que começou aos 40 e mal cuidada provocou complicações", diz o geriatra Wilson Jacob Filho.

Os grandes vilões do envelhecimento têm um apelido: os 5 Is: “imbalance”: perda de equilíbrio, em inglês, “incontinências”, “imobilidade”, “incapacidade progressiva de raciocínio” e a “iatrogenia”.

“A última é consequência do ato de prescrever ou de indicar exames ou do uso indiscriminado de medicamentos ou de técnicas que são propaladas boca a boca e que não passam por um crivo científico adequado”, explica o geriatra Wilson Jacob Filho.

Se a maioria das doenças é crônica, um dos caminhos é combatê-las todos os dias. É bom, por exemplo, exercitar a memória, que começa a ser perdida bem cedo a partir dos 20 anos.

Esquecer o nome de uma pessoa conhecida, não se lembrar onde deixou a chave do carro são sintomas do envelhecimento. Mas há como evitar esse processo de perda da memória que faz a gente esquecer das coisas. Um grupo tenta resolver esses problemas com exercício que puxam pelo raciocínio, na aula de neoróbica.

Números, cálculos, jogo de damas, caça-palavras. O que parece uma brincadeira, aqui, é remédio.

"O jogo de palavras trabalha a parte frontal esquerda do cérebro, onde há algumas estruturas responsáveis pelo raciocínio lógico e pela memória semântica e linguagem", aponta a neuropsicóloga Adriana Monzambe.

A aposentada Elzi Dias Alessandrini está gostando dos resultados: “Esses exercícios já modificaram muito minha capacidade de memorizar as coisas. Eu tenho muitos netos também e eu preciso ter a memória mais ou menos em dia. Não é só a memória, os assuntos também. Então a gente fica com tudo isso em dia para dialogar com os netos e me sentir à vontade entre eles”.

E a depressão? Como combater essa doença que também costuma maltratar os idosos?

“Quanto mais conversar melhor. Com amigos e se possível fazer novos amigos. O isolamento é condenável. A gente precisa trabalhar preventivamente nessa fase para que a depressão não entre, porque ela é sorrateira", aponta a gerontóloga Cristiane Felipe.

O que dizer de uma centenária cheia de alegria e disposição?

“Eu gosto dos exercícios. Faz as pernas de uma vez, depois faz a outra. Nos braços, até maromba eu faço", avisa Dona Cano, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

São três sessões de Pilates por semana. Não parece, mas Dona Canô já fez 102 anos. Com uma saúde de dar inveja. Uma lucidez...

“Meu conselho para viver muito é não ficar se indignando por tudo. Qualquer coisa se revolta. Aí já vai perdendo a saúde. Qualquer coisa que abala o coração a saúde sente", opina Dona Cano.

Se engana quem pensa que Dona Canô come que nem passarinho. Nada de regime. Fechar a boca? De jeito nenhum.

"O prato que eu mais gosto é feijoada”, diz.

E de brincadeira, acabei pregando uma peça nela:

"Mingau, não, que é isso. Mingau só quando eu não tiver mais cabeça. Mingau é coisa de velho e de velho doente, o que é pior", rebate Dona Cano, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 17:31
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Mercado investe nos consumidores com mais de 60 anos

http://www.abril.com.br/imagem/idoso-consumo436.jpg


Os novos velhos são um tipo de consumidor especial, fiel a marcas e com dinheiro no bolso.

 O Brasil com mais de 60 tem inúmeras oportunidades de bons negócios. É um tipo de consumidor especial, fiel a marcas, disposto a fazer compras sempre nos mesmos lugares e com dinheiro no bolso.

Se eles deixaram os velhos clichês sobre a velhice de lado, a publicidade acompanha. Uma agência resolveu apostar em modelos de terceira idade.

“Me senti uma rainha por um dia”, comenta uma das “novas” modelos.

Senhores e senhoras empolgados com a descoberta de uma nova profissão. “Fiquei entusiasmado e resolvi fazer um teste. Ronaldo Fraga ficou meu amigo”, conta um dos modelos.

No início do ano, foram convidados para fazer um desfile da grife do estilista Ronaldo Fraga. Um momento emocionante de reverência: “Tudo requer uma certa experiência, uma certa liberdade. O ambiente estava muito gostoso, legal, nos deixou À vontade”, conta um idoso.

Eles se portam com mais distinção, ponderam antes de agir. Mas são firmes. Se há mais tempo e disposição para aproveitar a vida, por que não aproveitar o mundo? Jovens de idade avançada não perdem um minuto do resto de suas vidas. Pelo menos quatro vezes ao ano, a aposentada Ana Fraraccio vai a uma agência organizar roteiros de viagem para fazer com as amigas: “Tem uma programação boa, estou indo”.

A agente de viagens Marília Figueiredo é agente há 22 anos. Especialista em vender pacotes para esse público, diz que mostrar confiança é fundamental para os passageiros com mais de 60 anos: “O principal é a segurança, tanto na empresa em que estão comprando e o que compram também”.

Os idosos representam 50% do faturamento da agência. Para o diretor comercial, Salomão Barros Costa, que está há 35 anos no mercado, é um bom negócio: “É um povo maravilhoso, uma gente fácil de lidar, pessoas educadas, divertidas. A inadimplência é zero”.

Os prestadores de serviço, a indústria e o comércio já perceberam. O chamado mercado maduro tem enorme potencial de negócios: representa 10,5% da população brasileira. São chefes de família de 25% dos domicílios do país, quase 20 milhões de pessoas que precisam de serviços e produtos diferenciados. Um cliente que está disposto a gastar com responsabilidade.

Segundo uma pesquisa de perfis e hábitos de consumo do programa de pesquisas do varejo da faculdade de administração da USP, uma vez satisfeitos com a loja, os idosos voltam sempre: 78% visitam supermercados pelo menos uma vez por semana.

“A relação com os funcionários, com as pessoas que lá estão e que o recepcionam de uma maneira que ele considera calorosa ou aconchegante”, avalia o presidente do PROVAR Claudio Felisoni de Araújo.

A maturidade vem acompanhada de exigências. A maior delas é por qualidade. Conservador ou moderno, questionador ou festeiro, o novo idoso está provocando mudanças nos produtos e, principalmente, no atendimento.

Em várias atividades é possível desenvolver um projeto diferenciado, específico para os idosos, como em uma academia de ginástica. A aula foi feita para eles. Alguns profissionais já entenderam que este é um grande filão.

A professora de Educação Física Patrícia Albertini é especialista na fisiologia do exercício, na saúde, na doença, no envelhecimento. É uma espécie de anjo da guarda da turma. “Para trabalhar com idoso, tem que ter o dom, amor, paixão. Se não tiver, não vai”, diz.

Com a ajuda de Patrícia, eles desafiam os limites do corpo de forma saudável.

A aposentada Zilda Chiavone teve um derrame. Nem parece. Ela se emociona com a própria recuperação: “Fiquei um mês fora. Voltei. Exercício traz autoestima, você tem uma qualidade de vida muito melhor, tem condições de frequentar lugares onde jovens frequentam”

A aposentada Francis Medina da Silveira tem 82 anos e uma vitalidade invejável: “Elas dão aula para a gente raciocinar. Você se sente bem, maravilhosa”.

 



Escrito por Regina Lopes às 17:31
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Informação X Conhecimento

http://unicli.astl.com.br/public/meu_conhecimento.jpg

 

Matheus Arcaro

 


Há algum tempo o jornal “O Estado de São Paulo” anda veiculando um comercial (ver no final) no qual o argumento de venda é a distinção entre conhecimento e informação. A diferenciação, em si, é pertinente. No entanto, cabe um aprofundamento na questão. Para isso, recorro a um pensador do século XVII, John Locke.


A teoria do conhecimento de Locke, exposta na obra “Ensaio sobre o Entendimento Humano” é empirista, ou seja, para ele todo conhecimento é, fundamentalmente, derivado da experiência sensível. O objetivo inicial da obra é, na verdade, político: expurgar o poder absolutista vigente na Inglaterra. O absolutismo era alicerçado no inatismo (que defendia que algumas idéias nasciam com os homens, gravadas na mente). Os soberanos, então, governavam por uma “concessão divina”; eram legítimos herdeiros daquele que criou o universo. “A mente humana é uma folha em branco, preenchida ao longo do tempo com a experiência”, afirmava Locke. Nessa perspectiva, todos nascem iguais. Demonstrado que o conhecimento deriva da experiência, o absolutismo alicerçado no inatismo cai por terra.


Entrando na questão do conhecimento propriamente dito: refutado o inatismo no início da obra, Locke vai mostrar como se dá o aprendizado, ou seja, como ocorre a passagem das impressões particulares para as idéias gerais e abstratas. São 5 passos:


1- Os sentidos recolhem o material que vai formar idéias particulares.
2- O entendimento vai se familiarizando com as impressões particulares decorrentes dos sentidos.

3- As idéias familiarizadas são alojadas na memória.
4- Para recuperar as idéias na memória, rotulam-se as mesmas, ou seja, emprega-se um nome aos conceitos (daí a importância da linguagem. Ela é o meio pelo qual as idéias exteriorizam-se).
5- Abstrai-se e criam-se nomes gerais, universais, que todos (ou quase todos) são capazes de entender.


A definição lockiana de conhecimento é: “percepção do acordo e conexão ou desacordo e oposição entre as minhas idéias”. O conhecimento é interno ao sujeito. É a capacidade de relacionar ou constatar o desacordo entre idéias. A informação (este não é um termo contemporâneo de Locke) é exterior. Pode virar ou não conhecimento.


Que benção! Se a informação pode virar conhecimento e vivemos na era da Sociedade da Informação, a possibilidade de conhecimento é grande, né? Não é bem assim. Recorramos novamente ao “Ensaio sobre o Entendimento Humano”. Locke nos fala de 3 graus de conhecimento:

Primeiro, o intuitivo que consiste na comparação imediata entre duas idéias, sem, portanto, necessidade de mediação. Mas não é sempre que conseguimos comparar sem mediação. Então surge o conhecimento demonstrativo, racional, que consiste na intermediação entre duas idéias para que haja a ligação. A matemática é um exemplo. Por fim, temos o sensitivo, que é a percepção das coisas particulares, limitado pelos próprios órgãos sensoriais. Este, só é válido para aquele momento. “Não é possível fazer-se ciência nesse grau de conhecimento”, diz Locke.

A informação está nesse grau.

A Sociedade da Informação não é, necessariamente, benéfica. Ao contrário, pode ser um obstáculo ao conhecimento. Conhecimento é um processo interno. É a possibilidade de aplicar o aprendido a outras situações, generalizar.
Conhecimento é “digestão”. Mas, hoje em dia, mal comemos uma informação, já temos outra sobre a mesa. Vorazes, devoramos. Engordamos, mas não estamos nutridos.
Repassar informação! Eis o que a maioria das escolas faz. Pressionadas pela necessidade de aprovação no vestibular, enxergam os alunos como “sacos” de depósito de conteúdo. Não ensinam a pensar, a fazer as conexões (como Locke aponta ainda em 1690).

Dicionários contemporâneos colocam conhecimento e informação como sinônimos. E, algumas pessoas tomam um pelo outro. “Menina, você não viu isso hoje no jornal?”, perguntam indignadas. Viram papagaios. Reproduzem o que ouvem ou lêem.

Voltando ao Estadão. O comercial é todo pautado pela oposição entre conhecimento e informação. Vejamos algumas colocações:
“Se hoje informação é de graça, qual o valor do conhecimento?”
Visão estritamente mercantil. Conhecimento, aqui, é mercadoria. O valor cognitivo seria aumentado pela gratuidade da informação. Que beleza!

“Conhecimento é difícil de achar.” Eis uma definição brilhante! O conhecimento não é “achável”. Como vimos, é um processo interno do sujeito.


Jornal, seja ele qual for, não traz em si o conhecimento. Mas se, por ventura, um trouxesse, todos trariam. Ilustro com manchetes desse domingo (18/09/09):

Estadão on line: “PM busca traficantes e corpos em quatro morros da zona norte do Rio
Folha on line: “Mais inocentes podem ter morrido no Rio, diz PM

Para usar como argumento de venda a distinção entre conhecimento e informação, ou a agência de publicidade do Estadão sabia que o jornal não fornece conhecimento e foi imoral, ou (o que é mais provável) só tinha informação e não conhecimento sobre o conhecimento.

Fonte: http://oqueinspira.blogspot.com

Publicado e divulgado sob autorização do autor.

 

 



Escrito por Regina Lopes às 17:25
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http://www.gepmg.org/imagens/sprj.gif

 

SPRJ

 

Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro

 

Jornada: "Violência - Um Enfoque Abrangente"

 

 

 

SABADO 24 DE OUTUBRO DE 2009 - DE 08h30min As 13h30minhs

 

08h30min- 09h40min-Mesa I- Sobre Violência

 

"Perda de biodiversidade e suas Relações com Homicídios e Suicídios"

 

Jornalista Prof. Andre Trigueiro: Jornalista com Pós-Graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ. Professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental PUC/RJ. Autor do livro "Mundo Sustentável - Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação". Coordenador Editorial e um dos autores do livro "Meio Ambiente no Século XXI"

 

"0 Crime e a Violência no Imaginário Carioca"

 

Dr. Jose Marcelo Zacchi: Advogado, Membro do Conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Publica e diretor executivo  do Instituto Overmundo

 

"Pensando a Violência"

 

Coord.: Dr. Paulo Quinet: Medico Psiquiatra, Analista Didata da SPRJ, Ex-Professor da Escola Medica de Pós-Graduação Carlos Chaga (PUC-RJ), Ex-Professor da Faculdade de Psicologia (USU)

 

09h40min-10h50min-Mesa II - Violência e Saúde

 

"Violência e Doença Mental- Mitos e Realidades"

 

Dr. Talvane de Moraes: Livre-docente e Doutor em Psiquiatria, Professor em Psiquiatria Forense da EMERJ/T J, Membro da



Escrito por Regina Lopes às 15:08
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Psiquiatria, Professor em Psiquiatria Forense da EMERJ/T J, Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro

 

"A Produção de Sintomas Como Silenciamento da Violência"

 

Dr. Marco Aurélio Soares Jorge: Psiquiatra, Professor

e Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Doutorado em Saúde Publica na área da violência e Saúde

 

"Intervenção Terapêutica - Proteção ou “Violência”

 

Coord.: Dr. Jose de Matos: Ex-Presidente da SPRJ,

Ex-Presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia Analítica de

Grupo, Psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria, Membro

Didata da SPRJ e Técnico Pericial Psiquiatra do Ministério Publico do

Estado do Rio de Janeiro

Intervalo 10h50min-11h10min

 

11h10min-12h20min-Mesa III- Violência e Sociedade

 

"Violência e Justiça"

 

Dr. Fernando Fragoso: Professor Titular de Direito Penal daUCAM

 

"Assedio Moral"

 

Dr. Joviniano Spaltemberg de S. Carvalho: Advogado, especializações em Direito Civil e Processual Civil, Direito Tributário e Finanças Publicas, e em Ensino Superior. Formação acadêmica em Direito Ambiental e em Direitos Indígenas.

 

Coord.: Dr. Sergio Freitas: Membro Associado da SPRJ e ProfessorAdjunto do IPUB/UFRJ

 

12h20min-13h30min - Mesa IV - Violência - Infância,

Adolescência e Família

"Bulling"

 

Dr. Lauro Monteiro: Pediatra, Editor do Site Observatório

da Infância

 

"Adolescente e Delinqüência"

 

Dr. Alyrio Cavallieri: Desembargador Aposentado do Tribunal de Justiça e Ex-Juiz Aposentado

 

"Violência e Família"

 

Coord.: Dra. Vera Marcia Ramos: Membro Efetivo e

Didata da SPRJ Medica Psicanalista especialista em Crianças e Adolescentes pela IFF da FIOCRUZ

 

Coordenação do Evento: Eronides Fonseca (Diretora da Comissão Científica) Co·Coordenação: Maria Cecília Senna

 

Local: Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro - SPRJ - Rua Fernandes Guimarães 92, Botafogo - CEP 22290-000

Te/s.: 2543-4998 e Telelax: 2295-3148 E-mail: sprj@sprj.org.br Site: www.sprj.org.br

 

ENTRADA FRANCA



Escrito por Regina Lopes às 15:07
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Por que as mulheres são tão tristes?

Um estudo americano de 37 anos ilumina um terrível paradoxo: objetivamente, a vida das mulheres jamais foi tão boa. Subjetivamente, nunca foi pior.

Martha Mendonça. Colaborou Fernanda Colavitti
Época

Stefano Martini
CANSADA
A redatora de TV Claudia, em sua casa, no Rio. “A emancipação feminina é um contrato que tem de ser renegociado”

O ano em que a redatora de televisão carioca Claudia Valli nasceu, 1963, foi marcado pelo lançamento de A mística feminina. O livro históricor de Betty Friedan alardeava a frustração feminina por ter apenas os papéis de esposa e mãe e foi um marco no movimento pela emancipação das mulheres. Hoje, prestes a completar 46 anos, Claudia olha sua própria vida e questiona essas conquistas. Ela trabalha oito horas por dia e administra a casa onde mora com os três filhos – um casal de adolescentes, de seu primeiro casamento, e um menino de 9 anos, do segundo. Tem empregada apenas duas vezes por semana e uma ajuda “relativa” dos ex-maridos. Raramente dorme mais que quatro horas por noite, já que muitas vezes precisa adiantar trabalho de madrugada, além de monitorar o caçula, que é diabético. Na mesa de cabeceira da cama, uma pilha de livros comprados e não lidos. Na mente, a preocupação com os quilos a mais e a falta de tempo para fazer qualquer tipo de exercício. Claudia está sozinha desde a última separação, há cinco anos, e diz que um namorado, agora, seria mais um motivo de estresse. “A emancipação feminina é como um contrato que foi assinado sem ter sido lido direito e que agora precisa ser renegociado”, diz ela. “A vida tornou-se um show que não pode parar.” Antes de dar entrevista a ÉPOCA, Claudia passou no supermercado para comprar pão, leite e banana. Depois de feitas as fotografias, preocupou-se em não parecer mais velha do que é: “Dá para melhorar com Photoshop?”.

Longe de ser uma anomalia, a insatisfação de Claudia com a própria vida é a mesma de milhões de outras mulheres mundo afora. Um estudo de Betsey Stevenson e Justin Wolfers, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostra um surpreendente e acentuado declínio da satisfação feminina nas últimas três décadas – período durante o qual cresceram de forma exponencial as oportunidades de trabalho, as possibilidades de educação e, sobretudo, a liberdade da mulher de decidir sobre a própria existência, prática e afetiva. É possível afirmar, sem nenhum traço de dúvida, que as condições objetivas nunca foram tão favoráveis às mulheres desde o início da história humana. Entretanto, entrevistas anuais realizadas com 1.500 pessoas, homens e mulheres, desde 1972, nos Estados Unidos, mostram um cenário de crescente insatisfação subjetiva. A cada ano que passa, menos mulheres se dizem felizes com a própria vida, enquanto um porcentual cada vez maior de homens afirma estar contente. Isso acontece com mulheres casadas e solteiras, com e sem filhos, bem ou mal empregadas, brancas ou negras, pobres e ricas. A insatisfação atinge todos os grupos e se torna pior à medida que as mulheres envelhecem. Quando jovens, elas se dizem mais realizadas que os homens. Pouco depois dos 40, isso já se inverteu. “A tendência é clara, se manifesta em pesquisas realizadas no mundo inteiro, e vai na direção contrária à que nós poderíamos imaginar”, afirma Marcus Buckingham, especialista em pesquisas e autor de diversos livros sobre macrotendências sociais.

As razões dessa melancolia de gênero são difíceis de apontar com precisão. O estudo, assim como Claudia, tende a enxergar no acúmulo de velhas tarefas e novas responsabilidades a causa dos dissabores femininos. “A vida das mulheres ficou mais complexa e sua infelicidade atual reflete a necessidade de realização em mais aspectos da vida, se comparados aos das gerações anteriores”, dizem Stevenson e Wolfers. “As mulheres foram para a rua, mas mantiveram a responsabilidade emocional pela casa e pela família.” É o pesadelo da dupla jornada, física e emocional, que exaure as mulheres e destrói casamentos.

O problema com essa explicação, bastante óbvia, é que ela ignora a realidade estatística: nos países desenvolvidos, homens e mulheres trabalham o mesmo número total de horas diárias, cerca de 7,9. Os homens fazem 5,2 horas de trabalho pago e 2,7 horas de trabalho doméstico, em média. As mulheres fazem 3,4 horas de trabalho externo e 4,5 horas de trabalho doméstico. Uma pesquisa realizada em 25 países sugere que apenas em locais como Benin e África do Sul as mulheres trabalham muito mais horas por dia.

 Reprodução  

Outro fator que não ajuda a tese da sobrecarga é que a divisão das tarefas domésticas melhorou sensivelmente nas últimas décadas. Entre 1975 e 2008, o número de horas dedicadas ao trabalho doméstico pelas mulheres caiu de 21 para 17 por semana, enquanto a participação masculina cresceu de seis horas para 13 horas semanais. A mesma tendência se revela nas horas que pais e mães passam com as crianças. Logo, se a divisão de tarefas não é perfeita, ela vem melhorando ano a ano, ao contrário do estado de espírito das mulheres, que só piora. Diz Buckingham: “A infelicidade não parece ser uma questão de horas de trabalho ou de atitude. E a desigualdade em relação ao trabalho doméstico está desaparecendo. Onde está a explicação?”.

Na tentativa de entender, o estudo americano ressalta a extrema valorização da beleza e da juventude em nosso tempo, que afeta mais as mulheres que os homens. Enquanto elas aumentam seu nível de estresse com cosméticos e tratamentos estéticos e cirúrgicos, os homens muitas vezes ficam atraentes com a maturidade. Aos 50, quando as mulheres já deixaram para trás a possibilidade de reprodução, homens grisalhos começam novas famílias e viram pais. Eles podem ser charmosos à maneira de Sean Connery ou bonitos ao estilo José Mayer. Mas das mulheres se espera que continuem depois dos 40 com a aparência que tinham aos 20 anos. “Não adianta mostrar fotos de Sofia Loren maravilhosa aos 75 anos. O fato é que as mulheres envelhecem mais rápido que os homens, e a maioria de nós se incomoda com isso”, escreveu a articulista Penny Vincenzi, do jornal britânico Daily Mail, comentando as angústias femininas captadas pelo estudo. “Eu sou uma mulher abençoada com uma família grande e feliz, mas, ainda assim, me preocupo diariamente com as pelancas do braço e as rugas do rosto, que se multiplicam à velocidade da luz.”



Escrito por Regina Lopes às 10:42
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Sergio Zacchi
CONTRADIÇÃO
Olga, terapeuta corporal paulistana, no parque ao lado de sua casa. Casada, queria a carreira. Separada, deseja uma família

O publicitário paulistano Jaime Troiano faz pesquisas periódicas sobre a mulher brasileira e diz não se surpreender com o crescimento da insatisfação. A multiplicação dos papéis que elas encarnam, ele afirma, pode ser vista claramente na propaganda. “Ao longo do tempo, a mulher tem se tornado alvo de mais mercados. Isso quer dizer que ocupa cada vez mais espaços na sociedade”, diz. Um estudo recente de sua empresa de consultoria mostrou o abismo entre a forma como ela se vê e a mulher que ela idealiza ser. “A maioria se diz simpática, confiável, sincera ou carinhosa, mas gostaria de ser informada, decidida, criativa ou corajosa”, afirma. “Elas querem ser poderosas, criam expectativas de todo tipo, mas ainda veem seu eu real ligado a características historicamente femininas. Isso causa angústia.”

Não se trata, aparentemente, de uma crise objetiva, que demande medidas concretas para sua reversão. Parece, antes, uma crise existencial das mulheres. Depois de quatro décadas de mudanças trepidantes, elas talvez precisem resolver que mundo desejam para si mesmas e que papel gostariam de exercer nesse mundo. Enquanto isso não se esclarece, testam, experimentam e, como mostram as pesquisas, sofrem. “O feminismo funciona em ondas”, diz a psicanalista gaúcha Diana Corso, estudiosa do universo feminino e autora do livro A fada no divã. Diana diz que vivemos o “refluxo” da euforia das décadas de 70 e 80, quando as mulheres se libertaram sexualmente e ingressaram com força no mercado de trabalho. “A mulher que emerge desse momento almeja muita coisa: quer ser a melhor mãe, ter uma carreira maravilhosa e um corpo belo e jovem que produza muitos orgasmos”, afirma a psicanalista. “A mulher emancipada ainda é uma novidade social. Como todo novato, exagera na cobrança das realizações. Não se pode estar plenamente satisfeita em tudo.”

A terapeuta corporal paulistana Olga Torres é bom exemplo das ambiguidades do mundo feminino. Aos 35 anos, ela admite que não descobriu os caminhos que a farão feliz. Casou-se aos 20 anos e, por uma década, preferiu cuidar apenas da casa. Com o tempo, sentiu que precisava trabalhar. Arrumou um emprego e voltou a estudar. A mudança na vida a dois acabou minando seu casamento. Agora vive a experiência inversa: realizada no trabalho, sente falta de ter uma família. E filhos. “Sei que eu não me contento com pouco. Não quero um homem qualquer, mas alguém que seja companheiro e, desta vez, entenda que minha carreira é fator de realização”, diz. Ela admite, também, que as mulheres ainda não sabem o que fazer com tantas opções. “A liberdade de escolha traz um peso enorme.”

Os homens s